Arquivo da categoria: Deserto do Atacama

Uma parceria de sucesso!!

Uma parceria não é apenas a união de duas ou mais pessoas que vão fazer algo juntas, é, acima de tudo, uma troca.
Esta parceria deu certo porque o envolvimento nesta aventura começou desde muito antes, não apenas da preparação da viagem, mas na construção de uma vida juntos, o que se refletiu na realização deste sonho.
Participar desde a elaboração da viagem é essencial para sentir-se parte dela e foi o que ocorreu: muitas conversas, buscas na internet, troca de informações, dicas, imagens encontradas, stress, discussões. Trocar expectativas, receios, idéias foi fundamental para o sucesso desta empreitada.
Durante a viagem, usar o comunicador foi essencial e especial, pois possibilitou falar das experiências, do que era visto e sentido durante o caminho, avisar sobre o que era percebido por um ou por outro, como forma de compartilhar toda a viagem, e também ajudou na troca de informações sobre localização e a direção a seguir, principalmente ao chegar nas cidades onde se hospedariam.
O “não falar” também foi um dos maiores exemplos de união, pois em certos momentos palavras estragariam o encanto, ou prejudicariam a viagem.
COMPARTILHAR (tomar parte em, partilhar com): acreditamos que esta seja a palavra que melhor pode resumir o sentimento que envolveu esta parceria, foi um compartilhar, um compartilhar sonhos, alegrias, esperança e também dificuldades e superações.
Depois desta viagem, com certeza estamos diferentes do que quando saímos para esta aventura e, portanto, nosso relacionamento também não poderá ser mais o mesmo. A realização deste sonho nos mostrou que é possível não apenas sonhar, mas acima de tudo, compartilhar sua realização.
Jorge e Andréa
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Dicas interessantes

 

Neste capítulo iremos dividir com os nossos amigos, seguidores, desconhecidos, algumas dicas interessantes que vivenciamos, que aprendemos e que poderão ser úteis para os que vão iniciar este tipo de viagem, ou outras tantas possíveis neste mundo repleto de muitos lugares incríveis para conhecer.
·         A viagem começa quando você toma a decisão de fazê-la. Todos os passos que vão se seguir a partir desta decisão já fazem parte da aventura, mesmo que você não se dê conta na hora. Desde os passos mais simples, como decidir para onde ir, pesquisar qual é a melhor época do ano para ir para lá (apesar de que para muitos não é quando é bom de ir pra lá e sim quando você vai poder ir, como no meu caso), marcar férias no trabalho, guardar uma grana para a empreitada, pesquisar qual é a moto certa para usar neste desafio, acessórios necessários para tanto, e por aí vai uma longa lista de coisas a se definir, mas uma coisa é certa, a viagem começou!
·         Tão gostoso quanto viajar, é se preparar para a viagem, então, se você já se decidiu para onde ir e quando ir, saboreie todos os momentos da preparação, como definir o roteiro (esse é o mais dificil e o mais legal), o que vai levar, o que tem de fazer na motoca, preparar mapas, programar o GPS (se você não tem, não se preocupe, não é fundamental, mas ajuda), providenciar roupas adequadas, e por aí vai…
·         Viajar pela América do Sul é barato! Sem dúvida nenhuma, a parte mais cara da viagem é enquanto você está rodando no Brasil. Portanto, saia do Brasil o quanto antes! Em qualquer outro país sulamericano a gasolina é boa e barata, com hospedagem e alimentação você também gasta pouco, desde que abra mão de luxos desnecessários. Na minha viagem gastei pouco mais da metade da verba que reservei para ela, isso sem me privar de boas refeições, boas e limpas pousadas para pernoite e fazer todos os passeios possíveis nas cidades turísticas onde paramos.
·         Cerque-se de todos os cuidados necessários para não sofrer perrengues durante a viagem, pois assim você viaja muito mais tranquilo e aproveita muito mais a viagem. Exemplos:
-Revisão da moto: não adianta sair para uma viagem de 13.000 kms sabendo que seus pneus vão durar no maximo mais 5.000kms. Troque logo eles por novos e guarde os usados para usar depois. O mesmo se aplica para todas as peças de desgaste visível, como pastilhas de freio, filtros, velas, kit coroa-corrente-pinhão. Vá com tudo novo e pronto!
Dependendo da moto, talvez não haja peças para ela no país visitado, e isso pode ser um problema sério.
Na viagem para o Atacama eu troquei todas estas peças citadas acima por novas, apesar dos protestos do meu mecânico Augusto, que me deu sua palavra de que o kit de relação original aguentaria a viagem, mas não quis arriscar. De qualquer forma, quando eu voltasse teria de trocar estas peças mesmo, então troquei tudo e guardei as usadas para usar depois, aqui por perto…
-Levei comigo algumas peças. Levei manetes e cabos (acelerador e embreagem), coisa que quebra em qualquer tombinho bobo. Eram peças leves e não ocupariam muito espaço nas malas.
-Levei ferramentas. Alem do kit de ferramentas original da moto, levei mais algumas que julguei necessárias para fazer algum conserto pequeno. Também levei um kit para conserto do pneu em caso de furo. Este é obrigatório de levar em qualquer viagem, diga-se de passagem.
-Documentos: levei comigo todos os documentos possíveis de serem pedidos pelos guardas ou aduanas. Passaporte, carteira de motorista do Brasil, permissão internacional para dirigir (PID), autorização da financeira (a moto estava alienada), seguro Carta Verde, carteirinha e telefones de contato da seguradora da moto, contatos do nosso convênio médico naqueles países e mais um monte de xerox disso tudo. Ah! E não deixe de anotar (em papel ou no celular) os telefones de emergência, caso seja necessário alguém contatar, nós colocamos no nosso celular dois telefones AA(nome), este código é usado em qualquer lugar no mundo para indicar contatos para emergência.
Vale a pena citar aqui que graças a Deus não precisei usar nenhuma ferramenta, nenhuma peça, e de documentos só usei o passaporte e o documento comum da moto. Carreguei tudo aquilo à toa, mas a tranquilidade de saber que eu não seria impedido de entrar na Argentina ou no Chile por causa de um simples pedaço de papel que estava faltando, ou ficando parado na estrada no meio do deserto ou no frio e falta de ar da Cordilheira dos Andes por falta de um cabo de acelerador que resolveu quebrar justo ali; tudo isso me faz ter a certeza que vale a pena se preparar corretamente e se for pecar, que seja por excesso. Leve tudo e fique tranquilo. Se precisar, vai estar lá. Se não precisar, melhor ainda. Guarde pra próxima viagem…
-Mapas com o roteiro diário. Mesmo que você faça uso de um gps, leve um mapa para cada dia da viagem mostrando as estradas que você irá seguir. Também é bom fazer um mapa da cidade em que você vai pernoitar (em zoom) e melhor ainda se estiver mostrando onde fica o hotel que você previamente pesquisou na internet, pra não ficar completamente perdido quando chegar à cidade de pernoite. Como já disse antes, um gps pode te ajudar bastante nessas horas, mas mesmo assim leve os mapas. Eles não dão pau, nem se perdem!
-Vestuário correto é muito importante!
Aprendi nesta viagem que é extremamente importante estar preparado para todos os climas que se vai enfrentar. Fazer uma pesquisa do clima nas regiões a serem percorridas, levando em consideração a estação do ano em que a viagem será realizada, pode te ajudar a escolher o vestuário correto e evitar que voce carregue um monte de coisas que não vai usar, economizando peso e espaço precioso nas malas. Leve poucas roupas, mas boas. Para o Atacama levamos um monte de agasalhos que não usamos, porém faltou uma roupa mais leve e confortável para andar de moto no calor (com as proteções necessárias).
Andar debaixo do sol na região do Chaco Argentino usando roupa de cordura, ninguém merece!
-Viaje devagar! Mais uma vez a pesquisa se mostra fundamental antes de iniciar a viagem. Se você sabe que vai passar por uma região muito bonita num determinado dia da viagem, ou vai atravessar a cordilheira, programe-se para rodar pouco neste dia (coisa de uns 400 km, no maximo) para que você possa ir devagar e apreciar a paisagem, fazer inúmeras paradas para tirar fotos e contemplar a beleza do lugar.
Se estiver na neura de rodar 750km justamente naquele dia em que você vai passar por lugares fantásticos, terá de “enrolar o cabo” para chegar ao destino do dia e a concentração na estrada fará com que você nem perceba a beleza do lugar. Desfrute do passeio!
-Converse com uma ou mais pessoas que já fizeram esta mesma viagem! Procure na internet e faça contato com alguém que já fez uma viagem de moto para o mesmo destino que o seu. Peça dicas sobre o melhor roteiro a seguir, hotéis, restaurantes, cuidados a se tomar, passeios a se fazer nas cidades, etc…
Eu tive a sorte de encontrar amigos motociclistas que me deram um monte de dicas preciosas e que me levaram a fazer uma viagem muito melhor do que aquela que eu teria feito sem a ajuda deles. Isso sem falar do apoio e das palavras de incentivo na realização da viagem dos sonhos, que só quem já fez uma viagem de moto dessas pode dizer.
Bem, acho que estas são as dicas que eu queria passar para todos que estejam acompanhando o blog. Espero que ajudem!
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Com a palavra o motociclista: Jorge

Sempre fui um apaixonado por motos. Fazer passeios e até pequenas viagens sempre foi um grande prazer em minha vida. E à medida que a cilindrada da moto ia aumentando, estes passeios e viagens também aumentavam.
Com estas viagens que fiz fui adquirindo experiência, não apenas no sentido da pilotagem (visto que saber pilotar uma moto muito bem é um pressuposto fundamental para querer viajar de moto), mas no sentido de saber que é necessário escolher a moto certa para o uso que você quer fazer dela, encontrar seu próprio ritmo de viagem como velocidade de cruzeiro agradável, distância das paradas para descanso, distância total a ser rodada naquele determinado dia de viagem, o que levar, o que vestir, e por aí vai…
E como bom motociclista que sou (na minha propria opinião, claro, rs), o desejo de fazer aventuras cada vez maiores e mais desafiadoras era como uma evolução natural da espécie (ou você conhece algum “motociclista” que sonhe em viajar cada vez menos e para lugares mais próximos???)
Até que num belo dia encontrei um site na internet com um monte de “relatos” de vários motociclistas que ali contavam suas viagens, a maioria internacionais, alguns mais detalhados que outros, alguns com mais fotos que outros, mas com certeza todos eram fantásticos. Aquilo bateu na minha mente como uma droga irresistível e viciante. Eu não conseguia parar de ler aquelas histórias e ver aquelas fotos maravilhosas de lugares e paisagens surreais. Sentia-me como se tivesse acabado de tomar a pílula vermelha do Matrix! Um novo mundo de aventuras se abria para mim!…
Então pensei: por que não fazer uma grande viagem, uma viagem por outros países, saindo daqui, da porta da minha casa e retornando até a mesma?
Acho que neste momento o projeto Atacama 2010 teve início!
No começo ele se chamava projeto Machu Picchu 2010, mas como já foi explicado no inicio deste blog, por diversos fatores a viagem que no início era pra ser para Machu Picchu acabou sendo para o Atacama. Diga-se de passagem: uma decisão acertada. Mas não vou adentrar neste assunto, pois isso já foi explicado nos preparativos para a viagem, láááááá atrás…
Viajar é muito bom. Viajar de moto é muito melhor. Viajar de moto pela America do Sul então foi algo tão sensacional que vai ficar na minha lembrança para o resto da vida, com certeza.
E a vontade de começar a preparar a próxima viagem é inevitável.
Falando nisso, preciso parar de escrever agora porque tenho um assunto pendente a resolver. Um tal de Macchu Picchu…
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Garupa ou Co-piloto? Com a palavra Andréa

Minha história com motos é interessante. Nunca tive medo, na verdade sempre foi pavor mesmo rsrsrsrsrsrsrsrs
Meu primeiro contato com moto foi quando Jorge decidiu comprar uma moto para levar na viagem de fim de ano para Peruíbe, isso mesmo, para levar, pois desmontou a moto, colocou no porta-malas da Caravam que tínhamos na época (que coisa antiga, alguém lembra deste carro??? rrsrsrsrsrsr) e montou quando chegamos na praia para podermos passear, andar nas trilhas da Juréia, “azarar” pela praia (outra coisa antiga heheheh). A coisa de que mais tenho lembrança até hoje é do cheiro de óleo dois tempos que levei dias para tirar do cabelo e da roupa!
Tempos depois, Jorge decidiu comprar uma moto para trabalhar, pensei: Sairei ilesa desta história, ele vai usar só pra trabalhar mesmo!!! Mas esqueci que quem gosta de moto, gosta TODOS os dias e pra tudo, principalmente para passear nos fins de semana. Foi o que aconteceu: primeiro, viagens bem curtas a Santos, litoral paulista, cerca de 80 km, com inúmeras paradas para descansar a dor intensa nos glúteos!!!!! E para eu me recuperar, descia da moto quase uma tábua, de tão dura!!!! Um pouco antes de vir para Bahia, decidimos fazer a viagem mais longa da minha história: ir para Caraguatatuba (180 km)… foi lindo, pela Serra do Mar, realmente lindo, mas nada relaxante! e achei que seria o mais longe que conseguiria ir….
Quando chegamos na Bahia, logo entramos para o Motoclube Rota99 (um sonho antigo de Jorge: participar de um motoclube), começamos a viajar para interiores próximos e não conseguia imaginar como minhas amigas da Associação das Garupas conseguiam dormir enquanto viajavam… eu brincava que se me vissem de olhos fechados podiam parar, pois eu havia morrido rsrsrsrsrsrsrsrsrs era um Dorflex antes e um depois da viagem, para relaxar heheheheheheheheheh. Às vezes tinha a sensação de que um dia iam me tirar imóvel de cima da moto, de tanto que meus músculos se contraíam!
Mas o tempo foi passando, os kms aumentando, até que bati meu recorde, ir para Arraial d´Ajuda, mais de 700 kms, sozinha com o Jorge, na ida tudo tranqüilo, paramos em Itacaré, foi ótimo… já a volta, feita de uma vez, quase me matou, levamos 12 horas, quando chegamos ao Ferry Boat, eu pensava: acho que vou de ônibus até em casa!!! Mas o problema era o banco da moto, descobri depois, um pouco tarde. Fizemos viagens para Aracaju e Maceió, lugares mais distantes até então.
Quanto Jorge começou a falar na “grande aventura”, fiquei meio receosa, principalmente porque era para Machu Pichu e, como já contado por ele, com muitas dificuldades, não vou mentir que não me animei em nada. Ele, vendo meu desânimo, mudou o rumo para o Chile, aí sim comecei a participar ativamente, fiquei responsável pelas estadias e suas localizaçãos, pela lista do que levar de bagagem e por criar o blog. Me animei tanto que em poucos dias tudo estava pronto, estava começando nossa aventura e a realização de um sonho, mais dele do que meu, confesso rsrsrsrsrsrsrsr mas isso ia mudar……………
Quando a viagem começou eu nem acreditava que estava acontecendo e que eu ia participar daquilo, as pessoas que nos conhecem sempre perguntavam: mas a Andréa vai mesmo??? Todos tinham dúvidas!!! Também, pudera, pra quem não queria nem subir em uma moto, andar quase 10.000 km….
Em pouco tempo eu já estava fotografando, vendo o GPS (Dieter, obrigada), vendo mapas, e até cochilando em cima da moto…. não concordo com uma ex-garupa (da qual li o relato), que vemos apenas um capacete preto na frente e por isso ela mudou para piloto, AMEI estar na garupa e nela vou continuar sempre, pois consegui ver tudo, aproveitar tudo, mas concordo com outro relato, de um motociclita, que hoje sei que não sou apenas uma garupa, mas sou a co-piloto.
Com certeza, esta viagem foi muito mais que um passeio, foi uma prova de superação de medos, de frescuras, de desafios e, com certeza, de alegrias, de muitas alegrias, pois trouxe uma sensação de felicidade indescritível. Vivenciar e experimentar as sensações a que tive acesso, foi algo que JAMAIS me esquecerei durante toda minha vida, mesmo que faça outras (como agora espero fazer sempre), com certeza não irão superar tudo que senti durante estes dias de viagem.
Foi cansativo, sem dúvida, mas valeu cada segundo de cansaço em virtude dos kms rodados, valeu cada dificuldade, pois estas eram sempre superadas por algo maior, maravilhoso que vinha ao nosso encontro. Imagens impressionantes, surreais, lugares incrivelmente lindos e magníficos, pessoas especiais ao longo do caminho, enfim, tudo que só se pode conhecer através da experiência.
Digo a todos que conheço: Façam esta viagem!!! Seja de moto, de carro, de avião, a pé, a cavalo, de buzu, mas não deixem de fazer porque é tudo muito diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, é algo único.
Para que todos tenham uma idéia do que representou esta viagem pra mim, ao chegar de volta a Foz do Iguaçu, falei a Jorge que se ele, naquele momento, sugerisse começar tudo de novo, eu o faria, sem pestanejar!!!! Agora era meu sonho também!!!
Enquanto fazia o blog, pude vivenciar tudo novamente, e espero fazê-lo cada vez que ler estas palavras e ver estas imagens, mas acima de tudo, cada vez que minhas lembranças me levarem por todos os espaços onde estivemos. Minha avó Dircéia nos ensinou que o dinheiro mais bem gasto é com viagens, ela dizia que com a chegada da idade, sempre teríamos como “viajar” novamente por onde passamos, mesmo que sentados em nosso sofá. Sempre acreditei nisso, mas agora, tenho mais certeza. Minha avó Maria, que tinha alguns probleminhas de saúde, estava sempre pronta e arrumada quando o assunto era passear, dizia que isso fazia bem pra saúde. Não tenho dúvidas!
Meu lema é que o que levamos conosco, sempre, é o que VIVENCIAMOS, seja nossa família, nossos amigos, nossos prazeres, livros que lemos, lugares que conhecemos, mas acima de tudo, sentimentos que experimentamos pela estrada chamada VIDA; e eu decidi só carregar o que me faz bem!!! Claro que nem tudo na vida são flores, mas se ficarmos olhando os espinhos, podemos perder a chance de ver o florescer e sentir seu perfume.
O mês de Dezembro para os Incas chama-se Qapaq Raymi, que significa “Festival Magnífico”, acho que esta frase define exatamente o que vivenciamos neste dezembro, foi um festival magnífico de novas emoções, de lugares fantásticos, de imagens impressionantes, de pessoas especiais, enfim, uma realização acima de qualquer sonho.
Campo Adentro foi escrita por um poeta Argentino, sobre a Cordilheira dos Andes, e quero compartilhar com vocês:
Campo Adentro
Para el que mira sin ver,
(Para aqueles que olham sem ver,)la tierra es tierra, nomás.
(a terra é terra, e nada mais.)
Nada le dice la pampa,
(Nada diz os pampas)
ni el arroyo, ni el sauzal.
(ou o fluxo, ou o salgueiro.)
Pero la pampa es guitarra
(Mas o pampa é uma guitarra)
que tiene un hondo cantar.
(que tem um canto profundo.)
Hay que escucharla de adentro,
(Você tem que ouví-la de dentro,)
donde nace el manantial.
(de onde nasce a primavera.)
En el silbo de los montes
(No apito das montanhas)
lecciones toma el zorzal.
(sapinho faz aulas.)
El cardo es como un pañuelo:
(O cardo (uma flor das rochas) é como um lenço)
dice adiós… y no se va.
(diz adeus … e não se vai.)
Campo adentro y cielo limpio.
(Campo adentro e céu claro.)
¡Cha que es lindo galopear!
(É lindo galopear Cha!)
Y sentir que adentro de uno
(E sintir que dentro de um)
se agranda la inmensidad…
(se amplia a imensidão…)
Un mundo en cada gramilla…
(Um mundo em cada grama…)
Adioses en el cardal…
(Adeus aos cardos…)
¡Y pensar que para muchos
(E pensar que para muitos)
la tierra es tierra, nomás!
(a terra é terra, nada mais!)
Atahualpa Yupanqui
Estas foram as imagens que escolhi como as mais marcantes!

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Personagens desta história!!

Muitas foram as participações na construção desta aventura, nossas famílias, muitos amigos, muitos “viajeros de plantão”, inúmeras pessoas encontradas pelo caminho e aqueles que sequer sabem o quanto foram importantes para tudo isto dar certo.
A todos temos muito que agradecer, pois sem estes personagens, com certeza, nossa viagem não teria sido tão perfeita e tão completa. Neste capitulo buscaremos fazer uma homenagem a todas estas figuras importantes e inesquecíveis que fizeram parte do nosso caminho.
Vamos começar por nossa família, pais, irmãos, sobrinhos, cunhados (que no nosso caso fazem parte mesmo da família rsrsrsrsr), tios, entre outros.
Aos nossos amigos, que de perto ou de longe, também acompanharam nosso sonho e compartilharam conosco momentos de alegria e desespero.
Aos novos amigos de viagem, alguns conhecidos pela internet como o China, e Laurindo, apresentado por um amigo em comum, que tiveram participação fundamental em diversos momentos desta aventura e que compartilharam conosco suas experiências, dando dicas importantes sobre caminhos, segurança, entre outros. Não temos como agradecer tamanho apoio e a forma humilde com que nos receberam sempre. Sobre eles temos duas histórias interessantes:
Jorge encontrou o China, que vive em MG, em suas buscas na internet, começaram a se falar via web e passaram a trocar informações. Em um belo dia de Outubro, estávamos andando pelo comércio de artigos para moto, em São Paulo, e para nossa surpresa, quem surge andando pelo mesmo shopping??? Exatamente, o China! Impossível imaginar que duas pessoas, de estados diferentes, iriam se encontrar, sem qualquer combinação anterior, em um espaço enorme, repleto de lojas, shoppings, ruelas. Pois foi o que aconteceu, “coincidência” sem explicações! Obrigado a este aventureiro por compartilhar conosco, sua participação tornou nossa viagem mais interessante.
Um ano atrás Jorge estava tomando café em frente ao Hiper BomPreço (supermercado do bairro), quando encontrou um senhor com uma V-Strom novinha e foi conversar com ele. Queria saber sobre a moto, se era boa mesmo, pois pensava em comprar uma também, para fazer uma grande viagem. Sr. Fausto foi super gentil, explicou que iria fazer uma viagem para o Atacama (ainda não sabíamos que nós também), falou sobre alguns preparativos e deu uma camiseta do projeto, além do endereço do blog. O blog saiu do ar e Jorge ficou sem saber se a viagem tinha sido concretizada. Passado quase um ano, Jorge foi apresentado, por um amigo em comum, ao motociclista Laurindo, outra surpresa: ele foi um dos participantes do Projeto Atacama. Convidou, gentilmente, o casal para ir a sua casa e ver o vídeo da viagem, ajudou na finalização do roteiro com dicas que foram essenciais e trouxeram muitas emoções e lugares fantásticos para a viagem. Nosso muito obrigado a mais este personagem importante em nosso caminho.
Durante a aventura muitos foram os personagens que participaram, de forma incógnita ou conhecida, mas que foram de fundamental importância para que tudo corresse bem e pudéssemos aproveitar ainda mais estes momentos mágicos, NOSSOS AMIGOS de infância e adolescência, amigos de São Paulo, amigos integrantes do ROTA 99, amigos do trabalho, amigos da Bahia, pessoas que encontramos pela viagem, nos hotéis, nas pousadas, nos restaurantes, nos passeios, com sua música, nas estradas, nas ruas das cidadezinhas.
Desta forma queremos agradecer, de coração, a TODOS que ficaram na torcida e acompanharam de perto, ou de longe, todos os momentos de apreensão, dúvidas, animação que antecederam a realização deste sonho e durante sua realização, que seguiram de perto nosso dia a dia na estrada com comentários, incentivos e brincadeiras. Suas palavras e sua existência em nosso caminho foram muito importantes e serviram de estímulo e conforto durante todo o nosso percurso e, pessoas que agora cedem sua paciência para ouvir nossas histórias, ver nossas fotos, que se abrem para que possamos COMPARTILHAR a realização deste enorme sonho.Para homenageá-los, fizemos um vídeo especial para vocês e pedimos desculpas àqueles cuja imagem não temos para mostrar.

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Chegando à Bahia de todos os Santos!!!

27.12.2010
São Paulo – Ipatinga – MG
Ficaram dos dias 23 a 26 com a família, comemorando o Natal junto às pessoas queridas e contando as emoções pelas quais passaram e jamais irão esquecer.
Dia 27 Jorge decidiu sair de São Paulo rumo à Bahia, mas como a ida em apenas dois dias foi muito cansativa, resolveu fazer a volta em três dias, com uma parada a mais nestes 2.000 km que ainda restavam para chegar a casa. Andréa iria voltar nesta mesma data, porém à noite e de avião.
Depoimento Andréa: “Ver Jorge sair sozinho, de manhã, rumo a ultima parte da viagem deu uma vontade enorme de ir com ele, engraçado como tinha um sentimento de quero mais, um desejo de continuar em cima de duas rodas, sensação estranha”.
Andréa aproveitou o dia para rever suas grandes amigas, irmãs de coração: Marilene e Fabíola, as amigas passaram o dia juntas, conversando, passeando e colocando as fofocas em dia! As amigas a levaram ao Aeroporto de Congonhas, onde pegou seu vôo de volta para casa.
Depoimento Jorge:
“A viagem rendeu bem, feita em pista dupla pela Fernão Dias até Betim. Depois disso pista simples, e com ela a triste constatação de que no Brasil os motoristas não têm um pingo de educação e respeito para com os outros veículos. A comparação com as estradas e os motoristas argentinos é inevitável. Começa novamente um verdadeiro show de horrores, com acidentes gravíssimos, ultrapassagens absurdas feitas em curvas e todo o tipo de irresponsabilidades que colocam todos que por ali estão passando em perigo de morte. Não há dúvidas, estou no Brasil!”
Jorge chegou a Ipatinga por volta das 18h.
Depoimento Jorge:
“Não há muito que falar desta parte da viagem. A partir da saída de São Paulo até a chegada na Bahia é só rodar com cuidado e procurar chegar são e salvo ao destino do dia. Agora sou só eu, a motoca e Deus (sempre).
A parceira de viagem, que encarou com tanta bravura o calor, o frio, o cansaço e o temor do desconhecido, não está na garupa. Não tem nenhum amigo te acompanhando na moto ao lado. É estranho.
Boa hora para refletir sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias.
Apesar de toda a alegria de ter feito uma viagem maravilhosa, da sensação de realização de um sonho, da felicidade de tudo ter corrido conforme o planejado (e bote planejamento aí) e da gratidão a Deus por tudo ter dado absolutamente certo, é impossível não sentir certa tristeza por saber que a aventura está nos quilômetros finais. Como diria o Rei Roberto, são tantas emoções… É nessa hora, sobre uma moto, sozinho e com muitos quilômetros à frente numa estrada, que o motociclista pensa na vida.”
Total de Km Rodados: 800
Abastecimento: 37 litros
Hospedagem: Hotel Abrantes
Valor da diária: R$ 50,00
2 Estrelas: Simples, bom exclusivamente para tomar banho e dormir para seguir viagem. Café da manhã razoável.
Gasto total (com alimentação): R$ 195,00

 

28.12.2010
Ipatinga – MG – Jequié – BA
Jorge saiu de Ipatinga por volta das 7h., e chegou a Jequié por volta das 17h.
Depoimento Jorge:
“Dia sem novidades, apenas rodar e passar muuuito calor. Chegando a Jequié tratei logo de encontrar um hotel para tomar um merecido (e necessário) banho. Feito isso, fui procurar um lugar para jantar e descobri que vários restaurantes estavam fechados por se tratar de uma terça feira. Me recomendaram procurar um tal de Sabores da Terra. Assim que cheguei nele, percebi que não tinha ninguém comendo, mas como ainda era um pouco cedo, achei normal. Pedi uma merecida cerveja. Depois de 5 longos minutos o rapaz garçom veio meio sem graça e disse que não tinha nenhuma gelada. Pensei, putz, um restaurante que não tem uma cerveja gelada? –Tá bom, então me traz uma coca cola mesmo. Passaram-se mais 3 minutos e ele voltou e disse que não tinha também. Finalmente entendi por que não tinha nenhum cliente…  Que tipo de restaurante não teria cerveja nem coca cola??? Caí fora dali e depois de andar por mais meia hora encontrei um lugar super aconchegante, o restaurante Casa Della Mamma onde fui muito bem atendido. Depois de matar a fome que estava me matando, voltei para o hotel e fui dormir para acordar cedo no dia seguinte e encarar o último dia desta grande viagem”.
Total de Km Rodados: 800
Abastecimento: 52 litros
Hospedagem: Hotel Real Jequié
Valor da diária: R$ 80,00
04 Estrelas: arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 220,00
29.12.2010
Jequié – Lauro de Freitas
Jorge saiu de Jequié por volta das 8h., este sim seria o último trecho antes de chegar definitivamente a sua casa.
Chegou a Lauro de Freitas por volta das 12:30, Andréa tinha ido buscar sua família no Aeroporto, que chegava para passar o Ano Novo na Bahia, e não pode fotografar o retorno triunfal de Jorge, após percorrer mais de 13.200 kms. Realmente uma aventura sem precedentes para o casal.
Total de Km Rodados: 420
Abastecimento: 18 litros
Hospedagem: NOSSA CASA
Valor da diária: NÃO TEM PREÇO!!!
10 Estrelas: melhor lugar do mundo para chegar após mais de 13.000 kms de estrada
Gasto total (com alimentação): R$ 55,00
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Voltando para a família!!!

21.12.2010
Foz do Iguaçu – Curitiba
Saíram de Foz do Iguaçu por volta das 8:15h, através de estradas bem sinalizadas e bem cuidadas, podendo retornar às paisagens tropicais, repletas de vegetação, característica desta região e da maior parte do país, além das infinitas plantações de milho e soja que podem ser vistas por campos que se perdem à vista.
A parada em Curitiba foi uma alternativa ao trajeto da ida que, além de ter sido muito cansativo, foi realizado por outra estrada. Realizar este trecho possibilitou ao casal percorrer um caminho diferente e ser “recebido” por dois grandes amigos, que fizeram questão de “escoltar” os viajantes em seu último trecho de volta.
Ao chegarem a Curitiba, se dirigiram ao Hotel Ibis, onde já estavam hospedados Sandro e Alexandre, os “amigos de estrada” que se propuseram a ir encontrar o casal e realizar este percurso. Mas surpresa e fato engraçado: os amigos estavam dando uma volta pela cidade e não havia mais quartos disponíveis, o hotel estava lotado e foram informados que não havia qualquer reserva em nome de Padovani. Começaram então a buscar alternativas. Andréa decidiu retornar à recepção e pedir auxílio para localizar outros hotéis, sendo prontamente atendida pela recepcionista.
Logo os meninos chegaram e era momento de colocar as novidades em dia! Mas eram muitas, decidiram então tomar um bom banho e ir para um barzinho, indicação de Sandro, para bater papo e matar saudades.
Depoimento Andréa: “Enquanto eu falava mal dos meninos e buscava onde ficar, outra funcionária chegou e vendo minha roupa tipicamente “motociclística”, perguntou se eu era a Andréa, esposa de Jorge, pois os nossos “espertos” amigos haviam deixado um quarto reservado, porém com nossos primeiros nomes e não sobrenome como é de costume e como eu havia perguntado. Ufa!!! Ficamos felizes e aliviados, umas das partes mais difíceis da viagem é chegar em uma cidade, cansado e louco por um banho e ter que conseguir hotel. Depois pedi desculpas por ter “xingado” nossos amigos rsrsrsrsrsr”.

Foram ao Mustang Sally, um lugar super aconchegante, temático, que serve comida americana e mexicana de muita qualidade, possui cervejas de vários lugares, tem um pessoal animado e gente muito bonita. Ao chegarem descobriram que era dia de tudo dobrado até as 20h., aproveitaram para comer e beber, sem economia rsrsrsr
Depois de uma ótima conversa, ver um pouco das fotos da viagem, os amigos decidiram descansar… A viagem estava acabando, mas ainda faltava chegar a São Paulo.
Total de Km Rodados: 650
Abastecimento: 25 litros
Hospedagem: Hotel Ibis – http://www.ibis.com.br/
Valor da diária: R$ 119,00
04 Estrelas: arrumado, limpo, aconchegante, café da manhã a parte
Gasto total (com alimentação): R$ 255,00

 22.12.2010
Curitiba – São Paulo

Combinaram saída para cerca de 8h., como o hotel não oferecia café da manhã, acertaram tomar café em uma parada na estrada. Saíram de Curitiba as 8:15h. na companhia dos amigos que deram uma emoção a mais ao final da viagem de volta.

Saíram de Curitiba as 8:15h. na companhia dos amigos que deram uma emoção a mais ao final da viagem de volta.

 

Depoimento Jorge: “Sandro já tinha feito parte de toda essa aventura quando junto de sua esposa, a Paty, nos acompanhou entre São Paulo e Foz no caminho de ida.
Já que participou da ida, queria participar também da volta, e tratou de nos buscar em Curitiba, mas como a Paty não poderia acompanhá-lo neste “passeio”, ele trouxe mais um parceiro para esta aventura, o Alexandre com sua Sporster novinha.
Mais uma feliz surpresa para nós, e ter a companhia dos amigos neste último trecho da viagem foi realmente muito gratificante e divertido. Último trecho é maneira de dizer, pois faremos uma parada para o Natal, já que ainda faltará voltar à Bahia, coisa que farei sozinho, pois minha esposa/parceira/co-pilota/navegadora/ fotografa/tradutora e assessora para assuntos aleatórios em geral, voltaria de avião”.

 

Chegaram a São Paulo por volta das 14:30h., ligaram para os familiares avisando da chegada, já que aproveitaram para conhecer a casa de Sandro e Paty e decidiram almoçar com os amigos no Shopping Plaza Sul. Chegaram à casa dos pais de Jorge por volta das 17h. Enfim estavam voltando ao conhecido, mas ainda faltava um bom trecho para chegar em casa.
O vídeo é nossa homenagem aos “companheiros de viagem”.

 

Total de Km Rodados: 444

Abastecimento: 28 litros
Hospedagem: Casa da Familia
Valor da diária: Grátis
06 Estrelas: arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã e muito carinho com os viajantes
Gasto total (com alimentação): R$ 120,00
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Mais belezas de Foz do Iguaçu

20.12.2010
Foz do Iguaçu
Já na ida o casal planejou uma nova parada em Foz do Iguaçu na volta, pois gostariam de conhecer um pouco mais desta cidade e dos seus pontos turísticos, prestigiando o que o Brasil tem de beleza e atrativos. E seria bom descansar depois de 7 dias contínuos andando cerca de 600 km diários.
Acordaram cedo para aproveitar bem o dia, tinham planos de voltar a Ciudad Del Leste, Paraguai para aquisição de umas coisinhas, e conhecer o Parque das Aves, que não foi possível da outra vez.
O hotel sempre indica um taxista para levar os seus hóspedes ao Paraguai, acreditam ser mais seguro, porém o valor é sempre caro, contudo a experiência da ida não foi boa, já que o taxista deixou seu carro no lado brasileiro da Ponte da Amizade e fez o grupo atravessar andando, o que o casal descobriu que é terminantemente proibido. Voltaram à terra do jeitinho, do ganhar fácil, do levar vantagem.
Depoimento Andréa: “Enquanto estávamos discutindo na recepção sobre o que fazer, como ir, fomos abordados por um casal (Daniele e Júnior) que deu a dica de irmos até uma rua próxima tomar um táxi, que seria muito mais em conta do que optar pelo do hotel. Percebi um sotaque conhecido e como o mundo é pequeno, descobrimos que somos praticamente vizinhos, moramos no mesmo bairro, imaginem, e nos encontramos em Foz!”.
Decidiram seguir a dica do casal e procurar um taxi na rua ao lado, porém outra opção era ir de ônibus “internacional”. Enquanto negociavam com o taxista, que também queria cobrar uma “fortuna” para levá-los ao outro lado da fronteira, viram o ônibus Ciudad Del Leste se aproximar, não tiveram dúvidas, correram para pegá-lo. Andaram pelas ruas repletas de comércio, muita gente de fora e muitos camelôs, fizeram uma pesquisa de preço do que desejavam e acabaram comprando na mesma loja que visitaram na ida.
Para voltar decidiram se aventurar novamente, mas agora com uma “muambinha” a tira-colo. Pegaram o ônibus novamente, e desta vez puderam sentir o gostinho de serem “sacoleiros”, pois o ônibus era uma lata de sardinha, repleta de gente e sacolas de todos os tamanhos e andando para todos os lados. Realmente a cara da Andréa, que adora momentos como este rsrsrsrsr. A fronteira foi ultrapassada sem qualquer dificuldade e a aduana sequer fez qualquer menção de parar aquele transporte lotado! Muitas pessoas falam do perigo de atravessar a pé e de ônibus, sobre o risco de assalto, bem o casal conseguiu realizar as duas coisas mais perigosas sem qualquer dificuldade ou iminência de transtorno. Ainda bem!!! Após “arriscar-se” no Paraguai, retornaram ao hotel e almoçaram em um restaurante por quilo em frente ao mesmo, uma comida caseira, barata e gostosa. Ainda tinham mais passeio pela frente.
Depoimento Jorge e Andréa: “Aventura total, atravessar a fronteira de ônibus, esperamos para ver o que iria acontecer, mas foi tão tranqüilo e tão rápido, que valeu a pena, até porque o gasto é quase 10 vezes menor”.

 

Chegaram ao Parque das Aves, de ônibus, por volta das 14h, após uma chuva torrencial e um abrir de sol repentino, que trouxe um a mais ao passeio, já que as aves estavam todas se enxugando da chuva e, para isso, saíram de seus abrigos em busca do sol.

 

O parque das aves possui uma área de 16,5 hectares, quatro dos quais abrigam viveiros e suas instalações. A área restante é de proteção ambiental. Uma trilha percorre os viveiros de pássaros nativos, em sua maioria, da América do Sul. Os viveiros denominados “floresta e pantanal” têm uma área de 630 metros quadrados e oito metros de altura, e representa o habitat natural destes ecossistemas e proporcionam aos visitantes a possibilidade de entrar e experimentar como é a vida nestes ambientes. O parque fica localizado a 8 km do centro de Foz e abriga mais de 500 aves, entre as brasileiras e de outros continentes, além de jacarés, sagüis, cobras e outros animais florestais, além de um borboletário onde é possível estar entre borboletas e beija-flores.

Depoimento Andréa: “Este passeio também é imperdível, conhecer aves que nunca vimos, de coloridos exuberantes, sendo possível estar entre elas é realmente incrível. Com certeza, a cada momento uma nova emoção e novas experiências que iremos carregar em nossas lembranças e na alma”.

Mas a melhor forma compartilhar isto será através do vídeo abaixo.

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 0
Hospedagem: Hotel Três Fronteiras (www.hotel3fronteiras.com.br)
Valor da diária: R$ 130,00
3 Estrelas: Simples mas limpo, bom café da manhã, excelente localização, com restaurantes próximos e condução fácil.
Gasto total (com alimentação): R$ 250,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Parque das Aves: R$ 18,00 por pessoa
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Chegando à Terra Brasilis!!!

19.12.2010
Corrientes – Ar – Foz do Iguaçu – Br
Último dia de viagem em território estrangeiro, hoje é dia de chegar “em casa”, após 15 dias fora do Brasil. A saída de Corrientes foi às 9:45h. O casal pretendia chegar cedo à fronteira, para ter tempo de passar no Duty Free Argentino.
No primeiro posto que pararam para abastecer aproveitaram para tirar foto de um “objeto” interessante, encontrado em praticamente todos os postos de serviço nas estradas: uma máquina de água quente, onde se coloca uma moeda para aquisição de água para preparar chá, utilizado por inúmeros viajantes como forma de se aquecer no inverno, mas que também é bastante utilizada no verão.
As estradas sempre em perfeitas condições e bem sinalizadas. Por todas as estradas da Argentina é possível ver esta placa que sinaliza o perigo de incêndio, tudo isso devido às altas temperaturas climáticas que podem ocasionar incêndios nas poucas áreas florestais.
Outras placas de sinalização nunca tinham sido vistas pelos viajantes em estradas brasileiras, como esta que demonstra a quantidade de faixas.
Definitivamente pode-se dizer que as estradas argentinas e chilenas são muito bem sinalizadas e sempre bem pavimentadas, em nada lembram a maioria das estradas brasileiras, e o imposto pago pelos cidadãos é bem menor que o nosso, mas estas diferenças merecem outro capítulo nesta história.
Pararam para almoçar em Ituzaingó, em um posto de abastecimento, comeram uma comida caseira e muito gostosa, por um precinho melhor ainda.
A paisagem logo trouxe água, através dos grandes rios que cercam esta região, água em abundância que há tempos não eram vistas pelos viajantes.
Como as do Rio Paraná que anuncia a chegada à fronteira com o Brasil.
Chegaram ao Duty Free por volta das 17:30, ao entrarem na loja, com a roupa imunda, capacetes e jaquetas, logo foram abordados por um segurança que indicou armários onde deveriam guardar as coisas, tudo com muita educação, mas certa desconfiança.
Enquanto andavam pelas pouquíssimas lojas, perceberam que TODAS as pessoas, super bem vestidas, os olhavam com muita estranheza e iam se afastando quando passavam! Não compraram nada, decepção total: poucas opções, preços altos e muitos produtos chineses!
Logo após o Duty Free fica a ponte da Fraternidade, que é dividida ao meio, do lado brasileiro é verde e amarela e do lado argentino é azul e branca.
Ao chegar à Aduana Brasileira já sabiam que estavam perto de casa, olhem a fila de carros para ultrapassar a fronteira. Como estavam de moto, cortaram pela direita, chegaram a um funcionário aduaneiro que informou que poderiam passar direto, que estavam parando somente estrangeiros. Mas como o casal havia carimbado o passaporte com a data de saída (lembram da idéia da atendente de colocar o primeiro carimbo) precisavam passar pela aduana para carimbar o retorno ao país. Ainda bem que as motos têm preferência.
O dia estava quase no fim quando chegaram à terra Brasilis….
As 19h. estavam em Foz do Iguaçu, no mesmo hotel que ficaram na ida. Foram super bem recebidos por Adelino, gerente do hotel, que resolveu fazer um agrado e os colocou na suíte máster pelo preço da comum.
Jorge e Andréa decidiram jantar no restaurante em frente, aquele da feijoada na ida… comeram pizza para matar a saudade!
Veja o vídeo deste trecho da viagem.

Total de Km Rodados: 648
Abastecimento: 59 litros
Hospedagem: Hotel Três Fronteiras (www.hotel3fronteiras.com.br)
Valor da diária: R$ 130,00
03 Estrelas: Simples mas limpo, bom café da manhã, excelente localização, com restaurantes próximos e condução fácil.
Gasto total (com alimentação): R$ 313,00
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Mais perto da fronteira!

18.12.2010
Santiago Del Estero – Corrientes
Jorge e Andréa saíram de Santiago às 09h, agora a estrada já era familiar e os caminhos conhecidos, a sensação de volta, de realmente fim de viajem, já se tornava mais evidente, deixando aquele gostinho que quero mais.
Acreditavam que nada iria lhes chamar a atenção, já que tinham passado por aqueles lugares, conheciam suas belezas e dificuldades, como este caminho de cimento, que dividiram com carros e caminhões, lembram????
Mas outro engano!
Primeiro um susto, ao chegar a Quimili para abastecer, o posto da estrada não tinha combustível, conversaram com alguns caminheiros que informaram a possibilidade de um atraso na reposição e que o ideal seria tentar abastecer o mais rápido possível, pois correriam o risco de não encontrar postos abastecidos pelo caminho.
Novamente entraram em Quimili (aquele cidadezinha onde experimentaram Lomito pela primeira vez….) e o único posto da cidade tinha uma fila enorme de motos e carros tentando abastecer, os viajantes entraram na fila e logo perceberam que a maior moto era a deles, todos olhavam, vinham conversar, perguntar sobre a viagem, as outras, motos dos moradores, todas de baixas cilindradas.
Após o susto, seguiram viagem, iriam passar novamente pelos belos campos de girassóis… outra surpresa!!!

Muitos dos campos já não existiam mais, eram vales gigantes, sem qualquer vestígio dos grandes girassóis… eles haviam sido colhidos! Os que ainda estavam por lá, estavam murchos, com suas flores caídas, talvez aguardando a colheita e todos virados para o lado contrário da estrada… como que se despedindo dos viajantes que passavam por ali!

Depoimento Andréa: “Foi interessante, mas ao mesmo tempo triste ver aquilo, na ida os girassóis estavam lindos, floridos, “olhando para nós”, vê-los caídos, ver os campos limpos, foi uma sensação estranha, não consegui nem fotografar… Sabemos que faz parte da natureza, mas parecia que estavam demonstrando a mesma sensação que tínhamos de que a aventura estava acabando, comentei com Jorge: eles também estão tristes!!! Rsrsrsrsr Ainda bem que na vida, como na plantação, sempre há o recomeço!”.
Chegaram a Corrientes por volta das 17:30h, ficaram no mesmo hotel da ida, afinal o melhor de todos eles. Aproveitaram para mandar lavar a roupa, já que havia uma lavanderia próxima. Como chegaram mais cedo, após um bom banho e já com o dia terminando, foram dar uma volta na cidade, conhecer um pouco mais e tiveram novamente a certeza de que adorariam viver ali.
Procuraram onde jantar e encontraram o Restaurante La Fiorela, mas outro fato engraçado: enquanto estavam parados na porta do restaurante (carregando um saco gigante de roupas lavadas) verificando se estava aberto ou não, afinal “ainda” eram 19h. um rapaz chegou e entrou, então o casal entrou atrás dele, acreditando que seria outro cliente, mas não, era um dos funcionários do restaurante. Ao entrarem, perceberam que TODOS os funcionários os olhavam intrigados, mas ninguém falou nada, logo os viajantes notaram que, na verdade, o estabelecimento ainda não tinha aberto para os clientes e inclusive acontecia uma reunião e o pagamento dos funcionários. Mas isso, em momento algum, impossibilitou de serem bem e prontamente atendidos.
Outro fato engraçado e comum: ao perceberam tratar-se de brasileiros, logo colocaram “nossa música” para tocar, no início MPB, mas não podia faltar o principal grupo de música brasileira: “É o tchan”, exatamente, de novo tiveram que ouvir este grupo “fantástico”, agora jantavam embalados pela boquinha da garrafa. Por que será que os argentinos insistem em colocar este grupo para tocar, será que acreditam mesmo que a música é boa?????
Para comemorar a parte final da viagem tomaram cerveja Argentina e, como não poderia faltar, um bom vinho!
Acompanhem um pouco mais deste trecho:

Total de Km Rodados: 646
Abastecimento: 52 litros
Hospedagem: Hotel Confianza
Valor da diária: $ 185,00 pesos
05 Estrelas: bonito, limpo, excelente localização, melhor hotel da viagem
Gasto total (com alimentação): R$ 234,00
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Encontrando o caminho de volta…

17.12.2010
Fiambalá – Santiago Del Estero

 

Acordaram por volta das 07h., Jorge aproveitou para lavar a moto que estava em situação catastrófica de tanta areia, e também para trocar os pesos chilenos por argentinos. Enquanto isso, Andréa procurava uma lan house para dar notícias à família, mas a única existente na cidade só abriria após as 10h, então ela saiu em busca de outros pontos, que na cidade se resumem a dois, como ela logo descobriria.
A hosteria onde ficaram já não é mais como está nesta foto retirada da internet, sofreu reformas e agora conta com uma varanda em toda a sua lateral, inclusive seu interior ainda está sendo reformado para melhorar o atendimento aos turistas.
Enquanto caminhava em busca de informações sobre onde acessar a internet, perguntou para um senhor em frente a um prédio antigo, este senhor convidou-a a entrar, levando até uma sala, explicou que ali “na secretaria” ela poderia usar o computador e acessar a internet, pediu que uma senhora a auxiliasse.
Depoimento Andréa: “Entrei no prédio, sem saber ao certo o que era, mas logo percebi que estava na prefeitura de Fiambalá e o senhor, muito gentil, tinha me levado até a secretária do prefeito, que também muito gentil, saiu da mesa e me deixou usar o computador. Enquanto estava ali, num entra e sai de gente, sai um senhor de dentro da sala, me cumprimenta e então percebo que é o mesmo que está na foto da parede: era o prefeito rsrsrsrsrsrsrsrrs. Imaginem minha cara, foi muito engraçado… como o acesso estava mmmuuiiittttooo lento, decidi deixar pra depois. Agradeci a ajuda e todos que estavam na sala, falando de “coisas da prefeitura” desejaram “buena suerte e buen viaje”. Fui até a praça principal, onde me informaram que o único lugar fora a lan house e prefeitura que tinha internet na cidade era a agência de turismo. Fui até lá e me emprestaram o computador, sem cobrar nada…fiquei tão sem graça que acabei comprando um livrinho de informações turísticas da cidade…o guia, escrito por Walter Bustamante, é ótimo!!!”.

 

Fiambalá é uma cidadezinha encravada no final da Cordilheira dos Andes e da Cordilheira de San Buenaventura, fica a 320 km da capital de Catamarca, San Fernando Del Valle, fica a 1.550 m.s.n.m., é cercada de altas montanhas que dão a impressão de estarem guardando aquele povoado, onde a areia se mistura com o ar puro. Tem cerca de 5.000 habitantes que vivem em harmonia com a natureza e em uma atmosfera de tranqüilidade e paz. Seus antigos habitantes eram Cacan (população nativa da alta altitude), que batizaram a área de Pianwallá, que significa que “astúcia da alta montanha”. Foi palco do Dakar de 2009 e 2010, orgulho de seus moradores que exibem os adesivos das equipes participantes por todos os vidros da cidade.
Saíram de Fiambalá às 11h, em direção a Santiago Del Estero, sem levar consigo sequer uma foto do hotel ou da cidade, o cansaço começava a fazer estragos… começavam a ir em direção a lugares já conhecidos, mas tinha que ultrapassar a Cordilheira San Buenaventura, através de outra serra, com curvas fechadas, mas bem menos animais na pista.

Pararam para almoçar em Aimogasta, no restaurante Don Jaime, ótima comida caseira, a quilo e bom preço. Lá foram abordados por um cliente do restaurante e então conheceram Salim, filho de mãe brasileira e pai libanês, contou adorar o Brasil e sonhar em viver no país, disse que está fazendo planos para se mudar em 2011, acredita no crescimento do país com a Copa e Olimpíadas e que não vê futuro na Argentina. Foi super atencioso em ver o mapa, traçar rota. Em minutos, o restaurante todo participava da elaboração do caminho até Santiago. Cada um dizia para fazer um caminho diferente, caminho este que já estava definido pelos viajantes.

Na estrada, quase chegando a Santiago Del Estero, puderam reencontrar com os famosos Los Cardones, floridos e gigantes, tomavam conta de vários trechos do caminho, se perdendo nas montanhas.

A moto, em determinado trecho da viagem começou a não querer ligar. Apresentou defeito no botão de partida, em alguns momentos tiveram que empurrar (Andréa teve) ou fazê-la pegar embalada em descidas. Chegaram a Santiago Del Estero às 19h., e Jorge, logo na chegada, já procurou uma mecânica para tentar solucionar o problema da partida, foi indicada uma oficina que ficava na avenida de chegada na cidade, mas precisam ver a cara do rapaz ao sair de dentro da mecânica e ver o tamanho da moto, já que todas as que estavam na oficina não passavam de 150 cilindradas. O dono da mecânica indicou uma oficina maior, que ficava a algumas quadras.
Encontraram a oficina, cujo responsável era Pablo, um argentino simpático, atencioso e que já foi logo avisando não conhecer muito bem de motos Suzuki, visto que aquela era uma oficina credenciada da Honda, mas se prontificou de imediato a tentar solucionar o problema.
Chegou a pedir o manual da moto, o que deixou Jorge um pouco apreensivo. Aproveitaram para tomar um lanche em um posto próximo da oficina, pois o trabalho dava sinais de que ia demorar.
Depoimento Jorge:
“Chegando à Santiago Del Estero, a primeira coisa que quis fazer foi consertar a partida da moto, pois não era nada fácil fazê-la pegar “no tranco” quando não havia nenhuma descida por perto, alem de ser extremamente desaconselhável para o motor esta prática. Chegamos à oficina (Motogar: Av. Saenz Peña 111 – Teléfono: 0385-4240588/4218269) pouco antes dela fechar, com uma moto de outra marca, e precisávamos que o serviço fosse realizado de imediato, pois no dia seguinte iríamos seguir viagem para outra cidade. O que vocês acham que aconteceu???? ………………
Expliquei a situação para o Pablo, o chefe da oficina, e ele prontamente mandou colocar a moto pra dentro da oficina. Parou o que estava fazendo, tirou a outra moto em que estava trabalhando de cima do elevador (que era o maior da oficina e o único que agüentaria levantar aquela moto com malas e tudo) e começou a procurar o defeito, que parecia ser um mau-contato no motor de arranque. Recomendou que fôssemos comer e beber alguma coisa na loja Select do posto Petrobras logo ali na esquina, e foi o que fizemos. Lá não demorou muito e já havia dois senhores nos ajudando a encontrar um hotel ali por perto. Depois de duas horas a moto estava pronta. Era um defeito numa peça de plástico dentro do botão de partida, e Pablo teve de refazer a peça que teve desgaste prematuro. Aproveitei e troquei o óleo do motor.
Na hora de pagar, pensei que iria receber uma facada, dado todo o contexto da situação. Pablo me cobrou o equivalente a 2 horas de serviço de oficina, além do valor do óleo. O equivalente a 20 reais, aproximadamente. É ou não é igualzinho ao Brasil???”
Moto arrumada, problema resolvido; foram procurar os hotéis indicados na lojinha. Encontraram alguns, bem simples, bem diferentes da parada de ida, acabaram escolhendo o Hotel Santa Rita. Saíram para comer e encontraram um fast food (Sr. Lomo), onde era servido o tão adorado LOMITO!! Na TV um programa de calouros e dançarinas… que mais queriam mostrar o corpo do que dançar!!! E todas as pessoas paralisadas assistindo, era a final do programa!
Curta um pouco mais deste trecho da viagem…

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 494
Abastecimento: 38 litros
Hospedagem: Hotel Santa Rita
Valor da diária: $ 140,00 pesos
01 Estrela: bom para dormir e tomar banho depois de um dia cansativo, sem café da manhã
Gasto Total (com alimentação): R$ 190,00
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O maior desafio da Cordilheira…. Paso San Francisco!!!

16.12.2010
Copiapó – Ch – Fiambalá – Ar
Paso San Francisco

O dia amanhecia em Copiapó quando Jorge e Andréa já se preparavam para a parte mais arriscada e o trecho mais difícil da viagem. No dia anterior haviam comprado, no supermercado, as guloseimas do café da manhã, já que, como em todos os hotéis, o café é servido após as 7:30h e tinham programado a saída para as 7h. O que ocorreu conforme planejado.
Jorge estudou e leu muito a respeito do Paso San Francisco, antes de decidir atravessar a Cordilheira por ele, mas é melhor deixar ele mesmo explicar…
Depoimento Jorge:
“Ao menos para mim, este era o dia mais aguardado de toda a viagem. Seria minha primeira experiência no temido “rípio”.
Li vários relatos de outros motociclistas que passaram pelo fantástico Paso de San Francisco, e um em especial me encorajou a fazer este caminho. Nele, um motociclista que fez a viagem completamente sozinho, dizia ser mamão com açúcar este rípio, por ele ser bem compactado.]
Mas havia um outro probleminha a ser resolvido: como percorrer a distancia de 470 km entre o ultimo posto de abastecimento em Copiapó (no Chile) e o próximo posto, em Fiambalá, já na Argentina? Não sei se pelo peso, ou pela resistência que as malas laterais exerciam ao vento forte que enfrentamos nos últimos dias, ou até se era pela gasolina que era muito boa e a injeção eletrônica da moto não estava regulada para esta gasolina e sim para a porcaria da nossa gasolina misturada a álcool e todo tipo de solventes que colocam nela, mas a verdade é que a moto estava fazendo uns 14 km/L na média, o que me dava uma autonomia de uns 300 km no máximo. O jeito foi comprar um galão de plástico de 10 lts da Copec, facilmente encontrado em qualquer posto de abastecimento desta marca, e amarrar onde fosse possível na moto.
Como já não havia muito espaço disponível para bagagens, o jeito foi amarrá-lo sobre uma das malas laterais e rezar muito para o suporte desta mala não quebrar, visto que elas já estavam trabalhando muito além do peso máximo recomendado pelo fabricante desde o inicio da viagem. Como podem ver na foto, a moto mais parecia um caminhão de mudança… rsrsrsrsrsrsr”

 

O Paso começa na cidade de Copiapó, onde se encontra o último posto de abastecimento antes de sua passagem, por isso, os motociclistas devem se prevenir levando um galão extra para evitar ficar sem combustível durante a travessia, o que não seria nada interessante se pensarmos que a altitude, o frio e a ausência quase total de pessoas podem ocasionar um “desastre” durante a viagem.
O início do Paso San Francisco leva a uma mineradora, que fica a cerca de 80 km de Copiapó, o que ocasiona o encontro com diversos caminhões, picapes e outros veículos. Este trecho tem um rípio bem compactado, que possibilitou uma velocidade média de 90 km/h, sem grandes dificuldades e que animou o casal, que acreditava que a estrada iria transcorrer desta forma durante todo o percurso.
O Paso San Franciso é uma das passagens mais importantes da Cordilheira dos Andes, liga a região do Atacama no Chile à província de Catamarca, na Argentina, e atravessa cumes nevados e de grande beleza e altura. O ponto mais alto da passagem chega a 4.750 m.s.n.m., contudo conta com vulcões que chegam a mais de 6.800 m.s.n.m.
Durante o início da passagem, puderam apreciar o Deserto Florido, do qual falamos no capítulo anterior, campos de flores coloridas; mas ainda era só o começo da beleza que os aguardava.
Depoimento Jorge:
“Até chegar à entrada da mineradora o rípio estava muito compactado mesmo, acho que pelo peso dos caminhões que circulavam por ali, mas depois que passamos dela a coisa foi ficando complicada. O tal rípio foi se transformando num areião misturado a pedras e já não era possível desenvolver uma boa velocidade. Vez ou outra a moto escapava de frente e era difícil controlá-la. O perigo de uma queda estava aumentando consideravelmente. Lembrei-me do tal mamão com açúcar e pensava: acho que aquele cara não gosta de mamão…”

 

Historicamente estas colinas sempre tiveram um papel de protagonista já que foram usadas como vínculo entre os povos diaguitas de um lado e outro da Cordilheira dos Andes, em 1479 o Paso San Francisco foi utilizado pelo inca Túpac Yupanqui para invadir o território chileno e em 1536 foi atravessado por Diego de Almagro para passar de Tucumán ao Chile. Somente após 1898 que se definiram os limites argentino-chileno no Paso San Francisco.
Conta-se que os aborígenes que viveram na região antes dos Incas, já utilizavam esta rota em seus movimentos migratórios, a cerca de 10 séculos atrás.
É possível ver algumas ruínas incas durante o trajeto, que dão ainda mais emoção à aventura. Dizem que são ruínas das mineradoras incas.

Foram necessárias algumas paradas para relaxar e apreciar as paisagens. No início era possível Jorge descer da moto e se esticar, mas a partir do trecho onde o rípio começa a se soltar e se misturar à areia, as paradas passam a ser apenas para descansar da pilotagem, pois ficava impossível descer da motoca, não tinha terreno firme para apoiá-la.

Novamente o casal teve que fazer suas necessidades fisiológicas no deserto, torcendo, de novo, para ali nascer uma plantinha.

O Paso é de uma paisagem excepcional devido aos seus grandes vulcões, cobertos de neve, mesmo no verão, e as lagunas que se escondem em suas curvas. Incluem, ainda, refúgios de vida animal, principalmente as vicunhas, que são vistas por seus vales floridos.

Ao chegar à Aduana Chilena, que fica isolada no meio da Cordilheira, se pode avistar a chamada Laguna Azul, Laguna Santa Rosa, no Salar de Maricunga que possui 8300 hectares e fica a uma altitude de 3.700 m.s.n.m., é um dos maiores produtores de lítio do Chile, perdendo apenas para o Salar de Atacama.

O frio era intenso, então pararam para comer e beber água sob o sol, que ajudava a aquecer, principalmente as mãos sem luvas.

Passaram pela Aduana Chilena sem qualquer dificuldade, mas foi preciso esforço para não desmaiar quando um dos funcionários informou que a aduana Argentina, onde começaria o asfalto, ainda estava a cerca de 200 km à frente… O casal se entreolhou e não sabiam se riam ou choravam, de fato não sabiam se iam conseguir superar mais este trecho, Jorge estava exausto e Andréa muito preocupada, mas não deixou de filmar e fotografar!!! Afinal, as paisagens compensavam tamanha inquietação.

O Salar faz parte do parque Nevado Tres Cruces, nome do vulcão que domina a paisagem. O parque é um maciço montanhoso da Cordilheira dos Andes, que fica na fronteira entre Argentina e Chile, localiza-se entre os 3.800 e 4.100 ms.m.n.m. Seus principais cumes são, o Internacional ou Cume Sul de 6.749 m, o Cume Central de 6.008 m, o Cume Norte, de 6.629 m e um quarto cume, ao norte do terceiro, com cerca de 6.300 m.

Seguiram viagem, mal sabendo eles que paisagens mais belas e surreais ainda estavam por vir.

Depoimento Andréa: “O azul do céu, a vegetação rasteira em amarelo, misturado ao cinza escuro dos vulcões, com seus cumes brancos pela neve, dão a sensação de que estamos em outro planeta, outra dimensão, em certos momentos parece que estamos olhando um livro, uma imagem que não existe, parece um sonho daqueles em que as cores se confundem, é algo impressionante. Nem o medo de não chegar conseguiu ofuscar tamanha beleza. O Jorge ia pilotando com cuidado, às vezes parecia que íamos cair, mas eu não conseguia parar de fotografar, nem sei onde encontrei coragem e força para isto!”.

Após passar a aduana Chilena, se está fora do mundo, isto mesmo, não estão nem no Chile, nem na Argentina, já que se viaja em uma zona “sem lei”, pois a aduana Argentina fica a mais de 200 km. Andaram cerca de 170 km por uma estrada horrível, onde o rípio estava mais que solto entre um piso de areia, trazendo enorme dificuldade de manter a moto em pé e com a probabilidade de inúmeras quedas, inclusive com um grande susto, que Jorge irá relatar melhor.

 

Depoimento Jorge:
“A estrada se transformou num areião fofo que escondia pedras de todos os tamanhos. A pilotagem da moto estava ficando extremamente difícil, e eu já estava no limite das minhas forças. A velocidade agora era de 25 kms/h e nesta velocidade eu não fazia idéia de como estava o consumo de gasolina e se o galão seria suficiente para completarmos o percurso até o próximo posto de serviços. Ah, e ainda tinha o frio cada vez mais intenso e a preocupação com os suportes das malas laterais não agüentarem o peso e a vibração das batidas da suspensão contra as pedras da estrada. Eu só lembrava do maldito mamão com açúcar… Num determinado momento a moto saiu completamente com a roda dianteira e eu tentando a todo custo controlar a situação e reduzir a velocidade para diminuir o impacto da queda, que parecia iminente. Balançamos várias vezes pra os dois lados e consegui parar a moto Deus sabe como, mas ela parou inclinada a 45 graus e eu não tinha forças para levantá-la. Gritei para a Andrea sair da moto para aliviar o peso e vi ela se jogando no chão e rolando para o lado. Rapidamente ela levantou-se e me ajudou a levantar a moto para a posição em pé. Se a moto tombasse de vez não teríamos forças para levantá-la e como não passava ninguém por ali, estaríamos em sérios apuros. Tudo o que eu queria naquela hora era descer da moto e poder deitar no chão para descansar um pouco, mas o piso era tão fofo que o pezinho da moto afundava, me obrigando a ficar sobre ela. A falta de ar que senti devido ao esforço extremo me fez pensar que talvez eu fosse apagar ali mesmo, em cima da moto, e tive de me contentar em deitar sobre o tanque dela e ficar ali quieto até recuperar as forças para prosseguir.”
33 Copiapó a Fiambalá Paso San Francisco (53)
Diante de todas as dificuldades contadas, em meio a uma paisagem cinza, característica do deserto, eis que surge um oásis, uma lagoa de um verde inexplicável.
A Laguna Verde, localizada a 265 km da cidade de Copiapó, na Província de Catamarca, fica aos pés do maior vulcão do mundo, Pissis (foto ao lado e abaixo), que chega a 6.882 m.s.n.m., é uma lagoa hiper salgada no meio das montanhas, suas águas encontram-se a 4350 m.s.n.m.

 

Este lago é aparentemente desprovido de vida, por causa de sua extrema salinidade, que são caracterizados por uma bela cor verde cerúleo. Encontra-se em um vale profundo, quase circular, cercado por sete dos 12 maiores vulcões do mundo, cujos picos são cobertos de neve, mesmo no verão, entre eles estão o Ojos Del Salado (na foto abaixo) (6.879 m.s.n.m.), o Incahuasi Nevado (6.610 m.s.n.m.), El Muerto (6.488 m.s.n.m.), Ata (6.501 m.s.n.m.), Os Nascimentos (6.669 m.s.n.m.), o Cerro Bayo (6.436 m.s.n.m.), Solo (6.205 m.s.n.m.) e Nevado Tres Cruces (6.749 m.s.n.m.), este pode ser visto desde o início do paso. Neste ponto do paso as temperaturas registradas já foram de 20º.negativos.

Cerca de 10 km depois de passar por esta beleza monumental, chegaram ao Limite Internacional, enfim ASFALTO!!
Depoimento Jorge:
“Agora eu entendi porque nos relatos de vários motociclistas que enfrentaram o Paso de San Francisco eles param sob esta placa da foto ao lado e beijam o inicio do asfalto. Só não fiz o mesmo porque se eu descesse da moto não teria forças para subir nela novamente, hehehe…”

 

As paisagens continuaram, por todo o caminho, com uma beleza que impressiona.

 

Chegaram à Aduana Argentina exaustos, Jorge não conseguia nem falar, desceu da moto e se jogou no chão, funcionários e carabineros saíram para saber se os viajantes estavam bem. Ficaram preocupados com a situação em que o piloto se encontrava. Andréa foi quem conversou, entregou documentos solicitados e adiantou os trâmites para passagem, sem qualquer dificuldade.

 

Depoimento Andréa:
“Continuamos pela estrada, agora bem asfaltada, pensando que o visual se tornaria comum, puro engano, mais imagens belíssimas, como que retiradas de um quadro surgiam a cada curva de uma serra esplêndida, criada para completar a passagem do Paso San Francisco pela Cordilheira dos Andes, que ia ficando para trás e já deixava saudades. A cor dourada que cobria os vales, à beira dos vulcões gigantes, misturada ao branco da neve e ao céu de um azul incansável, criaram imagens que tenho certeza que não conseguirei esquecer jamais!”.
Nas belas e pavimentadas estradas após a aduana Argentina podem ser vistos vários refúgios, como se fossem pequenas casas, com rádio de emergência, lugar para fazer fogo.
Chegaram a Fiambalá por volta das 19h, após transpor 300 km de ripio em 7 horas, estavam mais que exaustos, não tinham forças nem para pensar. Ficaram na Hosteria Municipal. Jantaram no único restaurante local, com cara de restaurante, como estavam com muita fome, decidiram pedir dois pratos de filé a parmegiana e purê de “papas”, mas tinham esquecido da fartura dos pratos na Argentina, quando os pratos chegaram só tinham força para rir do tamanho do bife que teriam que encarar… e comeram quase tudo!!!
Ao deitar na cama, o casal não acreditava no dia que havia tido, nas emoções, imagens, situações críticas que vivenciaram. Só então perceberam que haviam feito um pacto silencioso durante o trajeto, não conversando sobre nada, relaxados (e a salvo!) falaram sobre o percurso; assumindo o quanto de medo sentiram durante a travessia do belo, mas perigoso, Paso San Francisco.
Aproveite um pouco mais desta beleza….

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 490
Abastecimento: 24 litros
Hospedagem: Hosteria Municipal
Valor da diária: $ 150,00 pesos
03 Estrelas: arrumado, limpo, excelente localização, sem café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 160,00
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La Mano del Desierto!!!

15.12.2010
Antofagasta – Copiapó
O casal acordou cedo, mas para variar só conseguiu tomar café depois das 8h, e como não tinha no Hotel tiveram que procurar um lugar, a principio foram até o MacDonalds, que ainda estava fechado para o café da manhã (detalhe curioso: ontem o casal jantou neste fast-food e perceberam que a maioria dos lanches vem com abacate!!!).
Decidiram ir ao Mercado Municipal, por indicação da recepcionista do hotel, encontraram vários restaurantes, que circundam o mercado e servem café da manhã, refeições e à noite são o ponto de encontro de turistas e moradores. Infelizmente o cansaço do dia não está permitindo que eles curtam a noite.
Saíram de Antofagasta por volta das 10h, em direção a Copiapó. Sabiam que iriam encarar novamente a secura do deserto chileno e os ventos da Cordilheira e do Pacífico. Mas não esperavam tantas emoções!!!
A saída é em direção a região mais seca de Antofagasta, por onde andam apenas algumas centenas de quilômetros, a paisagem fica cada vez mais árida, tinham duas opções de caminho, uma mais a beira do Pacífico, mas escolheram seguir por dentro do deserto, pela Estrada Panamericana, em direção a Chañaral, pois queriam conhecer a tão famosa Mano Del Desierto.
A Mão do Deserto (Mano del Desierto, em espanhol) é uma escultura de uma mão, feita em fibra de vidro, em uma base de ferro e cimento, tem 11 metros de altura, localizada no Chile, a 75 km ao sul da cidade de Antofagasta, na Rodovia Pan-americana. Foi construída pelo escultor chileno Mario Irarrázabal e inaugurada em 1992. Localiza-se a uma altitude de 1100 metros acima do mar.
Depoimento Jorge: “Esta foto com a moto parada em frente “Mão do Deserto” é uma marca registrada para todos os moto-viajantes que passam por estas bandas. Pode-se dizer que é uma foto obrigatória para quem saiu do Brasil no lombo de uma motoca e foi até o Chile. Sonhei por mais de um ano com o dia em que eu seria fotografado em frente a esta escultura, e este dia chegou, finalmente!”

 

Depoimento Andréa: “Você está andando pela estrada e, de repente, vê ao longe uma imagem, que mais parece uma miragem em meio ao deserto, e lá está ela: La Mano del Desierto. Como que saudando e dando sua proteção aos viajantes que passam, paisagem fantástica”.
Outra grande emoção, que já haviam sentido, mas que desta vez ficaram mais próximos, foi o contato com os redemoinhos. Novamente, devido clima árido, falta de umidade e altas temperaturas, eles surgiram na estrada em vários momentos. Conseguiram até filmar um que atravessou a estrada na frente da moto. Inclusive o casal chegou a passar de moto pelo meio de um deles!!!

 

Depoimento Jorge: “Estava numa reta sem fim e vi um redemoinho se formar próximo da estrada, alguns quilômetros à nossa frente. Percebi que pela direção que ele seguia, iria cruzar a estrada bem à nossa frente. Continuei tocando firme sem alterar minha velocidade e não deu outra: ele cruzou a estrada exatamente no momento em que eu iria passar. Segurei firme o guidão e atravessei o bicho bem no meio, sem saber o que aconteceria (estávamos a uns 130 km/h +/-). Foi um verdadeiro jato de areia na moto, nas mãos, na cara e em tudo. Entrou areia até no capacete. Nem preciso dizer como ficou a bolha da moto depois deste repente de esperteza minha…   hehehe…”

 

A estrada continuou deserta e linda… com imagens inesquecíveis, de um visual que somente o Deserto é capaz de compartilhar com aqueles que correm o risco de conhecê-lo.
E surgem novamente os “oratórios” repletos de flores, que dão um colorido especial ao tom de cinza e marrom que imperam na paisagem.
Decidiram parar para almoçar em um Posto na Cidade de Chañaral, já beirando o Pacífico. Enquanto almoçavam, chegaram duas motos, eram uma família venezuelana (Juan Carlos e Andréa, que pilotavam e o filho Kevin). Estavam viajando fazia 8 meses, tinham se programado ficar 1 anos viajando pela América do Sul, querem chegar ao Ushuaia, mas já estão a 8 meses e nem chegaram na metade do caminho.

 

Ele, Empresário da área de Propaganda e Marketing, ela Estudante de Medicina e o filho de 15 anos, estudante, deixaram para trás a comodidade do dia-a-dia para se aventurar pelos países da América do Sul, seu maior objetivo é conhecer não apenas as paisagens, mas as pessoas, a cultura, possuem o blog http://www.encuentroconelsur.com/encuentro/.Ficaram por mais de uma hora, conversando, trocando experiências, idéias e dicas, além, é claro, adesivos e contatos.

Eles ficam hospedados em camping ou na casa (ou quintal) dos moradores das vilas, olhem o tamanho da bagagem deles!!!
Eles contaram que às vezes trabalham nos “pueblos” como forma da ganhar dinheiro para continuar viajando, nestes últimos dias, estavam nos povoados à beira do Pacífico, pelos quais Jorge e Andréa passaram, trabalhando na pesca de algas, explicaram que estas algas são totalmente exportadas para a China e utilizadas na confecção de plásticos, do shampoo e outros cremes que usamos. Sua espécie é típica desta região do Chile e praticamente única no mundo.
Depoimento Jorge e Andréa: “E a gente se achando aventureiro!!! Rsrsrsr Foi um encontro incrível, daqueles inesquecíveis, ficamos fãs de imediato desta família, imagine, viajar tanto tempo, sem frescura, sem medo, desbravando lugares novos, culturas novas! Quem sabe um dia conseguimos este desprendimento!!!”.
Após o maravilhoso encontro, seguiram viagem, agora beirando novamente o Pacífico por longos quilômetros, até voltar ao deserto em direção a Copiapó, que fica a alguns quilômetros do mar.
Ao se aproximar da região que circunda Copiapó, a paisagem começa a se modificar e é possível ver grandes plantações, com florescimento e arborização e muitas flores, esta região é considerada o único deserto florido do mundo. Este fenômeno ocorre apenas de tempos em tempos, e dura alguns meses, normalmente até Novembra, fazia 10 anos que isso não ocorria, e os viajantes, mesmo em Dezembro, foram brindados com uma das mais pelas paisagens do Deserto do Atacama (que poderá ser vista ainda mais no próximo capítulo).
O Deserto do Atacama no Chile é considerado o mais seco do mundo. São milhares de quilômetros quadrados de areia, pedras, salares e pouca vida selvagem. Porém foi este lugar agressivo e inóspito, que a natureza escolheu para realizar um dos seus mais lindos milagres, o Deserto Florido.

A cada 5 anos, em média, quando o inverno é especialmente chuvoso, a região árida entre as cidades de Copiapó e Vallenar fica repleta de flores multicoloridas. São quilômetros e quilômetros cobertos por várias espécies, cada região com uma cor específica. São tantas, que é impossível caminhar sem pisar nas plantas. O mais interessante, porém é que debaixo das flores, não existe grama ou qualquer planta rasteira, somente a terra nua. É uma visão fantástica. Este fenômeno só ocorre porque as sementes ficam protegidas das altas temperaturas debaixo de uma camada de terra seca. Às vezes, passam-se 10 anos até que surjam as condições ideais para que elas brotem. Quando nascem, porém, duram apenas algumas semanas. Durantes estes dias o deserto é invadido por uma legião de turistas que vem de todas as partes testemunhar o deserto florido.
Chegaram a Copiapó por volta das 19:15h. Decidiram procurar, antes mesmo do hotel, uma Lavanderia, já que não tinham mais roupas limpas para vestir após o banho. Encontraram um HiperMercado (se lembram do Jumbo??? Era ele!!). Por sorte havia uma 5àSec. Os viajantes viraram atração da lavanderia e do supermercado, já que abriram as bagagens todas, tiraram as roupas todas, mas o ápice foi quando Jorge tirou a camiseta que vestia para aproveitar a lavagem.
Depoimento Jorge: “Todos ao redor olhavam e sorriam, as recepcionistas não conseguiam parar de rir, mas foram super gentis e simpáticas conosco. Acho que elas estavam pensando: tomara que ele não resolva lavar também a cueca que está usando… Combinamos pegar as roupas duas horas depois, aliás, antes do fechamento da loja, senão não poderíamos seguir viajem no dia seguinte”.
Saíram à procura de um Hotel, como não conseguiam localizar o que haviam programado, foram em outros, que estavam na Avenida principal, facilitando a saída no dia seguinte. Encontraram o Hotel Del Rey, sendo atendidos por José, um rapaz super gentil, muito simpático, que não sabia o que fazer para agradar o casal. Acomodaram as coisas no quarto e saíram para buscar as roupas lavadas, nem adiantava tomar banho: não tinham o que vestir!!! Jantaram no próprio hotel, uma comida simples, mas deliciosa.
Copiapó é uma comuna da província de Copiapó, localizada na Região de Atacama, Chile. Possui uma área de 16.681,3 km² e uma população de 129.091 habitantes (censo de 2002). Copiapó é a capital da província de Copiapó e da Região do Atacama. A cidade e seus arredores possuem uma grande riqueza mineral e agroindustrial.
O grande desenvolvimento da agricultura se deve a aplicações de técnicas de uso eficiente da água, como a irrigação por gotejamento. Isto faz com que uma região árida produza uma das melhores uvas do mercado mundial. A cidade ficou mundialmente conhecida pelo Acidente na mina San José em 2010.
Depoimento Jorge: “Fomos dormir cedo, pois no dia seguinte teríamos o trecho mais complicado de toda a viagem, aguardado com muita ansiedade por mim.  Seria o dia de voltar à Argentina pelo maravilhoso, porém arriscado, Paso de San Francisco!!!
Eu sabia que não seria fácil. Só não imaginava que seria tão difícil!”.
Desfrutem um pouco mais deste trecho da viagem:

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 580
Abastecimento: 42 litros
Hospedagem: Hotel Del Rey
Valor da diária: $ 32.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (pena tivemos que sair antes), ótima localização e bom preço
Gasto total (com alimentação): R$ 250,00
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Beirando o Pacífico!

14.12.2010
Iquique – Antofagasta
Jorge e Andréa acordaram cedo para ir às compras, mas outro furo: as lojas abrem somente depois das 11h. Tiveram que procurar o que fazer, aproveitaram para andar um pouco pelo centro, que tinha apenas comércio, nada interessante, os pontos turísticos ficavam distantes. E tomar um bom café da manhã, já que o da pousada se limitou a um copo de café com leite e umas torradas e mais nada.
O rapaz dono da pousada indicou que fossem de taxi, pois gastariam menos e seria mais tranqüilo e rápido. Pagaram 500 pesos por pessoa, menos de R$2,00. E o mais importante: não foram enganados, foi cobrado exatamente o mesmo que dos outros passageiros. Isso mesmo, tanto na Argentina como no Chile, os taxis são coletivos, os motoristas param perguntam para onde os passageiros querem ir, tem um itinerário mais ou menos determinado e levam até 4 pessoas, o que permite que a tarifa seja mais em conta e que as pessoas andem sempre de taxi, já que na maioria dos percursos o valor não ultrapassa R$2,00, mais barato que o transporte coletivo no Brasil.
Iquique possui um dos maiores centros de duty-free (ou Zona Franca) da América do Sul, perdendo apenas para Cidade del Leste, no Paraguai, tem sido tradicionalmente chamado Zofri (http://www.zofri.cl/). São cerca de 2,4 quilômetros quadrados de armazéns, lojas, agências bancárias e restaurantes. Mas os preços??? nem de longe se aproximam de Cidade del Leste, o que decepcionou o casal que saiu deste “harén de consumo” com quase nada, quase porque Andréa aproveitou o preço para presentear Jorge com um canivete suiço, única peça adquirida pelo casal.

Retornaram para a pousada, arrumaram as malas e voltaram para a estrada em direção a Antofagasta, retomando os planos iniciais. Saíram de Iquique por volta das 13:30h, e programaram parar para comer no restaurante da Aduana, pois se a pegassem fechada novamente, utilizariam o tempo de espera para um bom almoço.

Mas não foi o que aconteceu, passaram rapidamente pela Aduana, que ainda estava em “paro”, mas que no momento em que os viajantes passavam, funcionava normalmente. Mesmo assim, decidiram parar para almoçar, já que estavam apenas com o café da manhã. Aproveitaram para conhecer outro prato típico, um pastel de loco, um tipo de molusco encontrado na região, de sabor forte e muito gostoso.
Situação engraçada: Enquanto almoçavam, assistiam a uma novela chilena, começaram a ouvir “É o tchan, segura o tchan, amarra o tchan!” e demoraram a perceber que a música, na verdade, vinha da novela, os jovens na novela estavam ouvindo esta música. Este fato rendeu boas risadas!!!!!
Depois de se alimentar bem, seguiram viagem, este caminho era de mais de 400 km por uma estrada em curva, beirando o Pacífico. Realmente imagens muito bonitas os acompanhavam.
Curiosidades: Durante a viagem é possível ver coisas bem diferentes, como este cemitério, todo com cruzes em madeira, que pode ser visto em diversos povoados que beiram a estrada, as cruzes são feitas do material disponível e normalmente enfeitada, como já falado anteriormente, com flores artificiais, que dão um colorido ao lugar. Este se encontra à beira do Pacífico!
“Que lugar maravilhoso para findar a vida, isto sim acho que é o paraíso!” (Andréa).
Este outro “monumento”, também pode ser visto por todas as estradas da Argentina e do Chile e, a princípio, causam estranheza, pois são muitos, em diversos pontos das estradas. Este estava de frente para o Pacífico.
Depoimento Andréa: “Como no Brasil se usa muito colocar uma cruz na estrada onde houve alguma morte, fiquei preocupada, pensando se tudo isso seriam acidentes. Em determinada estrada, paramos e fui olhar de perto e percebi que havia nomes e data de nascimento e morte, escritas nas pedras, tudo muito enfeitado, arrumado, perguntei para algumas pessoas e me explicaram que se trata de “covas”, as pessoas são enterradas nestes lugares, no meio do deserto, na beira do Pacífico, em lindos lugares, normalmente locais que as pessoas gostavam quando vivas, como faziam os Incas, que colocavam seus mortos em locais lindos, altos, para que pudessem contemplar o visual, não é fantástico. Acho que já escolhi onde quero ficar, quer dizer, onde quero minhas cinzas!!!”.
Depoimento Jorge:
“Hoje eu estava rodando no sentido contrário do dia anterior, então, moto inclinada para a direita por uns 350 kms…   Dia de gastar o lado direito do a pneu…  hehehe…  Oceano de um azul incomparável de um lado, pedras e montanhas do outro. E tome vento… Mas o mais interessante de tudo isso é que estamos acostumados a viajar de norte a sul com o mar sempre do lado esquerdo e hoje estávamos indo do norte para o sul mas com o mar do lado direito… é bem esquisita esta sensação!”
Chegaram a Antofagasta por volta das 19h, o sol já começava se pôr, e tiveram uma dificuldade enorme em encontrar hotel, os que tinham anotado estavam lotados, logo ficaram sabendo que isto era comum em dias de semana, devido aos funcionários das mineradoras, que lotavam a cidade. Depois de tentar mais de cinco hotéis, pararam em uma esquina e Andréa foi tentar encontrar um banheiro, já que estava super apertada. Enquanto isso Jorge ficou esperando, quando um senhor, dono de um comércio no local, se ofereceu para ajudá-lo, ligando para os hotéis que conhecia para localizar vagas.
Situação engraçada: “Após tentar ir ao banheiro em dois hotéis que não tinham banheiro na recepção, um supermercado que também não tinha banheiro para clientes, vi uma “choperia” do outro lado da rua, pensei: é ali mesmo, não vou conseguir esperar mais. A “choperia” tinha uma porta de madeira, daquelas que a gente entra pelo lado, entrei e perguntei para uma senhora que estava no caixa se podia usar o banheiro, ela pediu que eu aguardasse e veio até mim, pedindo que a acompanhasse, achei um pouco estranho, mas… só tinha olhos para o banheiro que ficava no final do lugar… Pediu que eu não encostasse em nada, novamente estranhei, mas só pensava em me aliviar rsrsrsrsrsr Nossa que alívio mesmo!!! Mas qual não foi minha surpresa ao abrir a porta do banheiro para sair e dar de cara com algumas “garotas”, isso mesmo, “prostitutas” com uma tanguinha minúscula e um bustiê menor ainda, isso mesmo: eu estava num prostíbulo!!!!!!!!!! Elas me olhavam não sei se com pena, com admiração, ou exclamação hehehehehehe Parte mais engraçada: os homens, que eram únicos nas mesas, fato que também só percebi ao sair, começaram a assobiar enquanto eu passava… aí lembrei que quando entrei, TODOS pararam de falar!!!!!!!!!!! Será que eles pensaram que era um show temático: MOTOQUEIRA!!!!! KKKKKKKKKKKKKKK”.
O hotel indicado pelo comerciante e único que tinha vaga, ficava na mesma rua em que estavam, inclusive o casal já tinha passado por ele, mas Andréa nem quis olhar, já que por fora estava todo sem pintura, com jeito de abandono, ficou preocupada, mas fazer o quê? Outra surpresa, agora agradável: o hotel Puerto Mayor era uma graça, todo arrumado, quartos e banheiro bem equipado e limpo. Como pode alguém deixar o lado de fora tão abandonado e dentro tão bem cuidado?? Imagino que todos que passem pensem como Andréa e nem cheguem a entrar…
Antofagasta é uma comuna e cidade do norte de Chile. É capital provincial da Província de Antofagasta e capital regional da Região de Antofagasta. A cidade de Antofagasta se encontra a 1.371,48 km de Santiago, capital de Chile. Limita ao norte com Serra Gorda, Mejillones e San Pedro de Atacama, ao sul com Taltal, ao oeste com o Oceano Pacífico e ao este com o Departamento dos Andes da Argentina. É a quinta cidade mais povoada do país, e é conhecida popularmente no Chile como a Pérola do Norte.
Há uma série de teorias para explicar a origem da palavra Antofagasta, provavelmente trata-se de uma palavra composta que provém do diaguita ou kakán meridional “anto” (ou hattun, que significa grande), “faya” (ou tenha, que significa salgar) e “gasta” (que significa povo), sendo um topônimo que significa “Povo do Salgar Grande”.Segundo outra teoria, pode ser uma palavra composta que provém do quechua “anta” (que significa cobre) e “pakai” (que significa esconder), sendo um topônimo que significa “Esconderijo de Cobre”. Outra teoria a relaciona com o chango “Antofagasti” (que significa Porta do Sol), forma em que os changos chamavam ao atual Monumento Natural La Portada. Diz-se também que o nome Antofagasta se deve a uma decisão de Manuel Mariano Melgarejo, quem renomeou a cidade em honra a uma estância que possuía em Antofagasta da Serra, por volta do ano 1870.
Segundo registros arqueológicos, Antofagasta foi habitada em primeiro lugar pelos changos, recolhedores marinhos. A cidade de Antofagasta foi fundada pelo governo boliviano em 1868, e já se encontrava previamente povoada como porto de desembarque e como um lugar de refúgio e descanso sobre a costa boliviana para os exploradores chilenos. Por isso, a fundação é algo que ainda não foi estabelecido e aceitado oficialmente.

Antofagasta é uma cidade linda, bem organizada, com uma orla arrumada, arborizada e muito limpa, aliás, consenso em todas as cidades até aqui. Consegue combinar antigos prédios com a modernidade de forma harmônica.
Depoimento Andréa: “Ficamos encantados em esta cidade, é linda, se não tivéssemos ido a Iquique teríamos ficado mais um dia nela, para conhecer melhor. Infelizmente não conseguimos nem colocar os pés na água gelada do Pacífico. Único arrependimento desta parte da viagem! Mas viajar beirando o mar do Pacífico é fantástico, mesmo sem entrar nele; a mistura da cordilheira, repleta de pedras e o azul forte do mar é algo fascinante”.

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 434
Abastecimento: 33 litros
Hospedagem: Puerto Mayor Hotel
Valor da diária: $ 25.000 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, excelente banho, mas sem café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 190,00
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Encontro com o Pacífico!!!

13.12.2010
Calama – Iquique
O casal acordou cedo para resolver logo as questões da moto, pois queriam seguir viagem para Iquique no mesmo dia. Mas esqueceram que, assim como na Argentina, no Chile tudo começa a funcionar mais tarde. Acredito que realmente só o Brasil adotou uma cultura diferente em relação a isso.
Ao saírem do hotel, com um mapa na mão, enquanto se dirigiam para a moto, foram abordados por uma moça que questionou se estavam perdidos, se precisavam de ajuda para encontrar algum lugar. A princípio, estranharam, mas perceberam que realmente ela queria ajudar. Ressaltando que ela estava do outro lado da rua e ao perceber que os viajantes consultavam um mapa, atravessou a rua e se aproximou simplesmente para ajudar. O casal passou por situações como essa diversas vezes, tanto na Argentina como no Chile. População educada, prestativa e solícita.
Aproveitaram que precisavam aguardar a abertura do comércio para tentar resolver a questão dos saques bancários, já que, ao contrário do Brasil, os bancos abrem e fecham cedo, e foram super bem atendidos pelo segurança da agência, que os ajudou, encaminhou para a gerência, indicou outras agências. Finalmente conseguiram sacar dinheiro, sem transtornos.
Procuraram pela mecânica indicada por Javier, a Calama Firma Motos (http://www.motonet.cl/empresas/calama-firma-motos), onde foram atendidos por Roberto Cabello, o proprietário, que foi muito gentil e simpático, além de prestarem um serviço de qualidade. Andréa ganhou uma luva nova, comprada na lojinha da revenda, após experimentar um monte de luvas, que o atendente mostrava com paciência e bom humor.
Após resolverem todas as questões da moto, decidiram se arrumar e por o pé, quer dizer, as rodas na estrada, mas não antes de experimentar o Lomito que viram em uma foto no Restaurante Bavaria (http://www.bavaria.cl/), enquanto tomavam um café no dia anterior.
Mais um fato engraçado: “A foto do lanche era linda, um lanche enorme, estilo “lomito gigante”, e repleto de “alface”. Pedimos dois, já que este seria o almoço do dia, mas ao chegar, o verde da foto não era alface, era abacate, isso mesmo, o lanche estava repleto de abacate, foi engraçado!!! Fica estranho, mas gostoso, só que tinha muito, então íamos tirando o excesso… mais uma para contar depois!!”.
Saíram de Calama por volta 13:45h, em direção a Iquique, cidade que nunca esteve nos planos da viagem, pois daqui tinham planejado ir direto para Antofagasta, a idéia de viajar até Iquique surgiu após uma conversa com a guia em San Pedro, Angela, que falou sobre a zona franca e os excelentes preços de importados, como o casal tinha interesse em comprar um netbook e dias sobrando na agenda, decidiram ir conferir. Se arrependimento matasse…..
A estrada que leva em direção a Tocopilla é excelente, bem sinalizada e bem pavimentada, ela atravessa a Cordilheira de Domeiko, formada por cadeias montanhosas, com as características do deserto.

 

Ao chegar a Tocopilla se tem o primeiro contato com o Oceano Pacífico.

Depoimento Andréa: “Você está andando por uma estrada onde só se vê areia, pedra, muita pedra… de repente, faz uma curva e lá está ele: o Pacífico!!! É emocionante, ainda mais para quem sai do Atlântico, é a sensação de ter atravessado o mundo rsrsrsrsrsrsr!”.
Tocopilla é uma cidade pequena, à beira do pacífico, que tem como principal atração sua rede portuária, responsável pela exportação do salitre retirado das minas chilenas e do cobre de Chuquicamata, que é transportado por trens que serpenteiam as grandes montanhas da região. Também tem um porto pesqueiro e indústrias de conserva e fábricas de farinha de pescado.

 

Após alguns quilômetros de Tocopilla, em uma viagem que beira o Pacífico o tempo todo, os viajantes se depararam com uma Aduana Chilena, que sequer sabiam que ela existia, mas a surpresa maior foi que os funcionários estavam em “paro” (greve) há dois dias e estavam atendendo aos poucos. Foi sair do roteiro para “coisas estranhas” começarem a acontecer!

 

Para “alegria” do casal, a aduana tinha acabado de fechar, eram o primeiro da fila, só iriam abrir após duas horas. Jorge tentou conversar, argumentar a dificuldade de pilotar a noite e o desconhecimento do trajeto, mas nada adiantou, os funcionários, educados, gentis, explicaram os motivos do “paro” e que não poderiam abrir mão da manifestação e que outras aduanas estavam totalmente fechadas.

 

Esta aduana existe, principalmente, para verificação de veículos, já que na zona franca de Iquique existe um grande comércio de automóveis, portanto, seu principal objetivo é verificar a documentação dos veículos que passam de um lado a outro.
O tempo sem atendimento foi suficiente para formar uma fila gigante de carros, caminhões, ônibus de turismo, inclusive um com uma turma enorme da terceira idade, que invadiu o único restaurante do lugar, onde o casal teve que ficar e tentar se alimentar, ele estava lotado de gente querendo beber e comer; a única atendente não dava conta de tantos pedidos, ainda bem que tinham tempo para esperar!

 

Depoimento Jorge: “Com o tempo foi se formando uma bagunça com cara de fila na frente da cabine e ficamos pensando, vai ser uma desorganização só, o pessoal vai sair “no tapa” e vão dificultar nossa passagem e somos os primeiros… vamos ver!!! Quando a Aduana voltou a funcionar foi uma festa, e ficamos felizes quando fomos chamados por todos que estavam na fila, deixando que os motociclistas fossem atendidos antes de todo mundo, por sermos os primeiros da fila e por termos preferência em seguir viagem… todos desejando “Buen viaje”. A fila também nos serviu para pegar referência de um hotel no centro de Iquique. Demoramos duas horas esperando para a funcionária olhar a documentação da moto, colocar um carimbo e em menos de dois minutos tínhamos permissão para circular legalmente no Chile”.

 

Voltaram para a estrada, já com o início do entardecer, torcendo para chegar antes do anoitecer. A estrada beira a Cordilheira de Domeiko, o que permite ter de um lado montanhas gigantes de pedra, areia e do outro o Oceano, um visual interessante e contrastante. As curvas e o vento foram outro atrativo.
Depoimento Jorge:
“Novamente o vento foi o grande vilão do dia. A paisagem, a mais improvável posssível: de um lado um oceano de um azul intenso, do outro um deserto de pedras e montanhas altíssimas, sem vegetação nenhuma. Esta é a paisagem que se vê por 250kms, seguindo em direção ao norte.
O vento é constante, não dá trégua, e é bem mais gelado do que o vento do deserto. Andei por 250 kms vendo sempre a mesma paisagem e andando com o moto inclinada para a esquerda. Foi o dia de gastar o lado esquerdo do pneu. Já nem estava estranhando tanto fazer uma leve curva para a direita com a moto inclinada para a esquerda. Das primeiras vezes em que isso aconteceu, no deserto, fazer curva para um lado com a moto inclinada para o outro gerava um verdadeiro nó no cérebro, mas agora já estava até acostumado, hehehe…”
Não conseguiram chegar antes da noite, mas puderam presenciar o pôr do sol no Pacífico, o que foi interessante depois de já terem assistidos a tantos no Oceano Atlântico.
Infelizmente estava nublado, aliás, nuvens que não viam havia dias, o que não permitiu uma visibilidade das melhores.
Chegaram a Iquique por volta das 21h, procuraram pelo Hotel Fontana, indicação de um senhor na Aduana; o encontraram após atravessar a cidade, já que o hotel fica no Centro e a entrada da cidade é pelo litoral.

Iquique tem uma orla arrumada, repleta de prédios de alto padrão, ruas organizadas, largas avenidas, e que lembra cidades litorâneas brasileiras, (Santos, litoral paulista, por exemplo) pois tem um calçadão bem iluminado, cheio de praças, ciclovias, parques, quadras de esporte, e muita gente passeando.

Suas grandes ondas chamam a atenção e devem ser o paraíso dos surfistas que gostam de se arriscar em meio as pedras.
Já o Centro da cidade é mais antigo, com prédios e construções com jeito de abandono, embora a limpeza faça parte de todos os lugares por onde passaram.

Iquique é capital da província de Iquique e da Região de Tarapacá. Possui uma área de 2.262,4 km² e uma população de 166.204 habitantes (2002). Pertenceu ao Peru até 1883, quando foi dado ao Chile pelo Tratado de Ancón após a Guerra do Pacífico. Iquique (pronúncia espanhola: [ikike]) é uma cidade portuária, encontra-se na costa do Pacífico, a oeste do deserto de Atacama e do Pampa del Tamarugal.
Iquique se destaca por seus Monumentos Nacionais e suas praias. Entre as mais belas se encontram: Primeras Piedras, Brava, Cavancha e Huayquique. A cidade é muito freqüentada por turistas atraídos, não apenas pelas praias, mas também pelos Cassinos, Museu Regional, Naval e Antropológico, assim como pelos edifícios históricos, como o Palácio Astoreca e o Teatro Municipal. Próximo a Iquique é possível encontrar o Parque Nacional Volcán Isluga, com abundante flora e fauna e povos de culturas ancestrais.
Além do comércio, a mineração de cobre é a principal responsável pelo desenvolvimento econômico da cidade e de sua riqueza.
Após tomar um banho, um tanto precário, colocar as roupas do avesso, pra variar, decidiram sair para comer. Fizeram a pergunta de sempre: sobre os perigos do lugar, devido ao avançar do horário, e foram novamente informados da inexistência destes “perigos”. Estavam próximos ao centro comercial, formado por ruas “peatonais”, ruas fechadas somente para circulação de pedestres, havia muita gente circulando e já passava das 22h.


Encontraram um restaurante temático, super diferente, onde filmes, músicas, artistas, atletas,  fazem parte do cenário e são sevidos, em sistema fast-food, pratos deliciosos (http://www.schopdog.cl/inicioN_.html), infelizmente as fotos são da internet porque a máquina estava carregando novamente!

Comeram este prato formado por carne, linguiça, “papas”, ovos e um delicioso tempero. Nada saudável, mas muito gostoso!!!
Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 412
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Fontana
Valor da diária: $ 18.000 pesos
1 Estrela: barato, bom para dormir após um dia cansativo, banho precário, café da manhã quase inexistente
Gasto Total (com alimentação): R$ 105,00
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