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A Incrível Purmamarca!

8º  Dia –08.12.2010
Salta – Purmamarca – AR
Decidiram sair de Salta por volta das 15:30h rumo a Purmamarca, assim ganhariam um dia de viagem, que poderiam usar em outra ocasião.
Por indicação de Hector fizeram um caminho através de uma serra, linda, porém estreita e bastante movimentada de animais na pista, mostrada no vídeo…

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Chegaram a Purmamarca, por volta das 19h, trata-se de uma cidade pequena cercada por gigantescas montanhas.
Pequena mesmo, a vilazinha é formada por praticamente 12 quarteirões.
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O povoado de Purmamarca é uma pequena aldeia, circundada pelo Rio Purmamarca e por dois cerros, se encontra a 3 km da Rota Nacional no.9, a 65 km de San Salvador de Jujuy e seu nome significa “Pueblo de La Tierra Virgen” na língua aymará. Sua origem é pré-hispânica, do início do século XVII, está localizada a cerca de 2300 mts de altitude. O clima da região é temperado, com máximas de 25ºC e mínimas de 2ºC.
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Seu traçado urbano de construções de adobe e tetos de cordão, palha e barro, foi realizado em torno da igreja datada de 1648, consagrada a Santa Rosa de Lima, em estilo clássico Quebradeño (da região das Quebradas), de nave única e angosta, com muros externos de adobe e uma típica carpintaria de cardón em seu interior, onde se encontram imagens e pinturas do século XVIII. Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
Persiste entre este12-Purmamarca-%286%29 povo, costumes pré-hispânicos importantes como as celebrações comunitárias com a participação do povo. Também é importante o culto a Pachamama e outros ritos anteriores a colonização, podendo se observar como vivem os cultos indígenas com as igrejas coloniais.

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A música também é protagonista principal nesta área, onde é executada com instrumentos próprios como: sikuris, quena, cajá, erque, erquencho e charango.

12-Purmamarca-%2826%29A pequena localidade adquire relevância na região por sua admirável paisagem montanhosa e por contar com excelente infra-estrutura de alojamento, gastronomia e passeios.

O pequeno povoado é uma atração especial porque se encontra localizada na base dos majestosos cerros multicolores. A imponente Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio da Humanidade, é o eixo desta área por onde corre o Rio Grande. Ao transitar nas ruas do pequeno povoado, se pode observar os vistosos cerros, entre eles se destaca o “Cerro de los Siete Colores”, de origem sedimentária e formado por material do período cretáceo, cerca de 65 milhões de anos atrás.

O “Cerro de Siete Colores” é um marco natural de Purmamarca, é o única na região e no resto do país. A combinação se suas cores se manifestam com deleite aos olhos de quem o observa. Conhecido também como Formação Yacoraite, que se localizam na Quebrada de las Conchas e Quebrada Del Toro.

As capas sedimentares de diferentes tonalidades como o colorado, o ocre, o violeta, complementam a beleza da Quebrada de Purmamarca, juntamente com a Quebrada de Humahuaca. De vários pontos se pode apreciar a policromia que irradia do cerro.

Neste “pueblo” viveu o famoso cacique Viltipoco, do povo de Los Omaguacas, que eram compostos por grupos como los Purmamarca, los Tilcara, los Ocloyas, entre outros, população originária da Quebrada de Humahuaca, habitaram os púcaras, tipo de construção que ainda hoje está em pé, testemunhando a força de um povo que luto para defender seus territórios dos conquistadores coloniais. Sua estratégia é produto de um notável intercâmbio e comunicação entre o Império Inca e as particularidades indígenas de La Puna. Dentro de sua organização social se destaca a presença do cacique, que além de ser um chefe político-militar, também tem caráter religioso. Viltipoco se descatou por guiar a luta de seu povo para impedir a fundação espanhola na região, seu povoado foi Purmamarca, de onde dirigiu as operações para defender seu território. A história conta que em 1954 ele foi capturado pelos homens de Argañaráz que o mataram em Santiago Del Estero.

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A principal atração o vilarejo é uma feira de artesanato ao redor da praça central, onde se encontra objetos de artesanato, lembranças, muito tecido colorido, malhas produzidas com lã de lhama e ponchos (uma delícia ao toque e super quentinhas), ervas medicinais, enfim, artigos típicos da região andina e que dão um toque especial a este vilarejo.
Com excelentes preços, este é o melhor local para quem quer comprar artigos típicos.
A feira funciona até as 20h (percebam que ainda é dia claro). Mas Jorge e Andréa chegaram em cima da hora do término da feira e tiveram que ser rápidos para olhar tudo em meio ao desmonte de algumas barracas, foram com as roupas de andar de moto e tudo, não dava tempo de se arrumar…
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Acabaram comprando o que desejavam em uma loja, de um argentino muito simpático e com bons preços, chamada Regionales Purmamarca.
Depoimento Andréa: “Ainda bem que chegamos tarde, a Feira de Artesanias estava fechando, quero dizer sorte para o Jorge e para a moto!!! Pois não consegui comprar quase nada… Que saudade do meu carrinho com porta malas”.
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Após se alojar na Hosteria Bebo Vilte, tomar um bom banho e vestir roupas confortáveis e quentes, já que a temperatura estava bem mais baixa, afinal já estavam beirando as Cordilheiras, decidiram ir jantar e andar pela cidade.
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Os quartos da hosteria são feitos, como todas as casas de Purmamarca, de adobe, o que lhe garante estar fresca durante o dia e bem quentinha à noite, fato que chama a atenção, e prova a inteligência dos Incas, que perceberam neste tipo de material (pedra e barro) uma forma natural de manter o ambiente agradável.
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À noite não se vê viva alma nas ruas, a não ser os turistas que vêm do mundo todo e que perambulam por lá. Exceto a praça da igreja, as demais ruas da cidade não têm iluminação, sendo que o que se destaca são apenas as luzinhas na entrada dos inúmeros restaurantes e hosterias, que chamam a atenção por sua decoração típica e por muita música.

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Decidiram jantar no Restaurante Rincón de Claudia Vilte (mesmo sobrenome do dono da Hosteria), uma música desde a infância, que representa seu povo, através de suas canções e que atualmente é professora da Universidade de Salta.

O local tem estilo de taberna, com boa música e uma decoração incrivelmente diferente, exótica e muito cultural. Nas paredes existem altares, cultuando os ancestrais (Abuelos de Claudia), fato comum na cultura Inca, já que graças à existência deles é que nós existimos na atualidade. Tão óbvio e tão distante da cultura ocidental. Nestes altares são colocadas fotos, flores, objetos pessoais e presentes.
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“Quando interpreto canções, trato de colocar nelas alguma mensagem, pois com esta atitude transcendental se conscientizam as mentes, pois considero que não canto para um grupo de gente, mas para o ser humano”. Claudia Vilte
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O casal decidiu experimentar a carne de lhama, pediram empanadas de charque de lhama, um tipo de pastel de forno, delicioso, recheado com carne seca de lhama, com um bom vinho da região de Salta.
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Este molhinho vermelho na foto se chama “pebre”, é feito de tomate bem maduro, temperado com sal e bem apimentado. Todos os restaurantes da Argentina e do Chile servem este molho com pão de entrada.
Depoimento Andréa: “Quando acho que já vi tudo de lindo e diferente, eis que surge Purmamarca… gente, é uma cidadezinha no meio do nada, entre montanhas gigantescas por todos os lados e é LINDA!!!! Muito diferente de tudo que conhecemos, andando pelas suas ruas escuras, não temos idéia do que vamos encontrar,  embora pequena tem infra-estrutura excelente, com boa comida, bom atendimento, bons vinhos, bons hotéis, inclusive até um SPA… tudo aqui é lindo demais, só estando neste lugar para compreender a sensação de estar entre este povo, espero poder voltar aqui mais vezes!!!”.
Depoimento Jorge:
“Sair de Salta no meio da tarde foi uma estratégia acertada. A estrada que leva de Salta a Purmamarca é uma delí12-Purmamarca-%2818%29cia, uma serrinha cheia de curvas e paisagens lindas. A estrada é um tapete, porém é tão estreita que em algumas curvas só passa um carro de cada vez.
Devido ao pequeno trecho percorrido neste dia, pudemos ir devagar, passeando e curtindo a estradinha. Neste trecho também tem muuuitos animais soltos à beira da pista, e alguns bem no meio dela. Assistam ao vídeo e vão entender o que digo…
Esta parada em Purmamarca também era um tanto quanto estratégica. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes e a 2.300 a.s.n.m. (altitude sobre o nível do mar) é um bom lugar para passar a noite que antecede a travessia da cordilheira e dar uma “aclimatada”. Além disso, é um vilarejo muito pequeno e pitoresco, onde você encontra três coisas: Pousadas/hotéis, bares/restaurantes e feira de artesanato. Nada mais! Pra terem uma idéia, não tem nem posto de gasolina em Purmamarca.
Pra minha sorte chegamos na hora em que a feira de “artesanias” estava acabando, porque senão eu teria de jogar fora as ferramentas e peças sobressalentes que carregava nas malas para enchê-las de tapetes, colchas e artesanatos em geral…”

Aproveitem Purmamarca…

 

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 158
Abastecimento: 16 litros
Hospedagem: Hosteria Bebo Vilte
Valor da diária: $ 120,00 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, simples, bom para banho e para dormir, café da manhã bem simples.
Gasto total (com alimentação): R$ 125,00

Superando La Cordillera de los Andes!!!!!!

9º. Dias – 09.12.2010

  Purmamarca – AR – San Pedro de Atacama – CH

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Saíram de Purmamarca às 09h. Sabiam que este seria o dia do desafio mais importante: Ultrapassar a Cordilheira dos Andes. Enfim, chegou o momento mais esperado e, provavelmente o mais difícil.

Como sabiam que iriam passar frio, decidiram já sair agasalhados, até porque em Purmamarca já sentiam os ares mais gelados dos Andes, embora não usando ainda toda a roupa trazida para a ocasião.

Por indicação do amigo Dieter, Jorge e Andréa tomaram Diamox ontem e hoje pela manhã, e segundo sugestão de outros viajantes e do dono da Hosteria, Sr. Bilbo, deveriam parar em Susques e comprar folhas de coca para mascar durante a subida e não comer muito, para evitar os enjôos comuns na altitude.

Saíram confiantes, embora com certo “frio na barriga”, como disse Jorge ao ver a grande muralha…

A última imagem de Purmamarca, ao sair da cidade, é o “Cerro de los Sete Colores”, e assim se despediram deste “pueblo encantador”.

A estrada agora os levaria ao objetivo maior da viagem : San Pedro de Atacama, através do Paso de Jama, ponto mais alto do percurso.

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Alto em todos os sentidos: de altitude mesmo, de frio, de emoção, de superação e de algo que eles nunca tiveram contato na vida: o deserto mais árido do mundo.

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Novamente puderam ver os “Los Cardones”, agora em tamanhos menores, mas não menos bonitos.

 

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Jorge fez questão da foto com a Cordilheira ao fundo… lembrando que a do blog foi uma montagem, queria ter uma foto de verdade.

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Uma das coisas interessantes de andar pelo deserto é que em meio a tanta pedra, tanta secura e tanto isolamento, surgem “Oasis”, pequenas plantações e casinhas em meio ao nada.
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A estrada construída para ultrapassar esta barreira gigante não poderia ser com mais curvas. Viagem emocionante não apenas pelas paisagens, mas, principalmente, pelo trajeto realizado, serpenteando as grandes montanhas.
Pareciam estar no topo do mundo, mas ainda não tinham chegado nem perto dele.
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Olhem “La Cordilheira” a frente da estrada… o topo do mundo ainda estava a alguns kms de distância e a paisagem ficava cada vez mais “desértica”…

…com vegetação rasteira e os animais donos das alturas: vicunhas, guanacos e lhamas.Estes animais fazem parte das imagens do deserto, assim como a vegetação cada vez mais rasteira e em tons de amarelo, chamada de xerófila, vegetação adaptada à aridez.
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A vegetação possui raízes compridas, aprofundando-se bastante no solo para buscar água.  Apresenta folhas pequenas e muitas vezes cobertas de ceras, para diminuir a evaporação (perda de água). Possuem também, folhas em forma de espinhos para diminuir a evaporação.

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O Atacama é um deserto costeiro, é o mais alto e seco da Terra. Nele, uma chuva possível de ser medida – isto é, de um milímetro ou mais – pode ocorrer uma vez a cada cinco ou até a cada vinte anos.

De acordo com estudos realizados sobre o Deserto do Atacama, nele ficou sem chover mais de 400 anos, o que lhe conferiu a aridez hoje vista.
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E imaginem: o Deserto do Atacama um dia foi mar, após inumeros vulcões entrarem em erupção, provocando abalos sísmicos e estruturais, a Cordilheira dos Andes surgiu de um lado e a Cordilheira de Domeiko de outro, suas águas, então represadas, foram evaporando, restando inúmeros Salares, como as Salinas Grandes (este tom de branco visto ao pé da Cordilheira). Mas restaram algumas lagunas…. que logo vocês vão poder conferir!

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As Salinas Grandes estão a 3600 mts de altitude e seu contorno se destaca no horizonte a muitos quilômetros de distância. Quem chega a Salinas fica extasiado diante do mar de sal. A beleza do salar se une ao céu azul, refletindo uma luz muito especial.

Esta salina é um sedimento químico de evaporação, que se divide em três tipos de zonas dentro do salar: “La salina poligonal”, “las eflorescências salinas” e “La limosa”.
“Las Salinas Grandes” tem o silencia, o prazer do ar puro, e seus 524 mil metros quadrados, fazem dela um marco de notável beleza natural.
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Após atravessar o ínicio do deserto, chegaram a Susques, a última cidade antes de chegar ao Paso de Jama, antes de começar a subir a Cordilheira.

Aproveitaram para comprar as folhas de coca, que nesta região são vendidas em qualquer comércio, como folhas de louro ficam em sacos enormes e são cobradas por peso.

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Também aproveitaram para abastecer, já que acreditavam ser este o último posto antes de da Cordilheira, mas não é!!!

Posto de uma única bomba, que tem tanto adesivo que Jorge teve dificuldade de encontrar um espacinho para deixar o do seu Moto Clube Rota 99.

Você consegue encontrar??
Junto ao posto havia o Hotel e Restaurante Pastos Chicos, de um pessoal super receptivo e simpático. A galera da foto é o dono do Hotel e os jovens são aprendizes de hotelaria e 13-Purmamarca-Susques-%2824%29restaurante, ele cede o espaço para que esta turma possa apreender a empreender e monte seu próprio negócio em Susques, para melhor atender o turista.
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Este pessoal adorou ouvir os viajantes falar português e fizeram várias perguntar para Andréa sobre a pronúncia das palavras.

Depoimento Andréa: “Foi uma conversa divertida e que marcou nossa passagem por Susques, com certeza não iremos esquecê-los e esperamos reencontrá-los um dia”.

13-Purmamarca-Susques-%2822%29O casal aproveitou a hospitalidade para comer uma “media luna”, tomar um café quentinho e colocar mais roupas. A Andréa usou tudo de frio que tinha direito, já que estava sentindo o frio das alturas e ainda iam subir muito.

Jorge e Andréa retornaram a estrada, deixando prá trás uma torcida especial pelo sucesso de sua aventura.

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Enfim… estavam atravessando a Cordilheira dos Andes, pelo famoso Paso de Jama.

 

 

 

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Pouco antes de chegar a Aduana Argentina, fizeram uma parada em um último posto de abastecimento, para beber água e esticar as pernas. Neste posto encontraram outros aventureiros brasileiros, o Clemir e Neréia e o Cláudio, que estavam vindo do Rio Grande do Sul em direção a San Pedro.

14-Susques-San-Pedro-Paso-de-Jama-%285%29Passaram pela Aduana Argentina sem qualquer dificuldade, inclusive nos passando na frente de um ônibus lotado de turistas argentinos que seguiam em direção ao Chile.

Logo estariam em solo Chileno…

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Após passar o limite Internacional, começaram a subir cada vez mais alto… e ver imagens que se pode chamar de surreais.

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A flora é composta por ervas e flores como a llareta, a grama salgada e o tomilho, por árvores como o chañar, o pimiento e o algarrobo, característicos por sua frondosidade e o agradável remanso oferecido pela sua sombra.

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Mais sal pelo caminho… passaram pelo Salar de Tara. Em 1996, Salar de Tara foi designado a Wetland de importância internacional pela Convenção de Ramsar. Caracteriza lagos permanentes e seasonal. Entre eles, o principal é o Lago Tara, que é alimentado pelo rio de Zapaleri.

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O Salar de Tara fornece o habitat para várias e raras espécies animais selvagens que estão em perigo. Viscacha da montanha, Vicunha, a Alpaca, além do Ganso Andean, a Puna Tinamou e as três espécies de flamingo que habitam o Chile e são consideradas vulneráveis.

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Quando acreditavam já ter visto algo magnífico, outra visão extraordinária se apresentava aos olhos admirados diante de imagens tão deslumbrantes e diferentes, como as lagunas altiplânicas, águas rodeadas de sal, que surgem em meio ao deserto.

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Na estrada, super bem sinalizada, bem asfaltada e limpíssima, algumas placas como esta,  os acompanharam e lembraram todas as serras por onde passaram, estas placas indicavam a queda de pedras… também, com tantas, seria difícil que elas não caíssem morro abaixo…

 

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Em dado momento da viagem, Andréa pediu para Jorge parar um pouco a moto para descansar, porém ao descer da moto, percebeu que estava passando mal. Jorge aproveitou para fotografar a cena… e para mostrar a altitude: 4704 acima do nível do mar.
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Mas o GPS indicava que já haviam chegado a 4804 mts, agora começavam a descer…

Depoimento Jorge: “Lembram que há dois dias atrás eu dizia que a primeira imagem da cordilheira era perturbadora e que bateu um certo medo de passar mal ao subi-la? Pois é. A surpresa que nos aguardava foi que ao invés do fumante passar mal, quem passou mal foi a Andréa!!!

Ficamos uns 15 minutos parados a 4700 metros de a.s.n.m. esperando ela se recompor. Eu aproveitei e assumi a maquina fotográfica para registrar aquela “cena improvável”. Apesar de eu estar me sentindo bem, a falta de ar era impressionante. Tudo tinha de ser feito bem devagar, em câmera lenta. Meu medo era se ela desmaiasse ali. Aí a coisa iria ficar complicada.
Se já não estivéssemos alto o suficiente, depois que começamos a rodar novamente ainda subimos um bom tanto, mas não registramos porque o GPS foi desligado por falta de bateria.”

Depoimento Andréa: “Não sei o que aconteceu, comecei a ficar com moleza no corpo, precisei sentar… precisam ver a cara do Jorge quando disse que ia deitar um pouco… aí ele é que quase desmaiou de susto hehehehe Dizia: não, por favor, tente não deitar… Não tinha dor de cabeça, ou enjôo, apenas fraqueza, acho que o comer pouco foi muito pouco pra mim… o pior é que suei frio e suar frio no frio, de moto, não é nada agradável… quando voltamos a andar achei que ia congelar… rsrsrsrsrsrsrs”.

 

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Após Andréa melhorar e conseguir subir na moto, seguiram caminho, Andréa ficou tão bem que conseguiu até dar continuidade às fotos, ainda bem, pois pode fotografar uma visão MARAVILHOSA: o Vulcão Lincancabur, marca registrada de San Pedro de Atacama, dá as boas vindas aos viajantes… estavam quase chegando…

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Enfim, depois de muito subir, desceram super rápido, cerca  de 2000 metros em 40 km…

Chegaram a San Pedro de Atacama por volta das 18h.

 

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Eis a Aduana Chilena, pela qual também passaram sem qualquer problema e onde encontraram outros viajantes, alguns chegando, outros indo embora.

Depoimento Andréa: “Saímos de Purmamarca rumo a Cordilheira. Ver a Cordilheira no horizonte é emocionante, quase inacreditável, imaginar superá-la é algo que dá um frio na barriga rsrsrsrs, mas a encaramos de frente rumo ao objetivo maior da viagem, chegar a San Pedro de Atacama. Com a subida surgem imagens inacreditáveis, mas também chega o frio, não temos idéia de quantos graus atingimos, mas podemos garantir: fazia muito frio. Começamos a ver as lhamas, vicunhas e guanacos, ainda não sabíamos diferenciar direito um do outro, depois aprendemos rsrsrsr e continuamos subindo!!!!!! A Cordilheira è GIGANTESCA!!!!!!!!!!!!!! As imagens são de outro planeta!!!!!!!!!! Não tem como explicar, palavras não vão conseguir expressar tamanha beleza e grandeza, tampouco o que sentimos em estar ali, vendo tudo aquilo como se fosse um sonho… Água em um deserto já é incrível, imagine então saber que este branco em volta delas é sal…..Subimos tanto que passei mal… também chegamos a 4804 mts de altitude… para quem saiu de 0 a beira mar, é ALTO DEMAIS!!!!!!!!! Mas valeu a pena cada segundo!!! A hora que vi o Vulcão Lincancabur, foi uma emoção incrível… estávamos no Deserto do Atacama”.

Depoimento Jorge: “Depois que passamos a aduana argentina a 4230 metros de altitude, ainda fomos subindo, subindo, uns retões enormes, mais subida, e quando parecia que já tínhamos subido tudo o que era possível, subia-se mais um pouco. O legal é que esta cordilheira não é como uma montanha em que você sobe de um lado e quando chega-se ao cume você começa a descer do outro. Ficamos andando pelo “altiplano” por uns 100 kms ou mais, vendo paisagens inacreditaveis. Eu que fiquei por mais de um ano pesquisando informações e lí uma centena de relatos de outros moto-aventureiros que já fizeram esta viagem, já estava até familiarizado com as fotos desta travessia pelo Passo de Jama. Mas como já foi dito neste blog tantas vezes, as fotos não conseguem transmitir a grandeza e a beleza deste lugar. Bateu uma emoção forte nesta parte da viagem. Ainda nem tínhamos chegado à metade da viagem e o sentimento de superação e sonho realizado já era forte.

Mas se a subida foi feita aos poucos, a descida foi vertiginosa. Estávamos a aproximadamente 5000 metros de altitude e num retão de 40 kms estávamos em San Pedro de Atacama, a 2400 metros de a.s.n.m.
Os ouvidos pipocavam sem parar e a cada km rodado parecia que tinha um pouquinho mais de ar para respirar. Imagino que quem faz o caminho inverso e pega essa subida logo ao sair de San Pedro deve sofrer um bocado. Principalmente a moto deve sofrer!!!
A sensação de calor ao chegarmos em San Pedro era absurda. Vinte minutos atráz estavamos a alguns graus abaixo de zero. Paramos em frente à aduana chilena, que fica na entrada da cidade de San Pedro, sob um sol escaldante e uns 30 graus à sombra, vestidos com um monte de blusas por baixo da jaqueta de cordura, luva de lã por baixo da de couro, 2 balaclavas, 2 calças, 2 meias de lã bem grossas, etc…
As blusas, balaclavas e luvas foram fáceis de tirar. Já as calças e meias teriam de esperar até acharmos uma pousada, coisa que demorou uma hora mais ou menos. A primeira coisa que fizemos quando pegamos o nosso quarto na pousada foi tomar um bom banho. A roupa de cordura fedia mais que uma lhama…”

Acompanhe nossa viagem no vídeo abaixo…

Total de Km Rodados: 435
Abastecimento: 30 litros
Hospedagem: Pousada Don Raul – http://www.donraul.cl/
Valor da diária: $ 38.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (primeiro no estilo brasileiro de Buffet)
Gasto total (com alimentação): R$ 260,00