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Roteiro

Finalmente, o ROTEIRO!
Elaborar um roteiro de viagem é algo que requer muito trabalho, precisa se aliar tempo hábil, boas estradas e belas paisagens, e um mínimo de infra-estrutura, buscando-se evitar transtornos indesejáveis, mesmo quando o objetivo é “aventurar-se”.
Neste momento surge um fator determinante: conversar com moto-aventureiros experientes e que já fizeram esta viagem. Jorge conheceu alguns que lhe ajudaram muito a chegar neste roteiro final, entre os mais “procurados” estão Chinaf (MG) e Laurindo (BA), motociclistas que, além de “viajados”, estão sempre prontos a ajudar, a dar boas dicas, a compartilhar suas experiências e, mais importante, prontos a incentivar a realização desta aventura.
Jorge sairá sozinho de moto de Lauro de Freitas-BA em direção a São Paulo-SP, onde ficará aguardando a chegada de Andréa, que irá de avião dias depois.
A seguir temos o roteiro detalhado:
28/11 = 1º dia: Lauro de Freitas BA – Governador Valadares MG (Jorge viajando sozinho pra SP)
29/11 = 2º dia: Governador Valadares – São Paulo SP
30/11 = São Paulo
01/12 = São Paulo
02/12 = São Paulo
03/12 = São Paulo (chegada da Andréa a SP)
04/12 = 3º dia: São Paulo SP – Foz do Iguaçu PR (aqui começa mesmo a grande aventura!)
05/12 = 4º dia: Foz do Iguaçu PR – Corrientes AR
06/12 = 5º dia: Corrientes AR – Santiago Del Estero AR
07/12 = 6º dia: Santiago Del Estero AR – Salta AR
08/12 = 7º dia: Salta AR – Purmamarca AR
09/12 = 8º dia: Purmamarca AR – San Pedro de Atacama CL (Travessia do Paso de Jama)
10/12 = 9º dia: San Pedro de Atacama CL (passeios)
11/12 = 10º dia: San Pedro de Atacama CL (muitos passeios)
12/12 = 11º dia: San Pedro de Atacama CL (+ passeios e se preparando para a volta)
13/12 = 12º dia: San Pedro de Atacama CL – Antofagasta CL
14/12 = 13º dia: Antofagasta CL – Copiapó CL
15/12 = 14º dia: Copiapó CL – Fiambalá AR (travessia do Paso San Francisco)
16/12 = 15º dia: Fiambalá AR – San Fernando Del Valle de Catamarca AR
17/12 = 16º dia: S.F.V.Catamarca AR – Santiago Del Estero AR
18/12 = 17º dia: Santiago Del Estero AR – Corrientes AR
19/12 = 18º dia: ???
20/12 = 19º dia: Corrientes AR – Foz do Iguaçu PR (de volta ao Brasil!)
21/12 = 20º dia: Foz do Iguaçu (passeios)
22/12 = 21º dia: Foz do Iguaçu PR – Curitiba PR
23/12 = 22º dia: Curitiba PR – São Paulo SP

 

Depoimento Jorge:
“Entre Copiapó e Corrientes ficaremos 1 dia parados em alguma cidade para descansar. Não ficou determinado qual seria esta cidade, mas quando encontrarmos uma que valha a pena conhecer melhor, ficaremos nela. Se estivermos atrasados em relação ao roteiro, faremos de Foz a SP num único dia na volta. A partir de São Paulo serão 14 dias rodando e 5 de parada para descanso e passeios. É claro que durante a viagem esses planos podem mudar, mas a princípio esse é o roteiro que tentaremos praticar. Queremos chegar de volta a SP no máximo até 23/12 para passar o Natal com os familiares, voltando para casa dia 28/12. Talvez a moto fique em SP e eu volte de avião com a Andréa. deixando para ir buscá-la num próximo feriado prolongado.”

Depoimento Andréa:
“Fiquei responsável em pesquisar onde ficar em cada cidade e em montar o MapSource, mas de tanto olhar, de tanto mudar, estou ficando “craque”, pelo menos em viagens virtuais rsrsrsrsrsr… posso até ser guia turística sem nem ter viajado ainda hehehehe.”

Roteiro finalizado, embora seja possível mudanças durante o percurso de acordo com necessidades que surjam no decorrer da viagem, agora vamos falar dos últimos preparativos da motoca.

Pé na estrada!!! Quer dizer: DUAS RODAS NA ESTRADA!!!

1º. Dia – 28.12.2010

Lauro de Freitas – Governador Valadares

A contagem regressiva zerou….

Chega o grande dia: Jorge inicia a viagem em 28.11 em direção a Governador Valadares – MG, são mais de 1000 km viajando sozinho.

O dia amanhece em Lauro de Freitas  e a galera do Moto Clube Rota 99 acorda cedo para participar do início da viagem, como forma de enviar boas energias para que esta aventura se realize com muito sucesso.
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O encontro de saída foi marcado para as 5h., mas o “ator” principal se atrasou, chegando as 5:10h. Começa então o primeiro trecho da viagem. Saem em direção a Santo Estevão – BA.

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É tocante ver a participação dos amigos, suas vibrações positivas e a torcida pela conquista deste objetivo. Jorge e Andréa se emocionam diante de tamanho carinho. E com a saída dos amigos, escoltando Jorge, dá início esta grande aventura que ainda estava apenas começando.

Depoimento Andréa:

“Eu fico lá, dentro do carro, olhando aqueles “grandes” motociclistas saindo, todos em busca da mesma emoção: andar sobre duas rodas. Meus olhos se enchem de lágrimas, estou feliz com o que vejo: maior demonstração de que o que vale mesmo são os amigos que plantamos, pois no momento da colheita, podemos presenciar cenas como essa! Acho que em todos estes anos com Jorge, nunca o tinha visto tão, tão feliz!!!”
O objetivo era tomar o café da manhã nesta cidade, porém os locais conhecidos pelos baianos de plantão ainda estavam fechados e a saída foi parar em outro lugar: uma lanchonete de posto de estrada, nada convidativa rsrsrsrsr.

Jorge, a partir daí, segue viagem… A moto agora está só!

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A primeira etapa se finaliza, Jorge chega em Governador Valadares por volta das 19h. Mesmo pilotando o trecho final já à noite, optou por chegar ao destino, aproveitando as boas condições da estrada. A viagem, segundo ele, foi cansativa, muitos caminhões circulando; mas o clima também ajudou: nublado sem chuvas, e o desempenho da moto foi excelente, mesmo carregada (e pesada) não desapontou.

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Durante a viagem, Jorge parou para alongar o corpo e para garantir conseguir finalizar este primeiro trecho sem muito sofrimento e pensando que no dia seguinte a viagem continua.
Depoimento Jorge:
“Não foi fácil, mas consegui fazer os primeiros 1080 kms em um único dia. A Moto se comportou extremamente bem. Eta moto boa!!! Carregou aquele monte de malas como se nem estivessem lá. Nas deliciosas curvas da BR 116 durante o trecho entre a divisa Bahia / Minas Gerais até Belo Horizonte ela parecia uma esportiva de tanto que deitava. Parecia uma Srad!! hehehehe…   Tá bom, um pouco menos…  Mas deu pra até para tirar os “cabelinhos” das laterais dos pneus novos, até aqueles que ficam no limite da banda de rodagem. Não sei como os baús laterais não rasparam no chão! hehehehe.
Não consegui encontrar um único buraco na estrada entre a Bahia e São Paulo. A pista está um tapete. Em vários trechos ela está com o asfalto tão novo que ainda não estão pintados os limites laterais e a sinalização ainda está um pouco falha, mas o piso está perfeito. Garantia de viagem gostosa, durante o dia. Garantia de suicídio à noite! Nos locais onde não há marcações na pista fica impossível distinguir onde é pista e onde é precipício na escuridão da noite. Passei por alguns acidentes muito feios com caminhões, resultado da noite anterior.
Mas o cansaço foi grande. Nos últimos 250 kms o prazer da viagem se transformou em sacrifício. Mas o que importa agora é que cheguei bem. Me resou descansar e tentar esquecer que no dia seguinte teria mais 1000 kms pela frente…”
“Agradecemos a todos pela torcida, pela preocupação e pelo carinho!!”
Total de Km Rodados: 1080
Abastecimento: 76 litros
Pedágios: 3 – Total de R$ 2,80
Hospedagem: Ibituruna Hotel – Valor da diária: R$ 50,00
01 Estrela – Bom exclusivamente para um bom banho e passar a noite.
Gasto total (com alimentação): R$ 202,00

Ainda em viagem solo!

2º. Dia – 29.11.2010
Governador Valadares – São Paulo
Jorge sai de Governador Valadares por volta das 7h. Em uma longa caminhada é sempre bom dar uma paradinha para um cafezinho…
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Prestem atenção no tamanho deste “pãozinho” que Jorge encontrou pelo caminho (compare com a garrafa de água!). E a gente que achava que mineiro gostava de pão de queijo rsrsrsrsrs
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A viagem foi tranqüila até próximo ao Estado de São Paulo, onde deu início uma chuva torrencial, boa para testar a roupa comercializada como Impermeável; o que foi constatado como sendo propaganda enganosa, é MENTIRA, tanto a Jaqueta Tutto como a calça Zebra não conseguiram dar conta da água e encharcaram, mostrando que a impermeabilidade divulgada tem um limite (pequeno).
Durante a viagem, aproveita para tirar umas fotos da paisagem e das estradas.
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Mas para aparecer, só mesmo “foto Orkut”, sabe? daquelas que a gente tira de si mesmo…
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Jorge chegou à casa de seus pais por volta de 20h, também aproveitando o horário de verão que mantém o dia claro até mais tarde. Ao chegar a São Paulo já se deparou com o caótico trânsito, no horário de maior movimento, o que lhe cansou e estressou mais que a viagem toda! Bem vindo a SAMPA!!!
Chegar ao destino final (ou inicial) em dois dias também foi útil para que Jorge pudesse treinar o corpo e perceber as dificuldades, limitações e mudanças para melhorar seu desempenho de andar por mais de 1000 km em um dia.
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Depoimento Jorge:
“Estava quebrado, mas graças a Deus cheguei! A moto chegou perfeita, impecável. Neste segundo dia de viagem foi mais tranqüilo. A pista toda duplicada facilita muito as coisas. Hoje os caminhões nem me jogaram pra fora da pista! hehehe…    Malditos!
Mas também passei pelo momento mais estressante de toda a viagem até aqui. A partir da divisa de MG e SP uma chuva torrencial até chegar a Guarulhos, onde ela diminuiu, mas não parou. Os carros andavam a 60, 70 km/h, pois não havia visibilidade, além dos lençóis de água que se formavam na pista que não dava conta de escoar toda aquela água. Ponto para os excelentes pneus Anakee II da Michelin que também foram impecáveis até aqui.
Cheguei a SP em pleno horário de “rush”. Cena no mínimo engraçada: eu andando pelo corredor dos carros no caótico trânsito de São Paulo com aquela moto e os baús laterais. Em poucos segundos se formava uma fila de motoboys atrás de mim e eu tinha de entrar na faixa dos carros para desentupir o corredor. Alguns agradeciam a passagem que eu oferecia, outros passavam xingando…Quando parei a moto na garagem da casa de meus pais e pude relaxar da tensão de toda aquela chuva e trânsito, o cansaço daqueles dois dias de viagem caiu sobre mim de uma só vez. Realmente eu precisava de um bom banho e uma cama para desmaiar! 1ª parte da aventura concluída com êxito!!!”
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Total de Km Rodados: 950

Abastecimento: 65 litros

Pedágios: 11 – R$ 12,20
Hospedagem: Casa dos Pais: Valor da diária: Grátis
10 estrelas. Aconchegante, cuidado total
Gasto total (com alimentação): R$ 175,00

São Paulo

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Entre os dias 29.11 e 02.12, Jorge aproveitou para curtir a família, treinar o sobrinho para ser motociclista e fazer os últimos preparativos (se é que ainda restava algum?!?).  E para descansar, pois a viagem ainda tinha muitos km pela frente.
Ficou aguardando a chegada de Andréa, que viajou para São Paulo no dia 02.12 às 17:20h, após realizar sua entrevista para Seleção de Mestrado.
Depoimento Andréa:
“Dia corrido, imagine… entrevista marcada para as 14h do mesmo dia da viagem. Arrisquei, mas sabia que o Universo estava a meu favor. Obrigada Wal, por ficar de prontidão e pela carona ao aeroporto! Quem tem amigo, tem tudo! A viagem foi linda, linda mesmo: O MAIS BELO PÔR DO SOL que já tinha visto de um avião. Pena que a máquina fotográfica já estava com Jorge, mas na minha lembrança ficará pra sempre aqueles raios por cima das nuvens que pareciam mar… nossa, foi realmente incrível!!! O céu de Salvador estava limpo, mas chegando próximo ao Rio fomos informados de uma chuva forte em São Paulo, que atrasaria nossa chegada em uma hora. Já era mais de 21h (horário de verão) pousei em Sampa. Agora era dormir para começar a aventura no dia seguinte. Parece que agora estava caindo a ficha da “loucura” que estava prestes a começar!!!”
O céu se confundia com o mar.
Estas fotos não foram tiradas pela Andréa, mas estas são as imagens que ela gravou na memória.

Em direção a Foz do Iguaçu

03-S%C3%A3o-Paulo-Foz-do-Igua%C3%A7u3º. Dia – 03.12.2010

São Paulo – Foz do Iguaçu

Começa o dia 03.12 em São Paulo, Jorge e Andréa iniciam a aventura rumo ao Deserto do Atacama. Saem da casa dos pais de Jorge às 5:20h.

Começa a viagem rumo ao Chile, este seria o trecho mais longo da viagem em um dia, para conseguir realizá-lo Jorge e Andréa contaram com a maravilhosa companhia dos amigos Sandro Hofer e Paty.

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O dia não tinha nem amanhecido e o Sandro já reclamava, afinal o casal Padovani estava atrasado.
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Pegaram a estrada as 6:30h. A primeira parada para o café da manhã foi realizada em um Posto da Rod. Castelo Branco, aproveitam para “matar a saudade” de bons postos, com infra-estrutura de primeira.
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Curiosidade: A Paty foi enganada até o fim sobre a real quantidade de km que ligam São Paulo a Foz, momentos engraçados da viagem quando ela perguntava se faltava muito e não tinham sequer chegado na metade do caminho a ser percorrido, mas acredito que ela não se zangou.

 

Belas paisagens e inúmeras paradas para alongar, descansar e fotografar.

2010-Viagem-ao-Atacama-%2863%29Neste trecho passaram por vários km de plantação de soja e de milho, que se perdiam de vista, base da economia destes municípios.

Ao longe se via uma casinha ou outra, um pasto ou outro, mas soja e milho eram incansáveis.

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As estradas em perfeitas condições, excelente asfalto e sinalização, sem qualquer dificuldade a não ser o preço dos pedágios, que enquanto na Rod. Castelo Branco foram gratuitos, depois, na Viapar e Econorte, caríssimos.

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Outro ingrediente importante desta primeira etapa foi o cansaço após passar os 500 km rodados, Maringa – PR. Neste momento perceberam o quanto uma viagem longa cansa, embora ainda animados e confiantes com a chegada a Foz.

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Encontraram um Restaurante e Pousada, totalmente rústico, de uma beleza natural, com vários artigos e móveis de decoração em madeira e uma lojinha de doces caseiros… pena que não cabia nada na bagagem.

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Mas a mensagem ao sair do local os acompanhou durante toda a aventura.
Em uma das paradas para uma água e um sorvete, em Cascavel, fizeram seu primeiro contato com outros motociclistas, estavam em dois e faziam parte do Moto Clube Águias de Cristo, iam em direção a um encontro que iria ocorrer por aquelas bandas.
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O dia começava a chegar ao fim e ainda faltavam alguns km para o destino final.
Mesmo tentando chegar cedo, ainda viram o Pôr do Sol na estrada, já chegavam as 12 horas rodadas e Foz do Iguaçu parecia distante, pois ainda faltavam 150km e o dia chegava ao fim. Para sorte dos viajantes, estavam indo cada vez mais oeste, o que significa sol até cerca de 20:30h.
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Paisagens deslumbrantes fizeram parte de todo o percurso, vegetação, plantações, animais, árvores frutíferas e de flores foram vistas a todo instante.
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A cada curva pareciam já ter visto o mais belo, mas o melhor ainda estava sempre por vir….

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…e isso foi ficando cada vez mais bonito com o sol se pondo.

2010-Viagem-ao-Atacama-%28150%29Vista da última parada antes de chegar ao hotel, os km finais foram já sob as estrelas, ainda bem que as condições da estrada ajudaram.

Chegaram ao Hotel Três Fronteiras às 22h:15m, exatamente isso, mais de 16 horas viajando…

Realmente é para quem gosta muito de andar de moto, quem quer mesmo se aventurar……. e se cansar!!!!!O Sandro não aguentou… desm
aiou no sofá do corredor, ainda bem que ele pelo menos tomou banho antes…

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Jantaram em um Restaurante, indicação de Adelino (gerente do hotel, mas um capítulo a parte nesta história), era Rodízio de Massas, mas não indicam a ninguém.

Com essa animação toda e depois de uma cervejinha ou de um vinhozinho, só dava mesmo para se jogar na cama e… dormir.Agora um pouco da viagem contada em movimento…

 

Total de Km Rodados: 1092

Abastecimento: 58 litros
Pedágios: 9 – R$ 32,30
Hospedagem: Hotel Três Fronteiras (www.hotel3fronteiras.com.br) – Valor da diária: 130,00
Simples mas limpo, bom café da manhã e um pessoal simpático, internet paga, excelente localização, com restaurantes próximos e condução fácil.
 Gasto total (com alimentação): R$ 279,00

Desvendando Foz do Iguaçu

 Viajar é muito mais que simplesmente ir em algum lugar, é mais que conhecer, mais que estar lá, é aventurar-se por caminhos desconhecidos e, muitas vezes, misteriosos.
Vale a pena conhecer um pouco sobre a História do lugar a ser visitado, suas origens, suas atrações, suas lendas e mitos, seu povo.

Entretanto acredito que a cultura só nos é possível ter acesso de verdade quando nos misturamos a ela, quantos a vivenciamos. Nos próximas postagens, buscarei contar, de forma breve, um pouco sobre os lugares por onde Jorge e Andréa foram se aventurar, usando as imagens feitas pelo casal nesta grande aventura.
4º. Dia – 04.12.2010
Desvendando Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu é um município brasileiro localizado no extremo oeste do estado do Paraná e faz fronteira com a Argentina e o Paraguai. Foi criado em 1914 e sua população estimada em 2009 é de 325.137 habitantes, que ocupam uma área urbana com mais de 700 mil habitantes. A cidade é conhecida pelas Cataratas do Iguaçu (uma das finalistas do concurso que escolheu as 7 Maravilhas da Natureza) e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo, que em 1996 foi considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis.
Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no espaço brasileiro do reservatório de Itaipu, antes de sua formação, situaram em 6.000 a.C. os vestígios da mais remota presença humana na região.
Em 1881, Foz do Iguaçu recebeu seus dois primeiros habitantes, o brasileiro Pedro Martins da Silva e o espanhol Manuel González. Pouco depois chegaram os irmãos Goycochéa, que começaram a explorar a erva-mate. Oito anos após, foi fundada a colônia Militar na fronteira – marco do início da ocupação efetiva do lugar por brasileiros e do que viria a ser o município de Foz do Iguaçu.As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo e a geração de energia elétrica. Foz do Iguaçu é a 3º economia do estado com PIB de 5.467.714.000. É conhecida internacionalmente por suas atrações, que trazem visitantes do Brasil e do mundo.
Conforme combinado, passaram o dia em Foz do Iguaçu, já acordaram animados com os passeios programados para o dia.
Primeiro foram comprar umas “muambinhas” no Paraguai – Cidade Del Leste  em homenagem a consumidora de plantão…… Paty!!!!!!
A Andréa mostrou toda sua mudança de filosofia de vida: NÃO COMPROU NADA!!!!!!
Quer dizer, apenas umas coisinhas bem pequenas, mas para uso coletivo da família Padovani, tudo muito útil, nada de supérfluo.
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Um passeio cheio de aventura,  além da multidão de gente passando a pé e de carro, e de moto, e de van, e de buzu, na Ponta da Amizade, uma loucura organizada; na volta teve direito ao Jorge sem chinelo (o dele quebrou a tira, e olha que era Havaiana que não deforma nem solta as tiras, mas não soltou, quebrou de gasta mesmo).
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Enquanto isto, uma chuva torrencial se formou em um céu que estava mais do que cinza, era quase preto. Enfim, na volta, atravessaram a ponte, sobre o rio Paraná (que divide as fronteiras entre Brasil, Paraguai e Argentina) em meio a um vento que quase levou ponte abaixo, e a Paty e a Andréa (em virtude do tamanho) e que foi motivo de risos e certo medo!

Depois souberam que o vento tinha sido tão forte que derrubou uma torre na Represa de Itaipu… E aposto que vocês pensaram que fosse exagero, não é mesmo?!?

Após o almoço (feijoada à vontade) em um Restaurante em frente ao hotel, chamado Bier Barten, aberto desde 1981, com excelente atendimento e ótima comida, foram realizar o passeio ao Parque Nacional do Iguaçu e visitar as Cataratas.
Para darem início ao passeio turístico não poderiam ir de outra forma: Ônibus coletivo; afinal a guia turística, vale lembrar, era a Andréa e os amigos sabem o quanto ela gosta de andar de ônibus. Mas pelos sorrisos podem perceber que TODOS se divertiram a beça.

O Sandro, com este “modelito” não está lembrando um Office-Boy???

A galera tomou conta do “buzu”…. sem a menor cerimônia, fizeram uma farra!

As capas de chuva são para se proteger… da chuva, é claro, afinal o dia amanheceu nublado e ameaçava chover sem parar.
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E a Andréa, claro estava super feliz com a “brincadeira”… e até o Jorge se divertiu.
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A mais famosa atração turística em Foz do Iguaçu é o conjunto de quedas denominadas Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu (Patrimônio Mundial Natural da Humanidade tombado pela UNESCO), a Hidrelétrica Binacional de Itaipu (maior hidrelétrica do mundo em produção anual de energia), o Marco das Três Fronteiras, a foz do Rio Iguaçu no Rio Paraná (área onde as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai se encontram), a Ponte Internacional da Amizade (divisa entre Brasil e Paraguai) e Ponte da Fraternidade (divisa entre Brasil e Argentina).

Também tem o Parque das Aves (com aproximadamente 900 aves de 150 espécies), mas este fará parte de um outro capítulo desta história, pois iremos falar dele na viagem de volta.
O Parque Nacional de Iguaçu foi criado pelo decreto federal no. 1035 de 10 de janeiro de 1939, sua superfície total abrange do lado brasileiro uma área de 185.262,5 hectares, com um perímetro de aproximadamente 420km, dos quais 300 km são limites naturais representados por cursos d’água, sendo que lados brasileiro e argentino têm, juntos, aproximadamente 225 mil hectares.
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Em 17 de novembro de 1986, durante a conferência geral da UNESCO realizada em Paris, o Parque Nacional do Iguaçu foi tombado como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade, constituindo-se numa das maiores reservas florestais da América do Sul.
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O Parque Nacional do Iguaçu tem este nome por incluir em sua área importante parte do rio Iguaçu, aproximadamente 50km do curso do rio, e as mundialmente conhecidas Cataratas do Iguaçu. Ele é o maior e mais importante parque da Bacia do Prata e foi o primeiro parque no Brasil a receber um Plano de Manejo, por abrigar um importante patrimônio genético de espécies animais e vegetais, algumas ameaçadas de extinção, como este aí da foto: quati.
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Para entrar na Reserva se utiliza um ônibus, movido a combustível natural.
Sandro e Jorge quiseram a foto do primeiro passo rumo ao desconhecido mundo das Cataratas.
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A palavra Iguaçu significa “água grande”, na etimologia tupi-guarani. Os grandes saltos são 19, três deles do lado brasileiro (Floriano, Deodoro e Benjamin Constant) e os demais no lado argentino. A disposição dos saltos – a maior parte deles no lado argentino e voltados para o Brasil – proporciona a melhor vista para quem observa o cenário a partir lado brasileiro.
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As Cataratas são formadas pelas quedas do rio Iguaçu. O rio Iguaçu mede 1200 m de largura acima das cataratas. Abaixo, estreita-se num canal de até 65m. A largura total das Cataratas no território brasileiro é de aproximadamente 800m e no lado argentino de 1900m. Dependendo da vazão do rio, o número de saltos varia de 150 a 300 e a altura das quedas varia de 40 a 82 metros resultando numa largura de 2.700 metros, com formato semicircular.
A vazão de água média do rio em torno de 1.500 m3 por segundo, variando de 500 m3/s nas ocasiões de seca e de 6.500 m3/s nas cheias. Dezoito quilômetros antes de juntar-se ao rio Paraná, o Iguaçu vence um desnível do terreno e se precipita em quedas de 65 m de altura em média, numa largura de 2780 m. Sua formação geológica data de aproximadamente 150 milhões de anos.
Todo este aguaceiro faz com que seus visitantes saiam totalmente encharcados, principalmente quando atingem o final desta plataforma ao lado… estão vendo que ela chega bem pertinho das quedas… a sensação é de como somos pequenos diante da Mãe Natureza.
Nesta hora, as roupas de chuva foram muito úteis. E Jorge e Andréa não tiveram dúvida: vestiram suas capas de chuvas apropriadas para viagens de moto e encararam as águas do Iguaçu. Eles não se descuidaram e se preparam para enfrentar a MONTANHA DE ÁGUAS.

 

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Acredito que será difícil para os casais descreverem tamanha emoção, tamanha comoção diante da maravilha que são as Cataratas do Iguaçu. Somente vendo (e ouvindo) pessoalmente é que se pode ter a dimensão da grandeza deste espetáculo.

 

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Depois da visita, o retorno é por um elevador panorâmico… mas nada é mais emocionante do que se sentir “no meio” das quedas.
Bem, sem dúvida foi a maior emoção e as imagens mais marcantes até aqui.
Fonte para saber e conhecer mais:
Desvendando em movimento….
Total de Km Rodados: 0
Abastecimento:
Hospedagem: Hotel Três Fronteiras (www.hotel3fronteiras.com.br) – Valor da diária: R$ 130,00
3 Estrelas: Simples mas limpo, bom café da manhã e um pessoal simpático, internet paga, excelente localização, com restaurantes próximos e condução fácil.
Gasto total (com alimentação): R$ 266,00 *
Nesta valor não estão inclusos os passeios:
Taxi a Ciudad Del Leste: R$ 25,00 por pessoa
(não aceite o taxi do Hotel, cobram caro, vale ir de ônibus ou taxi comum – Leia relato da parada na volta)
Parque Nacional do Iguaçu: R$ 22,00 por pessoa

Ultrapassando a fronteira… rumo a Corrientes – Argentina

5º. Dia – 05.12.2010
Foz do Iguaçu – Corrientes – AR
 
Enquanto Sandro e Paty acordaram às 5h para retornar a São Paulo, Jorge e Andréa aproveitaram para dormir mais um pouco, pois iam seguir em direção a Argentina.
Ainda bem que não voltaram com o casal, já imaginaram se comprometer com uma foto como esta ao lado. Paty, que foto mais sugestiva…
Jorge e Andréa saíram do Hotel em Foz às 08:30h, depois de passar graxa na corrente, aliás, trabalho que Andréa realizou durante toda a viagem, enquanto Jorge andava com a moto, ela ia passando a graxa com uma escova de dentes… se saiu muito bem, vocês vão ver!!! Infelizmente os viajantes não tiraram nenhuma foto do Hotel, por isso usarei uma imagem disponível na internet.
Com cerca de 2 km chegaram na Aduana Brasileira, onde foram atendidos por uma simpática garota que propôs carimbar os passaportes, já que era a primeira saída internacional do casal. Estavam debaixo de uma tempestade, uma chuva que prejudicava a visibilidade e a segurança, decidiram aguardar até que a chuva diminuísse, a atendente, muito gentil, sugeriu que ficassem sob a proteção de uma das cabines desativadas, o clima melhorou somente por volta das 10h, horário em que saíram da Aduana Brasileira em direção à Ponte que separa o Brasil da Argentina. Impossível tirar foto da ponte, da placa de divisa, davam graças de enxergar o carro da frente.

Começaram a viagem pela Ruta 12, estranharam: pela primeira vez, viam placas e avisos em uma língua diferente da sua.

A chuva foi diminuindo. Pararam em El Dorado para abastecer e qual não foi a surpresa quando os dois cartões de Jorge foram recusados, tanto o de débito quanto o de crédito. Era a primeira vez que usavam o cartão fora do Brasil, tiveram certa preocupação, já que do uso destes cartões dependia o restante da viagem. Procuraram por um banco 24 horas, e após rodar um pouco na cidadezinha, encontraram um caixa eletrônico e conseguiram sacar dinheiro… Ufa, que susto!! Mas podiam continuar a viagem.
As fotos foram poucas neste início de viagem, Andréa ainda se ajustava à vida de co-piloto, fotógrafa, navegadora, e tudo em cima de duas rodas!
As estradas estavam excelentes, e sem pedágio para motos: todos liberados!
Estavam felizes por passar pelas cidadezinhas que, até então, só conheciam de nome, pelos mapas.
Pararam para comer um lanche pronto na estrada e Andréa pode usar um pouco seu espanhol enferrujado pela falta de prática.Primeira situação engraçada com as palavras: “Jorge perguntou aos frentistas onde ficava o banheiro… no que os rapazes questionaram “baño”??? Jorge respondeu, não, não, não quero tomar banho, somente ir ao banheiro… Eu, aqui do meu lado, só ouvindo a conversa…aí resolvi intervir… é isso, amor, “baño” mesmo, significa banheiro!!! foi o primeiro momento engraçado envolvendo a comunição”.
Chegaram a Corrientes por volta das 18:30h.
Encontraram o Hotel Confianza, indicação excelente de um viajante, como não havia estacionamento coberto, o recepcionista, um senhor muito gentil, sugeriu que Jorge colocasse a moto em uma salão que estava em reforma.
Detalhe: o salão, bem como toda a recepção, tinha piso em porcelanato… chegou a dar um aperto no coração de Andréa ao ver a moto, imunda, passando pela recepção do hotel linda e limpíssima.
Ao entrar no quarto, a primeira atitude de Andréa foi ligar a TV, estava curiosa para ouvir a língua local e ver a programação de um país diferente. Mas para sua surpresa, adivinhem o que estava passando????? Isso mesmo, NOVELA brasileira, passava a novela Caminho da Índias, mas falada em espanhol. Adivinhem de quem lembraram na hora??? Do pai da Andréa, Fred e do Mendes, noveleiros assíduos. Foi interessante ouvir os atores falando uma língua diferente, no mínimo curioso!

 

Plaza Juan de Vera

Após um belo banho e virar as roupas do avesso (vocês não imaginam o cheiro que elas emitem… e a viagem estava apenas começando…, bem que os viajeros já tinham avisado sobre isso!), aproveitaram que ainda estava cedo e anoitece bem mais tarde, e foram dar uma volta na praça da cidade.

 A Cidade de Corrientes foi fundada no dia 3 de abril de 1588 por Don Juan de de Torres Vera y Aragón um homem espanhol, e ficava situada no lugar conhecido como Punta Arazatí que em idioma de Guaraní significa florestas de Guayabos. No princípio foi chamada de “San Juan a Vera de las Siete Corrientes”, “San Juan” devido ao padroeiro, a “Vera” por causa de seu último nome, e “las Siete Corrientes” porque foi fundado no lugar onde sete pontos de pedra são moldados através de fluxos de água diferentes. Com o tempo passou a ser chamada de “Corrientes”, tornando-se a cidade da capital da província.
Com uma boa infra-estrutura turística, mantém um estilo urbano e arquitetônico que é sem igual no país, possui Museus e Igrejas que apresentam muito da história, da religião e relíquias culturais. Ainda é equipada com hotéis confortáveis e modernos, muitas lojas de doces locais, restaurantes, discotecas e um cassino, além de inúmeras outras atrações.

Esta província é uma delicia para os sentidos: um clima quente e acolhedor, as laranjeiras em seus entardeceres, o aroma do chipá recém-assado e o peixe grelhado, a amistosa melodia do chamamé e águas onipresentes.
Iglesia Nuestra Señora de Rosario
Corrientes está situada na região mesopotâmica do país, tem uma superfície de 88.199 km2 e faz divisa ao norte com a República do Paraguai e ao oeste com as províncias do Chaco e Santa Fe; a demarcação em ambos pontos cardinais é marcada pelo rio Paraná. Em direção ao sul, separando-a da província de Entre Ríos, estão os arroios Guayquiraró e Mocoretá; ao leste, depois de atravessar o rio Uruguai estão a República Oriental do Uruguai e a República Federativa do Brasil. Ao nordeste, e separada pelos arroios Itaembé e Chirimía, situa-se a província de Missiones. Conta com aproximadamente com um milhão de habitantes. As cidades mais povoadas são a cidade capital Corrientes, Goya e Paso de los Libres.

Cultura

Plaza 25 de Mayo

Esta província condensa diferentes tradições indígenas, principalmente, a dos guaranis. Estas influências redundam em seus costumes, gastronomia, música e artesanato. É por isso que o chipá, pão de queijo feito com farinha de mandioca e oriundo do Paraguai, pode ser degustado, praticamente, em todos seus recantos. E também pode ser escutado o chamamé, um gênero folclórico próprio da Mesopotâmia, caracterizado por suas melodias alegres e o uso predominante da sanfona.

Economia e produção

Junto com a pecuária, nas últimas décadas acrescentaram-se atividades não tradicionais como a florestação e a horticultura intensiva ou sob invernadeiro, especialmente nos departamentos de Goya e Lavalle, e focalizados, principalmente, na produção do algodão, tabaco, erva-mate e arroz, estes dois últimos pilares da economia correntina.

Uma das áreas da economia que mais cresceu é o turismo, especialmente, o focalizado na natureza, aproveitando os recursos oferecidos por seus cursos de água como o rio Paraná, o Uruguai, o Corriente, o Santa Lucía e os esteiros do Iberá. Entre as atividades que podem ser realizadas, está a pesca, caiaque, náutica, avistagem de fauna, aves e senderismo.

Também está a hidrelétrica de Yacyretá, um empreendimento argentino-paraguaio que está situado nos denominados Saltos de Apipe no rio Paraná, na divisa com o país vizinho. Foi escolhido este ponto estratégico para aproveitar os saltos do rio e a fatibilidade de conter as águas através de um represamento situado sobre três grandes ilhas, a paraguaia Yacyretá e as argentinas Talavera e Apipé. A central hidrelétrica gera, aproximadamente, 40% da energia que a Argentina consome.

Religião

Iglesia Catedral de Corrientes
As manifestações religiosas são um traço distintivo da população correntina que se revela não somente através de peregrinações, senão também na importante arquitetura eclesiástica presente nas cidades de Corrientes e Goya. Porém, os dois personagens religiosos de culto por excelência são a Virgem de Itatí, mãe, padroeira e protetora dos correntinos, cuja festa celebra-se a cada 16 de julho, e o Gauchito Gil, um santo pagão que é venerado no dia 8 de janeiro, aniversário de sua morte, quando congrega milhares de fiéis de todo o país. É talvez a figura religiosa de origem popular que mais adeptos na Argentina têm. Sua popularidade é produto de uma lenda que atribui milagres a Antonio Gil Núñez, morto em 1847.
Para conhecer mais:
Após conhecer um pouco do centro da cidade, Jorge e Andréa foram jantar na Pizzaria Los Pinos, um lugar aconchegante, agradável e com uma pizza excelente.
Ao chegarem na Pizzaria, por volta de 20:30h. perceberam que estavam sós… estranharam, mas decidiram entrar e fazer seu pedido.
Com o passar do tempo, as pessoas foram chegando, chegando e quando saíram, por volta das 22h, o local estava movimentado! Já estavam diante de uma diferença cultural que veriam em todos os outros lugares: Argentinos jantam tarde!!!
Plaza Juan de Vera

Infelizmente não tiveram tempo de ver outras maravilhas de Corrientes, mas mesmo sem conhecê-las, Jorge e Andréa gostaram desta cidade linda, organizada, limpa, segura, com um povo simpático e super receptivo, com clima agradável.

Depoimento de Jorge e Andréa:
“Ficamos ENCANTADOS   com esta cidade, adoraríamos ficar mais tempo!”
Total de Km Rodados: 640
Abastecimento: 49 litros
Hospedagem: Hotel Confianza (Calle Mendoza, 1129, Tel. (03783) 42-6556
Valor da diária: $ 185,00 Pesos
5 Estrelas: Muito bonito, limpo, excelente café da manhã (simples, mas num lugar aconchegante e com a melhor “media luna” de toda viagem e um pessoal simpático, excelente localização, melhor hotel da viagem.
Gasto total (com alimentação): R$ 213,00

Rumo a Santiago del Estero

6º. Dia – 06.12.2010

Corrientes – Santiago Del Estero – AR

Antes de sair, tomaram o café da manhã que era servido em uma Padaria e Confeitaria, “Tía Doris”, a cerca de duas “cuadras” do hotel e ficaram maravilhados com a “media luna”, um crossaint, que pode ser doce ou salgado, é que é comum em todo café da manhã na Argentina.

Detalhe engraçado: a atendente perguntou se as medias lunas seriam “dulces o salgadas”, mas não compreendemos bem o que ela quis dizer e pedimos salgada, depois percebemos que poderíamos ter pedido uma de cada… dificuldades da língua.

Saíram de C7-Corrientes-Santiago-del-Esteroorrientes às 8:30h., passando pela Ponte Genereal Belgrano, que liga as cidades de Corrientes e Resistência.

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Na estrada, em meio a muitos campos de plantações, após cerca de 200 km rodados, surgiu a vista mais bela: CAMPOS DE GIRASSÓIS.
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Depoimento Andréa: “Para qualquer lado da estrada que se olhasse, lá estavam eles, nos acompanhando… fiquei encantada, emocionada com tamanha beleza e grandeza. Olhávamos os campos e havia girassóis até onde nossas vistas podiam alcançar!”.

Andaram entre os Girassóis por mais de 200 km, pararam para fotografar, para andar entre e7-Corrientes-Santiago-del-Estero-%284%29les, para aproveitar um pouco mais daquela beleza.

Era uma visão diferente de tudo que tinham visto até ali.

O casal agradece a Laurindo-BA, pela dica, valeu a pena os kms a mais. Explicando melhor: Jorge tinha pensado em realizar este caminho pelo Chaco argentino, conversando com Laurindo, que já realizou esta viagem, este sugeriu que mudassem a rota, evitando passar no Chaco, devido a seu extremo calor e retas intermináveis.
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Depoimento Jorge: ” E eu pensava que na Bahia fazia calor. Nesta região entre Corrientes e Salta, conhecido como Chaco Argentino, o calor chega a ser quase insuportável. Ainda mais se você estiver usando jaqueta e calça pretos, de cordura com forro “impermeável”, aí a coisa fica complicada mesmo. Não é a toa que existe um vilarejo nesta rota chamado : Tampa Del Infierno. E acho que a tampa fica aberta direto…”

Por volta das 12h, decidiram parar para abastecer e comer alguma coisa, porém na estrada não havia opções de onde comer, pois os postos não tinham este serviço.
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Entraram então no “pueblo” de Quinilli. Depois de muito procurar, já que praticamente tudo na cidade estava fechado, encontraram um “comedor” aberto. Ao entrar perceberam que eram os únicos no lugar, os demais faziam parte da família do dono, sua esposa, filhos, netos, todos almoçavam na maior mesa do local. Questionaram o porquê de tudo fechado e então souberam que se tratava da “siesta”, tão comum nos países latinos. (Uma pena o Brasil não seguir esta tradição!!!!)

Depoimento Andréa: “Fomos super bem recebidos, o dono, um senhor super simpático, que infelizmente não me lembro o nome, nos atendeu, nos deu dicas de caminho. O engraçado: ele não enxergava o mapa, então falava e pedia ao filho para localizar as cidades que ela ia dizendo… disse para não deixarmos de passar pela região de Tucunam, contou que sua família toda é de lá e o lugar é um dos mais bonitos da região. Foi uma ótima experiência”.
Decidiram conhecer a comida local, experimentar um lanche chamado Lomito e outro chamado Milanesa, pediram os dois, acreditando que eram lanches como no Brasil. Os lanches eram feitos ali mesmo, em uma cozinha no salão do bar, coisa bem “rústica”. Surpresa: chegaram dois lanches enormes de grande, que poderiam ser comidos por uma família inteira, um com um bife gigante à milanesa e o outro grelhado, com ovos fritos, muita (ensalada) alface, tomate, maionese, queijo, presunto… Vale a pena provar!!!

Depois de uma boa conversa, em portunhol, de ambos os lados, e de conhecer um pouco daquele povo de muita simpatia e pagar um preço irrisório diante de tanta fartura, o casal decidiu seguir viagem. Ao subir na moto, perceberam que toda a família, mesmo sentada ainda lá dentro, acenava e dizia “Buen viaje y Va con Dios! Suerte!”. Frases que ouviram durante toda a viagem, de TODA pessoa com quem trocavam mesmo que apenas uma palavra.

Arrependeram-se de não tirar foto com toda a família!!! Mas levaram a foto do lugar, para guardar na lembrança.

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Ao chegarem a Sancho Curral, sabiam que iriam pegar um atalho, que encurtaria a estrada, porém através de um caminho com mais cara de aventura… E que aventura!!!

Andaram por 33 km em uma estrada de cimento, isto mesmo, placas de cimento, que não cabiam dois carros ao mesmo tempo, e que é passagem de motos, carros e caminhões enormes.
7-Corrientes-Santiago-del-Estero-%2812%29Depoimento Jorge: “Esta estrada é larga, porém de rípio (terra batida e pedrisco por cima) com uma faixa da largura de um caminhão, feita de cimento. Só passa um de cada vez. Nos primeiros quilometros eu fui devagar, preocupado com os carros que cruzariam conosco e me fariam sair para o rípio, e eu tinha de estar bem devagar para não derrapar nesta transição até que pudesse voltar para a “pista”. Grata surpresa: todos os veículos que se aproximavam no sentido contrário, fosse carro, caminhão ou ônibus, diminuíam sua velocidade e saíam da pista para o rípio deixando o caminho de cimento para a moto! Durante todo o percurso, todos que passavam por nós, acenavam, buzinavam e piscavam faróis nos saudando, e nos davam espaço na pista… não passamos nenhum sufoco, só emoção mesmo! É claro que acenávamos de volta, agradecendo a todos. A impressão que passava era de que todos eram amigos, todos eram gentis! Fiquei imaginando como seria se estivesse no Brasil, e lembrei das 5 vezes que os caminhões ou ônibus me jogaram para fora da pista no primeiro dia de viagem, entre Lauro de Freitas e Gov. Valadares. Quando resolviam que queriam ultrapassar algum veículo mais lento que eles, não importava se havia acostamento ou não, saíam para a contra-mão piscando faróis sem parar como que avisando: saia da frente porque eu não estou nem aí!”

Chegaram a Santiago Del Estero por volta das 17h. Após tomar um ótimo banho, colocar as roupas do avesso (o odor piorando!!!) e pegar as indicações de onde encontrar lan house, onde comer, saíram para conhecer a cidade!
Depoimento Jorge:

“Apesar de termos desviado da Ruta 16 (vide mapa no inicio desta postagem) e evitado a parte mais quente do Chaco, até aqui a viagem parecia apenas uma prova de resistência, chegando até a parecer monótona. Retas intermináveis numa planície que parecia não ter mais fim (o pneu chega a ficar quadrado) e um calor absurdo, faziam com que o dia realmente ficasse longo e muito cansativo. Se um dia fizer novamente esta viagem passando por aqui (e espero fazer) lembrarei de trazer roupas leves para pilotar e não apenas as roupas pesadas para o frio”.

Total de Km Rodados: 641
Abastecimento: 31 litros
Hospedagem: Hotel Coventry – http://www.hotelcoventry.com.ar/
Valor da diária: $ 270,00 pesos
5 Estrelas: Muito bonito, limpo, ótimo banho, excelente café da manhã, excelente localização (quatro quadras do centro), porém um pouco caro.
Gasto total (com alimentação): R$ 208,00

Conhecendo Santiago del Estero – Argentina

 6º. Dia – 06.12.2010

Conhecendo Santiago Del Estero – AR
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Prefeitura de Santiago del Estero
Santiago del Estero é a capital da província que leva o mesmo nome e que se limita ao Noroeste com Salta, ao Norte e Noreste com Chaco, ao Sudeste com Santa Fe, ao Sul com Córdoba e ao Oeste com Catamarca e Tucumán. Está localizada no norte argentino, a cerca de 1042 km de Buenos Aires, e fica à margem do Rio Dulce, tem uma população de 230.614 habitantes. É a cidade mais antiga da Argentina, foi fundada por colonizadores espanhóis, tendo como apelido “Madre de Ciudades” (Mãe das Cidades).
Santiago del Estero é também o berço do folclore argentino. Através de sua música popular, suas lendas, crenças e tradições foram sendo transmitidas de geração em geração e ainda hoje vivem no espírito santiagueño. 

Vários povos ameríndios moravam na região da Província de Santiago Del Estero: diaguitas, vilelas, tonocotés. Tinham distintos modos de vida, desde a caça e colheita até a agricultura e o comércio. No século XV os incas tentaram conquistar o território, e no século XVI os espanhóis.
Em Santiago você poderá encontrar cerca de 100.000 falantes de uma variante local do Quechua, a língua dos antigos Incas, que habitaram a região, sendo uma dessas variantes, uma das poucas línguas indígenas sobreviventes na Argentina moderna.
Nos últimos anos, a província passou a ser o centro termal e possui o Spa mais importante da América Latina. As águas termais são uma fonte de energia e vida para todo aquele que procura esse momento de relax tão desejado. Suas águas curativas e piscinas estão abertas o ano inteiro oferecendo assim aos turistas a possibilidade de desfrutar do sol tanto no verão como em pleno inverno. O clima é subtropical com uma estação seca, normalmente no inverno e às vezes no outono, e uma precipitação anual de 300 mm, apresenta, na maior parte do tempo, clima seco e quente.
Sua história está cheia de mitos e lendas que fizeram da província um dos centros mais fortes do turismo cultural e religioso do país, possui diversas atrações turísticas e históricas.
8-Santiago-del-Estero-%287%29A Catedral é a mais velha igreja da Argentina, fica em frente a Plaza Libertad, tendo sido residência do Bispo del Tucumán, no começo do Século XVI.
O edifício original foi contruído e restaurado em diversas ocasiões, porém sua primeira construção, com teto de palha e piso de terra pisada, foi erguida em 1591, sendo destruída 20 anos depois, quando foi desgastada pelas interpéries climáticas. Somente em 1611 se decidiu erguer uma nova igreja, com madeiras nobres no norte argentino como Cedro e Nogal, porém só 4 anos depois de sua construção, a igreja foi totalmente destruída por um incêndio.

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Sua terceira construção foi finalizada em 1617, porém repetidas enchentes do Rio Dulce, nos anos 1627, 1628 e 1667 foram destruindo, gradualmente, o templo maior, que desabou totalmente em 1677, com uma nova cheia do rio.
Em 1686 é reinaugurada pela quarta vez e em 1817 sofre vários danos devido a um forte tremor que a cidade sofreu.
A Iglesia Catedral que hoje se aprecia foi reinaugurada em 1877 e foi construída por Nicolás e Agustin Cánepa, com uma marcado estilo Neoclássico, que estava em alta no momento de sua recriação.
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A fachada possui um estilo coríntio marcado por duas torres com campanários e um frontal triangular que representa as cenas evangélicas em que os apóstolos são enviados por Jesus Cristo. Em um altar exterior do templo se ergue a imagem de San Francisco Solano, evangelizador da região de Tucumán.  Desde 1983, em seu exterior também se observa uma réplica da Cruz de Crucificação de Cristo.
Em seu interior, o templo está dividido em três naves. A nave central é em forma da cruz latina e está coroada por uma cúpula revestida com “mayólicas” (tipo de cerâmica de acabamento em vidro especial).
Entre as imagens e detalhes que podemos apreciar nas na8-Santiago-del-Estero-%2810%29ves laterais, se destaca La Capela do Santíssimo precedida por uma antiga imagem do senhor da saúde.
No altar se conserva uma imagem da Virgem que data do início do século XVII, se trata de uma imagem pequena construída com argila de grande valor artístico e religioso.
Em 1953 a igreja foi declarada Monumento Histórico Nacional devido a suas imagens.
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Na Plaza Libertad, onde se encontra o Monumento da Liberdade é onde ficam os principais restaurantes, bares, cafés da cidade. A noite é agitada e as pessoas aproveitam o espaço para conversar, namorar, brincar com as crianças. 
Eram 22h e parecia fim de tarde, de tanta gente circulando. Relamente os argentinos gostam da noite, jantam tarde e também dormem tarde.
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Nesta praça também se encontra Centro Cultural do Bicentenário, se trata de um espaço de produção cultural dos santiguenhos, orientado para o mundo contemporâneo.
Como uma caixa de jogos, contém objetos que se articulam de diversos modos, permitindo revisitar conceitos e conteúdos, dando-lhes uma nova interpretação e facilitando a apropriação de elementos e propostas que cercam a atualidade e o mundo – a região, o país, a América Latina e que também permite aos santiaguenhos mostrar-se ao mundo.
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Sua concepção se baseia na articulação de três organismos que marcam a trajetória histórico-cultural do sistema santiaguenho, que são O Museu Histórico da Província Dr. Orestes Di Lullo, o Museu de Ciências Antropológicas e Naturais Emilio e Duncan Wagner e o Museu de Belas Artes Ramón Gómez Gornet.

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Como uma caixa de ferramentas, o CCB procura ser um instrumento de troca social, promovendo investigações, propostas, estudos e projetos orientados para o reposicionamento dos santiaguenhos no mundo contemporâneo.

 

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A parte mais interessante é que se passa de uma ala antiga para uma ala super moderna, a sensação é de andar no tempo.
Para conhecer mais:
Neste dia, Andréa teve a MARAVILHOSA notícia de sua aprovação no Mestrado, enquanto acessavam a internet para atualizar o blog e mandar notícias, em uma Lan House horrível, de péssima qualidade e atendimento, que fica no subsolo de um prédio em um dos quarteirões da praça central.
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Após conhecer um pouco da cidade, mandar notícias para a família, decidiram jantar e começaram, então, a pedir sugestões a pessoas que encontravam. Um garçom de um bar que só serve bebida (não tem nada para comer, o pessoal senta somente para beber mesmo), sugeriu aos dois o Restaurante, onde o casal pode experimentar o LOMO de Chorizo (uma carne grelhada super, ultra saborosa e macia) e tomar a famosa cerveja argentina.
Depoimento Jorge:
“Lomo de Chorizo. Esse é o nome da melhor carne que eu comi em toda essa viagem. Pelo que eu entendi, lomo seria um belo bife e chorizo me pareceu ser a forma como ele é preparado. Acompanhado de purê de papas (batatas) e esta pequena garrafa de 1 litro de Imperial (pense numa cerveja gostosa!).
Sem dúvida, esta foi a melhor refeição de toda a viagem, ao menos para mim”.

Seguindo em direção às grandes montanhas…

7º. Dia – 07.12.2010
Santiago Del Estero – Salta – AR
Saída de Santiago Del Estero às 08:15h em direção a Salta, tinham dois caminhos, um mais rápido e simples, sem emoção; e outro, indicado pelos amigos Laurindo-BA e China-MG, passando por Tafi Del Valle, trilhariam uma serra, com emoção. E foi incrivelmente lindo, mas realmente com muita emoção, pois andaram o tempo todo ao lado de um abismo e a estrada, embora bem sinalizada e asfaltada, mal cabia dois carros ao mesmo tempo, além de ser totalmente em curva. Mas valeu a pena, valeu muito a pena!!!
Por uma estrada belíssima e super bem cuidada, o casal seguiu em direção a Tafi Del Valle, passando por Bella Vista, um “pueblo” de onde se pode ter a primeira vista das grandes montanhas. Por volta das 10:30h da manhã, entre os povoados de Bella Vista e Famalla eis que surge ao longe a presença das gigantes montanhas.
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Depoimento Andréa: “Estávamos em uma reta, de repente ao olhar pra frente avistei algo que se confundia com nuvens baixas, falei pra Jorge: amor, aquilo são montanhas??
Ele respondeu: acho que não, parecem nuvens!! Não, acho que são montanhas… Quando nos demos conta, estávamos tendo a primeira visão de grandes, imensas montanhas. Foi uma emoção, impressiona demais, chorei rsrsrsrsr. Uma sensação incrível e super diferente, e ainda nem eram as Cordilheiras…”
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Para chegar em Tafí Del Valle, se passa por uma serra belíssima, as Serras Del Aconquija, com vales na lateral da estrada, que forma ribanceiras e por rios de geleiras, secos no verão e que se encherão de água com os desgelo das cordilheiras ao redor. São rios imensos, que, nesta época, são formados de pedras.

9-Santiago-del-Estero-Salta-%2811%29Depoimento Jorge: “A pista estreita, curvas fechadíssimas (muitas feitas em 1ª marcha) repleta de animais na pista, tinha de tudo: Lhama, vaca, galinha, porco, burro, cavalo… Uma subida impressionante, sempre com uma parede de pedra de um lado e um desfiladeiro do outro. E sabem do pior? Quando chegamos lá em cima a vontade era de descer tudo e subir novamente…  heheh…”

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Antes de chegar a Tafí Del Valle, o casal passou pelo Monumento ao Índio.
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O Chasqui (a palavra chasqui vem do idioma quéchua e significa “mensageiro, agente do correio, transportador), mais popularmente conhecido como Monumento ao Índio, é uma escultura de 6 metros de altura, sobre uma base de 10 metros e localizada a 1000 mts de altitude dentro do Parque Provincial Los Sosa, foi realizada por Enrique Prat Gay e instalada em Janeiro de 1943. Se baseia na obra “Himno al Sol”, quando ao amanhacer um sacerdote indígena se inclina diante do astro e um poeta lhe oferece uma música e canto. Também simboliza o amor maternal, com uma mãe e seu filho. Em seu sentido religioso, representa um casal de devotos, e um guerreiro que deixa sua lança e se apega a cerimônia. Por fim, é a mandinga que cai no abismo, representando a luz do sol dissipando a escuridão.
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Chegaram em Tafi Del Vale, após atravessar uma serra de cerca de 30 km, por enormes vales, muito verde e rios de geleiras, chegando a 2021 mts de altitude. Tafi Del Valle é uma cidadezinha no meio das montanhas, LINDA e muito aconchegante, tiveram vontade de ficar por lá. Toda arrumada, limpíssima e de um povo muito educado.

O nome Tafí del Valle deriva do vocábulo diaguita Taktillakta, que significa “povoado de entrada esplêndida”, na língua aimará quer dizer “lugar onde faz frio”  por causa das características do clima temperado das Sierras del Aconquija. Localiza-se sobre el Vale del Tafí  o que deu origem ao seu nome.
Este povoado se originou a mais de 7 9-Santiago-del-Estero-Salta-%2813%29mil anos e a cerca de 2300 anos se estabeleceram povos agricultores decendentes da cultura Tafí, em meados do século XVI, surge a presença dos realistas, porém com a usurpação espanhola, o vale não puderam se consolidar sobre o vale, devido a forte resistência oferecida pelos diaguitas e calchaquies, povos que viviam sobre o vale.
A cidade se encontra a 107 km de San Miguel de Tucumán, a 2000 mts de altura, entre as Serras Del Aconquija ao sul e Cumbres Calchaquíes ao norte, conjugando paisagens charmosas e um clima ideal para descanso, possui um clima temperado, com um inverno seco, podendo nenvar e uma temperatura que oscila entre -10º. e 20º., podendo chegar a 28º. de dia e 13º. a noite, no verão. Possui uma população de 7000 habitantes.
Depoimento Andréa: “A cidade é uma graça, incrustada em um vale, em meio a montanhas, toda arrumadinha e muito linda… fiquei imaginando uma noite de luar e um belo vinho em uma das cabanas que ficam no alto dos vales que cercam Tafí… valeu a pena andar um pouco mais e conhecer esta beleza!”.
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De beleza espetacular, perfeita para um cartão postal, a cidade é um convite para cavalgadas, caminhadas, excursões até as montanhas e praticar atividades de aventura como parapente, mountain bike ou enduro.
Também se pode simplesmente desfrutar da paz nas alturas, e compartir um lugar sem igual no mundo inteiro. Há variedades arqueológicas, museus vivos, casas de artesanato, e também se pode saborear a deliciosa gastronomia do noroeste argentino.
Neste lugar, se faz artesanato com a pedra nacional que os indígenas usavam e que hoje em dia é chamada rodocrosita ou Rosa do Inca. Pedra que também é usada na construção de casas, igrejas (como desta foto) e monumentos.
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Depois de abastecer e almoçar em Tafí Del Valle, comer novamente um Lomito, seguiram viagem, a paisagem começa a ficar mais árida, o verde mais rasteiro dá lugar ao cinza, o frio começa a ficar mais intenso e o ar rarefeito, chegaram a 2990 mts de altitude.
Depoimento Jorge: “Depois que saímos de S.D.Estero e começamos a nos aproximar de uma cadeia de montanhas muito alta, achamos que estávamos nos aproximando das cordilheiras e ficamos muito empolgados. Depois que passamos por Tafi Del Vale e subimos mais um bocado, chegamos ao topo daquelas montanhas e tivemos uma visão maravilhosa e perturbadora ao mesmo tempo: agora sim estávamos vendo a Cordilheira dos Andes, a algumas centenas de quilômetros à frente!!! As montanhas que acabávamos de subir era a pré-cordilheira…
A primeira visão da Cordilheira que se impõe majestosa à nossa frente mais parecia a de uma muralha intransponível. Chegava a dar um frio na barriga de saber que dali a 2 dias estaríamos subindo aquelas montanhas que se confundiam com o céu no horizonte. Devo confessar que nesse momento bateu um certo medo. Será que a moto iria agüentar aquela subida com todo aquele peso sem chiar? E eu, gordinho, fumante, um tanto sedentário, aguentaria a falta de ar, o soroche (como alguns chamam o mal das alturas)???
Uma surpresa nos aguardavam nas alturas…”

9-Santiago-del-Estero-Salta-%2818%29Vão agora em direção ao Parque Nacional Los Cardones, um parque nacional da Argentina, criado em 1996 com uma área de 65.000 hectares, localizado na Província de Salta.Situa-se numa zona de serrassecas, entre os 2700 e os 5000 metros de altura, sendo o seu nome originário da vegetação característica desta zona. Existem vestígios paleontológicos de importância, como pegadas de dinossauro com 70 milhões de anos, que são objecto de estudos científicos, além de pinturas rupestres. Esta área era importante para as culturas pré-hispânicas, uma vez que aqui os pastores encontravam água e pastagens que providenciavam alimento para os seus rebanhos.

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Neste trecho tiveram o primeiro contato com os cactus gigantes, uma espécie em extinção, natural da região, o tamanho dos cactus impressiona, chegam a mais de 7 metros de altura, demoram 20 anos para florescer e crescem entre um e dois centímetros por ano.

Contam as lendas de povos longícuos, que os indígenas vigiavam os vales e montanhas da presença de estranhos, e que estes se transformaram nos Cardones (Trichocereus pasacana), preciosos vigias do deserto, que dão o nome ao parque.
As montanhas têm tanta pedra que tudo é feito delas, as casas, o comércio; vejam o posto de gasolina e loja de artesanato, no final do caminho de serra, antes de Cafayate. Neste posto, conheceram um casal de americanos, que vivem no Chile e também está indo para o Deserto do Atacama.
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Ao final da serra chegam a Cafayate, passam por inúmeros vinhedos, é a Ruta del Vino de Salta, e por fábricas de Alfajor, pena estarem de moto e sob um calor absurdo, o que não possibilitou nada além de comer um alfajor cada um… deixando a vontade de carregar alguns para comer depois!!!
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Tinha alfajor de todos os recheios das mais diversas frutas, além de tipos diferentes de chocolate e doces caseiros. O que foi possível carregar foi um doce de figo.
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Cafayate ocupa a parte sul do Valle Calchaquí: terra do sol e do bom vinho. Conta com uma superfície de 1820 km quadrados, sendo 1,2% do total da província de Salta.  Tem uma população de cerca de 9400 habitantes e, segundo Samuel Lafone Quevedo, um dos maiores estudiosos de arqueologia do vale, o significado de seu nome deriva da língua cacana dos diaguitas, antigos moradores da região, a tradução literal seria Cahuayti ou cawayati, sendo o verbo caway – observar, e ati – astro lunar. Outros autores falam em outras divisões. O mais provável, segundo Atilio Castillo, é que o nome Cafayate se deve que entre as tribos diaguitas se encontravam os capayanes, que habitavam o sul da Catamarca, podendo derivar de capayan e asta (povo), sendo povo de capayanes.

Saindo de Cafayate, surgem novas montanhas, a Serra Cumbres Calchaquíes e a paisagem muda novamente, e de verde se torna terracota, o frio aumenta e a secura começa a fazer parte da viagem. Tudo em volta se torna imensas montanhas vermelhas, que faz o ser humano sentir sua pequenez diante da natureza.

Chegam a Quebrada de las Conchas, também conhecida como Quebrada de Cafayate, é um obstruído vale ou quebrada muito conhecido pelas suas belas paisagens. É um estreito vale satélite do sistema dos Valles Calchaquíes. Por esta quebrada, segue o Rio de las Conchas, unindo as cidades de Cafayate e Salta. Conta com paisagens de cores variadas, e trata-se de um acidente geologicamente moderno, produzida por movimentos tectônicos que tiveram lugar nos últimos milhões de anos, modificados por erosão.

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Entre estas erosões, se destacam a Garganta Del Diablo, rochas sedimentares avermelhadas, desgastadas pelo fluxo de água concentrada em passados geológicos.

 

Entre outras formas, está o Anfiteatro, recinto circular, a céu aberto, talhado em uma rocha por uma cascata hoje desaparecida. Neste anfiteatro natural, ocorrem espetáculos de música, que são privilegiados pela surpreendente acústica do lugar. Recentes investigações arqueológicas determinaram que a poucos metros da atual rota 68 (por onde passaram o casal), discorre um caminho inca, agregando uma relevância arqueológica ao lugar.
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Neste anfiteatro fica um músico, que recebe os visitantes tocando instrumentos próprios da cultura saltenha e andina, chama-se Catriel e é o responsável pelo fundo musical ouvido em muitos vídeos criados pelo casal de viajantes.Ao ver a moto de Jorge, Catriel quis subir para experimentar. Não podiam perder a chance desta foto.
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Depoimento Andréa: “Ao chegar, ao entrar neste espaço, minha primeira sensação foi de ajoelhar, é algo IMPRESSIONANTE, não tem outra palavra que possa descrever”.
Você consegue ver a Andréa nesta foto? E o Jorge? Imaginem o tamanho desta montanha…

Esta, com certeza, foi uma das partes mais emocionantes da viagem. Paisagens fantásticas, belíssimas e inesquecíveis.

“Obrigada aos ‘viajeiros’ que nos ajudaram no roteiro, sem dúvida, teríamos perdido muito em fazer outro caminho.”

Chegando em Salta

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Chegaram a Salta (La Linda) por volta das 19h., um pouco cansados, mas extasiados com tanta beleza. Procuraram pelo hostel indicado por um viajante e logo o encontraram. Uma graça de hospedagem, com um pessoal muito alegre, receptivo e gentil. Como não havia estacionamento próximo, adivinhem o que aconteceu???

Este é o Hostel Yatasto, de Hector, chileno, e sua família, esposa brasileira e filha (adotiva) também brasileira, para alegria do Jorge a moto passou por este corredor estreito, entre bancos e a linda decoração e ficou na porta do quarto.
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Depoimento Andréa: “LLEGAMOS a Salta!!!!!!!!!!!!!!! A parte mais bonita e mais emocionante da viagem até aqui, IMAGENS FANTÁSTICAS,  acho que a palavra ideal é IMPRESSIONANTE, as fotos não mostrarão o que realmente sentimos diante da grandeza da natureza neste trecho da viagem!!! Vimos as lhamas pela primeira vez, cactos gigantes e montanhas, montanhas gigantescas, realmente foi de EMOCIONAR, chegamos na maior altitude até aqui: 2990 mts, foi tudo tranqüilo, nem percebemos, o que foi bom sinal. A viagem foi tranqüila, tudo está ótimo, as cidades, as estradas excelentes, até as mais “exóticas” são arrumadas, cuidadas, estamos adorando a Argentina, estou pensando até em viver por aqui hehehehehehehe”.

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Depoimento Jorge: “Laurindo, seu índio maluco, bem que você me falou que eu iria agradecer por me tirar do Chaco Argentino e me mandar para estas bandas…    Você tinha toda a razão: muito obrigado por ter mudado todo o meu roteiro e aumentado a viagem de ida em dois dias. Valeu demais a pena. Quem sai de Santiago Del Estero e segue para Salta direto pela Ruta 9 não faz idéia do que está perdendo. Somente pelo Anfiteatro já valeria a pena. Mas ainda tinha a serra que sobe para Tafi Del Vale, a quebrada de Cafayate, os Cardones, a cidade de Cafayate…

Se até chegar à cidade de Santiago Del Estero a viagem estava um pouco monótona, mas agora sim ela estava ficando muito divertida e fantástica. Era tanta curva em seqüência que a moto só não andava de pé, era sempre inclinada para algum lado. Foi bom para arredondar os pneus novamente… hehehe.”
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Depois de um bom banho, novamente virar as roupas do avesso (agora chegou a um ponto crítico) e pegar os mapas turísticos da cidade, o casal decidiu sair para jantar e andar um pouco para conhecer La Linda a noite. Como em todas as cidades até ali, a noite agitada, repleta de pessoas andando na rua, nas praças, restaurantes e bares. Andréa questionou sobre a existência de perigos em caminhar à noite pelas ruas. Hector e a esposa não conseguiram compreender a pergunta, não entenderam o que queriam dizer com perigo. Após a explicação de risco de assalto, roubo ou algo parecido, riram, dizendo que nunca ouviram falar, nem na TV, de cenas deste tipo. Fato que já haviam percebido e que veriam pelo resto do caminho.

Precisamos conhecer um pouco mais desta cultura e educação, quem sabe iremos aprender algo…mas este será um capítulo a parte no final dos relatos!

Jantaram a famosa “Parrillada” (um prato típico de variadas carnes e miúdos na grelha – http://www.parrillargentina.com.br) e beberam um bom vinho da região de Cafayate, no restaurante El Charrúa (www.parrillaelcharrua.com.ar) um ambiente agradável, comida e atendimento excelentes e um pessoal super simpático. Vale conferir!

Após o jantar foram dar uma volta e conhecer as belezas de Salta a noite, tudo muito iluminado em uma cidade organizada, limpa e muito arrumada.

Total de Km Rodados: 553
Abastecimento: 29 litros
Hospedagem: Hostel Yatasto – http://www.hotelyatasto.todowebsalta.com.ar/
Valor da diária: $ 160,00 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, bem decorado, ótimo banho, bom café da manhã, excelente localização, estilo “casa da vó”. Os donos são uma brasileira e um chileno, excelente receptividade.
Gasto total (com alimentação): R$ 202,00

Descobrindo LA LINDA!!!

8º. Dia –08.12.2010
Salta – Argentina
Pela manhã, o casal decidiu ir conhecer as Igrejas e Museus da cidade, enquanto decidiam se ficavam mais um dia ou saiam rumo a Purmamarca.
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Salta é a capital da província de Salta e uma das mais importantes cidades do noroeste do país. Se encontra localizada ao leste da cordilheira dos Andes, no fértil Vale de Lerma, a cerca de 1 187 m acima do nível do mar. Nas últimas décadas a área urbana estendeu-se até alcançar localidades vizinhas, compondo a região que se denomina Grande Salta.
É uma sede episcopal. Conta com duas universidades (uma delas é a Universidade Nacional de Salta), e numerosas instituições educativas de nível superior, incluindo vários museus e bibliotecas.
Famosa por sua arquitetura colonial, em anos recentes se converteu em um importante centro de turismo. Por seus atrativos recebeu o apelido de Salta, la Linda (“Salta, a linda”). De acordo com os estudiosos, a palavra salta foi produto de uma deformação da palavra aimará (os indígenas originais) sagta, que significa la hermosa (“a formosa”), e por fim finalmente permaneceu “Salta, a formosa” ou “linda”, como se diz atualmente.
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A cidade foi fundada em 16 de abril de 1582 pelo espanhol Hernando de Lerma, cumprindo ordens do vice-rei do Peru, Francisco de Toledo, que tinha o objetivo de criar uma escala na rota entre Lima e Buenos Aires. Durante o período colonial a população cresceu rapidamente pois era abastecedora de matéria-prima para a opulenta Potosí. Fez parte do vice-reinato do Peru até 1776, quando a Coroa espanhola criou o vice-reinato do Rio da Prata. Em 1783 foi designada capital da Intendência de Salta del Tucumán.
Após a independência em 1816, Salta foi arruinada economicamente e submergiu num período de decadência por boa parte do século XIX. A retomada começou na década de 1890, com a chegada da ferrovia e a radicação de numerosos imigrantes espanhóis, italianos e árabes (sírios e libaneses em particular), e a economia local ganhou novo vigor.
Desde meados do século XX a cidade experimenta um acelerado crescimento demográfico, passando de 115 mil habitantes em 1960 a quase 1.000.000 na atualidade.
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Em volta do jardim da Praça 9 de Julho, que marca o centro, perfilam-se uma Câmara Municipal do século XVIII, a catedral e o edifício do museu de Arqueologia de Alta Montanha, onde uma importante coleção. Concentra os mais significativos edifícios da cidade e é a única praça rodeada por árcades. Destaca-se o “Monumento ao General José Antonio Alvarez de Arenales, que acompanhou San Martín na luta libertadora. Ao redor do monumento se pode observar quatorze musas que representam as províncias Unidas do Rio de La Plata que existiam no começo do século XIX.
Salta é uma das cidades que mais preservou sua arquitetura colonial em toda a Argentina. Desta época preserva o Cabildo colonial (século XVIII), a Igreja e Convento de São Bernardo (séculos XVII-XVIII) e várias casas do século XVIII. Possui ainda importantes construções neoclássicas e ecléticas, como a Catedral e a Igreja e Convento de São Francisco.
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O Cabildo é o edifício colonial mais antigo da cidade. As obras da construção se iniciaram em 1780 sob a direção de Antonio de Figueras e se concretizou no mesmo dia da fundação de Salta. Sua torre foi levantada vários anos depois. Mais adiante foi parcialmente demolido: desapareceram a sala capitular, três arcos da planta baixa e quatro da planta alta. Em 1676 se decidiu melhorar a edificação e em 1783 se realizou sua reconstrução. Em 1945 foi restaurado pelo arquiteto Mario Buschiazzo. É o cabildo mais completo e melhor conservado da Argentina. Foi declarado Monumento Histórico Nacional em 1941.

Cabildo colonial é o nome dado às corporações municipais instituídas na América Espanhola durante o período colonial que se encarregavam da administração geral das cidades coloniais. Era o órgão que dava representatividade legal à cidade, através do qual os habitantes resolviam os problemas administrativos, econômicos e políticos do município.

O cabildo é derivado de instituições similares da Espanha medieval, transplantadas à América pelos primeiros conquistadores já no século XVI. Abrigou o governo de Virreynato desde o século XVI até o início do século XIX.
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A Igreja Catedral de Salta foi construída onde estava a primeira catedral da cidade. A edificação é da segunda metade do século XIX. É um Monumento Histórico Nacional; na parte posterior funciona o Museu Catedralício.
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A partir de 1858 se constrói a antiga Catedral danificada por um incêndio, finalizando em 1882. Sua fachada tem um estilo italiano clássico, com frisos e colunas muito trabalhadas sobre as quais se assentam os campanários com arcos que arrematam uma cruz de ferro forjado. É um dos ambientes religiosos de maior suntuosidade no país.
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Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1947.

Em seu interior, possue três naves e um cruzeiro con cúpula, destacando-se por sua ornamentação em cores ocre, verde e azul, além do dourado que ressalta a observação do altar maior, uma manifestação do barroco, obra do arquiteto franciscano Luis Giorgi.

 

 

Procissão do Milagre10-Salta-%2850%29

Se veneram as imagens del Señor e da Virgem del Milagro, patronos tutelares de Salta desde 1962. A cada 15 de setembro, realiza-se na cidade de Salta, a tradicional procissão de agradecimento aos protetores da cidade, O Senhor e a Virgem do Milagre.

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Este fato marca o final da Festa do Milagre, que lembra os terremotos que arrasaram a província no dia 13 de setembro de 1692. Os sismos estremeceram a cidade e destruíram a próspera vila de Esteco. Conforme a história, os tremores não pararam até que as sagradas imagens não foram exibidas pelas ruas da capital em procissão.

 

 

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A Igreja de São Francisco de Salta é um dos mais belos edifícios de estilo neoclássico do século XIX na Argentina. Sua fachada e seus muros vermelhos aparecem em muitos cartões-postais da cidade.

Esta igreja pertence a ordem franciscana e teve várias reconstrucões. A primeira etapa foi concluída em 1625 e posteriomente se contruiu o segundo tempo, em 1674, que foi destruído por um incêndio em meados do século XVIII, dando início a construção da igreja atual, sobre a direção do espanhol Fray Vicente Muñoz, nascido em Sevilla.

10-Salta-%2813%29Foi também decorada pelo arquiteto Luiz Giorgi em sua reforma de 1870, quando se levantou a esbelta torre que acompanha o templo. Com seu campanário separado da nave central, de cinqüenta e três metros de altura, se converte na mais alta da América do Sul, chamada “Campana de La Patria”, foi realizada mediante a fundação dos canhões utilizados na batalha de Salta de 1813, em início do século XIX, foi realizada uma missa fúnebre em memória dos vencedores e vencidos desta batalha.

Na praça da entrada se encontra uma estátua dedicada a San Francisco, o fundador da ordem religiosa, que foi inaugurada em 1926, doada pelo governo italiano de Mussolini.

Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
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O edifício do Centro Cultural América foi construído em 1913, sobre terrenos que pertenciam a igreja de La Compañia de Jesús, e desde 1950 funcionou como Casa de Gobierno, até que em 1987 se transformou no atual Centro Cultural. Foi projetado pelo Arquiteto Arturo Prins e realizado pelos engenheiros Cornejo e Correa.

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Sua fachada é divida em três níveis correspondentes ao ingresso, a planta nobre e a trapeira, conciliando as linhas do acedmicismo francês nos níveis superiores, com o árcade inferior, constituída por três grandes arcos neo-renascentista que dão harmonia ao conjunto e integram com seu entorno circundante.

 

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O interior é notável pela interessante sequência de suas escaldarias, em torno do vazio do hall principal, localizado na primeira planta. A tecnologia da construção com o uso de colunas e perfilados de ferro e bronze, foram vanguarda em sua época. Se destacam os pisos plicromados do tipo veneziano e os vitrais importados de Milão.

Em 1994, foi declarado Monumento Histórico Nacional.

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O Museu de Arqueologia de Alta Montanha (MAAM) é um destino iniludível por exibir elementos de um Santuário de Altura da cultura inca, incluindo as múmias de três crianças indígenas. Os corpos destas três crianças incas mantêm-se em um estado de conservação incrível, com mais de quinhentos anos foram encontradas no cimo do vulcão Llullaillac – onde se situava esta civilização, de cujo império esta zona chegou a fazer parte.
O museu nasceu da vontade do Governo da Província de Salta de resguardar, estudar e difundir os achados dos “Niños Del Llullaillaco”, sem dúvida um dos descobrimentos arqueológicos mais importantes dos últimos tempos. Estas três crianças foram encontradas em Março de 1999, conservados pelo frio, em cima do vulcão Llullaillaco, a 6700 mts de altitude, junto a cento e quarenta objetos que compunham sua bagagem: um particular mundo em miniatura que os acompanhava em sua viagem. Os estudos realizados permitiram supor que viveram a mais de 500 anos, no apogeu do estado inca, pouco antes da chegada dos espanhóis.O MAAM ocupa um histórico e antigo edifício de meados do século XIX, sua fachada, restaurada, se inscreve dentro do estilo neo-gótico da era victoriana. Seu interior foi remodelado, conservando estruturas históricas, a fim de adaptar-lo a sua nova função. Equipado com a mais moderna tecnologia, desenvolve diversas atividades que convergem em torno da conservação, estudo e difusão das valiosas coleções que nele se exibem.
Para assegurar um bom estado de conservação de sua coleção, o ambiente nas salas de exposição estão controlados automaticamente, mantendo o ar filtrado e desbacterizado, a uma temperatura constante de 18º.C e uma umidade relativa de 45%. Também conta com um sofisticado sistema de iluminação controlada que varia sua intensidade nas vitrines na presença do público. As salas de exposição estão equipadas com sons que buscam recriar os cantos, música e sons pré-colombianos. A isto se somam quatro vídeos, documentários de formato moderno. O museu se apresenta de maneira didática, e ao mesmo tempo com uma visão científica, sobre este maravilhoso achado que permite ver e compreender uma cultura que ainda hoje permanece viva em grande parte da América andina.
Infelizmente não se podem tirar fotos dentro do museu, mas para conhecer mais todos podem acessar o site, que apresenta uma visita virtual: http://maam.culturasalta.gov.ar/. Valor de entrada: $ 30,00 pesos por pessoa.
Depoimento Andréa: “Ver as crianças encontradas no vulcão é fantástico, uma sensação de perpetuação da história, e é incrível o estado de conservação em que se encontram. Realmente maravilhoso!”.
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As ruas de Salta são divididas em quarteirões do mesmo tamanho, de tal maneira que alguém habituado às excitantes ruas portuguesas que sobem, descem, estreitam e alargam, se perde em menos de dois minutos. As construções mais altas parecem ser as torres dos campanários das igrejas, pintadas de branco e tons creme que lembram suspiros e gelados – com a escandalosa exceção da Igreja de S. Francisco, cor de tijolo com colunas brancas e rebordos amarelo-dourado.

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A região de Salta consegue combinar zonas andinas áridas com vales férteis e verdes. Os índios Diaguita-Calchaquies viviam nestes vales, e renderam-se à influência inca bem antes da conquista espanhola. A província salteña tem um território variado, com vales temperados, selvas tropicais e desertos andinos. Todas estas regiões têm algo para oferecer do ponto de vista turístico: pitorescos povoados moldurados em paragens solitárias, adegas de vinho e estâncias rurais, artesanato ou paisagens cordilheiranas cheias de colorido. Em Salta também há uma forte cultura musical. Destacam grupos folclóricos como Los Chalchaleros, Los Nocheros e o Duo Salteño.

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Economia

Os cultivos industriais são o tabaco, a cana de açucar, a uva, os cítricos, feijão, pimentão, batata e o algodão. Um promissório cultivo é a quinoa. Em Salta há criação de bovinos, ovinos, suínos, caprinos, asnos e mulas. A atividade de criação de caprinos se complementa com a elaboração de queijos. A criação de camélideos permite a obtenção de lã ou fibra para a confecção de artesanatos e roupa ecológica. Em relação aos minérios, o território apresenta interessantes perspectivas para a descoberta de minérios metalíferos, não metalíferos e rochas de aplicação. Nas minas de produção destacam-se os minerais de boro e de seus produtos derivados, como ácido bórico, bórax anidro e bórax penta.

Quanto à vitivinicultura, 99% da superfície total dos vinhedos salteños produz uvas para vinhos finos, um índice único no país. Atualmente exportam-se desde Salta 1.200.000 garrafas de vinhos Premium a 30 países de todo o mundo. Embora a participação de Salta na produção nacional seja de 15, ressalta a exportação dos vinhos do Vale Calchaquí, com 15% do volume total de envios ao exterios. A intenção oficial é que as adegas salteñas participem de todos os eventos onde puderem mostrar-se e difundir a bondades dos vinhos das alturas.

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Depois do passeio turístico, Jorge e Andréa decidiram almoçar no Restaurante e Pizzaria Paso Del Rey, próximo ao hostel, e como gostaram muito, comeram novamente o tão gostoso Lomito, agora acompanhado com “papas” fritas.

Depoimento Andréa: “Salta é uma cidade linda, muito arrumada, bem cuidada e com um povo muito acolhedor, educado. Realmente estou encantada com esta região da Argentina. A cidade tem muitos pontos turísticos, mas seria preciso mais alguns dias para conhecer todos, aliás, em todo lugar que passamos precisaríamos de mais alguns dias rsrsrsrsrsr O povo desta região cuida muito de sua história e demonstra sentir orgulho de sua cultura. É fantástico estar aqui e isto é apenas o caminho de ida até Atacama, imaginem!!!”.

A Incrível Purmamarca!

8º  Dia –08.12.2010
Salta – Purmamarca – AR
Decidiram sair de Salta por volta das 15:30h rumo a Purmamarca, assim ganhariam um dia de viagem, que poderiam usar em outra ocasião.
Por indicação de Hector fizeram um caminho através de uma serra, linda, porém estreita e bastante movimentada de animais na pista, mostrada no vídeo…

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Chegaram a Purmamarca, por volta das 19h, trata-se de uma cidade pequena cercada por gigantescas montanhas.
Pequena mesmo, a vilazinha é formada por praticamente 12 quarteirões.
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O povoado de Purmamarca é uma pequena aldeia, circundada pelo Rio Purmamarca e por dois cerros, se encontra a 3 km da Rota Nacional no.9, a 65 km de San Salvador de Jujuy e seu nome significa “Pueblo de La Tierra Virgen” na língua aymará. Sua origem é pré-hispânica, do início do século XVII, está localizada a cerca de 2300 mts de altitude. O clima da região é temperado, com máximas de 25ºC e mínimas de 2ºC.
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Seu traçado urbano de construções de adobe e tetos de cordão, palha e barro, foi realizado em torno da igreja datada de 1648, consagrada a Santa Rosa de Lima, em estilo clássico Quebradeño (da região das Quebradas), de nave única e angosta, com muros externos de adobe e uma típica carpintaria de cardón em seu interior, onde se encontram imagens e pinturas do século XVIII. Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
Persiste entre este12-Purmamarca-%286%29 povo, costumes pré-hispânicos importantes como as celebrações comunitárias com a participação do povo. Também é importante o culto a Pachamama e outros ritos anteriores a colonização, podendo se observar como vivem os cultos indígenas com as igrejas coloniais.

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A música também é protagonista principal nesta área, onde é executada com instrumentos próprios como: sikuris, quena, cajá, erque, erquencho e charango.

12-Purmamarca-%2826%29A pequena localidade adquire relevância na região por sua admirável paisagem montanhosa e por contar com excelente infra-estrutura de alojamento, gastronomia e passeios.

O pequeno povoado é uma atração especial porque se encontra localizada na base dos majestosos cerros multicolores. A imponente Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio da Humanidade, é o eixo desta área por onde corre o Rio Grande. Ao transitar nas ruas do pequeno povoado, se pode observar os vistosos cerros, entre eles se destaca o “Cerro de los Siete Colores”, de origem sedimentária e formado por material do período cretáceo, cerca de 65 milhões de anos atrás.

O “Cerro de Siete Colores” é um marco natural de Purmamarca, é o única na região e no resto do país. A combinação se suas cores se manifestam com deleite aos olhos de quem o observa. Conhecido também como Formação Yacoraite, que se localizam na Quebrada de las Conchas e Quebrada Del Toro.

As capas sedimentares de diferentes tonalidades como o colorado, o ocre, o violeta, complementam a beleza da Quebrada de Purmamarca, juntamente com a Quebrada de Humahuaca. De vários pontos se pode apreciar a policromia que irradia do cerro.

Neste “pueblo” viveu o famoso cacique Viltipoco, do povo de Los Omaguacas, que eram compostos por grupos como los Purmamarca, los Tilcara, los Ocloyas, entre outros, população originária da Quebrada de Humahuaca, habitaram os púcaras, tipo de construção que ainda hoje está em pé, testemunhando a força de um povo que luto para defender seus territórios dos conquistadores coloniais. Sua estratégia é produto de um notável intercâmbio e comunicação entre o Império Inca e as particularidades indígenas de La Puna. Dentro de sua organização social se destaca a presença do cacique, que além de ser um chefe político-militar, também tem caráter religioso. Viltipoco se descatou por guiar a luta de seu povo para impedir a fundação espanhola na região, seu povoado foi Purmamarca, de onde dirigiu as operações para defender seu território. A história conta que em 1954 ele foi capturado pelos homens de Argañaráz que o mataram em Santiago Del Estero.

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A principal atração o vilarejo é uma feira de artesanato ao redor da praça central, onde se encontra objetos de artesanato, lembranças, muito tecido colorido, malhas produzidas com lã de lhama e ponchos (uma delícia ao toque e super quentinhas), ervas medicinais, enfim, artigos típicos da região andina e que dão um toque especial a este vilarejo.
Com excelentes preços, este é o melhor local para quem quer comprar artigos típicos.
A feira funciona até as 20h (percebam que ainda é dia claro). Mas Jorge e Andréa chegaram em cima da hora do término da feira e tiveram que ser rápidos para olhar tudo em meio ao desmonte de algumas barracas, foram com as roupas de andar de moto e tudo, não dava tempo de se arrumar…
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Acabaram comprando o que desejavam em uma loja, de um argentino muito simpático e com bons preços, chamada Regionales Purmamarca.
Depoimento Andréa: “Ainda bem que chegamos tarde, a Feira de Artesanias estava fechando, quero dizer sorte para o Jorge e para a moto!!! Pois não consegui comprar quase nada… Que saudade do meu carrinho com porta malas”.
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Após se alojar na Hosteria Bebo Vilte, tomar um bom banho e vestir roupas confortáveis e quentes, já que a temperatura estava bem mais baixa, afinal já estavam beirando as Cordilheiras, decidiram ir jantar e andar pela cidade.
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Os quartos da hosteria são feitos, como todas as casas de Purmamarca, de adobe, o que lhe garante estar fresca durante o dia e bem quentinha à noite, fato que chama a atenção, e prova a inteligência dos Incas, que perceberam neste tipo de material (pedra e barro) uma forma natural de manter o ambiente agradável.
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À noite não se vê viva alma nas ruas, a não ser os turistas que vêm do mundo todo e que perambulam por lá. Exceto a praça da igreja, as demais ruas da cidade não têm iluminação, sendo que o que se destaca são apenas as luzinhas na entrada dos inúmeros restaurantes e hosterias, que chamam a atenção por sua decoração típica e por muita música.

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Decidiram jantar no Restaurante Rincón de Claudia Vilte (mesmo sobrenome do dono da Hosteria), uma música desde a infância, que representa seu povo, através de suas canções e que atualmente é professora da Universidade de Salta.

O local tem estilo de taberna, com boa música e uma decoração incrivelmente diferente, exótica e muito cultural. Nas paredes existem altares, cultuando os ancestrais (Abuelos de Claudia), fato comum na cultura Inca, já que graças à existência deles é que nós existimos na atualidade. Tão óbvio e tão distante da cultura ocidental. Nestes altares são colocadas fotos, flores, objetos pessoais e presentes.
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“Quando interpreto canções, trato de colocar nelas alguma mensagem, pois com esta atitude transcendental se conscientizam as mentes, pois considero que não canto para um grupo de gente, mas para o ser humano”. Claudia Vilte
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O casal decidiu experimentar a carne de lhama, pediram empanadas de charque de lhama, um tipo de pastel de forno, delicioso, recheado com carne seca de lhama, com um bom vinho da região de Salta.
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Este molhinho vermelho na foto se chama “pebre”, é feito de tomate bem maduro, temperado com sal e bem apimentado. Todos os restaurantes da Argentina e do Chile servem este molho com pão de entrada.
Depoimento Andréa: “Quando acho que já vi tudo de lindo e diferente, eis que surge Purmamarca… gente, é uma cidadezinha no meio do nada, entre montanhas gigantescas por todos os lados e é LINDA!!!! Muito diferente de tudo que conhecemos, andando pelas suas ruas escuras, não temos idéia do que vamos encontrar,  embora pequena tem infra-estrutura excelente, com boa comida, bom atendimento, bons vinhos, bons hotéis, inclusive até um SPA… tudo aqui é lindo demais, só estando neste lugar para compreender a sensação de estar entre este povo, espero poder voltar aqui mais vezes!!!”.
Depoimento Jorge:
“Sair de Salta no meio da tarde foi uma estratégia acertada. A estrada que leva de Salta a Purmamarca é uma delí12-Purmamarca-%2818%29cia, uma serrinha cheia de curvas e paisagens lindas. A estrada é um tapete, porém é tão estreita que em algumas curvas só passa um carro de cada vez.
Devido ao pequeno trecho percorrido neste dia, pudemos ir devagar, passeando e curtindo a estradinha. Neste trecho também tem muuuitos animais soltos à beira da pista, e alguns bem no meio dela. Assistam ao vídeo e vão entender o que digo…
Esta parada em Purmamarca também era um tanto quanto estratégica. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes e a 2.300 a.s.n.m. (altitude sobre o nível do mar) é um bom lugar para passar a noite que antecede a travessia da cordilheira e dar uma “aclimatada”. Além disso, é um vilarejo muito pequeno e pitoresco, onde você encontra três coisas: Pousadas/hotéis, bares/restaurantes e feira de artesanato. Nada mais! Pra terem uma idéia, não tem nem posto de gasolina em Purmamarca.
Pra minha sorte chegamos na hora em que a feira de “artesanias” estava acabando, porque senão eu teria de jogar fora as ferramentas e peças sobressalentes que carregava nas malas para enchê-las de tapetes, colchas e artesanatos em geral…”

Aproveitem Purmamarca…

 

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 158
Abastecimento: 16 litros
Hospedagem: Hosteria Bebo Vilte
Valor da diária: $ 120,00 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, simples, bom para banho e para dormir, café da manhã bem simples.
Gasto total (com alimentação): R$ 125,00

Superando La Cordillera de los Andes!!!!!!

9º. Dias – 09.12.2010

  Purmamarca – AR – San Pedro de Atacama – CH

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Saíram de Purmamarca às 09h. Sabiam que este seria o dia do desafio mais importante: Ultrapassar a Cordilheira dos Andes. Enfim, chegou o momento mais esperado e, provavelmente o mais difícil.

Como sabiam que iriam passar frio, decidiram já sair agasalhados, até porque em Purmamarca já sentiam os ares mais gelados dos Andes, embora não usando ainda toda a roupa trazida para a ocasião.

Por indicação do amigo Dieter, Jorge e Andréa tomaram Diamox ontem e hoje pela manhã, e segundo sugestão de outros viajantes e do dono da Hosteria, Sr. Bilbo, deveriam parar em Susques e comprar folhas de coca para mascar durante a subida e não comer muito, para evitar os enjôos comuns na altitude.

Saíram confiantes, embora com certo “frio na barriga”, como disse Jorge ao ver a grande muralha…

A última imagem de Purmamarca, ao sair da cidade, é o “Cerro de los Sete Colores”, e assim se despediram deste “pueblo encantador”.

A estrada agora os levaria ao objetivo maior da viagem : San Pedro de Atacama, através do Paso de Jama, ponto mais alto do percurso.

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Alto em todos os sentidos: de altitude mesmo, de frio, de emoção, de superação e de algo que eles nunca tiveram contato na vida: o deserto mais árido do mundo.

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Novamente puderam ver os “Los Cardones”, agora em tamanhos menores, mas não menos bonitos.

 

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Jorge fez questão da foto com a Cordilheira ao fundo… lembrando que a do blog foi uma montagem, queria ter uma foto de verdade.

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Uma das coisas interessantes de andar pelo deserto é que em meio a tanta pedra, tanta secura e tanto isolamento, surgem “Oasis”, pequenas plantações e casinhas em meio ao nada.
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A estrada construída para ultrapassar esta barreira gigante não poderia ser com mais curvas. Viagem emocionante não apenas pelas paisagens, mas, principalmente, pelo trajeto realizado, serpenteando as grandes montanhas.
Pareciam estar no topo do mundo, mas ainda não tinham chegado nem perto dele.
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Olhem “La Cordilheira” a frente da estrada… o topo do mundo ainda estava a alguns kms de distância e a paisagem ficava cada vez mais “desértica”…

…com vegetação rasteira e os animais donos das alturas: vicunhas, guanacos e lhamas.Estes animais fazem parte das imagens do deserto, assim como a vegetação cada vez mais rasteira e em tons de amarelo, chamada de xerófila, vegetação adaptada à aridez.
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A vegetação possui raízes compridas, aprofundando-se bastante no solo para buscar água.  Apresenta folhas pequenas e muitas vezes cobertas de ceras, para diminuir a evaporação (perda de água). Possuem também, folhas em forma de espinhos para diminuir a evaporação.

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O Atacama é um deserto costeiro, é o mais alto e seco da Terra. Nele, uma chuva possível de ser medida – isto é, de um milímetro ou mais – pode ocorrer uma vez a cada cinco ou até a cada vinte anos.

De acordo com estudos realizados sobre o Deserto do Atacama, nele ficou sem chover mais de 400 anos, o que lhe conferiu a aridez hoje vista.
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E imaginem: o Deserto do Atacama um dia foi mar, após inumeros vulcões entrarem em erupção, provocando abalos sísmicos e estruturais, a Cordilheira dos Andes surgiu de um lado e a Cordilheira de Domeiko de outro, suas águas, então represadas, foram evaporando, restando inúmeros Salares, como as Salinas Grandes (este tom de branco visto ao pé da Cordilheira). Mas restaram algumas lagunas…. que logo vocês vão poder conferir!

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As Salinas Grandes estão a 3600 mts de altitude e seu contorno se destaca no horizonte a muitos quilômetros de distância. Quem chega a Salinas fica extasiado diante do mar de sal. A beleza do salar se une ao céu azul, refletindo uma luz muito especial.

Esta salina é um sedimento químico de evaporação, que se divide em três tipos de zonas dentro do salar: “La salina poligonal”, “las eflorescências salinas” e “La limosa”.
“Las Salinas Grandes” tem o silencia, o prazer do ar puro, e seus 524 mil metros quadrados, fazem dela um marco de notável beleza natural.
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Após atravessar o ínicio do deserto, chegaram a Susques, a última cidade antes de chegar ao Paso de Jama, antes de começar a subir a Cordilheira.

Aproveitaram para comprar as folhas de coca, que nesta região são vendidas em qualquer comércio, como folhas de louro ficam em sacos enormes e são cobradas por peso.

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Também aproveitaram para abastecer, já que acreditavam ser este o último posto antes de da Cordilheira, mas não é!!!

Posto de uma única bomba, que tem tanto adesivo que Jorge teve dificuldade de encontrar um espacinho para deixar o do seu Moto Clube Rota 99.

Você consegue encontrar??
Junto ao posto havia o Hotel e Restaurante Pastos Chicos, de um pessoal super receptivo e simpático. A galera da foto é o dono do Hotel e os jovens são aprendizes de hotelaria e 13-Purmamarca-Susques-%2824%29restaurante, ele cede o espaço para que esta turma possa apreender a empreender e monte seu próprio negócio em Susques, para melhor atender o turista.
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Este pessoal adorou ouvir os viajantes falar português e fizeram várias perguntar para Andréa sobre a pronúncia das palavras.

Depoimento Andréa: “Foi uma conversa divertida e que marcou nossa passagem por Susques, com certeza não iremos esquecê-los e esperamos reencontrá-los um dia”.

13-Purmamarca-Susques-%2822%29O casal aproveitou a hospitalidade para comer uma “media luna”, tomar um café quentinho e colocar mais roupas. A Andréa usou tudo de frio que tinha direito, já que estava sentindo o frio das alturas e ainda iam subir muito.

Jorge e Andréa retornaram a estrada, deixando prá trás uma torcida especial pelo sucesso de sua aventura.

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Enfim… estavam atravessando a Cordilheira dos Andes, pelo famoso Paso de Jama.

 

 

 

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Pouco antes de chegar a Aduana Argentina, fizeram uma parada em um último posto de abastecimento, para beber água e esticar as pernas. Neste posto encontraram outros aventureiros brasileiros, o Clemir e Neréia e o Cláudio, que estavam vindo do Rio Grande do Sul em direção a San Pedro.

14-Susques-San-Pedro-Paso-de-Jama-%285%29Passaram pela Aduana Argentina sem qualquer dificuldade, inclusive nos passando na frente de um ônibus lotado de turistas argentinos que seguiam em direção ao Chile.

Logo estariam em solo Chileno…

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Após passar o limite Internacional, começaram a subir cada vez mais alto… e ver imagens que se pode chamar de surreais.

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A flora é composta por ervas e flores como a llareta, a grama salgada e o tomilho, por árvores como o chañar, o pimiento e o algarrobo, característicos por sua frondosidade e o agradável remanso oferecido pela sua sombra.

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Mais sal pelo caminho… passaram pelo Salar de Tara. Em 1996, Salar de Tara foi designado a Wetland de importância internacional pela Convenção de Ramsar. Caracteriza lagos permanentes e seasonal. Entre eles, o principal é o Lago Tara, que é alimentado pelo rio de Zapaleri.

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O Salar de Tara fornece o habitat para várias e raras espécies animais selvagens que estão em perigo. Viscacha da montanha, Vicunha, a Alpaca, além do Ganso Andean, a Puna Tinamou e as três espécies de flamingo que habitam o Chile e são consideradas vulneráveis.

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Quando acreditavam já ter visto algo magnífico, outra visão extraordinária se apresentava aos olhos admirados diante de imagens tão deslumbrantes e diferentes, como as lagunas altiplânicas, águas rodeadas de sal, que surgem em meio ao deserto.

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Na estrada, super bem sinalizada, bem asfaltada e limpíssima, algumas placas como esta,  os acompanharam e lembraram todas as serras por onde passaram, estas placas indicavam a queda de pedras… também, com tantas, seria difícil que elas não caíssem morro abaixo…

 

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Em dado momento da viagem, Andréa pediu para Jorge parar um pouco a moto para descansar, porém ao descer da moto, percebeu que estava passando mal. Jorge aproveitou para fotografar a cena… e para mostrar a altitude: 4704 acima do nível do mar.
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Mas o GPS indicava que já haviam chegado a 4804 mts, agora começavam a descer…

Depoimento Jorge: “Lembram que há dois dias atrás eu dizia que a primeira imagem da cordilheira era perturbadora e que bateu um certo medo de passar mal ao subi-la? Pois é. A surpresa que nos aguardava foi que ao invés do fumante passar mal, quem passou mal foi a Andréa!!!

Ficamos uns 15 minutos parados a 4700 metros de a.s.n.m. esperando ela se recompor. Eu aproveitei e assumi a maquina fotográfica para registrar aquela “cena improvável”. Apesar de eu estar me sentindo bem, a falta de ar era impressionante. Tudo tinha de ser feito bem devagar, em câmera lenta. Meu medo era se ela desmaiasse ali. Aí a coisa iria ficar complicada.
Se já não estivéssemos alto o suficiente, depois que começamos a rodar novamente ainda subimos um bom tanto, mas não registramos porque o GPS foi desligado por falta de bateria.”

Depoimento Andréa: “Não sei o que aconteceu, comecei a ficar com moleza no corpo, precisei sentar… precisam ver a cara do Jorge quando disse que ia deitar um pouco… aí ele é que quase desmaiou de susto hehehehe Dizia: não, por favor, tente não deitar… Não tinha dor de cabeça, ou enjôo, apenas fraqueza, acho que o comer pouco foi muito pouco pra mim… o pior é que suei frio e suar frio no frio, de moto, não é nada agradável… quando voltamos a andar achei que ia congelar… rsrsrsrsrsrsrs”.

 

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Após Andréa melhorar e conseguir subir na moto, seguiram caminho, Andréa ficou tão bem que conseguiu até dar continuidade às fotos, ainda bem, pois pode fotografar uma visão MARAVILHOSA: o Vulcão Lincancabur, marca registrada de San Pedro de Atacama, dá as boas vindas aos viajantes… estavam quase chegando…

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Enfim, depois de muito subir, desceram super rápido, cerca  de 2000 metros em 40 km…

Chegaram a San Pedro de Atacama por volta das 18h.

 

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Eis a Aduana Chilena, pela qual também passaram sem qualquer problema e onde encontraram outros viajantes, alguns chegando, outros indo embora.

Depoimento Andréa: “Saímos de Purmamarca rumo a Cordilheira. Ver a Cordilheira no horizonte é emocionante, quase inacreditável, imaginar superá-la é algo que dá um frio na barriga rsrsrsrs, mas a encaramos de frente rumo ao objetivo maior da viagem, chegar a San Pedro de Atacama. Com a subida surgem imagens inacreditáveis, mas também chega o frio, não temos idéia de quantos graus atingimos, mas podemos garantir: fazia muito frio. Começamos a ver as lhamas, vicunhas e guanacos, ainda não sabíamos diferenciar direito um do outro, depois aprendemos rsrsrsr e continuamos subindo!!!!!! A Cordilheira è GIGANTESCA!!!!!!!!!!!!!! As imagens são de outro planeta!!!!!!!!!! Não tem como explicar, palavras não vão conseguir expressar tamanha beleza e grandeza, tampouco o que sentimos em estar ali, vendo tudo aquilo como se fosse um sonho… Água em um deserto já é incrível, imagine então saber que este branco em volta delas é sal…..Subimos tanto que passei mal… também chegamos a 4804 mts de altitude… para quem saiu de 0 a beira mar, é ALTO DEMAIS!!!!!!!!! Mas valeu a pena cada segundo!!! A hora que vi o Vulcão Lincancabur, foi uma emoção incrível… estávamos no Deserto do Atacama”.

Depoimento Jorge: “Depois que passamos a aduana argentina a 4230 metros de altitude, ainda fomos subindo, subindo, uns retões enormes, mais subida, e quando parecia que já tínhamos subido tudo o que era possível, subia-se mais um pouco. O legal é que esta cordilheira não é como uma montanha em que você sobe de um lado e quando chega-se ao cume você começa a descer do outro. Ficamos andando pelo “altiplano” por uns 100 kms ou mais, vendo paisagens inacreditaveis. Eu que fiquei por mais de um ano pesquisando informações e lí uma centena de relatos de outros moto-aventureiros que já fizeram esta viagem, já estava até familiarizado com as fotos desta travessia pelo Passo de Jama. Mas como já foi dito neste blog tantas vezes, as fotos não conseguem transmitir a grandeza e a beleza deste lugar. Bateu uma emoção forte nesta parte da viagem. Ainda nem tínhamos chegado à metade da viagem e o sentimento de superação e sonho realizado já era forte.

Mas se a subida foi feita aos poucos, a descida foi vertiginosa. Estávamos a aproximadamente 5000 metros de altitude e num retão de 40 kms estávamos em San Pedro de Atacama, a 2400 metros de a.s.n.m.
Os ouvidos pipocavam sem parar e a cada km rodado parecia que tinha um pouquinho mais de ar para respirar. Imagino que quem faz o caminho inverso e pega essa subida logo ao sair de San Pedro deve sofrer um bocado. Principalmente a moto deve sofrer!!!
A sensação de calor ao chegarmos em San Pedro era absurda. Vinte minutos atráz estavamos a alguns graus abaixo de zero. Paramos em frente à aduana chilena, que fica na entrada da cidade de San Pedro, sob um sol escaldante e uns 30 graus à sombra, vestidos com um monte de blusas por baixo da jaqueta de cordura, luva de lã por baixo da de couro, 2 balaclavas, 2 calças, 2 meias de lã bem grossas, etc…
As blusas, balaclavas e luvas foram fáceis de tirar. Já as calças e meias teriam de esperar até acharmos uma pousada, coisa que demorou uma hora mais ou menos. A primeira coisa que fizemos quando pegamos o nosso quarto na pousada foi tomar um bom banho. A roupa de cordura fedia mais que uma lhama…”

Acompanhe nossa viagem no vídeo abaixo…

Total de Km Rodados: 435
Abastecimento: 30 litros
Hospedagem: Pousada Don Raul – http://www.donraul.cl/
Valor da diária: $ 38.000 pesos
4 Estrelas: Arrumado, limpo, aconchegante, excelente café da manhã (primeiro no estilo brasileiro de Buffet)
Gasto total (com alimentação): R$ 260,00