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O maior desafio da Cordilheira…. Paso San Francisco!!!

16.12.2010
Copiapó – Ch – Fiambalá – Ar
Paso San Francisco

O dia amanhecia em Copiapó quando Jorge e Andréa já se preparavam para a parte mais arriscada e o trecho mais difícil da viagem. No dia anterior haviam comprado, no supermercado, as guloseimas do café da manhã, já que, como em todos os hotéis, o café é servido após as 7:30h e tinham programado a saída para as 7h. O que ocorreu conforme planejado.
Jorge estudou e leu muito a respeito do Paso San Francisco, antes de decidir atravessar a Cordilheira por ele, mas é melhor deixar ele mesmo explicar…
Depoimento Jorge:
“Ao menos para mim, este era o dia mais aguardado de toda a viagem. Seria minha primeira experiência no temido “rípio”.
Li vários relatos de outros motociclistas que passaram pelo fantástico Paso de San Francisco, e um em especial me encorajou a fazer este caminho. Nele, um motociclista que fez a viagem completamente sozinho, dizia ser mamão com açúcar este rípio, por ele ser bem compactado.]
Mas havia um outro probleminha a ser resolvido: como percorrer a distancia de 470 km entre o ultimo posto de abastecimento em Copiapó (no Chile) e o próximo posto, em Fiambalá, já na Argentina? Não sei se pelo peso, ou pela resistência que as malas laterais exerciam ao vento forte que enfrentamos nos últimos dias, ou até se era pela gasolina que era muito boa e a injeção eletrônica da moto não estava regulada para esta gasolina e sim para a porcaria da nossa gasolina misturada a álcool e todo tipo de solventes que colocam nela, mas a verdade é que a moto estava fazendo uns 14 km/L na média, o que me dava uma autonomia de uns 300 km no máximo. O jeito foi comprar um galão de plástico de 10 lts da Copec, facilmente encontrado em qualquer posto de abastecimento desta marca, e amarrar onde fosse possível na moto.
Como já não havia muito espaço disponível para bagagens, o jeito foi amarrá-lo sobre uma das malas laterais e rezar muito para o suporte desta mala não quebrar, visto que elas já estavam trabalhando muito além do peso máximo recomendado pelo fabricante desde o inicio da viagem. Como podem ver na foto, a moto mais parecia um caminhão de mudança… rsrsrsrsrsrsr”

 

O Paso começa na cidade de Copiapó, onde se encontra o último posto de abastecimento antes de sua passagem, por isso, os motociclistas devem se prevenir levando um galão extra para evitar ficar sem combustível durante a travessia, o que não seria nada interessante se pensarmos que a altitude, o frio e a ausência quase total de pessoas podem ocasionar um “desastre” durante a viagem.
O início do Paso San Francisco leva a uma mineradora, que fica a cerca de 80 km de Copiapó, o que ocasiona o encontro com diversos caminhões, picapes e outros veículos. Este trecho tem um rípio bem compactado, que possibilitou uma velocidade média de 90 km/h, sem grandes dificuldades e que animou o casal, que acreditava que a estrada iria transcorrer desta forma durante todo o percurso.
O Paso San Franciso é uma das passagens mais importantes da Cordilheira dos Andes, liga a região do Atacama no Chile à província de Catamarca, na Argentina, e atravessa cumes nevados e de grande beleza e altura. O ponto mais alto da passagem chega a 4.750 m.s.n.m., contudo conta com vulcões que chegam a mais de 6.800 m.s.n.m.
Durante o início da passagem, puderam apreciar o Deserto Florido, do qual falamos no capítulo anterior, campos de flores coloridas; mas ainda era só o começo da beleza que os aguardava.
Depoimento Jorge:
“Até chegar à entrada da mineradora o rípio estava muito compactado mesmo, acho que pelo peso dos caminhões que circulavam por ali, mas depois que passamos dela a coisa foi ficando complicada. O tal rípio foi se transformando num areião misturado a pedras e já não era possível desenvolver uma boa velocidade. Vez ou outra a moto escapava de frente e era difícil controlá-la. O perigo de uma queda estava aumentando consideravelmente. Lembrei-me do tal mamão com açúcar e pensava: acho que aquele cara não gosta de mamão…”

 

Historicamente estas colinas sempre tiveram um papel de protagonista já que foram usadas como vínculo entre os povos diaguitas de um lado e outro da Cordilheira dos Andes, em 1479 o Paso San Francisco foi utilizado pelo inca Túpac Yupanqui para invadir o território chileno e em 1536 foi atravessado por Diego de Almagro para passar de Tucumán ao Chile. Somente após 1898 que se definiram os limites argentino-chileno no Paso San Francisco.
Conta-se que os aborígenes que viveram na região antes dos Incas, já utilizavam esta rota em seus movimentos migratórios, a cerca de 10 séculos atrás.
É possível ver algumas ruínas incas durante o trajeto, que dão ainda mais emoção à aventura. Dizem que são ruínas das mineradoras incas.

Foram necessárias algumas paradas para relaxar e apreciar as paisagens. No início era possível Jorge descer da moto e se esticar, mas a partir do trecho onde o rípio começa a se soltar e se misturar à areia, as paradas passam a ser apenas para descansar da pilotagem, pois ficava impossível descer da motoca, não tinha terreno firme para apoiá-la.

Novamente o casal teve que fazer suas necessidades fisiológicas no deserto, torcendo, de novo, para ali nascer uma plantinha.

O Paso é de uma paisagem excepcional devido aos seus grandes vulcões, cobertos de neve, mesmo no verão, e as lagunas que se escondem em suas curvas. Incluem, ainda, refúgios de vida animal, principalmente as vicunhas, que são vistas por seus vales floridos.

Ao chegar à Aduana Chilena, que fica isolada no meio da Cordilheira, se pode avistar a chamada Laguna Azul, Laguna Santa Rosa, no Salar de Maricunga que possui 8300 hectares e fica a uma altitude de 3.700 m.s.n.m., é um dos maiores produtores de lítio do Chile, perdendo apenas para o Salar de Atacama.

O frio era intenso, então pararam para comer e beber água sob o sol, que ajudava a aquecer, principalmente as mãos sem luvas.

Passaram pela Aduana Chilena sem qualquer dificuldade, mas foi preciso esforço para não desmaiar quando um dos funcionários informou que a aduana Argentina, onde começaria o asfalto, ainda estava a cerca de 200 km à frente… O casal se entreolhou e não sabiam se riam ou choravam, de fato não sabiam se iam conseguir superar mais este trecho, Jorge estava exausto e Andréa muito preocupada, mas não deixou de filmar e fotografar!!! Afinal, as paisagens compensavam tamanha inquietação.

O Salar faz parte do parque Nevado Tres Cruces, nome do vulcão que domina a paisagem. O parque é um maciço montanhoso da Cordilheira dos Andes, que fica na fronteira entre Argentina e Chile, localiza-se entre os 3.800 e 4.100 ms.m.n.m. Seus principais cumes são, o Internacional ou Cume Sul de 6.749 m, o Cume Central de 6.008 m, o Cume Norte, de 6.629 m e um quarto cume, ao norte do terceiro, com cerca de 6.300 m.

Seguiram viagem, mal sabendo eles que paisagens mais belas e surreais ainda estavam por vir.

Depoimento Andréa: “O azul do céu, a vegetação rasteira em amarelo, misturado ao cinza escuro dos vulcões, com seus cumes brancos pela neve, dão a sensação de que estamos em outro planeta, outra dimensão, em certos momentos parece que estamos olhando um livro, uma imagem que não existe, parece um sonho daqueles em que as cores se confundem, é algo impressionante. Nem o medo de não chegar conseguiu ofuscar tamanha beleza. O Jorge ia pilotando com cuidado, às vezes parecia que íamos cair, mas eu não conseguia parar de fotografar, nem sei onde encontrei coragem e força para isto!”.

Após passar a aduana Chilena, se está fora do mundo, isto mesmo, não estão nem no Chile, nem na Argentina, já que se viaja em uma zona “sem lei”, pois a aduana Argentina fica a mais de 200 km. Andaram cerca de 170 km por uma estrada horrível, onde o rípio estava mais que solto entre um piso de areia, trazendo enorme dificuldade de manter a moto em pé e com a probabilidade de inúmeras quedas, inclusive com um grande susto, que Jorge irá relatar melhor.

 

Depoimento Jorge:
“A estrada se transformou num areião fofo que escondia pedras de todos os tamanhos. A pilotagem da moto estava ficando extremamente difícil, e eu já estava no limite das minhas forças. A velocidade agora era de 25 kms/h e nesta velocidade eu não fazia idéia de como estava o consumo de gasolina e se o galão seria suficiente para completarmos o percurso até o próximo posto de serviços. Ah, e ainda tinha o frio cada vez mais intenso e a preocupação com os suportes das malas laterais não agüentarem o peso e a vibração das batidas da suspensão contra as pedras da estrada. Eu só lembrava do maldito mamão com açúcar… Num determinado momento a moto saiu completamente com a roda dianteira e eu tentando a todo custo controlar a situação e reduzir a velocidade para diminuir o impacto da queda, que parecia iminente. Balançamos várias vezes pra os dois lados e consegui parar a moto Deus sabe como, mas ela parou inclinada a 45 graus e eu não tinha forças para levantá-la. Gritei para a Andrea sair da moto para aliviar o peso e vi ela se jogando no chão e rolando para o lado. Rapidamente ela levantou-se e me ajudou a levantar a moto para a posição em pé. Se a moto tombasse de vez não teríamos forças para levantá-la e como não passava ninguém por ali, estaríamos em sérios apuros. Tudo o que eu queria naquela hora era descer da moto e poder deitar no chão para descansar um pouco, mas o piso era tão fofo que o pezinho da moto afundava, me obrigando a ficar sobre ela. A falta de ar que senti devido ao esforço extremo me fez pensar que talvez eu fosse apagar ali mesmo, em cima da moto, e tive de me contentar em deitar sobre o tanque dela e ficar ali quieto até recuperar as forças para prosseguir.”
33 Copiapó a Fiambalá Paso San Francisco (53)
Diante de todas as dificuldades contadas, em meio a uma paisagem cinza, característica do deserto, eis que surge um oásis, uma lagoa de um verde inexplicável.
A Laguna Verde, localizada a 265 km da cidade de Copiapó, na Província de Catamarca, fica aos pés do maior vulcão do mundo, Pissis (foto ao lado e abaixo), que chega a 6.882 m.s.n.m., é uma lagoa hiper salgada no meio das montanhas, suas águas encontram-se a 4350 m.s.n.m.

 

Este lago é aparentemente desprovido de vida, por causa de sua extrema salinidade, que são caracterizados por uma bela cor verde cerúleo. Encontra-se em um vale profundo, quase circular, cercado por sete dos 12 maiores vulcões do mundo, cujos picos são cobertos de neve, mesmo no verão, entre eles estão o Ojos Del Salado (na foto abaixo) (6.879 m.s.n.m.), o Incahuasi Nevado (6.610 m.s.n.m.), El Muerto (6.488 m.s.n.m.), Ata (6.501 m.s.n.m.), Os Nascimentos (6.669 m.s.n.m.), o Cerro Bayo (6.436 m.s.n.m.), Solo (6.205 m.s.n.m.) e Nevado Tres Cruces (6.749 m.s.n.m.), este pode ser visto desde o início do paso. Neste ponto do paso as temperaturas registradas já foram de 20º.negativos.

Cerca de 10 km depois de passar por esta beleza monumental, chegaram ao Limite Internacional, enfim ASFALTO!!
Depoimento Jorge:
“Agora eu entendi porque nos relatos de vários motociclistas que enfrentaram o Paso de San Francisco eles param sob esta placa da foto ao lado e beijam o inicio do asfalto. Só não fiz o mesmo porque se eu descesse da moto não teria forças para subir nela novamente, hehehe…”

 

As paisagens continuaram, por todo o caminho, com uma beleza que impressiona.

 

Chegaram à Aduana Argentina exaustos, Jorge não conseguia nem falar, desceu da moto e se jogou no chão, funcionários e carabineros saíram para saber se os viajantes estavam bem. Ficaram preocupados com a situação em que o piloto se encontrava. Andréa foi quem conversou, entregou documentos solicitados e adiantou os trâmites para passagem, sem qualquer dificuldade.

 

Depoimento Andréa:
“Continuamos pela estrada, agora bem asfaltada, pensando que o visual se tornaria comum, puro engano, mais imagens belíssimas, como que retiradas de um quadro surgiam a cada curva de uma serra esplêndida, criada para completar a passagem do Paso San Francisco pela Cordilheira dos Andes, que ia ficando para trás e já deixava saudades. A cor dourada que cobria os vales, à beira dos vulcões gigantes, misturada ao branco da neve e ao céu de um azul incansável, criaram imagens que tenho certeza que não conseguirei esquecer jamais!”.
Nas belas e pavimentadas estradas após a aduana Argentina podem ser vistos vários refúgios, como se fossem pequenas casas, com rádio de emergência, lugar para fazer fogo.
Chegaram a Fiambalá por volta das 19h, após transpor 300 km de ripio em 7 horas, estavam mais que exaustos, não tinham forças nem para pensar. Ficaram na Hosteria Municipal. Jantaram no único restaurante local, com cara de restaurante, como estavam com muita fome, decidiram pedir dois pratos de filé a parmegiana e purê de “papas”, mas tinham esquecido da fartura dos pratos na Argentina, quando os pratos chegaram só tinham força para rir do tamanho do bife que teriam que encarar… e comeram quase tudo!!!
Ao deitar na cama, o casal não acreditava no dia que havia tido, nas emoções, imagens, situações críticas que vivenciaram. Só então perceberam que haviam feito um pacto silencioso durante o trajeto, não conversando sobre nada, relaxados (e a salvo!) falaram sobre o percurso; assumindo o quanto de medo sentiram durante a travessia do belo, mas perigoso, Paso San Francisco.
Aproveite um pouco mais desta beleza….

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 490
Abastecimento: 24 litros
Hospedagem: Hosteria Municipal
Valor da diária: $ 150,00 pesos
03 Estrelas: arrumado, limpo, excelente localização, sem café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 160,00
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La Mano del Desierto!!!

15.12.2010
Antofagasta – Copiapó
O casal acordou cedo, mas para variar só conseguiu tomar café depois das 8h, e como não tinha no Hotel tiveram que procurar um lugar, a principio foram até o MacDonalds, que ainda estava fechado para o café da manhã (detalhe curioso: ontem o casal jantou neste fast-food e perceberam que a maioria dos lanches vem com abacate!!!).
Decidiram ir ao Mercado Municipal, por indicação da recepcionista do hotel, encontraram vários restaurantes, que circundam o mercado e servem café da manhã, refeições e à noite são o ponto de encontro de turistas e moradores. Infelizmente o cansaço do dia não está permitindo que eles curtam a noite.
Saíram de Antofagasta por volta das 10h, em direção a Copiapó. Sabiam que iriam encarar novamente a secura do deserto chileno e os ventos da Cordilheira e do Pacífico. Mas não esperavam tantas emoções!!!
A saída é em direção a região mais seca de Antofagasta, por onde andam apenas algumas centenas de quilômetros, a paisagem fica cada vez mais árida, tinham duas opções de caminho, uma mais a beira do Pacífico, mas escolheram seguir por dentro do deserto, pela Estrada Panamericana, em direção a Chañaral, pois queriam conhecer a tão famosa Mano Del Desierto.
A Mão do Deserto (Mano del Desierto, em espanhol) é uma escultura de uma mão, feita em fibra de vidro, em uma base de ferro e cimento, tem 11 metros de altura, localizada no Chile, a 75 km ao sul da cidade de Antofagasta, na Rodovia Pan-americana. Foi construída pelo escultor chileno Mario Irarrázabal e inaugurada em 1992. Localiza-se a uma altitude de 1100 metros acima do mar.
Depoimento Jorge: “Esta foto com a moto parada em frente “Mão do Deserto” é uma marca registrada para todos os moto-viajantes que passam por estas bandas. Pode-se dizer que é uma foto obrigatória para quem saiu do Brasil no lombo de uma motoca e foi até o Chile. Sonhei por mais de um ano com o dia em que eu seria fotografado em frente a esta escultura, e este dia chegou, finalmente!”

 

Depoimento Andréa: “Você está andando pela estrada e, de repente, vê ao longe uma imagem, que mais parece uma miragem em meio ao deserto, e lá está ela: La Mano del Desierto. Como que saudando e dando sua proteção aos viajantes que passam, paisagem fantástica”.
Outra grande emoção, que já haviam sentido, mas que desta vez ficaram mais próximos, foi o contato com os redemoinhos. Novamente, devido clima árido, falta de umidade e altas temperaturas, eles surgiram na estrada em vários momentos. Conseguiram até filmar um que atravessou a estrada na frente da moto. Inclusive o casal chegou a passar de moto pelo meio de um deles!!!

 

Depoimento Jorge: “Estava numa reta sem fim e vi um redemoinho se formar próximo da estrada, alguns quilômetros à nossa frente. Percebi que pela direção que ele seguia, iria cruzar a estrada bem à nossa frente. Continuei tocando firme sem alterar minha velocidade e não deu outra: ele cruzou a estrada exatamente no momento em que eu iria passar. Segurei firme o guidão e atravessei o bicho bem no meio, sem saber o que aconteceria (estávamos a uns 130 km/h +/-). Foi um verdadeiro jato de areia na moto, nas mãos, na cara e em tudo. Entrou areia até no capacete. Nem preciso dizer como ficou a bolha da moto depois deste repente de esperteza minha…   hehehe…”

 

A estrada continuou deserta e linda… com imagens inesquecíveis, de um visual que somente o Deserto é capaz de compartilhar com aqueles que correm o risco de conhecê-lo.
E surgem novamente os “oratórios” repletos de flores, que dão um colorido especial ao tom de cinza e marrom que imperam na paisagem.
Decidiram parar para almoçar em um Posto na Cidade de Chañaral, já beirando o Pacífico. Enquanto almoçavam, chegaram duas motos, eram uma família venezuelana (Juan Carlos e Andréa, que pilotavam e o filho Kevin). Estavam viajando fazia 8 meses, tinham se programado ficar 1 anos viajando pela América do Sul, querem chegar ao Ushuaia, mas já estão a 8 meses e nem chegaram na metade do caminho.

 

Ele, Empresário da área de Propaganda e Marketing, ela Estudante de Medicina e o filho de 15 anos, estudante, deixaram para trás a comodidade do dia-a-dia para se aventurar pelos países da América do Sul, seu maior objetivo é conhecer não apenas as paisagens, mas as pessoas, a cultura, possuem o blog http://www.encuentroconelsur.com/encuentro/.Ficaram por mais de uma hora, conversando, trocando experiências, idéias e dicas, além, é claro, adesivos e contatos.

Eles ficam hospedados em camping ou na casa (ou quintal) dos moradores das vilas, olhem o tamanho da bagagem deles!!!
Eles contaram que às vezes trabalham nos “pueblos” como forma da ganhar dinheiro para continuar viajando, nestes últimos dias, estavam nos povoados à beira do Pacífico, pelos quais Jorge e Andréa passaram, trabalhando na pesca de algas, explicaram que estas algas são totalmente exportadas para a China e utilizadas na confecção de plásticos, do shampoo e outros cremes que usamos. Sua espécie é típica desta região do Chile e praticamente única no mundo.
Depoimento Jorge e Andréa: “E a gente se achando aventureiro!!! Rsrsrsr Foi um encontro incrível, daqueles inesquecíveis, ficamos fãs de imediato desta família, imagine, viajar tanto tempo, sem frescura, sem medo, desbravando lugares novos, culturas novas! Quem sabe um dia conseguimos este desprendimento!!!”.
Após o maravilhoso encontro, seguiram viagem, agora beirando novamente o Pacífico por longos quilômetros, até voltar ao deserto em direção a Copiapó, que fica a alguns quilômetros do mar.
Ao se aproximar da região que circunda Copiapó, a paisagem começa a se modificar e é possível ver grandes plantações, com florescimento e arborização e muitas flores, esta região é considerada o único deserto florido do mundo. Este fenômeno ocorre apenas de tempos em tempos, e dura alguns meses, normalmente até Novembra, fazia 10 anos que isso não ocorria, e os viajantes, mesmo em Dezembro, foram brindados com uma das mais pelas paisagens do Deserto do Atacama (que poderá ser vista ainda mais no próximo capítulo).
O Deserto do Atacama no Chile é considerado o mais seco do mundo. São milhares de quilômetros quadrados de areia, pedras, salares e pouca vida selvagem. Porém foi este lugar agressivo e inóspito, que a natureza escolheu para realizar um dos seus mais lindos milagres, o Deserto Florido.

A cada 5 anos, em média, quando o inverno é especialmente chuvoso, a região árida entre as cidades de Copiapó e Vallenar fica repleta de flores multicoloridas. São quilômetros e quilômetros cobertos por várias espécies, cada região com uma cor específica. São tantas, que é impossível caminhar sem pisar nas plantas. O mais interessante, porém é que debaixo das flores, não existe grama ou qualquer planta rasteira, somente a terra nua. É uma visão fantástica. Este fenômeno só ocorre porque as sementes ficam protegidas das altas temperaturas debaixo de uma camada de terra seca. Às vezes, passam-se 10 anos até que surjam as condições ideais para que elas brotem. Quando nascem, porém, duram apenas algumas semanas. Durantes estes dias o deserto é invadido por uma legião de turistas que vem de todas as partes testemunhar o deserto florido.
Chegaram a Copiapó por volta das 19:15h. Decidiram procurar, antes mesmo do hotel, uma Lavanderia, já que não tinham mais roupas limpas para vestir após o banho. Encontraram um HiperMercado (se lembram do Jumbo??? Era ele!!). Por sorte havia uma 5àSec. Os viajantes viraram atração da lavanderia e do supermercado, já que abriram as bagagens todas, tiraram as roupas todas, mas o ápice foi quando Jorge tirou a camiseta que vestia para aproveitar a lavagem.
Depoimento Jorge: “Todos ao redor olhavam e sorriam, as recepcionistas não conseguiam parar de rir, mas foram super gentis e simpáticas conosco. Acho que elas estavam pensando: tomara que ele não resolva lavar também a cueca que está usando… Combinamos pegar as roupas duas horas depois, aliás, antes do fechamento da loja, senão não poderíamos seguir viajem no dia seguinte”.
Saíram à procura de um Hotel, como não conseguiam localizar o que haviam programado, foram em outros, que estavam na Avenida principal, facilitando a saída no dia seguinte. Encontraram o Hotel Del Rey, sendo atendidos por José, um rapaz super gentil, muito simpático, que não sabia o que fazer para agradar o casal. Acomodaram as coisas no quarto e saíram para buscar as roupas lavadas, nem adiantava tomar banho: não tinham o que vestir!!! Jantaram no próprio hotel, uma comida simples, mas deliciosa.
Copiapó é uma comuna da província de Copiapó, localizada na Região de Atacama, Chile. Possui uma área de 16.681,3 km² e uma população de 129.091 habitantes (censo de 2002). Copiapó é a capital da província de Copiapó e da Região do Atacama. A cidade e seus arredores possuem uma grande riqueza mineral e agroindustrial.
O grande desenvolvimento da agricultura se deve a aplicações de técnicas de uso eficiente da água, como a irrigação por gotejamento. Isto faz com que uma região árida produza uma das melhores uvas do mercado mundial. A cidade ficou mundialmente conhecida pelo Acidente na mina San José em 2010.
Depoimento Jorge: “Fomos dormir cedo, pois no dia seguinte teríamos o trecho mais complicado de toda a viagem, aguardado com muita ansiedade por mim.  Seria o dia de voltar à Argentina pelo maravilhoso, porém arriscado, Paso de San Francisco!!!
Eu sabia que não seria fácil. Só não imaginava que seria tão difícil!”.
Desfrutem um pouco mais deste trecho da viagem:

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 580
Abastecimento: 42 litros
Hospedagem: Hotel Del Rey
Valor da diária: $ 32.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (pena tivemos que sair antes), ótima localização e bom preço
Gasto total (com alimentação): R$ 250,00
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Beirando o Pacífico!

14.12.2010
Iquique – Antofagasta
Jorge e Andréa acordaram cedo para ir às compras, mas outro furo: as lojas abrem somente depois das 11h. Tiveram que procurar o que fazer, aproveitaram para andar um pouco pelo centro, que tinha apenas comércio, nada interessante, os pontos turísticos ficavam distantes. E tomar um bom café da manhã, já que o da pousada se limitou a um copo de café com leite e umas torradas e mais nada.
O rapaz dono da pousada indicou que fossem de taxi, pois gastariam menos e seria mais tranqüilo e rápido. Pagaram 500 pesos por pessoa, menos de R$2,00. E o mais importante: não foram enganados, foi cobrado exatamente o mesmo que dos outros passageiros. Isso mesmo, tanto na Argentina como no Chile, os taxis são coletivos, os motoristas param perguntam para onde os passageiros querem ir, tem um itinerário mais ou menos determinado e levam até 4 pessoas, o que permite que a tarifa seja mais em conta e que as pessoas andem sempre de taxi, já que na maioria dos percursos o valor não ultrapassa R$2,00, mais barato que o transporte coletivo no Brasil.
Iquique possui um dos maiores centros de duty-free (ou Zona Franca) da América do Sul, perdendo apenas para Cidade del Leste, no Paraguai, tem sido tradicionalmente chamado Zofri (http://www.zofri.cl/). São cerca de 2,4 quilômetros quadrados de armazéns, lojas, agências bancárias e restaurantes. Mas os preços??? nem de longe se aproximam de Cidade del Leste, o que decepcionou o casal que saiu deste “harén de consumo” com quase nada, quase porque Andréa aproveitou o preço para presentear Jorge com um canivete suiço, única peça adquirida pelo casal.

Retornaram para a pousada, arrumaram as malas e voltaram para a estrada em direção a Antofagasta, retomando os planos iniciais. Saíram de Iquique por volta das 13:30h, e programaram parar para comer no restaurante da Aduana, pois se a pegassem fechada novamente, utilizariam o tempo de espera para um bom almoço.

Mas não foi o que aconteceu, passaram rapidamente pela Aduana, que ainda estava em “paro”, mas que no momento em que os viajantes passavam, funcionava normalmente. Mesmo assim, decidiram parar para almoçar, já que estavam apenas com o café da manhã. Aproveitaram para conhecer outro prato típico, um pastel de loco, um tipo de molusco encontrado na região, de sabor forte e muito gostoso.
Situação engraçada: Enquanto almoçavam, assistiam a uma novela chilena, começaram a ouvir “É o tchan, segura o tchan, amarra o tchan!” e demoraram a perceber que a música, na verdade, vinha da novela, os jovens na novela estavam ouvindo esta música. Este fato rendeu boas risadas!!!!!
Depois de se alimentar bem, seguiram viagem, este caminho era de mais de 400 km por uma estrada em curva, beirando o Pacífico. Realmente imagens muito bonitas os acompanhavam.
Curiosidades: Durante a viagem é possível ver coisas bem diferentes, como este cemitério, todo com cruzes em madeira, que pode ser visto em diversos povoados que beiram a estrada, as cruzes são feitas do material disponível e normalmente enfeitada, como já falado anteriormente, com flores artificiais, que dão um colorido ao lugar. Este se encontra à beira do Pacífico!
“Que lugar maravilhoso para findar a vida, isto sim acho que é o paraíso!” (Andréa).
Este outro “monumento”, também pode ser visto por todas as estradas da Argentina e do Chile e, a princípio, causam estranheza, pois são muitos, em diversos pontos das estradas. Este estava de frente para o Pacífico.
Depoimento Andréa: “Como no Brasil se usa muito colocar uma cruz na estrada onde houve alguma morte, fiquei preocupada, pensando se tudo isso seriam acidentes. Em determinada estrada, paramos e fui olhar de perto e percebi que havia nomes e data de nascimento e morte, escritas nas pedras, tudo muito enfeitado, arrumado, perguntei para algumas pessoas e me explicaram que se trata de “covas”, as pessoas são enterradas nestes lugares, no meio do deserto, na beira do Pacífico, em lindos lugares, normalmente locais que as pessoas gostavam quando vivas, como faziam os Incas, que colocavam seus mortos em locais lindos, altos, para que pudessem contemplar o visual, não é fantástico. Acho que já escolhi onde quero ficar, quer dizer, onde quero minhas cinzas!!!”.
Depoimento Jorge:
“Hoje eu estava rodando no sentido contrário do dia anterior, então, moto inclinada para a direita por uns 350 kms…   Dia de gastar o lado direito do a pneu…  hehehe…  Oceano de um azul incomparável de um lado, pedras e montanhas do outro. E tome vento… Mas o mais interessante de tudo isso é que estamos acostumados a viajar de norte a sul com o mar sempre do lado esquerdo e hoje estávamos indo do norte para o sul mas com o mar do lado direito… é bem esquisita esta sensação!”
Chegaram a Antofagasta por volta das 19h, o sol já começava se pôr, e tiveram uma dificuldade enorme em encontrar hotel, os que tinham anotado estavam lotados, logo ficaram sabendo que isto era comum em dias de semana, devido aos funcionários das mineradoras, que lotavam a cidade. Depois de tentar mais de cinco hotéis, pararam em uma esquina e Andréa foi tentar encontrar um banheiro, já que estava super apertada. Enquanto isso Jorge ficou esperando, quando um senhor, dono de um comércio no local, se ofereceu para ajudá-lo, ligando para os hotéis que conhecia para localizar vagas.
Situação engraçada: “Após tentar ir ao banheiro em dois hotéis que não tinham banheiro na recepção, um supermercado que também não tinha banheiro para clientes, vi uma “choperia” do outro lado da rua, pensei: é ali mesmo, não vou conseguir esperar mais. A “choperia” tinha uma porta de madeira, daquelas que a gente entra pelo lado, entrei e perguntei para uma senhora que estava no caixa se podia usar o banheiro, ela pediu que eu aguardasse e veio até mim, pedindo que a acompanhasse, achei um pouco estranho, mas… só tinha olhos para o banheiro que ficava no final do lugar… Pediu que eu não encostasse em nada, novamente estranhei, mas só pensava em me aliviar rsrsrsrsrsr Nossa que alívio mesmo!!! Mas qual não foi minha surpresa ao abrir a porta do banheiro para sair e dar de cara com algumas “garotas”, isso mesmo, “prostitutas” com uma tanguinha minúscula e um bustiê menor ainda, isso mesmo: eu estava num prostíbulo!!!!!!!!!! Elas me olhavam não sei se com pena, com admiração, ou exclamação hehehehehehe Parte mais engraçada: os homens, que eram únicos nas mesas, fato que também só percebi ao sair, começaram a assobiar enquanto eu passava… aí lembrei que quando entrei, TODOS pararam de falar!!!!!!!!!!! Será que eles pensaram que era um show temático: MOTOQUEIRA!!!!! KKKKKKKKKKKKKKK”.
O hotel indicado pelo comerciante e único que tinha vaga, ficava na mesma rua em que estavam, inclusive o casal já tinha passado por ele, mas Andréa nem quis olhar, já que por fora estava todo sem pintura, com jeito de abandono, ficou preocupada, mas fazer o quê? Outra surpresa, agora agradável: o hotel Puerto Mayor era uma graça, todo arrumado, quartos e banheiro bem equipado e limpo. Como pode alguém deixar o lado de fora tão abandonado e dentro tão bem cuidado?? Imagino que todos que passem pensem como Andréa e nem cheguem a entrar…
Antofagasta é uma comuna e cidade do norte de Chile. É capital provincial da Província de Antofagasta e capital regional da Região de Antofagasta. A cidade de Antofagasta se encontra a 1.371,48 km de Santiago, capital de Chile. Limita ao norte com Serra Gorda, Mejillones e San Pedro de Atacama, ao sul com Taltal, ao oeste com o Oceano Pacífico e ao este com o Departamento dos Andes da Argentina. É a quinta cidade mais povoada do país, e é conhecida popularmente no Chile como a Pérola do Norte.
Há uma série de teorias para explicar a origem da palavra Antofagasta, provavelmente trata-se de uma palavra composta que provém do diaguita ou kakán meridional “anto” (ou hattun, que significa grande), “faya” (ou tenha, que significa salgar) e “gasta” (que significa povo), sendo um topônimo que significa “Povo do Salgar Grande”.Segundo outra teoria, pode ser uma palavra composta que provém do quechua “anta” (que significa cobre) e “pakai” (que significa esconder), sendo um topônimo que significa “Esconderijo de Cobre”. Outra teoria a relaciona com o chango “Antofagasti” (que significa Porta do Sol), forma em que os changos chamavam ao atual Monumento Natural La Portada. Diz-se também que o nome Antofagasta se deve a uma decisão de Manuel Mariano Melgarejo, quem renomeou a cidade em honra a uma estância que possuía em Antofagasta da Serra, por volta do ano 1870.
Segundo registros arqueológicos, Antofagasta foi habitada em primeiro lugar pelos changos, recolhedores marinhos. A cidade de Antofagasta foi fundada pelo governo boliviano em 1868, e já se encontrava previamente povoada como porto de desembarque e como um lugar de refúgio e descanso sobre a costa boliviana para os exploradores chilenos. Por isso, a fundação é algo que ainda não foi estabelecido e aceitado oficialmente.

Antofagasta é uma cidade linda, bem organizada, com uma orla arrumada, arborizada e muito limpa, aliás, consenso em todas as cidades até aqui. Consegue combinar antigos prédios com a modernidade de forma harmônica.
Depoimento Andréa: “Ficamos encantados em esta cidade, é linda, se não tivéssemos ido a Iquique teríamos ficado mais um dia nela, para conhecer melhor. Infelizmente não conseguimos nem colocar os pés na água gelada do Pacífico. Único arrependimento desta parte da viagem! Mas viajar beirando o mar do Pacífico é fantástico, mesmo sem entrar nele; a mistura da cordilheira, repleta de pedras e o azul forte do mar é algo fascinante”.

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 434
Abastecimento: 33 litros
Hospedagem: Puerto Mayor Hotel
Valor da diária: $ 25.000 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, excelente banho, mas sem café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 190,00
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Encontro com o Pacífico!!!

13.12.2010
Calama – Iquique
O casal acordou cedo para resolver logo as questões da moto, pois queriam seguir viagem para Iquique no mesmo dia. Mas esqueceram que, assim como na Argentina, no Chile tudo começa a funcionar mais tarde. Acredito que realmente só o Brasil adotou uma cultura diferente em relação a isso.
Ao saírem do hotel, com um mapa na mão, enquanto se dirigiam para a moto, foram abordados por uma moça que questionou se estavam perdidos, se precisavam de ajuda para encontrar algum lugar. A princípio, estranharam, mas perceberam que realmente ela queria ajudar. Ressaltando que ela estava do outro lado da rua e ao perceber que os viajantes consultavam um mapa, atravessou a rua e se aproximou simplesmente para ajudar. O casal passou por situações como essa diversas vezes, tanto na Argentina como no Chile. População educada, prestativa e solícita.
Aproveitaram que precisavam aguardar a abertura do comércio para tentar resolver a questão dos saques bancários, já que, ao contrário do Brasil, os bancos abrem e fecham cedo, e foram super bem atendidos pelo segurança da agência, que os ajudou, encaminhou para a gerência, indicou outras agências. Finalmente conseguiram sacar dinheiro, sem transtornos.
Procuraram pela mecânica indicada por Javier, a Calama Firma Motos (http://www.motonet.cl/empresas/calama-firma-motos), onde foram atendidos por Roberto Cabello, o proprietário, que foi muito gentil e simpático, além de prestarem um serviço de qualidade. Andréa ganhou uma luva nova, comprada na lojinha da revenda, após experimentar um monte de luvas, que o atendente mostrava com paciência e bom humor.
Após resolverem todas as questões da moto, decidiram se arrumar e por o pé, quer dizer, as rodas na estrada, mas não antes de experimentar o Lomito que viram em uma foto no Restaurante Bavaria (http://www.bavaria.cl/), enquanto tomavam um café no dia anterior.
Mais um fato engraçado: “A foto do lanche era linda, um lanche enorme, estilo “lomito gigante”, e repleto de “alface”. Pedimos dois, já que este seria o almoço do dia, mas ao chegar, o verde da foto não era alface, era abacate, isso mesmo, o lanche estava repleto de abacate, foi engraçado!!! Fica estranho, mas gostoso, só que tinha muito, então íamos tirando o excesso… mais uma para contar depois!!”.
Saíram de Calama por volta 13:45h, em direção a Iquique, cidade que nunca esteve nos planos da viagem, pois daqui tinham planejado ir direto para Antofagasta, a idéia de viajar até Iquique surgiu após uma conversa com a guia em San Pedro, Angela, que falou sobre a zona franca e os excelentes preços de importados, como o casal tinha interesse em comprar um netbook e dias sobrando na agenda, decidiram ir conferir. Se arrependimento matasse…..
A estrada que leva em direção a Tocopilla é excelente, bem sinalizada e bem pavimentada, ela atravessa a Cordilheira de Domeiko, formada por cadeias montanhosas, com as características do deserto.

 

Ao chegar a Tocopilla se tem o primeiro contato com o Oceano Pacífico.

Depoimento Andréa: “Você está andando por uma estrada onde só se vê areia, pedra, muita pedra… de repente, faz uma curva e lá está ele: o Pacífico!!! É emocionante, ainda mais para quem sai do Atlântico, é a sensação de ter atravessado o mundo rsrsrsrsrsrsr!”.
Tocopilla é uma cidade pequena, à beira do pacífico, que tem como principal atração sua rede portuária, responsável pela exportação do salitre retirado das minas chilenas e do cobre de Chuquicamata, que é transportado por trens que serpenteiam as grandes montanhas da região. Também tem um porto pesqueiro e indústrias de conserva e fábricas de farinha de pescado.

 

Após alguns quilômetros de Tocopilla, em uma viagem que beira o Pacífico o tempo todo, os viajantes se depararam com uma Aduana Chilena, que sequer sabiam que ela existia, mas a surpresa maior foi que os funcionários estavam em “paro” (greve) há dois dias e estavam atendendo aos poucos. Foi sair do roteiro para “coisas estranhas” começarem a acontecer!

 

Para “alegria” do casal, a aduana tinha acabado de fechar, eram o primeiro da fila, só iriam abrir após duas horas. Jorge tentou conversar, argumentar a dificuldade de pilotar a noite e o desconhecimento do trajeto, mas nada adiantou, os funcionários, educados, gentis, explicaram os motivos do “paro” e que não poderiam abrir mão da manifestação e que outras aduanas estavam totalmente fechadas.

 

Esta aduana existe, principalmente, para verificação de veículos, já que na zona franca de Iquique existe um grande comércio de automóveis, portanto, seu principal objetivo é verificar a documentação dos veículos que passam de um lado a outro.
O tempo sem atendimento foi suficiente para formar uma fila gigante de carros, caminhões, ônibus de turismo, inclusive um com uma turma enorme da terceira idade, que invadiu o único restaurante do lugar, onde o casal teve que ficar e tentar se alimentar, ele estava lotado de gente querendo beber e comer; a única atendente não dava conta de tantos pedidos, ainda bem que tinham tempo para esperar!

 

Depoimento Jorge: “Com o tempo foi se formando uma bagunça com cara de fila na frente da cabine e ficamos pensando, vai ser uma desorganização só, o pessoal vai sair “no tapa” e vão dificultar nossa passagem e somos os primeiros… vamos ver!!! Quando a Aduana voltou a funcionar foi uma festa, e ficamos felizes quando fomos chamados por todos que estavam na fila, deixando que os motociclistas fossem atendidos antes de todo mundo, por sermos os primeiros da fila e por termos preferência em seguir viagem… todos desejando “Buen viaje”. A fila também nos serviu para pegar referência de um hotel no centro de Iquique. Demoramos duas horas esperando para a funcionária olhar a documentação da moto, colocar um carimbo e em menos de dois minutos tínhamos permissão para circular legalmente no Chile”.

 

Voltaram para a estrada, já com o início do entardecer, torcendo para chegar antes do anoitecer. A estrada beira a Cordilheira de Domeiko, o que permite ter de um lado montanhas gigantes de pedra, areia e do outro o Oceano, um visual interessante e contrastante. As curvas e o vento foram outro atrativo.
Depoimento Jorge:
“Novamente o vento foi o grande vilão do dia. A paisagem, a mais improvável posssível: de um lado um oceano de um azul intenso, do outro um deserto de pedras e montanhas altíssimas, sem vegetação nenhuma. Esta é a paisagem que se vê por 250kms, seguindo em direção ao norte.
O vento é constante, não dá trégua, e é bem mais gelado do que o vento do deserto. Andei por 250 kms vendo sempre a mesma paisagem e andando com o moto inclinada para a esquerda. Foi o dia de gastar o lado esquerdo do pneu. Já nem estava estranhando tanto fazer uma leve curva para a direita com a moto inclinada para a esquerda. Das primeiras vezes em que isso aconteceu, no deserto, fazer curva para um lado com a moto inclinada para o outro gerava um verdadeiro nó no cérebro, mas agora já estava até acostumado, hehehe…”
Não conseguiram chegar antes da noite, mas puderam presenciar o pôr do sol no Pacífico, o que foi interessante depois de já terem assistidos a tantos no Oceano Atlântico.
Infelizmente estava nublado, aliás, nuvens que não viam havia dias, o que não permitiu uma visibilidade das melhores.
Chegaram a Iquique por volta das 21h, procuraram pelo Hotel Fontana, indicação de um senhor na Aduana; o encontraram após atravessar a cidade, já que o hotel fica no Centro e a entrada da cidade é pelo litoral.

Iquique tem uma orla arrumada, repleta de prédios de alto padrão, ruas organizadas, largas avenidas, e que lembra cidades litorâneas brasileiras, (Santos, litoral paulista, por exemplo) pois tem um calçadão bem iluminado, cheio de praças, ciclovias, parques, quadras de esporte, e muita gente passeando.

Suas grandes ondas chamam a atenção e devem ser o paraíso dos surfistas que gostam de se arriscar em meio as pedras.
Já o Centro da cidade é mais antigo, com prédios e construções com jeito de abandono, embora a limpeza faça parte de todos os lugares por onde passaram.

Iquique é capital da província de Iquique e da Região de Tarapacá. Possui uma área de 2.262,4 km² e uma população de 166.204 habitantes (2002). Pertenceu ao Peru até 1883, quando foi dado ao Chile pelo Tratado de Ancón após a Guerra do Pacífico. Iquique (pronúncia espanhola: [ikike]) é uma cidade portuária, encontra-se na costa do Pacífico, a oeste do deserto de Atacama e do Pampa del Tamarugal.
Iquique se destaca por seus Monumentos Nacionais e suas praias. Entre as mais belas se encontram: Primeras Piedras, Brava, Cavancha e Huayquique. A cidade é muito freqüentada por turistas atraídos, não apenas pelas praias, mas também pelos Cassinos, Museu Regional, Naval e Antropológico, assim como pelos edifícios históricos, como o Palácio Astoreca e o Teatro Municipal. Próximo a Iquique é possível encontrar o Parque Nacional Volcán Isluga, com abundante flora e fauna e povos de culturas ancestrais.
Além do comércio, a mineração de cobre é a principal responsável pelo desenvolvimento econômico da cidade e de sua riqueza.
Após tomar um banho, um tanto precário, colocar as roupas do avesso, pra variar, decidiram sair para comer. Fizeram a pergunta de sempre: sobre os perigos do lugar, devido ao avançar do horário, e foram novamente informados da inexistência destes “perigos”. Estavam próximos ao centro comercial, formado por ruas “peatonais”, ruas fechadas somente para circulação de pedestres, havia muita gente circulando e já passava das 22h.


Encontraram um restaurante temático, super diferente, onde filmes, músicas, artistas, atletas,  fazem parte do cenário e são sevidos, em sistema fast-food, pratos deliciosos (http://www.schopdog.cl/inicioN_.html), infelizmente as fotos são da internet porque a máquina estava carregando novamente!

Comeram este prato formado por carne, linguiça, “papas”, ovos e um delicioso tempero. Nada saudável, mas muito gostoso!!!
Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 412
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Fontana
Valor da diária: $ 18.000 pesos
1 Estrela: barato, bom para dormir após um dia cansativo, banho precário, café da manhã quase inexistente
Gasto Total (com alimentação): R$ 105,00
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A volta com cara de continuidade!!!

12.12.2010
San Pedro de Atacama – Calama
Chegaram de volta a San Pedro por volta das 11:30h e receberam a notícia que teriam que sair da pousada até as 12h, ou pagariam outra diária, e como pretendiam ir para Calama, ainda nesta data, correram para se arrumar… Ponto negativo para “Don Raul”. Conseguiram sair da pousada por volta de 13h., após um bom banho e arrumação rápida da bagagem. Acho que neste momento foi quando esqueceram as folhas de coca encomendadas por um amigo (que eles não citarão o nome para não criar constrangimentos rsrsrsrs).
Depois de muito ler, estudar e pensar sobre esta viagem, Jorge aprendeu algo importante e interessante com os “viajeiros” de plantão: NUNCA VOLTE PELO MESMO LUGAR!!!
Depoimento Jorge: “Voltando pela mesma estrada, você verá os mesmos lugares e estará fazendo uma viagem, se fizer um caminho diferente para voltar, a viagem parecerá duas, pois você irá conhecer lugares diferentes… Foi o que fizemos, traçamos um percurso que iria nos levar a novas aventuras. Bem diferentes das que tivemos até aqui, posso garantir!!!!”.

Decidiram ir embora um dia antes do programado após Jorge saber que havia apenas uma mecânica para trocar o óleo da moto e que o óleo existente não era muito confiável. Calama é uma cidade próxima, bem maior, que iria atender as necessidades dos viajantes quanto ao assunto segurança e cuidados com o meio de transporte.

 

De volta à estrada, deixaram San Pedro por volta das 13h, sabendo que muito ainda havia por conhecer e com a certeza de que um dia irão retornar. Durante muito tempo na estrada em direção a Calama tiveram o Licancabur como companhia e proteção.
A estrada se manteve bem sinalizada, bem cuidada e com as paisagens desérticas, formada por grandes campos de areia e pedra, que se perdiam de vista, estavam na Cordilheira de Sal.
Em meio a esta secura toda, Andréa fez sua primeira parada na estrada para necessidades fisiológicas, já que não havia nada, nenhum lugar onde pudesse usar o banheiro. A seca era tanta que Andréa e Jorge acreditam que irá nascer uma planta no local usado!!!
Nesta estrada o casal teve seu primeiro contato com estes “seres estranhos”, são redemoinhos… mas por enquanto eles estavam distantes… embora alguns bem grandes!
Os redemoinhos, torvelinhos, redemoinhos-de-poeira, pés-de-vento ou diabos de poeira (em inglês: dust devil) são ventos em espiral formados pela convecção do ar, em dias quentes, sem ventos e de muito sol.
Em relação ao vento, acho que Jorge pode falar melhor!!
Depoimento Jorge:
“A partir deste trecho pudemos sentir a força do vento no deserto. Andávamos por uma planície enorme, pedras e areia para todos os lados, a perder de vista. O vento me fazia andar com a moto muito inclinada, muito mesmo!
O primeiro caminhão que fui ultrapassar nesta estrada me fez tomar um susto e tanto. Até me aproximar dele, estava com a moto inclinada para a direita, e a uma velocidade não muito maior que a dele. Quase a moto entra debaixo da carroceria, pois como ela estava muito inclinada para a direita e o vento cessou de repente assim que entrei ao lado dele, ela jogou de uma vez na direção dele e precisei fazer uma manobra brusca para corrigir a trajetória.
Acelerei pra passar logo aproveitando a “proteção” contra o vento que o caminhão proporcionava, mas quando estava acabando de passar pela cabine o vento veio de uma vez e muito mais forte, pois além do vento havia a massa de ar que o caminhão deslocava para os lados. A moto foi deslocada uns 3 metros para a esquerda e quase fui parar fora da pista…   Nova manobra radical para corrigir a trajetória e acelerador pra que te quero, pois o caminhão estava logo atrás…
Nas próximas ultrapassagens fiquei mais esperto até que dominei a técnica de ultrapassar caminhões com vento lateral forte.
A técnica consistia em aumentar bem a velocidade antes de ultrapassar o caminhão. Um instante antes de entrar no vácuo da carroceria, eu levantava a moto na posição correta e deixava o vento me empurrar um pouco pra esquerda, me afastando do caminhão enquanto eu passo pela carroceria, e quando estou quase terminando de ultrapassar a cabine eu jogo a moto com tudo na frente do caminhão, como se fosse dar uma fechada bem forte nele, inclinando a moto para a direita. O momento da “fechada” coincide com o retorno do vento lateral aumentado pelo deslocamento do caminhão, e apesar de ter inclinado muito a moto, ela não vai nem um centímetro para a direita e continua andando em  linha reta…
Ah, pra dar uma ideia de quanto o vento do deserto é forte, ora de lado, ora de frente (e nessa hora é bom ter motor…): a bolha da moto trincou!!!”
Os redemoinhos ocorrem quando o solo se aquece em determinado ponto, transferindo esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele. Quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão. Devido ao princípio da conservação do momento angular esse redemoinho ganha velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de ‘sujeira’ seja visível. Ele pode apresentar desde alguns centímetros até muitos metros de altura.
Frequentemente esse fenômeno é confundido com um tornado, porém vale salientar que, ao contrário dos tornados, os redemoinhos de poeira somente se formam em dias sem nuvens, sob muito sol e calor e baixa umidade do ar. Além disso, a velocidade dos ventos desse fenômeno raramente ultrapassa os 100 km/h, podendo causar apenas pequenos estragos, tais como destelhamentos leves.
Outra curiosidade é a quantidade de antenas de transmissão que os viajantes viram pelo caminho, quase todas as estradas por onde passaram, elas estavam lá… gigantes e em milhares, que se perdiam das vistas.
E ao fundo é possível ver a Cordilheira de Domeiko, que divide o Deserto do Pacífico, mas isto faz parte do próximo capítulo.
Durante todo o percurso, puderam ver inúmeras picapes, em sua maioria vermelhas, que circulam por toda esta área. Andréa deu o nome de carrinho Playmobil (quem não se lembra???), pois todas são exatamente iguais, possuem antenas gigantes, números enormes nas portas e um radar no teto.

De longe é possível avistá-las, andando de um lado pro outro em meio à secura do deserto.

Chegaram a Calama por volta das 15:30h, após algumas buscas, já que não tinham se programado para ficar nesta cidade, encontraram um bom hotel, Hotel Alfa, onde puderam tomar um banho.

Calama é uma cidade no deserto de Atacama, no norte do Chile. É a capital da província de El Loa, parte da Região de Antofagasta. Calama é uma das cidades mais secas do mundo, com precipitação média anual de apenas 5 mm (0,20 in). O rio Loa é o mais longo do Chile e atravessa a cidade. Calama tem uma população de 143.000, segundo o Censo de 2005. O município também abrange as comunidades quéchuas Estación de San Pedro, Toconce e Cupo, e as comunidades Lickan-Antay de Taira, Viejo Conchi, Lasana, São Francisco de Chiu Chiu, Aiquina-Turi, e Caspana. Encontra-se a uma altitude de 2.260 m, Calama é a porta de entrada para as maravilhas geológicas e arqueológicas do deserto do Chile Central.

Há uma variedade de hipóteses no que diz respeito à origem do nome “Calama,” mas as duas principais afirmam que sua origem vem da língua Kunza, falada no passado pela Antay-Lickan, um grupo étnico que até hoje reside na província de El Loa.

Enquanto procuravam o hotel notaram que a cidade é bastante organizada, limpa e tem um bom centro comercial, tem um ar de cidade de interior, possui até um shopping, o Shopping Plaza, que se encontra em ampliação. Também em Calama está o Aeroporto de onde chegam vôos de todo lugar, lotados de turistas que vêm conhecer San Pedro de Atacama.

Animaram-se em ver um pouco de cidade grande e decidiram ir até o shopping para almoçar, já que estavam apenas com o churrasquinho de lhama no estômago. Após almoçar, Andréa, que não é de ferro, decidiu dar uma volta e olhar um pouco as lojas, ver a moda chilena (muito parecida com a brasileira, mas bem mais colorida e mais barata).
Enquanto Jorge a aguardava na frente da loja, foi abordado por um casal que perguntou se ele era dono da moto parada na garagem. Vale ressaltar que não há estacionamento próprio para motos, depois o casal percebeu que ela era a única moto estacionada no shopping (aliás, as vagas estavam lotadas de carrinhos playmobil) e que Jorge era o único a carregar capacetes, o que facilitou ser encontrado rsrsrsrsr. Também pouco se vê motos pelo trânsito, possivelmente devido ao clima não muito propício ao seu uso.
O casal era Javier, um brasileiro do sul e Mabel, uma chilena adorável. Ele veio para Calama e trabalha adivinhem aonde?? Isso mesmo, em Chuquicamata. Explicou que tem muita gente que veio de fora para trabalhar na mineradora que é a base da sustentabilidade da região. Ambos estão programando fazer a mesma viagem que fizemos, porém inversa, em 2011 e ao verem a placa do Brasil, e encontrar o Jorge com capacetes, decidiram parar para conversar. Trocaram várias idéias, telefones e emails, inclusive Javier indicou uma mecânica, já que Jorge explicou que a passagem por Calama se deve a necessidade de trocar o óleo da moto e fazer uma revisão rápida para a volta.
Javier também tirou todas as dúvidas da Andréa, sobre os Playmobil!! São vermelhos para serem vistos facilmente em casos de emergência, de se perderem no deserto, já que se destacam em meio ao cinza, sua antena gigante, que fica a maior parte do tempo dobrada e presa, é para serem usadas dentro das minas e que facilita serem vistas pelos ainda mais gigantes tratores que andam pelas minas, os números identificam as empresas e o funcionário, para facilitar a entrada nas minas e o radar no teto é o GPS e o rádio comunicador. Infelizmente não tiveram ideia de tirar uma foto, mas aí vai uma encontrada na internet.
A cidade de Chuquicamata, que fica a 15 km do centro de Calama, em direção a Tocopilla, é um dos locais interessantes para visitação e é onde se encontra a maior mina a céu aberto de cobre do mundo, porém a cidade sofreu com o avanço das mineradores, que estão devastando seus arredores, fazendo com que moradores antigos abandonassem suas residências e se mudassem para Calama. A mineração tem sido benéfica, no sentido de desenvolvimento para a região, Calama já conta com inúmeros bons hotéis e andando pela cidade é possível ver um enorme canteiro de obras, já que por todos os lados para onde se olha, se vê construções de condomínios, shoppings, cassinos e outros grandes empreendimentos.
Durante muitos anos esta foi considerada a maior mina de exploração do mundo em produção anual, mas recentemente foi superada pela Mina Escondida. Todavia, Chuqui permanece como a maior em produção total e tamanho totalizando 29 milhões de toneladas de cobre em 2007. A Chuqui têm sido um fator importante da exportação chilena e ainda hoje continua representando 1/3 do comércio nacional já tendo sido responsável por 8% do PIB.
Apesar de 90 anos de intensa exploração, esta ainda permanece como um dos maiores reservatórios do planeta. Também é a maior mina do planeta com 4,3 km de comprimento, 3 km de extensão e 850 metros de profundidade, além de ser uma referência mundial na produção de Molibdênio.
Infelizmente não foi possível para o casal realizar a visita à Chuquicamata, que estava nos planos da viagem, pois é necessário agendar com antecedência e têm dias e horários certos de visitação, que não incluía o dia em que estariam em Calama.
Segundo o casal que conhecemos, a cidade, antes da mineradora, era apenas uma pacata cidade de interior, perdida no deserto, atualmente é conhecida mundialmente e tem gente de todo lugar que vem para trabalhar com a mineração. Para os moradores mais antigos e conservadores, a cidade perdeu seu ar de tranquilidade e com o desenvolvimento também surgiram suas mazelas.

Depoimento Jorge:
“Este brasileiro que mora no Chile há 6 anos e me abordou no shopping, o Javier, tem uma Honda Transalp, e está em fase de preparação para a viagem dos sonhos dele. Pretende sair de Calama e fazer o mesmo caminho que fizemos de Foz do Iguaçu até aqui, atravessando a cordilheira pelo Paso de Jama. Depois disso ele segue em direção a Florianópolis, se não estou enganado.
Neste momento me senti um destes moto-aventureiros super experientes, como tantos que eu conversei quando estava montando o roteiro da minha viagem, para dar um monte de dicas interessantes para ele que faria sua primeira grande viagem de moto com a esposa na garupa. Falei da Quebrada de Cafayate, Tafi Del Valle, evitar a região do Chaco argentino por seu calor insuportável, e mais um monte de dicas que recebi e que estava agora tendo a oportunidade de passar adiante para que mais alguém pudesse realizar seus sonhos de fazer uma viagem fantástica sobre uma moto, assim como eu estava realizando o meu.”
Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 114
Abastecimento: 10 litros
Hospedagem: Hotel Alfa – http://www.hosteriacalama.cl/
Valor da diária: $ 33.800 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã
Gasto total (com alimentação): R$ 170,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Complexo Turístico Tatio: $ 5.000 por pessoa
(Câmbio do dia: 288 pesos = 1 real)
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Em cima de um vulcão!!!

25 Geiser del Tatio (26)
12.12.2010
Gêisers Del Tatio
A saída para o passeio aos Gêisers é as 4h., a Van passa nas pousadas pegando os turistas por volta deste horário. O casal acordou as 3:30 e o café da manhã já os aguardava, as pousadas têm o costume de preparar um lanche para ser levado pelos turistas, já que o passeio é longo e com certeza a fome vai surgir. Mas algo diferente os aguardava.
25 Geiser del Tatio (17)
O frio é absurdo, não o subestime, se agasalhe muito!! A noite do deserto é linda, mas gelada!!

A viagem leva cerca de 2h30m, realizada por estradas de terra e sob as estrelas, que, aliás, é uma beleza a parte. O céu totalmente repleto de luzes cintilantes, mais parece um mar esbranquiçado. Alguns aproveitam para dormir, principalmente aqueles que curtiram a noite de San Pedro.

25 Geiser del Tatio (21)Os Gêiseres de Tatio estão localizados na bacia geotérmica que leva o mesmo nome, na base do Vulcão Tatio, a 129 quilômetros ao leste da cidade de Calama e a 90 quilômetros ao norte de San Pedro de Atacama, a cerca de 4.320 metros de altitude. São considerados um dos mais importantes do mundo. Formados por dezenas de buracos de onde são expelidas fumaça, lama e água fervente que chegam a 10 metros de altura.

25 Geiser del Tatio (7)

Um géiser ou gêiser é uma nascente termal que entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor para o ar. O nome gêiser provém de Geysir, o nome de uma nascente eruptiva em Haukadalur, na Islândia; este nome deriva por sua vez do verbo gjósa, “jorrar”.
25 Geiser del Tatio (16)Seu processo de formação se dá quando a água subterrânea que se encontra nas fissuras, cavidades e lençóis freáticos, em contacto com rochas e principalmente a lava vulcânica encontrada abaixo, à elevada temperatura, vai aquecendo a água gradualmente.
25 Geiser del Tatio (3)
A elevada pressão a que a água se encontra faz aumentar o ponto de ebulição da água e, quando a temperatura da água atinge um ponto crítico, entra rapidamente em ebulição. O vapor de água obriga então a água a subir de forma violenta, em forma de jacto, dando origem a esta manifestação de vulcanismo. Esses jactos podem atingir cerca de 80 metros de altura e apresentar temperaturas de 70 °C a 100 °C.
25 Geiser del Tatio (30)
Devido ao seu processo de formação, o melhor horário para assistir a este espetáculo da natureza é entre as 6:30 e 9h, quando a pressão atmosférica gera enormes colunas de vapor, as águas quentes do fundo da terra (85º.C), em ebulição, saem através de fissuras na crosta terrestre, se encontram com as pedras frias da superfície, devido à temperatura da noite no deserto,  formando nuvens de fumaça que chegam a 10 metros.
25 Geiser del Tatio (20)Para deleite dos turistas, é servido um café da manhã ali mesmo, no meio dos gêiseres, que inclusive são utilizados para aquecer o leite, cozinhar os ovos, é algo muito divertido e diferente.
25 Geiser del Tatio (22)
Após o café coletivo e muitas perguntas sobre o fenômeno, o grupo é levado a outro campo de gêiseres, onde a atividade ainda é intensa, onde se encontram os mais altos jatos de água e onde existe uma piscina, isto mesmo, uma piscina, de água quente, cerca de 33º.C, onde os mais corajosos aproveitam para se banhar.
25 Geiser del Tatio (9)

A mistura do azul do céu, das nuvens de fumaça, das montanhas, do sol nascendo, traz um ar de surrealidade a este momento, levando o casal a pensar que poderia estar em Marte ou qualquer outro planeta distinto da Terra.

25 Geiser del Tatio (12)

Todo cuidado é pouco neste passeio, o guia Salvador, foi muito enfático em falar do perigo de estar em cima de buracos que jorram água fervendo, principalmente no segundo campo, onde os gêiseres são grandes, porém tudo é muito bem demarcado e sinalizado, basta seguir as indicações e ter cautela. Contam que a alguns anos uma pessoa morreu ao cair dentro de uma das crateras.
25 Geiser del Tatio (2)Depoimento Andréa: “É um espetáculo fascinante, imperdível, mas o frio é de congelar. No dia em que estivemos por lá estava menos 5º.C. Foi o maior frio de toda a viagem!!!! Mas valeu a pena! A piscina é um atrativo, mas e a coragem para sair dela??? O melhor foi nem entrar hehehehehehehe Este é o tipo de passeio que é difícil explicar, aliás a maioria dos passeios por aqui precisam ser vivenciados para serem eternizados na memória”.
25 Geiser del Tatio (44)Saindo dos Gêisers, retomaram a estrada de volta, e paisagens fantásticas surgem no meio de um mundo de pedras e seca: um oásis repleto de água doce, vegetação e uma família de vicunhas, inclusive puderam assistir a um macho lutando com outros por território. Momentos únicos da natureza, presenciados por poucos!
25 Geiser del Tatio (42)
Também puderam ver inúmeros flamingos, agora fora da Reserva, que aproveitavam a água para se banhar e alimentar.
25 Geiser del Tatio (40)Uma visão, ao mesmo tempo, estarrecedora e bela, é a do Vulcão Lascar, único vulcão ativo atualmente na região. Localizado a uma altitude de 5.592 m.s.n.m., possui uma cratera com 750 metros de diâmetro e 300 de profundidade e sua última erupção foi em 18 de Abril de 2006 e esta fumaça que aparece na foto é permanente, demonstrando que está vivo. Muitos aventureiros arriscam sua escalada. Um terço dos vulcões do mundo se encontram no Chile, 160 encontram-se ativos, porém só o Lascar está em plena atividade atualmente.
26 Machuca (3)
No caminho de volta, pararam para conhecer o povoado de Machuca, que está a mais de 4.000 m.s.n.m., a 80 km al norte de San Pedro de Atacama. Devido a altitude, caminhar pelo “pueblo” é uma missão que requer muita calma, com movimentos lentos e sem mudanças bruscas, evitando o mal de soroche.
26 Machuca (2)
Este povoado tem cerca de 20 casas e uma igreja, as poucas famílias que viviam em Machuca foram deixando o local para garantir uma vida melhor nas cidades maiores, atualmente apenas 6 habitantes moram de fato em Machuca e vivem da pecuária (principalmente criação de lhamas) e da visita de turistas, já que faz parte da maioria dos pacotes turísticos que levam ao Gêiseres.
26 Machuca (25)Nas orelhas das lhamas é possível ver diversos enfeites coloridos, que são colocados como forma de agradecimento pela sua serventia ao povo, por servir de alimento, de agasalho e manter as pessoas vivas.
26 Machuca (16)Os turistas aproveitam para conhecer o local e experimentar a empanada de queijo de cabra e o famoso “churrasquinho” de lhama, feito ali, na hora, por um típico atacamenho.
26 Machuca (12)
A Igreja é bem pequena, mas jeitosa e bem arrumada. Difícil mesmo é chegar até ela, já que fica em um morro e subir morros na altitude não é uma tarefa fácil para os menos atletas.
26 Machuca (13)
A energia é conseguida através de painéis solares, energia tão desejada pela sociedade moderna. Ainda conta com hospedagem rústica, que agrada os turistas mais aventureiros.
26 Machuca (21)
Todas as casas possuem uma cruz em seu telhado, que simboliza um pedido de proteção aos deuses e uma forma de evitar a entrada dos demônios.
Desfrute um pouco mais deste passeio….

Para conhecer mais:
CONTINUA………
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De volta a San Pedro de Atacama

15 San Pedro de Atacama (34)Retornaram para San Pedro por volta das 16h. e foram para a Praça Central aguardar o casal Lilian e Mauricio, pois combinaram de jantar juntos para se despedir, já que os amigos iriam embora no dia seguinte, mas antes aproveitaram para conhecer um pouco mais de San Pedro, principalmente sua igreja, que ainda não tinham entrado.
15 San Pedro de Atacama (6)
A Igreja de San Pedro do início do século XVI, uma bonita contrução legada pelos antigos colonizadores espanhóis, restaurada, com telhado feito de cactos e um muro branco típico.

 

A visita à igreja de San Pedro é imperdível, considerada a mais charmosa igreja do Norte do Chile.

15 San Pedro de Atacama (26)
Embora tenha requerido de várias reparações, suas paredes datam de 1744 e, desde então, é o centro das principais festividades do povoado, como o carnaval que se comemora nos últimos dias de fevereiro com danças, comidas e bebidas típicas. No dia 29 de junho também se reúnem as companhias de dança de todos os vilarejos próximos e no dia 25 de dezembro se realiza a adoração ao menino Deus que se festeja com danças religiosas.
15 San Pedro de Atacama (27)
Seu interior tem a beleza e simplicidade característica do povoado, mas tudo muito bem cuidado e sempre colorido, com suas flores artificiais. Somente as portas de madeira, por serem mantidas as originais, demonstram o desgaste do tempo.
15 San Pedro de Atacama (28)
San Pedro tem, na maioria, construções de adobe (barro) com o interior voltado para dentro, fazendo com que a cidade pareça vazia e murada: são paredes e mais paredes com poucas janelas, pequenas portas e distantes umas das outras, mas se adentradas, revelam interiores arborizados, com varandas, caramanchões e canteiros, cheios de “algarobos” – árvores frondosas cujas folhas servem para cobrir os telhados, a vagem serve de alimento para o gado e, atualmente, é transformada em uma rica farinha, que vem fazendo a novidade exótica das sobremesas de San Pedro.
15 San Pedro de Atacama (20)

Depoimento Andréa: “Acredito que o principal ganho em realizar uma viagem como essa é poder conhecer um pouco a cultura local, conhecer os costumes, tradições, nos coloca mais próximo desta realidade tão diversa da nossa… passar por lugares como este merece uma entrega não apenas física, mas da alma”.

15 San Pedro de Atacama (38)
Jorge aproveitou para beber um chopp tipicamente chileno…

 

Jantaram no Bendito Disierto (mas não puderam tirar fotos pois novamente a bateria da máquina havia acabado. Dica: leve uma bateria sobressalente!) com os novos amigos, e nesta noite, Mauricio falou uma “pérola” da qual o casal riu durante toda a viagem e ainda hoje, ao lembrar.
Lilian e Mauricio haviam ganho um voucher para jantar neste restaurante e, como toda promoção, apenas alguns pratos do menu podiam ser pedidos. No momento da sobremesa, foram oferecidas duas opções, porém com nomes super estranhos que não diziam do que eram feitas e ninguém conseguiu compreender, Maurício não teve dúvidas, pediu uma de cada para experimentar, dizendo: “Mande logo as duas, este tipo de coisa é igual saquinho de Cosme e Damião, a gente nunca sabe o que tem dentro, mas o que vale é a surpresa……!!!!!!!!”.
Depoimento Jorge: “Nós rimos tanto, foi tão bem colocado, que até agora, quando a gente lembra, não conseguimos parar de rir!”.
Assista ao vídeo com as imagens destes passeios!!!

Para conhecer mais:
Total de Km Rodados: 0
Abastecimento: 0
Hospedagem: Pousada Don Raul – http://www.donraul.cl/
Valor da diária: $ 38.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (primeiro no estilo brasileiro de buffet)
Gasto total (com alimentação): R$ 180,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Reserva Nacional Los Flamencos: $ 2.500 por pessoa
Socaire: $ 4.000 pesos por pessoa
(Câmbio do dia: 288 pesos = 1 real)
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Imagens Mágicas…e MAGNÍFICAS!!!!

22 Lagunas AltiplanicasDeixaram o Salar em direção às Lagunas Altiplânicas, estas Lagoas estão a cerca de 90 km de San Pedro, e a mais de 4.000 m.s.n.m., são as Lagunas Miscanti e Miñiques, que são alimentadas pelas fontes de água que vêem da superfície da terra e atraem uma grande variedade de animais. Estas lagoas têm esta denominação por se encontrarem nos altiplanos, um planalto localizado entre duas cadeias de montanhas, ou no cume destas.

22 Lagunas Altiplanicas (3)

Para causar mais impacto, a van para a alguns metros da Laguna, de um ponto onde ainda não se pode avistá-la, os turistas vão caminhando e eis que ela surge, a água de um azul que chega a doer as vistas, rodeada de um branco (sulfra), o mesmo que está no cume dos vulcões e que lhe confere um charme e uma beleza inexplicáveis.

22 Lagunas Altiplanicas (4)

A paisagem ao redor das lagunas é caracterizada por vulcões e relevos montanhosos, se destacando os Vulcões Miscanti (5.622 m.s.n.m.) e Miñiques (5.910 m.s.n.m.), que dão nome às lagoas, fazem parte da Reserva Nacional e estão situadas na comunidade atacamenha de Socaire, a 110 km ao sul de San Pedro de Atacama.

22 Lagunas Altiplanicas (10)

O passeio, como já mencionado, é realizado em fila indiana, por demarcações que não podem ser ultrapassadas. Eles preservam muito suas belezas naturais, cuidando para que não se acabem. Em nenhum destes espaços é permitido fumar, mesmo que você cuide da “bituca”, pois acreditam que até mesmo as cinzas que voam do cigarro podem prejudicar a vida das espécies que habitam estas bandas, e como a “casa” é delas, todos respeitam.

22 Lagunas Altiplanicas (11)

Nesta lagoa várias espécies são encontradas, cerca de 94 espécies de vertebrados, 18 de mamíferos, seis de répteis e uma de anfíbio, além de 69 de aves, como a parina chica, caitó, playero de baird, chorlo de La puna, pato juarjual e a guallata, mas a que chama a atenção é a Tagua Cornuda, ou Wári, na língua kunza, espécie em extinção, cujos ninhos são feitos pelas aves na água.

22 Lagunas Altiplanicas (5)

A flora é composta principalmente pela llareta, que é uma pequena planta de florescimento entre 3200 e 4500 metros de altitude, que tem folha todo o ano e prefere os solos arenosos, estando bem adaptada às altas taxas de insolação, não podendo crescer na sombra. É uma planta compacta, a fim de reduzir o calor, as perdas e para estar mais próximo ao solo, onde a temperatura é cerca de dois graus superior. Seu crescimento foi estimado em cerca de 1,5 cm por ano e muitas tem mais de 3.000 anos de idade. Outra planta é a palha brava, que tem característica muito parecidas com a llareta.

22 Lagunas Altiplanicas (15)

A Laguna Miñiques, cuja superfície tem 1,5 km quadrados e se encontra a uma altitude de mais de 4.100 mts, recebe água subterrânea de sua vizinha Miscanti.

22 Lagunas Altiplanicas (17)

Antigamente a paisagem era diferente, pois as águas provenientes do degelo dos vulcões  escorriam livremente até o Salar de Atacama, no entanto, devido a uma erupção do vulcão Meñiques (alguns escrevem com “e” outros com “i”) ocorrida a 1 milhão de anos, se originou o estancamento das águas, criando as lagoas. Um fluxo de lava da erupção separou as Lagunas Miscanti e Miñiques.

22 Lagunas Altiplanicas (19)

Em certos lugares, ao redor das lagos, é possível encontrar vertentes de água doce que é utilizada para consumo humano e também é aproveitada para ‘bebedouro’ dos animais existentes na região. Nas áreas altas da bacia se encontram algumas espécies de plantas medicinais como: senecio (chachacoma), mulinum (susurco) , phacelia, artemísia (copa) e acantholippia (pingo-pingo). Também se pode observar mamíferos como guanacos, vicunhas, alpacas e lhamas.

22 Lagunas Altiplanicas (6)

No fundo das lagoas se encontram algas aquáticas, que são parte fundamental do alimento de alguns animais invertebrados que são, por sua vez, alimentos das aves que utilizam as lagoas. A área toda forma parte dos campos de pastoreio de Socaire.

22 Lagunas Altiplanicas (14)

Nesta região se encontram sítios arqueológicos dados por fragmentos de cerâmica, pontas de flecha e 40 construções circulares de pedra, o que demonstra a ocupação deste lugar a cerca de 4.000 – 3.000 anos A.C..

22 Lagunas Altiplanicas (13)

Depoimento Andréa: “A cada passo, surgem imagens mais deslumbrantes… as lagoas, naquela altitude, rodeada de vulcões que um dia estiveram ativos e contribuíram para criar aquela paisagem… pensar em tudo isso é ao mesmo tempo amedrontador e fantástico. A sensação de frio e calor causada pelo deserto e pela altitude é nova para brasileiros acostumados a temperaturas estáveis e baixa altitude”.

22 Lagunas Altiplanicas (23)

Depoimento Jorge: “Não se deixem enganar pelo sol e pelo céu limpo: estava frio pra caramba! É muito legal estar em lugares maravilhosos como estes e perceber que ainda existe locais onde a natureza esta absolutamente intocada.”

23 Socaire (11)

Depois de conhecer as Lagunas, a turma foi almoçar em Socaire (que significa quebrada do vento), uma vilazinha com vista para o Salar do Atacama, localizada a cerca de 100 km de San Pedro, a 3.500 m.s.n.m. A cidade foi construída em pedra, terra e coberta de palha, madeira de cactos, é fantástica, onde vivem seus cerca de 380 habitantes.

23 Socaire (9)

A cerca de 3.000 a 4.000 anos atrás, viviam nesta área cerca de 5 mil pessoas, os atacamenhos, que praticavam a agricultura como forma de sobrevivência.

23 Socaire

A economia local é dominada pela agricultura e mineração não-metálico, principalmente de sal, também por seu artesanato, como os de tecidos tradicionais de lã de ovinos e camelídeos.

23 Socaire (5)

Socaire é o último povoado que se despede do turista que sai de San Pedro pelo paso Sico (sem asfalto). Antigamente foi importante por suas minas de ouro que ficavam próximas à fronteira da Argentina.

23 Socaire (2)

Nesta vila retirada dos livros, se pode conhecer os terraços agrícolas incas, milenares, que fazem parte da paisagem. Seu clima desértico contrasta com o verde das plantações de quinua. Sua temperatura é marcada pela oscilação entre o dia e a noite, com temperatura ao meio do dia que variam de uma máxima de 25º.C e mínimas de 17º.C, chegando abaixo de Oo.C na noite.

23 Socaire (6)

Hoje Socaire é conhecida por sua cozinha típica atacamenha, por isso a escolha de se almoçar neste “pueblo” tão diferente.

Almoçaram na Cocinera Santa Bárbara, comeram uma sopa deliciosa de entrada, que mais parecia prato principal, mas o principal foi Lhama ensopada com salada  e quinua.

23 Socaire (12)

Aproveitaram para conhecer a Igreja do povoado,  mas que estava fechada. A igreja foi construída na época da chegada dos espanhóis, pois acreditavam que desta forma estariam abençoando a agricultura realizada na região.

A igreja é o principal patrimônio histórico do povoado, oferece uma mostra artística da temática religiosa, que conta com obras do período colonial. É rodeada por um perímêtro de cerca de 16 metros profundidade e 8 mts de largura, construído de pedra com barro argiloso que contém palha de trigo.

23 Socaire (3)

Seu pórtico mede 2 mts de altura e 1 mt de largura, sendo que os muros tem a largura de 1 metro. A largura da nave é de 4 metros e a igreja conta com suportes anti-sismicos, que evitam que seus muros desabem tanto para dentro da igreja como para seus lados. Cada suporte tem altura de 2 mt e largura de 1 metro e meio, com profundidade superior a 30 cm. Seus teto é coberto de palha com barro, e as vigas são de algarrobo e chañaar, duas árvores locais. Seu piso é de pedra. O campanário, separado da igreja por dois pisos, foi construído com pedra vulcãnica e conta com dois sinos de bronze.

23 Socaire (14)

E fotografar, conversar, perguntar sobre os costumes, tradições e a história local.

Como o costume de usar flores artificiais para enfeitar os cemitérios, as igrejas (veja a cruz no alto), os túmulos (como este da foto), templos, devido a escassez de flores naturais, o que confere um colorido fantástico, já que as “flores de plástico não morrem”, vão se juntando, e ficando tudo cada vez mais colorido.

23 Socaire (4)

De Socaire, com o Salar do Atacama os acompanhando, se despedem deste pueblo tão único em meio ao deserto, e seguem para Toconao.

24 Toconao (7)

Toconao é um oásis de água doce localizado a cerca de 38 km de San Pedro, encontra-se a uma altitude de 2.485 m.s.n.m., perto da margem nordeste do Salar de Atacama. Os atacamenhos habitaram esta região há aproximadamente 11.000 anos atrás. Sua população atual constitui 550 habitantes, que conservam as tradições antigas, assim como atividades próprias que se realizam pelo sentimento de união ao ambiente que os rodeia: animais, vegetação, água, terra, sol e montanhas.

24 Toconao (3)

A proximidade com a Quebrada de Jere e suas abundantes águas doces dos Andes, permite ao povoado viver do cultivo de peras, damascos, ameixas entre outras frutas cultivadas, além das esculturas em pedra vulcânica. Durante uma época este povo foi um respeitado produtor de frutas, mas atualmente sua principal fonte de renda é a extração e comercialização de lítio.

24 Toconao (12)

É chamado do povo da Pedra Branca, em virtude das pedras liparitas utilizadas, não apenas no artesanato, mas, principalmente, nas suas construções em quase sua totalidade, estas sempre quadradas, em blocos artesanais realizados manualmente, com as pedras dispostas de uma maneira que resulta em uma assimetria completa.

24 Toconao (4)

Os tetos são de cana, colocadas muito juntas sobre troncos de árvores (cactus, algarrobo, tamarugo) rusticamente polidos.

Entre a flora existente no local, predominam as “Colas de Zorro” e as “Cactáceas”. A fauna é constituída em sua maioria por lhamas, guanacos, alpacas e vicunhas. Na entrada de Toconao é encontrada uma região chamada “La Banda”.

24 Toconao (11)

Toconao faz parte da cultura Lickan-Antay, com origem que data de 9.000 A.C., tendo perdurado pelo tempo, respeitando e perpetuando o ancestral vínculo com a Mãe Natureza e conservando vivos, os Costumes e Tradições.

24 Toconao (14)

Toconao também se destaca pelo seu símbolo turístico, a Torre Campanário que data de 1750, separada da estrutura de sua Igreja San Lucas, datada de 1744, a torre foi construída em três corpos de barro e pedra com sua cúpula e porta de madeira de cactos, que entrega à praça do povo um grande valor estético e arquitetônico.

24 Toconao (19)

Neste povoado também foi possível visitar um nativo, comer a pêra da região, ver o artesanato, e dar comida às lhamas que são criadas no quintal.

24 Toconao (17)

Curiosidades: O uso da madeira de Cactos é muito comum na região, devido a sua abundância, com ela se fazem, além da cobertura das casas, as portas, cujas amarrações são de couro de lhama, utensílios domésticos e até a escada da igreja foi feita com este tipo de madeira.

24 Toconao (6)

Vocês estão vendo este Jesus aí, cabeludo, esta é uma tradição local, onde nesta época as pessoas colocam mechas de cabelo em Jesus Cristo, como pedido de saúde e vida longa. Em todas as igrejas da região se pode encontrar Jesus Cristo com uma vasta cabeleira, de vários tons.

CONTINUA…………….

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Imagens Mágicas…

11.12.2010
Imagens Mágicas

O casal realizou nesta data o passeio que inclui a visita ao Valle de Jere, o Salar de Atacama, onde se encontra a Laguna Chaxa e a Reserva Nacional “Los Flamencos”, visita às lagunas Altiplânicas Miscanti e Miñiques, almoço no povoado de Socaire e passagem pelo povoado de Toconao. A saída é por volta das 08h e a guia que acompanhou o passeio foi Angela, uma garota muito simpática, agradável, gentil e animada, que deu graça ao turismo.

20 Valle Jere (3)
Saíram de San Pedro e a Van foi em direção ao Valle ou Quebrada de Jeré, oásis em meio a seca do deserto, localizada ao redor de Toconao, aos pés de uma pedreira, é uma grande “caixa” de pedra vulcânica (liparita) rodeada por vegetação, que possui um “micro” clima especial, já que consegue florescer em meio as pedras.

20 Valle Jere (16)

Possui água doce, do Rio Toconao, que corre livremente, proveniente dos Andes, do degelo das montanhas andinas, que permite o cultivo de frutas (como a “pera de pascua”), hortaliças, através de um sistema de irrigação herdado dos incas, que permite direcionar a água, de forma a atender a todo o plantio uniformemente e de acordo com suas necessidades, através de placas que podem ser retiradas e alteradas, mudando a direção das águas.

20 Valle Jere (15)
Um sistema super interessante e que tem como objetivo que todos os agricultores possam ter uma boa colheita, aliás, na cultura Inca (herdada pelos atacamenhos) tudo deve ser dividido visando que todos prosperem conjuntamente e que a comunidade possa crescer.

20 Valle Jere (13)
Neste vale, outro fato interessante, herdado dos ancestrais atacamenhos, são as “cavernas” (como esta da foto) que eram utilizadas para armazenamento da colheita, protegendo-a do clima e possibilitando sua maior durabilidade.

20 Valle Jere (7)
A pedra liparita (também chamada de palomita) é utilizada na maioria das construções de San Pedro e região, é uma pedra vulcânica, branca e mole (e bem leve rsrsrsrsrsrsrs), que tem a propriedade de manter o ambiente aquecido à noite retendo o calor do sol recebido durante o dia.

20 Valle Jere (5)
20 Valle Jere (4)
A cobertura é feita com madeira de cactos ou cana, coberta com tamarugo, uma árvore que pode chegar a 25 mts, exclusiva do Chile, que cresce em condições desérticas, em solos salgados e sem a necessidade de chuva, utilizando-se do orvalho para se umidificar, seus ramos e frutos são usados como forração e sua madeira como lenha e carbono, além de poder ser utilizada como combustível natural.

Nesta Quebrada também puderam conhecer a Arte Rupestre.

20 Valle Jere (18)A arte, pintura ou gravura rupestre são termos usados para as mais antigas representações pictóricas conhecidas, sendo uma das manifestações mais importantes da arte pré-hispânica de Atacama. Utilizada, principalmente, como forma para indicar rotas e caminhos, áreas de caça, setores de água, delimitação de territórios ou simplesmente para desejar uma boa viagem. Os desenhos eram principalmente naturalistas como, por exemplo, camelideos, ou figuras abstratas. As técnicas mais utilizadas eram o Petróglifo, a gravação direta na pedra ou rocha, batendo ou raspando com outra pedra ou elemento mais duro. Pictografia: pintura nas pedras com misturas de pigmentos de terra com óleos animais, aplicada com os dedos das mãos. Pintura-gravação, mistura das duas técnicas, ou seja, incisões na pedra delineadas com pintura. Geoglifos, que são figuras de grandes dimensões feitas com o acúmulo de pequenas pedras sobre declives de colinas e riachos.

20 Valle Jere (19)
Em todo norte do Chile se encontram gigantescas e estilizadas manifestações de arte pré-histórica que adornam as altas ladeiras das  montanhas. Geralmente se encontram ao longo das antigas rotas do deserto e podem representar camelideos, serpentes, figuras humanas e desenhos geométricos.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (2)
Saíram do Valle de Jeré para o Salar de Atacama, que se localiza a 62 km ao sul de San Pedro, em uma altitude de 2.300 m.s.n.m., onde fica a Laguna Chaxa e a Reserva Nacional “Los Flamencos”.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (9)
O Salar do Atacama é o mais extenso em área, com cerca de 100 km de comprimento e 80 km de largura, abrangendo uma área de 3.000 km2, o maior depósito de sal do Chile, onde se localiza 40% das reservas mundiais de Lítio. Este salar é um grande lago de águas salinas, formado por águas da chuva do altiplano e das altas montanhas que não conseguem ultrapassar a barreira colocada pela Cordilheira de Domeiko e ficam estancadas nas bacias hidrográficas, que forma uma cortina branca e rugosa, de sal e outros sedimentos, e que são transportadas pela água e pelo vento. Algumas áreas da salina fazem parte da Reserva ecológica “Los Flamencos”, que concentra espécies de flamingos e outras aves, como nhandús, gansos, patos. O Salar faz parte do Sector Soncor, que é um sistema de lagoas e vales férteis.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (3)
Na superfície do Salar é possível observar crostas de sal, que são geradas pela constante acumulação de cristais produzidos pela evaporação das águas subterrâneas de intensa carga salina. Esses processos de evaporação resultam em diversos contrastes: Costas de cloreto constituem grande rugosidade com florações de até 70 centímetros de altura; crostas de transição de cloretos formam estruturas poligonais e crostas de sulfato originam superfícies lisas e secas.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (6)
A Reserva Nacional “Los Flamencos” foi criado em 1990 pelo CONAF (Corporação Nacional Florestal), esta reserva está dividida em sete setores localizados a diferentes alturas, com condições climáticas particulares, o que possibilita diferentes populações vegetais e animais. Alguns lugares da reserva possuem importância arqueológica já que neles se encontram vestígios de povos pré-colombianos, como a Aldea de Tulor, e o povoado de Toconao.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (7)
No meio da reserva se encontra a Laguna Chaxa, onde os Flamingos aproveitam para se alimentar, já que nela existe água proveniente dos Andes, que originam sistemas hídricos formados por um conjunto de corpos lacustres de baixa profundidade unidos por canais naturais.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (15)
No Soncor os sistemas lacustres podem se unir em épocas invernais, estes sistemas possuem escassa profundidade e a camada de fungos possibilita a vida de abundantes formas microscópicas de algas unicelulares e micro invertebrados. São eles que constituem a dieta dos flamingos do Sector.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (13)

A cor avermelhada de alguns locais da reserva, é graças ao betacaroteno, que confere as penas vermelhas aos flamingos.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (16)
A população de Flamencos Chilenos ultrapassa os 100.000 que se dividem em pequenas colônias pelo Salar de Atacama e Salar de Pujsa, além do Salar de Poopo, seu sítio reprodutivo de maior importância, no Salar de Atacama, a máxima abundância foi registrada no inverno, alcançando o número de 1060.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (8)
Depoimento Andréa: “As imagens são maravilhosas, estar tão próximo de uma natureza praticamente intocada e que conta a história da evolução da terra, é algo fantástico. O Valle de Jere é a personificação do que é um oásis, que em meio ao deserto consegue sobreviver e ter áreas verdes, é realmente magnífico. O Salar é extraordinário, são paisagens incríveis que não é possível descrever com palavras!”.

CONTINUA…………….
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Imagens de outro planeta: Valles de San Pedro de Atacama

10.12.2010 (tarde)
Valle de La Luna e Valle de La Muerte: Outro planeta na terra

Às 16h Jorge e Andréa estavam na porta da agência, e saíram em uma van, em direção ao Valle de La Luna, que está localizado a 19 km de San Pedro, foi declarado Santuário da Natureza. Conversaram e firmaram amizade com o casal carioca, Maurício e Lilian, e como eles tinham quebrado a máquina fotográfica, combinaram de tirar as fotos e trocá-las, após os passeios. Foi uma amizade instantânea, eles super animados, educados e gentis, logo faziam parte dos personagens desta aventura. O guia Salvador ia contando a história do lugar e fazendo todos vivenciar aquele outro mundo.

O Vale de La Luna é formado por uma depressa, de origem vulcânica, rodeada de pequenos cerros com impressionantes picos afiados modelados pelo vento, como Las Tres Marias, formação que é testemunha dos intensos processos de erosão e desgaste das rochas, sua composição é de cascalho, argila, sal, gema e quartzo. A idade desta formação é de cerca de um milhão de anos.

O Anfiteatro é uma formação geológica deformada pela ação do vento e da água e por movimentos da crosta terrestre e que deu origem a uma sequência de morros que se assemelham a um fole de acordeom.


Este vale charmoso por sua formação parecida com o vale Lunar (por isso leva este nome), se encontra em plena Cordilheira de Sal e na borda do Salar de Atacama. É um surpreendente espetáculo geológico de grande beleza, localizado a 2550 m.s.n.m., formado a cerca de 22 milhões de anos, quando se originaram as formações e dobras de camadas de sedimentos horizontais de um antigo salar, que converge em forma horizontal devido a constantes movimentos e dobras da crosta terrestre.

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Constitui um valiosíssimo reservatório de vestígios fósseis animais e vegetais, além de um âmbito onde a natureza tem formado, no terreno, estranhas formações que surpreendem ao visitante. Ali, os raios solares transformam em figuras fantasmagóricas as formações rochosas, enquanto o vento desenha na areia, nas rochas e nos minerais. O local recebe em torno de 15 mil turistas por ano.

Depoimento Andréa: “Olhando este visual você se sente, literalmente, em outro planeta. Parece algo tirado de Jornada nas Estrelas, é impressionante”.

Depoimento Jorge: “Fico até chateado de saber que tem um monte de viajantes que passam por aqui e ficam apenas uma noite, o suficiente apenas para descansar uma boa noite de sono e no dia seguinte seguem viagem, as vezes para Machu Picchu, as vezes para o sul do Chile ou até para Santiago. Acredito que 3 dias e 3 noites são o mínimo que todo turista deveria reservar para este lugar fantástico.”

 

A Cordilheira de Sal é um cânion de cerca de 7 km que possui pequenas cavernas onde se pode observar, e experimentar, o sal “gema” (cristal de sal), basta passar o dedo por estas rochas e você sentirá o gosto salgado das montanhas, os caminhos brancos são cobertos por sal. As curvas levam ao Valle de La Muerte, que tem esse nome porque nele foi encontrada pelos mineiros da região, uma quantidade enorme de corpos.

17-Valle-de-La-Muerte-%2820%29Durante o passeio passam pelo “Gran Pabellos” (Grandes Pavilhões), uma espécie de caverna onde se pode escutar o som da montanha, se ouve os barulhos dos cristais de sal se acomodando nas montanhas, estas se movimentam com a mudança brusca de temperatura entre o dia e a noite.

Depoimento Andréa: “A sensação é incrível, você escuta o deserto!!! Escuta a natureza! Aliás, esta é a grande maravilha de estar aqui: sentir o deserto!”.
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O Valle de La Muerte está localizado a cerca de 4 km de San Pedro e sua origem geológica é de um lago emergido, onde as antigas camadas horizontais de sedimento e rocha, datadas de 23 milhões de anos, tendo sido empurradas e dobradas pelo movimento da crosta terrestre que levantou a Cordilheira dos Andes, ficando algumas camadas em posição vertical. Nele, os aventureiros de plantão aproveitam para fazer “sandboard ou snowboard” nas montanhas de areia.

 

17-Valle-de-La-Muerte-%287%29Depoimento Jorge: “Li num monte de relatos que alguns viajantes não usam o serviço de agencia de turismo para ir até o Vale de la Luna por causa da pouca distancia até a cidade (19 kms +-). Grande erro! A quantidade de informação que é passada pelo guia enriquece demais o passeio. Se não estivéssemos usando o serviço do guia, nem saberíamos que estas formações rochosas eram de sal.
Aprendi uma lição nesta viagem: o gasto com serviço de guia de turismo não é uma despesa, um gasto. É um investimento, na sua viagem e no seu conhecimento.”

 

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Por estas montanhas um dia já passou um rio!

 

Este aí do lado é o guia Salvador!

 

17-Valle-deSobre as dobras se depositaram frações de rochas e cinzas devido a atividades vulcânicas do passado, fato que confere as montanhas uma variação de cores, cujas camadas são provas da ação da natureza durante os séculos. Hoje em dia estão constituídas por rochas sedimentárias com intercalações de sal, gesso, clorato, borato e argila que afloram nas montanhas.

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O vento e a ação de outros agentes atmosféricos talharam formas esculturais com picos, montes e cavidades que transformam o vale em uma paisagem extraordinária, única no país. A ausência de animal e vegetal, a falta de umidade, o faz ser o canto mais inóspito da terra.
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O casal também visitou um Observatório ao ar livre, afinal o Deserto do Atacama é um dos melhores lugares no mundo para se observar o céu, como dizem : “são abençoados por Deus”. A falta de umidade impede a formação de nuvens, o que possibilita um céu sempre limpo, favorecendo o posicionamento dos observatórios, por este motivo é que neste lugar estão instalados os melhores telescópios do hemisfério e o projeto mais ambicioso da história da observação do espaço na terra, o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) (“não é incrível a sigla ser esta palavra tão profunda” Andréa), que terá 64 antenas que, somadas, formarão um radiotelescópio gigante.

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Este megaprojeto é fruto da parceria de países europeus, americanos e asiáticos e será instalado a cerca de 50 km a este de San Pedro, será um observatório espacial de alto padrão a fim de estudar e conhecer o universo, a origem dos corpos celestes, as estrelas e a formação das galáxias. O projeto buscará captar ondas de rádio e luz do universo por meio das antenas que terão de sete a 12 metros de diâmetro e poderão ser movimentadas e distanciadas umas das outras em até 16 km, proporcionando um poderoso zoom variável.
O complexo “Alma” será instalado em uma região de mais de cinco mil metros de altitude, pois segundo estudos, os lugares altos e secos propiciam melhores condições de observação. Acredita-se que o telescópio terá visão até dez vezes mais precisa do que a do Hubble, a primeira missão da NASA pertencente aos Grandes Observatórios Espaciais. O observatório do ALMA decifrará comprimentos de ondas de luz desde seu brilho em nuvens frias no espaço. O telescópio ainda se destaca por investigar o universo a comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos com precisão e resolução sem precedentes.

 

19-Puesta-del-Sol-em-Valle-de-La-Luna-%282%29Depoimento Andréa: “Após andar por todo este “planeta surreal”, fomos levados a subir em uma grande duna de areia, cerca de 300 mts andando na areia fofa, sob um vento forte, que faz um atleta se cansar, tudo isso para assistir a um pôr-do-sol, mas não é apenas isto, é um MARAVILHOSO pôr-do-sol, daqueles inesquecíveis pelo resto da vida, as pessoas se acomodam onde tem espaço, porque são muitas pessoas, alguns mais corajosos e com mais disposição ainda sobem por mais montanhas de areia. O que vale mais do que ver o sol indo embora, são as imagens do lado oposto ao poente. As montanhas mudam de cor e tomam um tom avermelhado, que as deixa com um visual MAGNÍFICO! A emoção novamente faz parte deste outro momento mágico! Talvez as imagens consigam mostrar um pouquinho do que vimos!”.

 

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O sol se põe na Cordilheira de Domeiko, cuja maior altitude é o Cerro Quimal, de 4278 m.

 

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Um mundo de gente sobe por um caminho demarcado (aliás em todos os passeios isso fica bem explicado e é TERMINANTEMENTE PROIBIDO sair desta demarcação), subindo numa fila indiana, alguns mais rápido, outros nem tanto, chegam ao topo da duna e vão se acomodando onde é possível para assistir a este espetáculo da natureza.
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E olhem quem está aí, ao fundo da paisagem cuidando do anoitecer no Deserto!!! O Licancabur!!!

 

Chegaram de volta a San Pedro as 20h, tomaram um bom banho e saíram para jantar, por indicação dos amigos cariocas, foram conhecer o Restaurante Delicias da Carmen, que já estava quase fechando, por ser um dos poucos restaurantes que fecham cedo (pois trata-se de um local para os atacamenhos comerem, mas que os turistas adoram).

 

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D. Carmen carinhosamente aceitou atender o casal, onde comeram pastel de choclo (foto demaladamenina.blogspot.com, já que a máquina do casal estava carregando a bateria), que nada tem a ver com o pastel brasileiro, pois é uma mistura de carne, frango, presunto, muito milho, cebola e temperos variados.
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Veja as imagens dos passeios do dia!!!

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 0
Abastecimento: 0
Hospedagem: Pousada Don Raul – http://www.donraul.cl/
Valor da diária: $ 38.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (primeiro no estilo brasileiro de Buffet)
Gasto total (com alimentação): R$ 210,00*
*Não incluso valor das entradas dos passeios:
Instituto de Investigacones Arqueológicas y Museo Le Paige: $ 2.500 por pessoa
Valle de la Luna: $ 4.000 pesos por pessoa
(obs: cotação do dia: 288 pesos = 1 real)
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Lugar INESQUECÍVEL!!!!

10.12.2010
Conhecendo San Pedro de Atacama

O casal acordou por volta das 7h., tinham muito o que conhecer… O café da manhã da Pousada era excelente, estilo Buffet (coisa rara tanto no Chile como na Argentina). Decidiram levar as roupas para lavar, já que estavam ficando sem roupas limpas, devido à quantidade possível de carregar em uma viagem de moto. Encontraram a Lavanderia Loma Sanchez, gastaram mais de $5.000 pesos e a roupa pareceu que sequer foi lavada, isto mesmo, ao retirarem as peças, viram que a sujeira estava exatamente no mesmo lugar, acreditam que apenas foi passado água, mas sabão, nem de longe.

Tiveram alguns problemas com o saque de dinheiro, nenhum dos dois bancos 24 horas existentes em San Pedro estava autorizando o saque do Bradesco, o que foi resolvido trocando-se os dólares levados para emergências (como esta), já que tudo é mais bem negociado em San Pedro, quando se tem “dinero em las manos”.

Toda a cidade é protegida pelo Vulcão Licancabur, que cuida do povoado de dia e de noite e pode ser visto de vários pontos.

O Licancabur é um vulcão localizado entre o Chile e a Bolívia, está a 5930 a.s.n.m., dominando a paisagem do Salar do Atacama, e a seus pés se encontra a Laguna Verde; é possível avistá-lo o tempo todo. É considerado um vulcão semi-ativo, mas não há registro oficial de sua última erupção.

15-San-Pedro-de-Atacama-%288%29San Pedro de Atacama é uma província, da região de Antofagasta, que se encontra na bacia do Grande Salar de Atacama, na zona andina do Deserto, rodeado por três cordões montanhosos que impedem a passagem de ventos úmidos. Possui uma área de 23.438 km quadrados e uma população de cerca de 5.000 habitantes. Está a 2.400 m.s.n.m., por ser bem isolada é considerada um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro. O verde das plantas que crescem sobre este oásis constitui uma interrupção e um descanso na aridez do deserto. Este é alimentado pelos rios San Pedro e Vilama, que nascem na montanha, e cujas cheias estão relacionadas ao desgelo do verão.

Esta cidade oferece temperaturas muito agradáveis, céu límpido e sol radiante durante 90% dos dias do ano. A água é um elemento escasso e as cadeias montanhosas da região impedem a penetração de ventos úmidos, o que lhe confere uma aridez. As temperaturas oscilam, podendo chegar a 40º.C durante o dia e vários graus abaixo de zero à noite. Em San Pedro, registra-se uma média que vai de 8º.C a 23º.C no inverno e de 12º.C a 25º.C no verão, com máximas que podem ultrapassar os 30º.C. As chuvas podem alcançar entre 50 e 100 mm por ano, e são ocasionais.

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Os moradores de San Pedro contam que em 2009 choveu um dia, por cinco minutos, em 2008, foram três dias, por cerca de 45 minutos, no total. A umidade relativa do ar é de cerca de 20%, porém neste período estava 10%. Só para se ter uma comparação em Salvador, no mês de Julho de 2010 choveu nos dois primeiros dias o equivalente a 120 mm (mais do que a máxima possível em Atacama). A umidade do ar em Lauro de Freitas oscila entre 70 e 95%, cerca de cinco vezes mais que em San Pedro.

A leste se encontra a Cordilheira do Andes, formada por uma grande quantidade de vulcões com altitudes que oscilam entre 4.500 e 6.000 m.s.n.m, se destacando os vulcões Licancabur, Lascar, Sairecabur e Putana, que provocam as atividades vulcânicas que se refletem nos geysers e nas lagunas altiplânicas (mas estes serão outros capítulos desta história).

A oeste se encontra a Cordilheira de Domeyko, com uma altitude de 3.300 m.s.n.m., e ao seu lado se encontra a Cordilheira de La Sal, com seus 2.500 m.s.n.m., formada por dobras de cortes terrestres e modelada pela erosão dos ventos e das águas, onde está localizado o Valle de La Luna (também um outro capítulo).

O sistema hidrográfico da região é endorréico: a água não chega ao mar, evapora-se antes, dissolvendo os sais do solo. Quando a evaporação é maior que a afluência da água, são formadas grandes concentrações de sal, como é o caso do Salar de Atacama (que também vai ser contado em outro momento), que se encontra ao sul de San Pedro.

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Apesar de isolada no coração do deserto mais árido do mundo, San Pedro tem uma vida agitada, principalmente à noite, onde bares e restaurantes ficam lotados de pessoas de toda parte do planeta, você se sente na Torre de Babel e as diversas línguas se confundem com a música atacameña tocada em todos os cantinhos da cidade.

15-San-Pedro-de-Atacama-%2817%29Acredita-se que a chegada dos primeiros habitantes nesta terra tenha sido entre 10.000 e 1.500 A.C., este povo vivia nas “quebradas” entre a bacia do Salar e a puna, em busca de vegetais e animais que garantiam seu sustento. Surgem os caçadores de camelos, se desenvolvem os instrumentos de pedra e as lanças de caça.

Por volta de 1.500-200 A.C., se começa a viver em aldeias e surge a vida familiar e comunitária, surge uma nova forma de convivência social que dá lugar a uma nova ordem política e econômica, se fortalecem as crenças e cosmovisões. Através da domesticação do guanaco, se cria a lhama. Introduz-se o cultivo do milho e da quinua e o tear e a cestaria. As crianças são vistas como mensageiros, começam as caravanas de interação com outros povos e a construção das aldeias (principalmente a de Tulor).

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Entre 200 A.C. – 500 D.C. se consolida a identidade da cultura atacamenha, começando pelo idioma kunza (que significa “nosso”), e baseada na criação de objetos cuja presença de características como as formas, cores, desenhos, se diferenciam de outras culturas vizinhas. Começa uma vida definitivamente sedentária, sustentada pela integração do pastoreio com o cultivo e no gado de lhamas e alpacas, das quais se aproveitam a carne e a lã, além de serem meio de transporte que auxilia no intercâmbio com outros povoados. Intensifica-se a atividade de criar rede de integração com outros povos de puna meridional, facilitando o acesso a uma gama de bens. A cerimônia funerária adquire relevância e surgem as primeiras tábuas para inalar alucinógenos. Cria-se a ordem hierárquica: nasce os chefes cujo símbolo de poder é o machado.

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Nos anos 500 – 900 D.C., Tiawanaku se converte no primeiro estado Sudamericano, influenciando fortemente a cultura atacamenha e toda região andina. Esta nova cultura chega através das sedes local, que estavam na esfera Shamânica, que adotaram novas crenças e novos deuses em sua cosmo visão. Ao ser adaptada pelos atacamenhos, surgem algumas modificações importantes, que levam uma maior complexidade a esta cultura, como a complementaridade e a reciprocidade.

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Surgem os sacrifícios humanos, se consolida o uso da folha de coca, facilitando seu acesso. Acreditam na vida depois da morte, enterrando seus mortos com vestuário e alimento para sua viajem além da vida, adoram distintas forças da natureza. Os pilares Tiawanaku eram sua cosmovisão e a rede de interação comercial com a puna, culminando com a queda do estado Tiawanaku, devido, aparentemente, às mudanças climáticas que originaram uma forte seque na região. Fortalecem-se os senhores atacamenhos, que cada vez contam com objetos de maior valor.

Entre os anos 1.000 – 1.540 D.C. ocorre a queda do estado Tiawanaku, levando a consolidação do senhor atacamenho, havendo uma mudança no mando político que teve um caráter mais guerreiro que shamântico. Se constrói PuKarás (fortalezas), pela necessidade de se defender.  Quando os atacamenhos se organizaram em um moderno sistema sócio-político, chegou o Império Inca, que impôs de forma pacífica um novo modelo de estado. Criação dos santuários das Alturas: Licancabur, Pili, Chilques, Llullaillaco e Cerro Quimal. Desenvolve-se a mineração e metalurgia.

15-San-Pedro-de-Atacama-%2816%29Começa a incorporação do império Inca através do novo senhor Pachacuti Inka. Assim, o povo atacamenho se incorporo ao Tawantisuyo, ajustando-se novamente a uma nova ordem de estado, com dimensões que abarcaram muito mais do que a região andina.

A conquista espanhola se dá entre os anos 1540 – 1590 D.C., pouco tempo após a chegada dos incas (cerca de 100 anos), os espanhóis chegam na América e com sua implacável conquista, terminaram por engolir a cultura atacamenha. Tomaram Pulcará de Quitor e decapitaram 300 cabeças que foram exibidas como forma de amedrontar o povo.

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Logo depois da tomada de pukará de Quitor, houve uma resistência que durou 50 anos, quando foram construídas a “Casa de San Pedro de Valdivia”, localizada na praça central de San Pedro de Atacama.

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Nesta época, também é construída a Igreja de San Pedro de Atacama, até que os espanhóis conseguiram submeter os atacamenhos ao seu sistema sociopolítico e cultural da colônia. Os atacamenhos chegaram a ser o povo mais desenvolvido do Chile.

15-San-Pedro-de-Atacama-%286%291 Atualmente San Pedro é considerada a capital arqueológica do Chile, e um principal ponto turístico do país, por agregar paisagens charmosas, céu azul e impressionantes cenários que a cercam e possibilitam excursões para os visitantes aventureiros.

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Aproveitaram a manhã para andar pela vila e conhecer alguns pontos turísticos, como a Municipalidad, localizada em frente a Praça Central (e única) da cidade, a Feira de “Artesanias” (muito cara, mas com coisas lindíssimas), e o Instituto de Investigaciones Arqueológicas y Museo R.P. Gustavo Le Paige, parte integrante da Unversidad Católica Del Norte.

 

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O Instituto foi criado em 1984 com a finalidade de dar continuidade ao importante legado do sacerdote belga, cuja transcendência excedeu as fronteiras nacionais. É por ele que o instituto se fortaleceu na área de investigação e docência, incrementando e projetando o conhecimento em temas ligados a arqueologia e antropologia, inseridos na região por Le Paige na década de 1950.

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Museu é um depósito e guardião das coleções arqueológicas e etnográficas recuperadas por Padre Le Paige, que radicou-se em San Pedro em 1955, começando, em paralelo ao seu trabalho pastoral, um estudo e a busca de restos do passado atacamenho. Em 1957 inauguro, junto com seus colaboradores, o primeiro museu em sua casa paroquial. Em 1963, com o apoio da Universidad Católica Del Norte, deu o primeiro passo para o primeiro pavilhão do atual museu, localizado no centro de San Pedro.
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De formação recente, a área museológica conta com quatro unidades especializadas supervisionam a devida conservação, documentação, exibição e difusão de mais de 300.000 peças da coleção. Busca adequar as necessidades atuais com a herança de Le Paige, em especial sua larga inserção dentro da comunidade atacamenha.

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E notem o Licancabur (que significa proteção ao povo) ao fundo olhando pelo “pueblo”. Muitos estudos indicam que as cidades foram construídas, não por acaso, próximo a estes gigantes, como forma de proteção, já que suas crenças adoravam o Sol, outros deuses e as manifestações da natureza, como algo importante na vida humana.

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Andaram por toda Rua Caracoles e escolheram o Restaurante “Sairi” para almoçar, comeram “pollo con mostaza” ao som do Rappa, colocado assim que perceberam que o casal era brasileiro. Eram os únicos no restaurante, afinal, ainda era muito cedo (por volta das 13h.) para o almoço em San Pedro, já que o pessoal fica até altas horas nos bares da cidade, que começa a se movimentar depois das 11h da manhã. Jorge quis jogar Taca-taca (totó/pebolim) com os funcionários, mas quando acabaram de almoçar já chegavam clientes no restaurante.
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Agora a cerveja era chilena, mas o molho pebre (que conhecemos na Argentina) continuava a ser servido com pães deliciosos.

 

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Muitas são as opções de agências de turismo que realiza os passeios pelo deserto, e uma dica: não deixem de contratá-las, o preço não é baixo, mas vale a pena pelas explicações, lugares visitados, e para evitar o desgaste do veículo próprio, que no caso da moto, não passaria por muitos lugares devido ao tipo de solo. O casal escolheu a Desert Adventure (Rua Caracoles esquina com Tocopilla) para realização dos passeios turísticos, fecharam um pacote no valor de $ 40.000 por pessoa (exceto as entradas dos parques) para conhecer o Valle de La Luna e Valle de La Muerte, com o pôr do sol incluso, o Salar do Atacama, com a Reserva Nacional dos Flamencos e as Lagunas Altiplânicas e Gêiser Del Tatio. Na agência fizeram o primeiro contato com um casal de brasileiros, que viriam a reencontrar mais tarde.

Combinaram realizar o passeio ao Valle de La Luna e de La Muerte para o mesmo dia, a saída foi marcada para as 16h. O guia turístico foi Salvador, um cara super animado, muito simpático e carismático. Na van, conheceram um casal carioca, que também estava conhecendo o Chile e San Pedro de Atacama, foi uma amizade instantânea, daquelas que parecem se conhecer a tempos!

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Bienvenidos a San Pedro do Atacama

09.12.2010
Bienvenidos a San Pedro de Atacama

15-San-Pedro-de-Atacama-%2840%29Chegaram a San Pedro de Atacama por volta das 18h. e se hopedaram na Pousada Don Raúl, uma pousada aconchegante, na rua principal de San Pedro.

Os quartos são feitos de adobe e terra, o que lhe confere, como em Purmamarca, um ambiente agradável tanto de dia como a noite, e a moto em frente à porta, novamente para felicidade e tranquilidade de Jorge.

 

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Após um ótimo banho, saíram para conhecer um pouco daquela cidade que mais parecia saída de um sonho, ou de um filme de faroeste. As ruas de areia, as construções de adobe, e cercada por enormes montanhas. Pararam para jantar no restaurante La Casona, onde a comida foi servida de forma exótica e com um aroma delicioso. Andréa experimentou a quinua, uma planta nativa da Colombia, Peru e Chile, grão indispensável na alimentação e à vida do homem no altiplano andino, conservadas por quéchuas e aymarás, é servida em saladas, pratos quentes, feita como o arroz. Gasto: $ 11.000 pesos.

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Situações engraçadas: “Como a maioria dos pratos no Chile, e na Argentina, não são acompanhados por nada além da carne e algumas verduras, decidimos pedir uma porção de arroz. Perguntamos então para a garçonete, que fazia esforço em nos entender e nos ajudar na escolha do prato, se tinha uma porção de arroz, ela questionou se era cru ou cozido, o que nos causou estranheza, mas informamos ser cozido. Depois de um tempo, decidimos perguntar novamente, pois ficamos com aquela sensação de não compreensão rsrsrsrsr Dito e certo, ela tinha entendido ajo, que significa alho!!!!!!!!!!! Ficamos só imaginando ela fazendo o pedido na cozinha e o povo dizendo: “nossa estes brasileiros tem cada gosto, querem uma porção de alho, mas quanto será uma porção de alho cozido??!!!!!!!!!!!!!!” Kkkkkkkkkkkkkk demos muita risada!”.

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Neste restaurante Andréa e Jorge puderam reencontrar os viajantes do sul e trocar emails, informações sobre a viagem, dicas e dar boas risadas juntos, comentando sobre as aventuras de ultrapassar a cordilheira.

 

Outro fato engraçado: “Em dado momento entrou no restaurante um grupo musical, tocou algumas músicas, ofereceu seu CD e, de repente, muito de repente, pegou os instrumentos e foi saindo do salão, meio correndo. Ficamos sem saber se fazia parte da apresentação ou se eram ilegais rsrsrsrsrsrsrsr e estavam fugindo de alguma fiscalização!”.

Aliás bons restaurantes, inúmeras pousadas, lojas de artesanato e agências de turismo é o que não falta nas poucas ruas de San Pedro. Contam os chilenos que San Pedro tem os melhores e mais caros hotéis do Chile e que este turismo é o mais caro do país. Em San Pedro se encontram os melhores resorts do Chile, que têm até Spa, entre eles o Kunza Hotel & Spa, o Hotel de Larache e o Tierra Atacama Hotel & Spa.

Depoimento Andréa: “Atravessar a Cordilheira foi maravilhoso, mas chegar em San Pedro de Atacama é inesquecível… é uma cidadezinha no meio do Deserto do Atacama, com cerca de 15 ruas onde circula gente do mundo inteiro pelas lojinhas, restaurantes e pelas ruas cheias de areia, isso, muita areia, e uma secura que está nos rendendo cabelos, pele, lábios e nariz ressecados e rachados, mas imaginem: muito ressecados. Vou dar um exemplo: enquanto estou passando hidratante nos braços, ao chegar nos ombros, o que estava próximo das mãos já secou!!! E os cabelos, que ficam todos espetados, é engraçado… Mas tudo isso vale a pena quando começamos a conhecer San Pedro. Porém não basta apenas vê-la, é necessário senti-la para se ter uma idéia do que tudo isto representa!”.

Após uma volta na cidade, o casal preferiu descansar… afinal, muita coisa os aguardava nos dias seguintes.

Para conhecer mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(licor)

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Superando La Cordillera de los Andes!!!!!!

9º. Dias – 09.12.2010

  Purmamarca – AR – San Pedro de Atacama – CH

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Saíram de Purmamarca às 09h. Sabiam que este seria o dia do desafio mais importante: Ultrapassar a Cordilheira dos Andes. Enfim, chegou o momento mais esperado e, provavelmente o mais difícil.

Como sabiam que iriam passar frio, decidiram já sair agasalhados, até porque em Purmamarca já sentiam os ares mais gelados dos Andes, embora não usando ainda toda a roupa trazida para a ocasião.

Por indicação do amigo Dieter, Jorge e Andréa tomaram Diamox ontem e hoje pela manhã, e segundo sugestão de outros viajantes e do dono da Hosteria, Sr. Bilbo, deveriam parar em Susques e comprar folhas de coca para mascar durante a subida e não comer muito, para evitar os enjôos comuns na altitude.

Saíram confiantes, embora com certo “frio na barriga”, como disse Jorge ao ver a grande muralha…

A última imagem de Purmamarca, ao sair da cidade, é o “Cerro de los Sete Colores”, e assim se despediram deste “pueblo encantador”.

A estrada agora os levaria ao objetivo maior da viagem : San Pedro de Atacama, através do Paso de Jama, ponto mais alto do percurso.

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Alto em todos os sentidos: de altitude mesmo, de frio, de emoção, de superação e de algo que eles nunca tiveram contato na vida: o deserto mais árido do mundo.

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Novamente puderam ver os “Los Cardones”, agora em tamanhos menores, mas não menos bonitos.

 

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Jorge fez questão da foto com a Cordilheira ao fundo… lembrando que a do blog foi uma montagem, queria ter uma foto de verdade.

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Uma das coisas interessantes de andar pelo deserto é que em meio a tanta pedra, tanta secura e tanto isolamento, surgem “Oasis”, pequenas plantações e casinhas em meio ao nada.
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A estrada construída para ultrapassar esta barreira gigante não poderia ser com mais curvas. Viagem emocionante não apenas pelas paisagens, mas, principalmente, pelo trajeto realizado, serpenteando as grandes montanhas.
Pareciam estar no topo do mundo, mas ainda não tinham chegado nem perto dele.
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Olhem “La Cordilheira” a frente da estrada… o topo do mundo ainda estava a alguns kms de distância e a paisagem ficava cada vez mais “desértica”…

…com vegetação rasteira e os animais donos das alturas: vicunhas, guanacos e lhamas.Estes animais fazem parte das imagens do deserto, assim como a vegetação cada vez mais rasteira e em tons de amarelo, chamada de xerófila, vegetação adaptada à aridez.
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A vegetação possui raízes compridas, aprofundando-se bastante no solo para buscar água.  Apresenta folhas pequenas e muitas vezes cobertas de ceras, para diminuir a evaporação (perda de água). Possuem também, folhas em forma de espinhos para diminuir a evaporação.

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O Atacama é um deserto costeiro, é o mais alto e seco da Terra. Nele, uma chuva possível de ser medida – isto é, de um milímetro ou mais – pode ocorrer uma vez a cada cinco ou até a cada vinte anos.

De acordo com estudos realizados sobre o Deserto do Atacama, nele ficou sem chover mais de 400 anos, o que lhe conferiu a aridez hoje vista.
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E imaginem: o Deserto do Atacama um dia foi mar, após inumeros vulcões entrarem em erupção, provocando abalos sísmicos e estruturais, a Cordilheira dos Andes surgiu de um lado e a Cordilheira de Domeiko de outro, suas águas, então represadas, foram evaporando, restando inúmeros Salares, como as Salinas Grandes (este tom de branco visto ao pé da Cordilheira). Mas restaram algumas lagunas…. que logo vocês vão poder conferir!

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As Salinas Grandes estão a 3600 mts de altitude e seu contorno se destaca no horizonte a muitos quilômetros de distância. Quem chega a Salinas fica extasiado diante do mar de sal. A beleza do salar se une ao céu azul, refletindo uma luz muito especial.

Esta salina é um sedimento químico de evaporação, que se divide em três tipos de zonas dentro do salar: “La salina poligonal”, “las eflorescências salinas” e “La limosa”.
“Las Salinas Grandes” tem o silencia, o prazer do ar puro, e seus 524 mil metros quadrados, fazem dela um marco de notável beleza natural.
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Após atravessar o ínicio do deserto, chegaram a Susques, a última cidade antes de chegar ao Paso de Jama, antes de começar a subir a Cordilheira.

Aproveitaram para comprar as folhas de coca, que nesta região são vendidas em qualquer comércio, como folhas de louro ficam em sacos enormes e são cobradas por peso.

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Também aproveitaram para abastecer, já que acreditavam ser este o último posto antes de da Cordilheira, mas não é!!!

Posto de uma única bomba, que tem tanto adesivo que Jorge teve dificuldade de encontrar um espacinho para deixar o do seu Moto Clube Rota 99.

Você consegue encontrar??
Junto ao posto havia o Hotel e Restaurante Pastos Chicos, de um pessoal super receptivo e simpático. A galera da foto é o dono do Hotel e os jovens são aprendizes de hotelaria e 13-Purmamarca-Susques-%2824%29restaurante, ele cede o espaço para que esta turma possa apreender a empreender e monte seu próprio negócio em Susques, para melhor atender o turista.
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Este pessoal adorou ouvir os viajantes falar português e fizeram várias perguntar para Andréa sobre a pronúncia das palavras.

Depoimento Andréa: “Foi uma conversa divertida e que marcou nossa passagem por Susques, com certeza não iremos esquecê-los e esperamos reencontrá-los um dia”.

13-Purmamarca-Susques-%2822%29O casal aproveitou a hospitalidade para comer uma “media luna”, tomar um café quentinho e colocar mais roupas. A Andréa usou tudo de frio que tinha direito, já que estava sentindo o frio das alturas e ainda iam subir muito.

Jorge e Andréa retornaram a estrada, deixando prá trás uma torcida especial pelo sucesso de sua aventura.

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Enfim… estavam atravessando a Cordilheira dos Andes, pelo famoso Paso de Jama.

 

 

 

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Pouco antes de chegar a Aduana Argentina, fizeram uma parada em um último posto de abastecimento, para beber água e esticar as pernas. Neste posto encontraram outros aventureiros brasileiros, o Clemir e Neréia e o Cláudio, que estavam vindo do Rio Grande do Sul em direção a San Pedro.

14-Susques-San-Pedro-Paso-de-Jama-%285%29Passaram pela Aduana Argentina sem qualquer dificuldade, inclusive nos passando na frente de um ônibus lotado de turistas argentinos que seguiam em direção ao Chile.

Logo estariam em solo Chileno…

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Após passar o limite Internacional, começaram a subir cada vez mais alto… e ver imagens que se pode chamar de surreais.

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A flora é composta por ervas e flores como a llareta, a grama salgada e o tomilho, por árvores como o chañar, o pimiento e o algarrobo, característicos por sua frondosidade e o agradável remanso oferecido pela sua sombra.

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Mais sal pelo caminho… passaram pelo Salar de Tara. Em 1996, Salar de Tara foi designado a Wetland de importância internacional pela Convenção de Ramsar. Caracteriza lagos permanentes e seasonal. Entre eles, o principal é o Lago Tara, que é alimentado pelo rio de Zapaleri.

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O Salar de Tara fornece o habitat para várias e raras espécies animais selvagens que estão em perigo. Viscacha da montanha, Vicunha, a Alpaca, além do Ganso Andean, a Puna Tinamou e as três espécies de flamingo que habitam o Chile e são consideradas vulneráveis.

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Quando acreditavam já ter visto algo magnífico, outra visão extraordinária se apresentava aos olhos admirados diante de imagens tão deslumbrantes e diferentes, como as lagunas altiplânicas, águas rodeadas de sal, que surgem em meio ao deserto.

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Na estrada, super bem sinalizada, bem asfaltada e limpíssima, algumas placas como esta,  os acompanharam e lembraram todas as serras por onde passaram, estas placas indicavam a queda de pedras… também, com tantas, seria difícil que elas não caíssem morro abaixo…

 

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Em dado momento da viagem, Andréa pediu para Jorge parar um pouco a moto para descansar, porém ao descer da moto, percebeu que estava passando mal. Jorge aproveitou para fotografar a cena… e para mostrar a altitude: 4704 acima do nível do mar.
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Mas o GPS indicava que já haviam chegado a 4804 mts, agora começavam a descer…

Depoimento Jorge: “Lembram que há dois dias atrás eu dizia que a primeira imagem da cordilheira era perturbadora e que bateu um certo medo de passar mal ao subi-la? Pois é. A surpresa que nos aguardava foi que ao invés do fumante passar mal, quem passou mal foi a Andréa!!!

Ficamos uns 15 minutos parados a 4700 metros de a.s.n.m. esperando ela se recompor. Eu aproveitei e assumi a maquina fotográfica para registrar aquela “cena improvável”. Apesar de eu estar me sentindo bem, a falta de ar era impressionante. Tudo tinha de ser feito bem devagar, em câmera lenta. Meu medo era se ela desmaiasse ali. Aí a coisa iria ficar complicada.
Se já não estivéssemos alto o suficiente, depois que começamos a rodar novamente ainda subimos um bom tanto, mas não registramos porque o GPS foi desligado por falta de bateria.”

Depoimento Andréa: “Não sei o que aconteceu, comecei a ficar com moleza no corpo, precisei sentar… precisam ver a cara do Jorge quando disse que ia deitar um pouco… aí ele é que quase desmaiou de susto hehehehe Dizia: não, por favor, tente não deitar… Não tinha dor de cabeça, ou enjôo, apenas fraqueza, acho que o comer pouco foi muito pouco pra mim… o pior é que suei frio e suar frio no frio, de moto, não é nada agradável… quando voltamos a andar achei que ia congelar… rsrsrsrsrsrsrs”.

 

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Após Andréa melhorar e conseguir subir na moto, seguiram caminho, Andréa ficou tão bem que conseguiu até dar continuidade às fotos, ainda bem, pois pode fotografar uma visão MARAVILHOSA: o Vulcão Lincancabur, marca registrada de San Pedro de Atacama, dá as boas vindas aos viajantes… estavam quase chegando…

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Enfim, depois de muito subir, desceram super rápido, cerca  de 2000 metros em 40 km…

Chegaram a San Pedro de Atacama por volta das 18h.

 

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Eis a Aduana Chilena, pela qual também passaram sem qualquer problema e onde encontraram outros viajantes, alguns chegando, outros indo embora.

Depoimento Andréa: “Saímos de Purmamarca rumo a Cordilheira. Ver a Cordilheira no horizonte é emocionante, quase inacreditável, imaginar superá-la é algo que dá um frio na barriga rsrsrsrs, mas a encaramos de frente rumo ao objetivo maior da viagem, chegar a San Pedro de Atacama. Com a subida surgem imagens inacreditáveis, mas também chega o frio, não temos idéia de quantos graus atingimos, mas podemos garantir: fazia muito frio. Começamos a ver as lhamas, vicunhas e guanacos, ainda não sabíamos diferenciar direito um do outro, depois aprendemos rsrsrsr e continuamos subindo!!!!!! A Cordilheira è GIGANTESCA!!!!!!!!!!!!!! As imagens são de outro planeta!!!!!!!!!! Não tem como explicar, palavras não vão conseguir expressar tamanha beleza e grandeza, tampouco o que sentimos em estar ali, vendo tudo aquilo como se fosse um sonho… Água em um deserto já é incrível, imagine então saber que este branco em volta delas é sal…..Subimos tanto que passei mal… também chegamos a 4804 mts de altitude… para quem saiu de 0 a beira mar, é ALTO DEMAIS!!!!!!!!! Mas valeu a pena cada segundo!!! A hora que vi o Vulcão Lincancabur, foi uma emoção incrível… estávamos no Deserto do Atacama”.

Depoimento Jorge: “Depois que passamos a aduana argentina a 4230 metros de altitude, ainda fomos subindo, subindo, uns retões enormes, mais subida, e quando parecia que já tínhamos subido tudo o que era possível, subia-se mais um pouco. O legal é que esta cordilheira não é como uma montanha em que você sobe de um lado e quando chega-se ao cume você começa a descer do outro. Ficamos andando pelo “altiplano” por uns 100 kms ou mais, vendo paisagens inacreditaveis. Eu que fiquei por mais de um ano pesquisando informações e lí uma centena de relatos de outros moto-aventureiros que já fizeram esta viagem, já estava até familiarizado com as fotos desta travessia pelo Passo de Jama. Mas como já foi dito neste blog tantas vezes, as fotos não conseguem transmitir a grandeza e a beleza deste lugar. Bateu uma emoção forte nesta parte da viagem. Ainda nem tínhamos chegado à metade da viagem e o sentimento de superação e sonho realizado já era forte.

Mas se a subida foi feita aos poucos, a descida foi vertiginosa. Estávamos a aproximadamente 5000 metros de altitude e num retão de 40 kms estávamos em San Pedro de Atacama, a 2400 metros de a.s.n.m.
Os ouvidos pipocavam sem parar e a cada km rodado parecia que tinha um pouquinho mais de ar para respirar. Imagino que quem faz o caminho inverso e pega essa subida logo ao sair de San Pedro deve sofrer um bocado. Principalmente a moto deve sofrer!!!
A sensação de calor ao chegarmos em San Pedro era absurda. Vinte minutos atráz estavamos a alguns graus abaixo de zero. Paramos em frente à aduana chilena, que fica na entrada da cidade de San Pedro, sob um sol escaldante e uns 30 graus à sombra, vestidos com um monte de blusas por baixo da jaqueta de cordura, luva de lã por baixo da de couro, 2 balaclavas, 2 calças, 2 meias de lã bem grossas, etc…
As blusas, balaclavas e luvas foram fáceis de tirar. Já as calças e meias teriam de esperar até acharmos uma pousada, coisa que demorou uma hora mais ou menos. A primeira coisa que fizemos quando pegamos o nosso quarto na pousada foi tomar um bom banho. A roupa de cordura fedia mais que uma lhama…”

Acompanhe nossa viagem no vídeo abaixo…

Total de Km Rodados: 435
Abastecimento: 30 litros
Hospedagem: Pousada Don Raul – http://www.donraul.cl/
Valor da diária: $ 38.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (primeiro no estilo brasileiro de Buffet)
Gasto total (com alimentação): R$ 260,00
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A Incrível Purmamarca!

8º  Dia –08.12.2010
Salta – Purmamarca – AR
Decidiram sair de Salta por volta das 15:30h rumo a Purmamarca, assim ganhariam um dia de viagem, que poderiam usar em outra ocasião.
Por indicação de Hector fizeram um caminho através de uma serra, linda, porém estreita e bastante movimentada de animais na pista, mostrada no vídeo…

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Chegaram a Purmamarca, por volta das 19h, trata-se de uma cidade pequena cercada por gigantescas montanhas.
Pequena mesmo, a vilazinha é formada por praticamente 12 quarteirões.
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O povoado de Purmamarca é uma pequena aldeia, circundada pelo Rio Purmamarca e por dois cerros, se encontra a 3 km da Rota Nacional no.9, a 65 km de San Salvador de Jujuy e seu nome significa “Pueblo de La Tierra Virgen” na língua aymará. Sua origem é pré-hispânica, do início do século XVII, está localizada a cerca de 2300 mts de altitude. O clima da região é temperado, com máximas de 25ºC e mínimas de 2ºC.
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Seu traçado urbano de construções de adobe e tetos de cordão, palha e barro, foi realizado em torno da igreja datada de 1648, consagrada a Santa Rosa de Lima, em estilo clássico Quebradeño (da região das Quebradas), de nave única e angosta, com muros externos de adobe e uma típica carpintaria de cardón em seu interior, onde se encontram imagens e pinturas do século XVIII. Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
Persiste entre este12-Purmamarca-%286%29 povo, costumes pré-hispânicos importantes como as celebrações comunitárias com a participação do povo. Também é importante o culto a Pachamama e outros ritos anteriores a colonização, podendo se observar como vivem os cultos indígenas com as igrejas coloniais.

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A música também é protagonista principal nesta área, onde é executada com instrumentos próprios como: sikuris, quena, cajá, erque, erquencho e charango.

12-Purmamarca-%2826%29A pequena localidade adquire relevância na região por sua admirável paisagem montanhosa e por contar com excelente infra-estrutura de alojamento, gastronomia e passeios.

O pequeno povoado é uma atração especial porque se encontra localizada na base dos majestosos cerros multicolores. A imponente Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio da Humanidade, é o eixo desta área por onde corre o Rio Grande. Ao transitar nas ruas do pequeno povoado, se pode observar os vistosos cerros, entre eles se destaca o “Cerro de los Siete Colores”, de origem sedimentária e formado por material do período cretáceo, cerca de 65 milhões de anos atrás.

O “Cerro de Siete Colores” é um marco natural de Purmamarca, é o única na região e no resto do país. A combinação se suas cores se manifestam com deleite aos olhos de quem o observa. Conhecido também como Formação Yacoraite, que se localizam na Quebrada de las Conchas e Quebrada Del Toro.

As capas sedimentares de diferentes tonalidades como o colorado, o ocre, o violeta, complementam a beleza da Quebrada de Purmamarca, juntamente com a Quebrada de Humahuaca. De vários pontos se pode apreciar a policromia que irradia do cerro.

Neste “pueblo” viveu o famoso cacique Viltipoco, do povo de Los Omaguacas, que eram compostos por grupos como los Purmamarca, los Tilcara, los Ocloyas, entre outros, população originária da Quebrada de Humahuaca, habitaram os púcaras, tipo de construção que ainda hoje está em pé, testemunhando a força de um povo que luto para defender seus territórios dos conquistadores coloniais. Sua estratégia é produto de um notável intercâmbio e comunicação entre o Império Inca e as particularidades indígenas de La Puna. Dentro de sua organização social se destaca a presença do cacique, que além de ser um chefe político-militar, também tem caráter religioso. Viltipoco se descatou por guiar a luta de seu povo para impedir a fundação espanhola na região, seu povoado foi Purmamarca, de onde dirigiu as operações para defender seu território. A história conta que em 1954 ele foi capturado pelos homens de Argañaráz que o mataram em Santiago Del Estero.

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A principal atração o vilarejo é uma feira de artesanato ao redor da praça central, onde se encontra objetos de artesanato, lembranças, muito tecido colorido, malhas produzidas com lã de lhama e ponchos (uma delícia ao toque e super quentinhas), ervas medicinais, enfim, artigos típicos da região andina e que dão um toque especial a este vilarejo.
Com excelentes preços, este é o melhor local para quem quer comprar artigos típicos.
A feira funciona até as 20h (percebam que ainda é dia claro). Mas Jorge e Andréa chegaram em cima da hora do término da feira e tiveram que ser rápidos para olhar tudo em meio ao desmonte de algumas barracas, foram com as roupas de andar de moto e tudo, não dava tempo de se arrumar…
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Acabaram comprando o que desejavam em uma loja, de um argentino muito simpático e com bons preços, chamada Regionales Purmamarca.
Depoimento Andréa: “Ainda bem que chegamos tarde, a Feira de Artesanias estava fechando, quero dizer sorte para o Jorge e para a moto!!! Pois não consegui comprar quase nada… Que saudade do meu carrinho com porta malas”.
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Após se alojar na Hosteria Bebo Vilte, tomar um bom banho e vestir roupas confortáveis e quentes, já que a temperatura estava bem mais baixa, afinal já estavam beirando as Cordilheiras, decidiram ir jantar e andar pela cidade.
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Os quartos da hosteria são feitos, como todas as casas de Purmamarca, de adobe, o que lhe garante estar fresca durante o dia e bem quentinha à noite, fato que chama a atenção, e prova a inteligência dos Incas, que perceberam neste tipo de material (pedra e barro) uma forma natural de manter o ambiente agradável.
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À noite não se vê viva alma nas ruas, a não ser os turistas que vêm do mundo todo e que perambulam por lá. Exceto a praça da igreja, as demais ruas da cidade não têm iluminação, sendo que o que se destaca são apenas as luzinhas na entrada dos inúmeros restaurantes e hosterias, que chamam a atenção por sua decoração típica e por muita música.

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Decidiram jantar no Restaurante Rincón de Claudia Vilte (mesmo sobrenome do dono da Hosteria), uma música desde a infância, que representa seu povo, através de suas canções e que atualmente é professora da Universidade de Salta.

O local tem estilo de taberna, com boa música e uma decoração incrivelmente diferente, exótica e muito cultural. Nas paredes existem altares, cultuando os ancestrais (Abuelos de Claudia), fato comum na cultura Inca, já que graças à existência deles é que nós existimos na atualidade. Tão óbvio e tão distante da cultura ocidental. Nestes altares são colocadas fotos, flores, objetos pessoais e presentes.
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“Quando interpreto canções, trato de colocar nelas alguma mensagem, pois com esta atitude transcendental se conscientizam as mentes, pois considero que não canto para um grupo de gente, mas para o ser humano”. Claudia Vilte
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O casal decidiu experimentar a carne de lhama, pediram empanadas de charque de lhama, um tipo de pastel de forno, delicioso, recheado com carne seca de lhama, com um bom vinho da região de Salta.
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Este molhinho vermelho na foto se chama “pebre”, é feito de tomate bem maduro, temperado com sal e bem apimentado. Todos os restaurantes da Argentina e do Chile servem este molho com pão de entrada.
Depoimento Andréa: “Quando acho que já vi tudo de lindo e diferente, eis que surge Purmamarca… gente, é uma cidadezinha no meio do nada, entre montanhas gigantescas por todos os lados e é LINDA!!!! Muito diferente de tudo que conhecemos, andando pelas suas ruas escuras, não temos idéia do que vamos encontrar,  embora pequena tem infra-estrutura excelente, com boa comida, bom atendimento, bons vinhos, bons hotéis, inclusive até um SPA… tudo aqui é lindo demais, só estando neste lugar para compreender a sensação de estar entre este povo, espero poder voltar aqui mais vezes!!!”.
Depoimento Jorge:
“Sair de Salta no meio da tarde foi uma estratégia acertada. A estrada que leva de Salta a Purmamarca é uma delí12-Purmamarca-%2818%29cia, uma serrinha cheia de curvas e paisagens lindas. A estrada é um tapete, porém é tão estreita que em algumas curvas só passa um carro de cada vez.
Devido ao pequeno trecho percorrido neste dia, pudemos ir devagar, passeando e curtindo a estradinha. Neste trecho também tem muuuitos animais soltos à beira da pista, e alguns bem no meio dela. Assistam ao vídeo e vão entender o que digo…
Esta parada em Purmamarca também era um tanto quanto estratégica. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes e a 2.300 a.s.n.m. (altitude sobre o nível do mar) é um bom lugar para passar a noite que antecede a travessia da cordilheira e dar uma “aclimatada”. Além disso, é um vilarejo muito pequeno e pitoresco, onde você encontra três coisas: Pousadas/hotéis, bares/restaurantes e feira de artesanato. Nada mais! Pra terem uma idéia, não tem nem posto de gasolina em Purmamarca.
Pra minha sorte chegamos na hora em que a feira de “artesanias” estava acabando, porque senão eu teria de jogar fora as ferramentas e peças sobressalentes que carregava nas malas para enchê-las de tapetes, colchas e artesanatos em geral…”

Aproveitem Purmamarca…

 

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 158
Abastecimento: 16 litros
Hospedagem: Hosteria Bebo Vilte
Valor da diária: $ 120,00 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, simples, bom para banho e para dormir, café da manhã bem simples.
Gasto total (com alimentação): R$ 125,00
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Descobrindo LA LINDA!!!

8º. Dia –08.12.2010
Salta – Argentina
Pela manhã, o casal decidiu ir conhecer as Igrejas e Museus da cidade, enquanto decidiam se ficavam mais um dia ou saiam rumo a Purmamarca.
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Salta é a capital da província de Salta e uma das mais importantes cidades do noroeste do país. Se encontra localizada ao leste da cordilheira dos Andes, no fértil Vale de Lerma, a cerca de 1 187 m acima do nível do mar. Nas últimas décadas a área urbana estendeu-se até alcançar localidades vizinhas, compondo a região que se denomina Grande Salta.
É uma sede episcopal. Conta com duas universidades (uma delas é a Universidade Nacional de Salta), e numerosas instituições educativas de nível superior, incluindo vários museus e bibliotecas.
Famosa por sua arquitetura colonial, em anos recentes se converteu em um importante centro de turismo. Por seus atrativos recebeu o apelido de Salta, la Linda (“Salta, a linda”). De acordo com os estudiosos, a palavra salta foi produto de uma deformação da palavra aimará (os indígenas originais) sagta, que significa la hermosa (“a formosa”), e por fim finalmente permaneceu “Salta, a formosa” ou “linda”, como se diz atualmente.
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A cidade foi fundada em 16 de abril de 1582 pelo espanhol Hernando de Lerma, cumprindo ordens do vice-rei do Peru, Francisco de Toledo, que tinha o objetivo de criar uma escala na rota entre Lima e Buenos Aires. Durante o período colonial a população cresceu rapidamente pois era abastecedora de matéria-prima para a opulenta Potosí. Fez parte do vice-reinato do Peru até 1776, quando a Coroa espanhola criou o vice-reinato do Rio da Prata. Em 1783 foi designada capital da Intendência de Salta del Tucumán.
Após a independência em 1816, Salta foi arruinada economicamente e submergiu num período de decadência por boa parte do século XIX. A retomada começou na década de 1890, com a chegada da ferrovia e a radicação de numerosos imigrantes espanhóis, italianos e árabes (sírios e libaneses em particular), e a economia local ganhou novo vigor.
Desde meados do século XX a cidade experimenta um acelerado crescimento demográfico, passando de 115 mil habitantes em 1960 a quase 1.000.000 na atualidade.
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Em volta do jardim da Praça 9 de Julho, que marca o centro, perfilam-se uma Câmara Municipal do século XVIII, a catedral e o edifício do museu de Arqueologia de Alta Montanha, onde uma importante coleção. Concentra os mais significativos edifícios da cidade e é a única praça rodeada por árcades. Destaca-se o “Monumento ao General José Antonio Alvarez de Arenales, que acompanhou San Martín na luta libertadora. Ao redor do monumento se pode observar quatorze musas que representam as províncias Unidas do Rio de La Plata que existiam no começo do século XIX.
Salta é uma das cidades que mais preservou sua arquitetura colonial em toda a Argentina. Desta época preserva o Cabildo colonial (século XVIII), a Igreja e Convento de São Bernardo (séculos XVII-XVIII) e várias casas do século XVIII. Possui ainda importantes construções neoclássicas e ecléticas, como a Catedral e a Igreja e Convento de São Francisco.
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O Cabildo é o edifício colonial mais antigo da cidade. As obras da construção se iniciaram em 1780 sob a direção de Antonio de Figueras e se concretizou no mesmo dia da fundação de Salta. Sua torre foi levantada vários anos depois. Mais adiante foi parcialmente demolido: desapareceram a sala capitular, três arcos da planta baixa e quatro da planta alta. Em 1676 se decidiu melhorar a edificação e em 1783 se realizou sua reconstrução. Em 1945 foi restaurado pelo arquiteto Mario Buschiazzo. É o cabildo mais completo e melhor conservado da Argentina. Foi declarado Monumento Histórico Nacional em 1941.

Cabildo colonial é o nome dado às corporações municipais instituídas na América Espanhola durante o período colonial que se encarregavam da administração geral das cidades coloniais. Era o órgão que dava representatividade legal à cidade, através do qual os habitantes resolviam os problemas administrativos, econômicos e políticos do município.

O cabildo é derivado de instituições similares da Espanha medieval, transplantadas à América pelos primeiros conquistadores já no século XVI. Abrigou o governo de Virreynato desde o século XVI até o início do século XIX.
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A Igreja Catedral de Salta foi construída onde estava a primeira catedral da cidade. A edificação é da segunda metade do século XIX. É um Monumento Histórico Nacional; na parte posterior funciona o Museu Catedralício.
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A partir de 1858 se constrói a antiga Catedral danificada por um incêndio, finalizando em 1882. Sua fachada tem um estilo italiano clássico, com frisos e colunas muito trabalhadas sobre as quais se assentam os campanários com arcos que arrematam uma cruz de ferro forjado. É um dos ambientes religiosos de maior suntuosidade no país.
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Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1947.

Em seu interior, possue três naves e um cruzeiro con cúpula, destacando-se por sua ornamentação em cores ocre, verde e azul, além do dourado que ressalta a observação do altar maior, uma manifestação do barroco, obra do arquiteto franciscano Luis Giorgi.

 

 

Procissão do Milagre10-Salta-%2850%29

Se veneram as imagens del Señor e da Virgem del Milagro, patronos tutelares de Salta desde 1962. A cada 15 de setembro, realiza-se na cidade de Salta, a tradicional procissão de agradecimento aos protetores da cidade, O Senhor e a Virgem do Milagre.

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Este fato marca o final da Festa do Milagre, que lembra os terremotos que arrasaram a província no dia 13 de setembro de 1692. Os sismos estremeceram a cidade e destruíram a próspera vila de Esteco. Conforme a história, os tremores não pararam até que as sagradas imagens não foram exibidas pelas ruas da capital em procissão.

 

 

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A Igreja de São Francisco de Salta é um dos mais belos edifícios de estilo neoclássico do século XIX na Argentina. Sua fachada e seus muros vermelhos aparecem em muitos cartões-postais da cidade.

Esta igreja pertence a ordem franciscana e teve várias reconstrucões. A primeira etapa foi concluída em 1625 e posteriomente se contruiu o segundo tempo, em 1674, que foi destruído por um incêndio em meados do século XVIII, dando início a construção da igreja atual, sobre a direção do espanhol Fray Vicente Muñoz, nascido em Sevilla.

10-Salta-%2813%29Foi também decorada pelo arquiteto Luiz Giorgi em sua reforma de 1870, quando se levantou a esbelta torre que acompanha o templo. Com seu campanário separado da nave central, de cinqüenta e três metros de altura, se converte na mais alta da América do Sul, chamada “Campana de La Patria”, foi realizada mediante a fundação dos canhões utilizados na batalha de Salta de 1813, em início do século XIX, foi realizada uma missa fúnebre em memória dos vencedores e vencidos desta batalha.

Na praça da entrada se encontra uma estátua dedicada a San Francisco, o fundador da ordem religiosa, que foi inaugurada em 1926, doada pelo governo italiano de Mussolini.

Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
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O edifício do Centro Cultural América foi construído em 1913, sobre terrenos que pertenciam a igreja de La Compañia de Jesús, e desde 1950 funcionou como Casa de Gobierno, até que em 1987 se transformou no atual Centro Cultural. Foi projetado pelo Arquiteto Arturo Prins e realizado pelos engenheiros Cornejo e Correa.

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Sua fachada é divida em três níveis correspondentes ao ingresso, a planta nobre e a trapeira, conciliando as linhas do acedmicismo francês nos níveis superiores, com o árcade inferior, constituída por três grandes arcos neo-renascentista que dão harmonia ao conjunto e integram com seu entorno circundante.

 

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O interior é notável pela interessante sequência de suas escaldarias, em torno do vazio do hall principal, localizado na primeira planta. A tecnologia da construção com o uso de colunas e perfilados de ferro e bronze, foram vanguarda em sua época. Se destacam os pisos plicromados do tipo veneziano e os vitrais importados de Milão.

Em 1994, foi declarado Monumento Histórico Nacional.

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O Museu de Arqueologia de Alta Montanha (MAAM) é um destino iniludível por exibir elementos de um Santuário de Altura da cultura inca, incluindo as múmias de três crianças indígenas. Os corpos destas três crianças incas mantêm-se em um estado de conservação incrível, com mais de quinhentos anos foram encontradas no cimo do vulcão Llullaillac – onde se situava esta civilização, de cujo império esta zona chegou a fazer parte.
O museu nasceu da vontade do Governo da Província de Salta de resguardar, estudar e difundir os achados dos “Niños Del Llullaillaco”, sem dúvida um dos descobrimentos arqueológicos mais importantes dos últimos tempos. Estas três crianças foram encontradas em Março de 1999, conservados pelo frio, em cima do vulcão Llullaillaco, a 6700 mts de altitude, junto a cento e quarenta objetos que compunham sua bagagem: um particular mundo em miniatura que os acompanhava em sua viagem. Os estudos realizados permitiram supor que viveram a mais de 500 anos, no apogeu do estado inca, pouco antes da chegada dos espanhóis.O MAAM ocupa um histórico e antigo edifício de meados do século XIX, sua fachada, restaurada, se inscreve dentro do estilo neo-gótico da era victoriana. Seu interior foi remodelado, conservando estruturas históricas, a fim de adaptar-lo a sua nova função. Equipado com a mais moderna tecnologia, desenvolve diversas atividades que convergem em torno da conservação, estudo e difusão das valiosas coleções que nele se exibem.
Para assegurar um bom estado de conservação de sua coleção, o ambiente nas salas de exposição estão controlados automaticamente, mantendo o ar filtrado e desbacterizado, a uma temperatura constante de 18º.C e uma umidade relativa de 45%. Também conta com um sofisticado sistema de iluminação controlada que varia sua intensidade nas vitrines na presença do público. As salas de exposição estão equipadas com sons que buscam recriar os cantos, música e sons pré-colombianos. A isto se somam quatro vídeos, documentários de formato moderno. O museu se apresenta de maneira didática, e ao mesmo tempo com uma visão científica, sobre este maravilhoso achado que permite ver e compreender uma cultura que ainda hoje permanece viva em grande parte da América andina.
Infelizmente não se podem tirar fotos dentro do museu, mas para conhecer mais todos podem acessar o site, que apresenta uma visita virtual: http://maam.culturasalta.gov.ar/. Valor de entrada: $ 30,00 pesos por pessoa.
Depoimento Andréa: “Ver as crianças encontradas no vulcão é fantástico, uma sensação de perpetuação da história, e é incrível o estado de conservação em que se encontram. Realmente maravilhoso!”.
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As ruas de Salta são divididas em quarteirões do mesmo tamanho, de tal maneira que alguém habituado às excitantes ruas portuguesas que sobem, descem, estreitam e alargam, se perde em menos de dois minutos. As construções mais altas parecem ser as torres dos campanários das igrejas, pintadas de branco e tons creme que lembram suspiros e gelados – com a escandalosa exceção da Igreja de S. Francisco, cor de tijolo com colunas brancas e rebordos amarelo-dourado.

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A região de Salta consegue combinar zonas andinas áridas com vales férteis e verdes. Os índios Diaguita-Calchaquies viviam nestes vales, e renderam-se à influência inca bem antes da conquista espanhola. A província salteña tem um território variado, com vales temperados, selvas tropicais e desertos andinos. Todas estas regiões têm algo para oferecer do ponto de vista turístico: pitorescos povoados moldurados em paragens solitárias, adegas de vinho e estâncias rurais, artesanato ou paisagens cordilheiranas cheias de colorido. Em Salta também há uma forte cultura musical. Destacam grupos folclóricos como Los Chalchaleros, Los Nocheros e o Duo Salteño.

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Economia

Os cultivos industriais são o tabaco, a cana de açucar, a uva, os cítricos, feijão, pimentão, batata e o algodão. Um promissório cultivo é a quinoa. Em Salta há criação de bovinos, ovinos, suínos, caprinos, asnos e mulas. A atividade de criação de caprinos se complementa com a elaboração de queijos. A criação de camélideos permite a obtenção de lã ou fibra para a confecção de artesanatos e roupa ecológica. Em relação aos minérios, o território apresenta interessantes perspectivas para a descoberta de minérios metalíferos, não metalíferos e rochas de aplicação. Nas minas de produção destacam-se os minerais de boro e de seus produtos derivados, como ácido bórico, bórax anidro e bórax penta.

Quanto à vitivinicultura, 99% da superfície total dos vinhedos salteños produz uvas para vinhos finos, um índice único no país. Atualmente exportam-se desde Salta 1.200.000 garrafas de vinhos Premium a 30 países de todo o mundo. Embora a participação de Salta na produção nacional seja de 15, ressalta a exportação dos vinhos do Vale Calchaquí, com 15% do volume total de envios ao exterios. A intenção oficial é que as adegas salteñas participem de todos os eventos onde puderem mostrar-se e difundir a bondades dos vinhos das alturas.

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Depois do passeio turístico, Jorge e Andréa decidiram almoçar no Restaurante e Pizzaria Paso Del Rey, próximo ao hostel, e como gostaram muito, comeram novamente o tão gostoso Lomito, agora acompanhado com “papas” fritas.

Depoimento Andréa: “Salta é uma cidade linda, muito arrumada, bem cuidada e com um povo muito acolhedor, educado. Realmente estou encantada com esta região da Argentina. A cidade tem muitos pontos turísticos, mas seria preciso mais alguns dias para conhecer todos, aliás, em todo lugar que passamos precisaríamos de mais alguns dias rsrsrsrsrsr O povo desta região cuida muito de sua história e demonstra sentir orgulho de sua cultura. É fantástico estar aqui e isto é apenas o caminho de ida até Atacama, imaginem!!!”.

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