33 Copiapó a Fiambalá Paso San Francisco (62)

Garupa ou Co-piloto? Com a palavra Andréa

Minha história com motos é interessante. Nunca tive medo, na verdade sempre foi pavor mesmo rsrsrsrsrsrsrsrs
Meu primeiro contato com moto foi quando Jorge decidiu comprar uma moto para levar na viagem de fim de ano para Peruíbe, isso mesmo, para levar, pois desmontou a moto, colocou no porta-malas da Caravam que tínhamos na época (que coisa antiga, alguém lembra deste carro??? rrsrsrsrsrsr) e montou quando chegamos na praia para podermos passear, andar nas trilhas da Juréia, “azarar” pela praia (outra coisa antiga heheheh). A coisa de que mais tenho lembrança até hoje é do cheiro de óleo dois tempos que levei dias para tirar do cabelo e da roupa!
Tempos depois, Jorge decidiu comprar uma moto para trabalhar, pensei: Sairei ilesa desta história, ele vai usar só pra trabalhar mesmo!!! Mas esqueci que quem gosta de moto, gosta TODOS os dias e pra tudo, principalmente para passear nos fins de semana. Foi o que aconteceu: primeiro, viagens bem curtas a Santos, litoral paulista, cerca de 80 km, com inúmeras paradas para descansar a dor intensa nos glúteos!!!!! E para eu me recuperar, descia da moto quase uma tábua, de tão dura!!!! Um pouco antes de vir para Bahia, decidimos fazer a viagem mais longa da minha história: ir para Caraguatatuba (180 km)… foi lindo, pela Serra do Mar, realmente lindo, mas nada relaxante! e achei que seria o mais longe que conseguiria ir….
Quando chegamos na Bahia, logo entramos para o Motoclube Rota99 (um sonho antigo de Jorge: participar de um motoclube), começamos a viajar para interiores próximos e não conseguia imaginar como minhas amigas da Associação das Garupas conseguiam dormir enquanto viajavam… eu brincava que se me vissem de olhos fechados podiam parar, pois eu havia morrido rsrsrsrsrsrsrsrsrs era um Dorflex antes e um depois da viagem, para relaxar heheheheheheheheheh. Às vezes tinha a sensação de que um dia iam me tirar imóvel de cima da moto, de tanto que meus músculos se contraíam!
Mas o tempo foi passando, os kms aumentando, até que bati meu recorde, ir para Arraial d´Ajuda, mais de 700 kms, sozinha com o Jorge, na ida tudo tranqüilo, paramos em Itacaré, foi ótimo… já a volta, feita de uma vez, quase me matou, levamos 12 horas, quando chegamos ao Ferry Boat, eu pensava: acho que vou de ônibus até em casa!!! Mas o problema era o banco da moto, descobri depois, um pouco tarde. Fizemos viagens para Aracaju e Maceió, lugares mais distantes até então.
Quanto Jorge começou a falar na “grande aventura”, fiquei meio receosa, principalmente porque era para Machu Pichu e, como já contado por ele, com muitas dificuldades, não vou mentir que não me animei em nada. Ele, vendo meu desânimo, mudou o rumo para o Chile, aí sim comecei a participar ativamente, fiquei responsável pelas estadias e suas localizaçãos, pela lista do que levar de bagagem e por criar o blog. Me animei tanto que em poucos dias tudo estava pronto, estava começando nossa aventura e a realização de um sonho, mais dele do que meu, confesso rsrsrsrsrsrsrsr mas isso ia mudar……………
Quando a viagem começou eu nem acreditava que estava acontecendo e que eu ia participar daquilo, as pessoas que nos conhecem sempre perguntavam: mas a Andréa vai mesmo??? Todos tinham dúvidas!!! Também, pudera, pra quem não queria nem subir em uma moto, andar quase 10.000 km….
Em pouco tempo eu já estava fotografando, vendo o GPS (Dieter, obrigada), vendo mapas, e até cochilando em cima da moto…. não concordo com uma ex-garupa (da qual li o relato), que vemos apenas um capacete preto na frente e por isso ela mudou para piloto, AMEI estar na garupa e nela vou continuar sempre, pois consegui ver tudo, aproveitar tudo, mas concordo com outro relato, de um motociclita, que hoje sei que não sou apenas uma garupa, mas sou a co-piloto.
Com certeza, esta viagem foi muito mais que um passeio, foi uma prova de superação de medos, de frescuras, de desafios e, com certeza, de alegrias, de muitas alegrias, pois trouxe uma sensação de felicidade indescritível. Vivenciar e experimentar as sensações a que tive acesso, foi algo que JAMAIS me esquecerei durante toda minha vida, mesmo que faça outras (como agora espero fazer sempre), com certeza não irão superar tudo que senti durante estes dias de viagem.
Foi cansativo, sem dúvida, mas valeu cada segundo de cansaço em virtude dos kms rodados, valeu cada dificuldade, pois estas eram sempre superadas por algo maior, maravilhoso que vinha ao nosso encontro. Imagens impressionantes, surreais, lugares incrivelmente lindos e magníficos, pessoas especiais ao longo do caminho, enfim, tudo que só se pode conhecer através da experiência.
Digo a todos que conheço: Façam esta viagem!!! Seja de moto, de carro, de avião, a pé, a cavalo, de buzu, mas não deixem de fazer porque é tudo muito diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, é algo único.
Para que todos tenham uma idéia do que representou esta viagem pra mim, ao chegar de volta a Foz do Iguaçu, falei a Jorge que se ele, naquele momento, sugerisse começar tudo de novo, eu o faria, sem pestanejar!!!! Agora era meu sonho também!!!
Enquanto fazia o blog, pude vivenciar tudo novamente, e espero fazê-lo cada vez que ler estas palavras e ver estas imagens, mas acima de tudo, cada vez que minhas lembranças me levarem por todos os espaços onde estivemos. Minha avó Dircéia nos ensinou que o dinheiro mais bem gasto é com viagens, ela dizia que com a chegada da idade, sempre teríamos como “viajar” novamente por onde passamos, mesmo que sentados em nosso sofá. Sempre acreditei nisso, mas agora, tenho mais certeza. Minha avó Maria, que tinha alguns probleminhas de saúde, estava sempre pronta e arrumada quando o assunto era passear, dizia que isso fazia bem pra saúde. Não tenho dúvidas!
Meu lema é que o que levamos conosco, sempre, é o que VIVENCIAMOS, seja nossa família, nossos amigos, nossos prazeres, livros que lemos, lugares que conhecemos, mas acima de tudo, sentimentos que experimentamos pela estrada chamada VIDA; e eu decidi só carregar o que me faz bem!!! Claro que nem tudo na vida são flores, mas se ficarmos olhando os espinhos, podemos perder a chance de ver o florescer e sentir seu perfume.
O mês de Dezembro para os Incas chama-se Qapaq Raymi, que significa “Festival Magnífico”, acho que esta frase define exatamente o que vivenciamos neste dezembro, foi um festival magnífico de novas emoções, de lugares fantásticos, de imagens impressionantes, de pessoas especiais, enfim, uma realização acima de qualquer sonho.
Campo Adentro foi escrita por um poeta Argentino, sobre a Cordilheira dos Andes, e quero compartilhar com vocês:
Campo Adentro
Para el que mira sin ver,
(Para aqueles que olham sem ver,)la tierra es tierra, nomás.
(a terra é terra, e nada mais.)
Nada le dice la pampa,
(Nada diz os pampas)
ni el arroyo, ni el sauzal.
(ou o fluxo, ou o salgueiro.)
Pero la pampa es guitarra
(Mas o pampa é uma guitarra)
que tiene un hondo cantar.
(que tem um canto profundo.)
Hay que escucharla de adentro,
(Você tem que ouví-la de dentro,)
donde nace el manantial.
(de onde nasce a primavera.)
En el silbo de los montes
(No apito das montanhas)
lecciones toma el zorzal.
(sapinho faz aulas.)
El cardo es como un pañuelo:
(O cardo (uma flor das rochas) é como um lenço)
dice adiós… y no se va.
(diz adeus … e não se vai.)
Campo adentro y cielo limpio.
(Campo adentro e céu claro.)
¡Cha que es lindo galopear!
(É lindo galopear Cha!)
Y sentir que adentro de uno
(E sintir que dentro de um)
se agranda la inmensidad…
(se amplia a imensidão…)
Un mundo en cada gramilla…
(Um mundo em cada grama…)
Adioses en el cardal…
(Adeus aos cardos…)
¡Y pensar que para muchos
(E pensar que para muitos)
la tierra es tierra, nomás!
(a terra é terra, nada mais!)
Atahualpa Yupanqui
Estas foram as imagens que escolhi como as mais marcantes!

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