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A caminho da Chapada Diamantina – BA

1º. Dia – 07.09.2012
 
Lauro de Freitas – Mucugê
 

O dia ainda não tinha acordado quando os motociclistas saíram em direção a mais uma aventura. Agora na companhia especial de Motta e Catarina, vizinhos e amigos de motociclismo.

 
 
As estradas até Mucugê já são velhas
conhecidas dos viajantes. A diferença estava no meio de locomoção: a moto!
 
Decidiram sair cedo tentando evitar o trânsito que se forma nestes feriados rumo ao interior do Estado da Bahia. Diante da fila que se formava no pedágio, paulistanos que são, Andréa e Jorge brincaram sobre terem descoberto a verdadeira diferença entre paulistas e baianos: os primeiros pegam longos congestionamentos para chegar à praia; os segundos pegam este mesmo congestionamento para fugir dela. Algo em comum: todos estão em busca de novas emoções!!!
 
 
A primeira parada foi para o Café da Manhã. Afinal, o caminho era longo e não basta abastecer somente as motocas.
 
 
 

Durante a viagem puderam ver de perto os estragos causados pela seca do  Nordeste e os mistérios que não se explicam com a razão: mesmo em meio ao solo árido, o verde se impõe e brota do solo seco.

Uma parada imperdível para quem viaja em direção à Chapada Diamantina é o Posto de Santa Helena em Itaberaba (www.postosantahelena.com.br).
Local agradável e limpo, bom para um bom descanso e com excelentes opções de alimentação. Este posto se destaca em meio a tantos outros das estradas baianas que não apresentam qualquer estrutura para os viajantes. Vale conhecer!
 
 
 
 
 
Por volta das 12h30m entraram no Parque Nacional da Chapada Diamantina.
 
 
 
 
 
A primeira parada na região foi para experimentar a famosa esfiha de Palma, vegetação típica da região que serve de base para diversos pratos.
 
A Chapada Diamantina é uma região de serra, situada no Estado da Bahia e constitui, com outras serras, o Maciço do Espinhaço (Serra do Espinhaço), que se estende até Belo Horizonte – MG. Suas altitudes variam entre 800 a 1.700m. Nesta região nascem os rios das bacias do Rio de Contas, do Paraguaçu, do Jacuípe e de afluentes do Rio São Francisco. Essas correntes brotam nos cumes e deslizam pelo relevo, criando belíssimas cachoeiras e piscinas naturais.
 

A Chapada Diamantina nem sempre foi uma cadeia de serras. Há cerca de um bilhão e setecentos milhões de anos, iniciou-se a formação da bacia sedimentar do Espinhaço, a partir de uma série de extensas depressões que foram preenchidas com materiais expelidos por vulcões, areia soprada pelo vento e cascalhos que caíam de suas bordas. Estes sedimentos, sob a influência de rios, depositaram-se na região em forma de bacia. Posteriormente, aconteceu o soerguimento, fenômeno que eleva as camadas de sedimentos acima do nível do mar, pressionada pela força epirogenética, erguendo-se ao longo dos milhões de anos. As inúmeras camadas, hoje expostas por toda Chapada Diamantina, representam os depósitos sedimentares primitivos e são produtos das atividades dos agentes climáticos ao longo do tempo geológico. As ruas e calçadas, características das cidades desta região, com suas lajes de superfícies onduladas, revelam a ação dos ventos e das águas que passaram sobre este solo. Os maciços de quartzito resistiram à erosão iniciada no Pré- Cambriano formando torres minerais ou morros. Os índios Maracás e Cariris dominaram a região antes da chegada dos primeiros bandeirantes por volta de 1750.

Os primeiros garimpos se instalaram por volta de 1844, ocasião em que foram descobertos os primeiros valiosos diamantes nos veios do Riacho Mucugê. Os garimpeiros, compradores, vinham de Minas Gerais e de outros centros de mineração de ouro e diamante. Os caminhos criados pelos garimpeiros hoje levam a belas cachoeiras, poços, praias fluviais, grutas, sítios históricos, que garantem ao local uma excelente atividade eco turística. As cidades que rodeiam o Parque Nacional abundam em prédios de arquitetura colonial, lembranças vivas da riqueza do ciclo do diamante que fez do Brasil o primeiro produtor mundial no
início do século XX.

 
O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em setembro de 1985, através do Decreto n.º 91.655, com o objetivo de proteger amostras dos ecossistemas da Serra do Sincorá, assegurando a preservação de seus recursos naturais, além de proporcionar oportunidades controladas para uso público na educação, na pesquisa científica e, sobretudo, contribuindo para a preservação de sítios e estruturas de interesse histórico-cultural existentes naquela região. Porém, o grande objetivo da manutenção desta área está na conservação das suas nascentes, com destaque para o principal rio baiano, o Paraguaçu, responsável pelo abastecimento de 60% da população da capital baiana. Além de resguardar um banco genético importantíssimo para a pesquisa científica e conservação da biodiversidade. A cada ano, pelo menos quatro ou cinco novas espécies de plantas endêmicas e três espécies de animais são descobertas na região.
 
Situado numa área de, aproximadamente, 152.000 hectares, o Parque Nacional compreende os municípios de Lençóis, Andaraí, Palmeiras, Mucugê, uma faixa estreita de Ibicoara, além da proximidade das localidades de Igatu, Guiné, Caeté-Açu, Rio Grande, Lavrinha, Tijuca, Estiva Nova, Tapiacanga, Capão, Conceição dos Gatos, Barriguda, Pau-Ferro e outros. As bromélias e orquídeas encontraram ai um ambiente privilegiado, adaptando-se as diferenças de clima, altitude e solo. As serras que culminam a 1700 metros no Esbarrancado oferecem sustento a Jaguatiricas, onças, mocós, veados, teiús e seriemas. Ele ainda não possui controle de visitação e é possível conhecê-lo a partir de diversas localidades, principalmente de Lençóis, do Vale do Capão, de Mucugê e Andaraí.
 
O acesso às suas atrações é realizado por meio de caminhada que vão de fáceis a muitos difíceis, inclusive com direito a acampar nas serras. Os viajantes escolheram uma trilha de nível médio, mas esta é parte de outro capítulo desta aventura!
 
Mais imagens desta aventura:

 
Para conhecer mais:
 

Conhecendo Mucugê

1º. Dia – 07.09.2012
 
Mucugê
 
Chegaram ao hotel Alpina, na cidade de Mucugê por volta 13h30m. O hotel fica a cerca de 8 km do centro da cidade, em um espaço privilegiado, com uma vista espetacular.
Porém, seu preço não condiz com sua estrutura, bastante degradada pelo tempo e sem a manutenção necessária. 
 
 
Ele vale pela beleza externa, pelas áreas comuns e pelo bom banho depois de uma viagem de moto.  

 

 
Mucugê é uma cidadezinha cravada na cordilheira do Sincorá, de uma beleza ímpar e com ares de cidade que manteve suas raízes e seu encanto natural. Foi a primeira cidade baiana onde foram encontrados diamantes de real valor. O primeiro foi descoberto por Cazuza do Prado, no leito do Rio Mucugê, sendo que em meados do século XIX, em junho de 1844, deu-se início as lavras de diamante em seus sítios, tornando-se importante ponto de referência econômica do Estado da Bahia, devido aos grandes garimpos da pedra preciosa e do metal dourado. A cidade de Mucugê é uma das mais antigas da região da Chapada Diamantina, fundada no fim do século XVIII.
 
O nome Mucugê vem de uma fruta silvestre (Couma rígida), nativa da região. Possui uma área de 2491,82 km², localizada a uma altitude aproximada de 1.000m acima do nível do mar e sua temperatura varia entre 7º a 20º no inverno e 22º a 30º graus no  verão. Faz parte do Circuito do Diamante, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1980, por seu conjunto arquitetônico de estilo colonial português, destacando-se o Prédio da Prefeitura, o Centro de Cultura, a Igreja Matriz de Santa Isabel, o cemitério em estilo Bizantino e o belo casario, construído pelos jesuítas. Mucugê é, ainda, dona de um grande patrimônio Natural, abrigando 52% de todo Parque Nacional da Chapada Diamantina e o Parque Municipal de Mucugê.
 
Destaca-se a vastidão da Serra do Capa Bode, onde a vista se perde ao longo do horizonte, descortinando um belíssimo panorama com os mais variados matizes de azul – o céu, à noite, no ar rarefeito, pontilhado por incontáveis estrelas -, tornando esse local imantado, o que propicia os mais diversos relatos sobre “aparições” de Ovnis, foco crescente de interesse de pesquisadores, ufólogos e curiosos.
 
 
Entre suas maiores atrações turísticas, destaca-se o exótico Cemitério de Santa Isabel, em estilo bizantino – o único das Américas nesse estilo -, construído e encravado sobre a rocha, na encosta do Morro do Cruzeiro, nos arredores da cidade. Esse conjunto artístico, de espetacular beleza, pode ser visto também à noite, com efeitos de iluminação sobre o branco de suas tumbas, contrastando com o fundo negro da serra, o que proporciona aos visitantes uma cena impressionante e inesquecível, permeada de enigmático e profundo silêncio.
 
 

Com o declínio do Ciclo Diamantífero, também surge a coleta das sempre vivas exportadas principalmente para o Japão, Estados Unidos e Europa, tornou-se a principal atividade econômica das populações carentes de Mucugê e de seu entorno, que durou por mais de trinta anos. Devido a uma atividade de extração sem controle, a espécie foi dizimada em muitos campos, pondo em risco de extinção esta planta.  Assim, o Projeto Sempre Viva veio com o propósito de proporcionar uma atividade de reprodução, suficiente para criar uma alternativa na geração de renda para a população carente, através do artesanato com caráter sustentável, econômica e ambientalmente, garantindo a sobrevivência da espécie, repovoando os campos onde a espécie quase que desapareceu.

O Projeto Sempre Viva ocupa uma área de 270 há e trabalha em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana e com a Universidade Católica do Salvador, na preservação da sempre viva de Mucugê (syngonanthus mucugensis giulietti).  O herbário do Parque conta com mais de 1000 plantas catalogadas e identificadas. A área de preservação do Parque também é estratégica para o abastecimento hídrico do Estado da Bahia, constituindo a principal área de mananciais. O parque ainda abriga diversos registros históricos do período diamantífero da região.
 
 
As cachoeiras do  Tiburtino  e  Piabinha formam o restante do cenário e representam atualmente grandes atrativos eco turísticos.
 
 
 
A Cachoeira do Tiburtino está localizada dentro do Parque Municipal Projeto Sempre Viva e pode ser visitada diariamente. Possui várias quedas d´água do rio Cumbuca e culmina num poço conhecido como Zé Leandro, que é
fantástico para banho. O rio Cumbuca faz parte da história da cidade, pois foi o primeiro local onde diamantes foram encontrados no século XIX, dando origem ao garimpo que originou as cidades de Lençóis, Mucugê e Igatu, além de outras áreas ligadas ao Rio de Contas.
 

Depois de um dia repleto de belíssimas imagens e muito passeio, não poderiam terminar sem contemplar o pôr do sol e estar no alto da serra foi essencial para poder desfrutar deste inesquecível momento.

 
Depoimento Andréa: “Caminhar pelas trilhas do Projeto Sempre Viva, que levam a estas belas cachoeiras, é uma experiência fantástica e deliciosa, pois as trilhas são tranquilas e é possível ouvir o barulho das águas caindo pelas pedras, enquanto se pode ver imagens belíssimas ao longo da caminhada. Visitar o projeto e ver aquele mundo de florzinhas coloridas foi incrível. Daqueles passeios que eu adoro!!!”

 

 

Mucugê em Imagens!!! 

Para saber mais:

Cachoeira do Buracão: momento mágico!

2º. Dia – 08.09.2012
Cachoeira do Buracão
 

Os aventureiros tinham programado realizar uma trilha rumo à Cachoeira do Buracão, uma das principais atrações da Chapada Diamantina, mas infelizmente somente Jorge e Andréa puderam cumprir com o planejado, pois Catarina não passou bem de saúde e, junto com Motta, decidiu ficar por perto da cidade. No entanto, Motta, como bom motociclista que é, acompanhou o casal até a cidade vizinha, Ibicoara, que fica cerca de 90 km de Mucugê e de onde os turistas saem em direção à estrada de terra que leva à cachoeira.

Ibicoara é uma cidade da região conhecida pelas suas plantações de café e fábricas de cachaça. Duas iguarias apreciadas e exportadas para o mundo. Ibicoara é um vocábulo tupi que significa “buraco na terra”. A cidade surgiu no início do século XIX com a chegada de alguns garimpeiros. O povoado de São Bento, nome inicial, passou a ser ponto de descanso de tropeiros e garimpeiros que viajavam pela estrada de Mucugê para Andaraí. Surgem, então, a cultura do café e a criação do gado. O povoado passa a se chamar Igarassu, e na década de 1940, passa a distrito, com o nome de Ibicoara, sendo emancipado de Mucugê em 1962.
 
Ao entrar na cidade, os visitantes já se deparam com a Associação de Condutores de Visitantes de Ibicoara (ACVIB – (77)3413-2048), onde guias da região estão autorizados a levar os visitantes para conhecer as cachoeiras e trilhas da região.
 
A trilha para a Cachoeira do Buracão tem 3km, fica a trinta quilômetros do centro da cidade, e é considerada nível leve, por ser praticamente plana, mas surpreende ao apresentar duas escadas de madeira, que possibilitam descer pelos paredões do cânion que a envolve.
Durante a caminhada é possível ver as belas paisagens de outras pequenas quedas d´água, dos Rios Manso e Espalhado, formados por pequenos poços deliciosos pra banho e pelo Rio Buracãozinho, que forma uma piscina em meio a um cânion, além das belíssimas cachoeiras das Orquídeas e do Recanto Verde, que faz o viajante maravilhar-se com sua beleza e com mistura perfeita de pedras, vegetação rasteira, árvores gigantescas e as águas cristalinas que caem dos paredões e que são coloridas pelo brilho do sol. 


Seu final, com certeza, é a parte mais difícil, pois para chegar à cachoeira, o visitante tem que atravessar um cânion de dez metros de largura, 90 de altura e mais de 100 metros de comprimento, e para isso tem apenas duas opções: colocar o colete salva-vidas e nadar contra a correnteza pelo rio de água gelada ou escalar os paredões de cânion, subindo e descendo agarrado às pedras do caminho.  

Mas a visão depois dos obstáculos é inacreditável, uma queda d´água de 90 metros de altura, que deixa pra trás todas as dificuldades vividas até ali. Para os mais corajosos e “atléticos” é possível nadar até a cachoeira, ficando abaixo de sua queda. Para os que preferem apenas admirá-la, sentar em sua frente e sentir sua força, já é suficiente para não esquecê-la jamais.

 





Na volta é possível parar em dois mirantes naturais que possibilitam ver a queda e o “buracão” de cima, outro ponto emocionante do passeio e que deixam ainda mais deslumbrados os que a viram tão de perto. Toda a caminhada e o cansaço parecem desaparecer diante da imagem da água caindo por aquele paredão. Mas é preciso coragem para se deitar na beira do penhasco, só assim o aventureiro consegue a melhor imagem da Cachoeira do Buracão.

No caminho de volta também é possível parar para apreciar a Cachoeira do Buracãozinho, e tomar banho nas piscinas naturais formadas pelas pedras.

Depoimento Jorge: “Ir para a chapada Diamantina, especialmente para Mucugê e não visitara Cachoeira do Buracão é como ir a Roma e não ver o Papa… rs. Apesar de atrilha ser considerada leve, é necessário estar em boa forma física paraconseguir escalar a descida (e consequentemente a subida na volta) sem colocarliteralmente os bofes pra fora. Mas garanto que nadar na piscina naturalformada pela queda d’agua desta enorme cachoeira e ficar admirando-a durante algum tempo é algo que renova as energias e recarrega as baterias por um bomtempo. Sem dúvida nenhuma, vale a pena todo o sacrifício”.

 

Depoimento Andréa: “Realizamos esta trilha pela segunda vez, mas a emoção e a tensão de percorrê-la, e se deparar com suas maravilhosas paisagens, é algo que podemos fazer um milhão de vezes e teremos novas sensações diante beleza da natureza que se impõe. Chegar à cachoeira é uma aventura única (mesmo que feita por mais de uma vez) e o impacto de ver aquela gigantesca queda d´água é algo que emociona e nos permite estar mais próximo das energias do Universo”.
 

Acompanhe mais desta aventura!!!

Para saber mais:

 
 

Rumo ao “Fin del Mundo” en la “Tierra del Fuego” – Argentina

Rumo ao “Fin del Mundo” en la “Tierra del Fuego” – Argentina
 
Ainda não tivemos tempo de contar a aventura pelo Nordeste Brasileiro, mas teremos que fazer uma pausa e mudar só um pouquinho de direção…
 
No fim de Setembro, Jorge começou a pensar em fazer a “tradicional” viagem de fim de ano, aproveitando seu período de férias, que iria começar no início de Dezembro, porém Andréa não poderia acompanha-lo, pois suas férias só começariam em meados de Dezembro.
 
Jorge estava um pouco chateado em fazer a viagem sozinho, porém, pensando juntos, concluíram que poderiam organizar o roteiro de forma a se encontrarem pelo caminho.
 
E qual seria o caminho????? Para onde ir????
 
Após muito tempo pensando, Jorge decidiu retomar um roteiro guardado há tempos, decidiu realizar seu grande sonho, uma nova grande aventura: chegar ao “fin del mundo”, afinal, viajar de moto ao Ushuaia, na Argentina, é uma das maiores aventuras.
Tudo aconteceu meio de repente, sem muita antecipação, mas, sempre, com muita organização.
 
Começaram, então, os preparativos e a organização da viagem tão sonhada.
 
O roteiro foi uma das primeiras etapas a ser pensada, pois tinham que encontrar uma forma de se unir ao longo da aventura.
 
Jorge começou a pensar em como mandar a moto para São Paulo, como forma de diminuir o trajeto, já conhecido, e organizar as datas. Afinal, ainda queriam retornar a São Paulo a tempo de passar o Natal em família… Vamos ver se irão conseguir…
 
A princípio, ambos pensaram em se encontrar em Bariloche, até Andréa ver as imagens de Perito Moreno, famoso Glaciar da Patagônia Argentina:
 
“Estava quase tudo certo para nos encontrarmos em Bariloche, eu já procurava a passagem e estava conformada em seguir viagem a partir dali, até que Jorge me enviou umas imagens do Glaciar Perito Moreno. Fiquei imediatamente encantada e pensei: ‘preciso conhecer esse lugar’!!!  Em minhas buscas vi que havia aeroporto em El Calafate, cidade do glaciar. Neste momento decidi: ‘vou me organizar para encontra-lo por lá, não posso perder este lugar fantástico’” Andréa.
 
Outro fator importante: encontrar companhia, afinal Jorge estava um pouco apreensivo em ir sozinho até El fin Del mundo!!! (Embora todos nós saibamos que ele iria!!!) Foi então que Jorge conheceu Lucas Ladeia, um cara que trabalha na mesma empresa que ele. Trocaram algumas poucas informações e Lucas se entusiasmou e comprou a ideia de chegar ao fim do mundo também. Começaram a conversar e estreitar as ideias.
 
Jorge, como iria mesmo que sozinho, teve a ideia de alugar um SPOT, um equipamento de localização por satélite, assim Andréa poderia acompanha-lo de forma virtual e todo mundo ficaria mais tranquilo.
 
Por isso, se você quiser acompanhar a viagem em tempo real, clique no link abaixo:
 
Vale uma historinha pra começar: cerca de 10 dias antes de a aventura começar, Jorge torceu o tornozelo, de forma boba, em um caminho onde trabalha, por onde sempre passa, porém foi obrigado a imobilizar o pé com uma bota longa, andar de muletas e ficar com a perna pra cima, além das inúmeras compressas de gelo.
 
Chegou a dar um frio na barriga!
Será que a aventura precisaria ser cancelada?????
 
Passada uma semana, com todos os cuidados indicados pelo médico, o tornozelo estava bem melhor, a aventura poderia acontecer, porém Jorge terá que fazer fisioterapia na volta, rompeu um ligamento!!!
 
 
A aventura começou dia 28.11, com a viagem de Jorge de Salvador a São Paulo, de
avião.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Convidamos você para acompanhar mais este sonho e aventura sobre duas rodas conosco!!!
 
Seja bem-vindo(a)!!!!!
 
 

Antes de começar a aventurar-se

Antes de começar a aventurar-se
Como já foi dito antes, preparar-se para uma viagem longa é essencial se você quer realizar uma viagem tranquila e se o seu objetivo é realizar um sonho, evitando, ao máximo, sustos e preocupações, aproveitando cada momento apenas para curtir o passeio.
Já é sabido que viagens de moto podem ser realizadas de várias formas, com vários modelos de motos e com uma infinidade de diferenças, diferenças de tempo, de grana, de objetivo, de desgaste físico e mental, de lugares para conhecer, de coisas a fazer, etc. etc. Jorge e Andréa optaram por viajar de forma mais tranquila, menos exaustiva e desgastante, para isso, investem tempo pra se organizar e guardam uma grana, que gastam com roupas, hospedagens legais, alimentação e bebericação, pois o objetivo é se divertir, é curtir as férias anuais, sem passar “perrengues” pelo caminho.
Preparação para colocar as rodas na estrada…
Documentação
 
Esta parte é muito importante quando se pretende viajar para fora do país. Fazer um seguro que cubra a América Latina é algo que dá certa tranquilidade, pois caso a moto quebre ou ocorra algum acidente, sabemos que tanto moto quanto os viajantes chegarão ao Brasil, por via área ou terrestre, a depender do tipo de seguro e da distância da ocorrência.
Para circular na Argentina é preciso ter a Carta Verde, um seguro obrigatório exigido por lá. Normalmente as empresas de seguros resolvem isso com facilidade e por um preço justo.

Como Jorge iria passar pelo Chile
(mesmo que só por um pedacinho dele), verificamos que o país tem nova exigência, uma tal de SOAPEX (Seguro Obligatorio de
Accidente Personales para vehiculos motorizados con matricula extranjera, que pode ser adquirido no site https://www.magallanes.cl/venta/Index.aspx, de forma tranquila e segura. O pagamento pode ser feito com cartão de crédito e assim que contabilizado, o site libera a emissão do documento.

Revisão da moto
 
Toda viagem requer uma boa revisão do meio de locomoção que irá te carregar por quilômetros e quilômetros. Não economize e nem se deixe enganar pela economia do seu mecânico (mais adiante vocês entenderão por que).
Vocês verão que esta viagem teve alguns percalços por conta de uma “economia burra” do mecânico, que não trocou peças solicitadas por Jorge, acreditando estarem em perfeito estado. Peças que quebraram ao longo do caminho e acabaram atrapalhando um pouco a viagem.
Mas não podemos, de forma alguma, reclamar da Strom, temos que lembrar que esta é sua quarta longa aventura, terceira para fora do país e ela tem aguentado bem o tranco, pois em nenhuma outra viagem ela apresentou problemas mecânicos, e olhe que o peso que ela carrega é “bravo”, juntando os viajantes e as malas, deve suportar mais de 200 quilos. Realmente esta moto é valente!!!!
  
Equipamentos eletrônicos
 
Testar a máquina fotográfica, gravador, GoPro, GPS, também faz parte da preparação, afinal você não quer perder imagens inesquecíveis.
O GPS usado foi o Garmin velho de guerra e ele não decepcionou. Os mapas feitos no MapSource ficam excelentes e desta vez deram bem menos problema que na viagem do Uruguai.
Jorge pensou em gravar em voz, alguns momentos da viagem, vocês verão nos vídeos que no início ele fez isso, mas com os dias, desistiu da ideia, ideia que será retomada na próxima aventura.
A GoPro tem um cartão de memória de 8G, percebemos que o ideal é, no mínimo, o dobro, pois para fazer boas imagens é preciso qualidade melhor e isto acaba usando mais a memória. Mas aviso: se
puder comprar uma câmera com comandos menos manuais, mais “tecnos”, vale a pena investir nisso.
Arrumação das malas
 
Esta viagem foi atípica, pois cada um viajaria em um momento diferente, mas a bagagem já teria que estar pronta desde o início da viagem. Organizaram de forma que toda roupa necessária para a viagem fossem nas malas traseira e lateral e que Andréa levasse somente seu capacete e sua roupa de motociclista, ou melhor, de garupeira.
Como em viagens anteriores, pediram socorro aos bons sacos a vácuo. Desta vez, compraram sacos menores, sacos de tamanho médio e sem válvula (o ar é retirado se enrolando o saco), o que facilita bem a retirada do ar. Estes sacos ajudam a carregar mais roupas, principalmente as de inverno, que nesta aventura teriam que ser em maior quantidade, pois já sabiam que pegariam temperaturas bem baixas.
Aliás, vale a pena investir em poucas, mas boas, roupas de frio. Comprar segunda pele de qualidade pode ser uma boa saída. Desta vez, o casal também levou roupas ‘fleece’ que aquecem e diminuem a entrada de vento.
Os viajantes de moto sabem, mas a maioria das pessoas não faz ideia, do quanto é possível colocar dentro destas malas!!!!! Mas é sempre bom repetir: viajar de moto é uma grande forma de treinar o desprendimento material rsrsrsrsrsr
“Percebemos que podemos viver bem e com muito pouco e que não é preciso comprar “lembrancinhas” para levar um lugar contigo. As imagens que ficam em sua mente (e em sua máquina fotográfica), além do que vivenciam em cada momento da viagem, é que te fará lembrar pra sempre de onde esteve” – Andréa
Parceria
 

Jorge iniciaria a viagem sozinho, até que poucas semanas antes da viagem,  Lucas, um colega de trabalho, se animou em acompanha-lo. Ele iria de moto até São Paulo, onde encontraria Jorge, um dia antes do início da aventura. Tudo combinado e acertado. Porém, nunca terem viajado juntos e não conhecerem o ritmo de viagem um do outro trouxe algumas dificuldades.

Jorge teve que parar por 3 dias por causa de um defeito na moto e de comum acordo decidiram que Lucas continuaria solo. Dali em diante cada um seguiria seu próprio roteiro, em seu próprio ritmo.

São Paulo – SP – Concórdia – SC





Dia 30.11

São Paulo – SP – Concórdia – SC
860 KMs

 

  

Jorge e Lucas saíram de São Paulo por volta das seis e meia da manhã, começava a nova aventura!!!!!
 
 
  

A ideia, nesta primeira etapa, era parar em Porto União, mas como chegaram cedo, pois o ritmo de viagem foi bom, resolveram esticar mais um pouco e chegaram até Concórdia, em Santa Catarina.
 
 
 
 
Quem vai contar esta nova aventura pra vocês, a partir de agora, é Jorge.
 
 
 
 
 
  

Dia perfeito para viagem de moto.  Clima agradável, céu com nuvens que amenizam o sol, mas com muita claridade e sem chuvas. Perfeito. Junte isso às boas estradas do sudeste brasileiro e, como resultado, andamos mais de 850 kms numa boa. Logo na entrada da cidade de Concórdia encontramos um apart hotel arrumado e com bom preço.
 
Durante o trajeto percebi que a corrente da moto dava uns estalos quando reiniciava a andar, depois de alguma parada.
Parecia ter um elo engripado. Este problema na corrente já existia antes do início da viagem e a opção do mecânico foi de troca do pinhão e troca de “alguns gomos” da corrente, tentando aproveitar a corrente que ainda era relativamente nova.
 
Hotel Zanardi – Bom – Valor da diária: R$ 135,00
 
Gasto Combustível: R$ 150,00
 
Assista ao vídeo do primeiro dia de viagem!!!!!!!!!!!!!
 
 

Concórdia – SC – São Borja – RS

Dia 01.12 – Concórdia – SC – São Borja – RS – 565 KMs
 

O dia amanheceu bastante nublado, mas com temperatura amena, bom para andar de moto.

 
Antes de partirmos para a estrada eu fui até uma mecânica de motos para dar uma olhada na corrente e nada foi encontrado de errado. Depois de uma boa engraxada, ela parou de fazer o barulho.
 
Botamos o pé na estrada com esperança a pernoitar lá e fazer os trâmites de aduana e imigração logo cedo no dia seguinte, mas o dia não rendeu bem.
 
A combinação de chuva (durante quase todo o percurso), pista simples (sem duplicação) e o grande fluxo de caminhões fez com que o dia não rendesse o que esperávamos, de forma que não conseguimos chegar a Uruguaiana.

Paramos para pernoitar em São Borja, idade pequena, porém pareceu arrumadinha.
 
Achamos um hotel bom com um preço mais ou menos. Porém logo na chegada tivemos um problema sério. Enquanto tirávamos as coisas das motos e colocávamos no sofá da recepção, para poder levar tudo para os quartos, o telefone celular do Lucas (que também servia de câmera fotográfica, GPS e meio de comunicação com a família) desapareceu. Procura daqui, procura dali, e nada. Deve ter sido roubado por alguém que estava passando pelo saguão de entrada naquele momento em que estávamos distraídos pegando as coisas nas motos. Lucas ficou muito chateado, e com razão. Fazer o quê? Bola pra frente…
 
Depois do merecido banho quente, desci e tomei um sopão servido no próprio hotel. Lucas estava tão puto que nem jantou.
 
Hotel Obino – Muito bom – Valor da diária: R$ 124,00
Gasto Combustível: R$ 100,00 

Foram poucas imagens…que você poderá ver na próxima postagem, junto com o terceiro dia!!!!

São Borja – BR – Zárate – AR

Dia 02.12

São Borja -RS – Zárate – AR
686 KMs
 
 
Dia confuso. Assim eu posso resumir bem o que foi o terceiro dia desta viagem.
 
 
Depois de um ótimo café da manhã no hotel (coisa de que sentiríamos falta daqui por diante na Argentina), saímos já com chuva de São Borja, procurando um posto de abastecimento.
 
Ontem, chegamos tão cansados, molhados, sujos e querendo logo um bom banho que nem nos preocupamos em abastecer as motos.
 
Lucas ainda estava bastante aborrecido com o roubo do celular dele.
 
Saímos da pequena São Borja sem avistar nenhum posto de gasolina. Pensei com meus botões: ‘na estrada deve ter algum, provavelmente logo no trevo de entrada/saída da cidade’. Estava errado…
 
Depois de rodar 80 kms, sem ver absolutamente nada além de floresta e mato, a XT parou: pane seca!
 
Vale a pena citar aqui que, até então, este burrão que vos escreve não sabia que era possível pesquisar os postos de combustível no GPS! “Pontos de interesse: o que é isso???”… Como pode, né?!?…
 
Ah, vale a pena citar também que Lucas, já sabendo que a autonomia da XT é quase a metade da V-Strom, estava levando consigo um tanque reserva de 10 litros. Pena que ainda estava vazio…
 
E foi assim que os dois abestalhados resolveram fazer o óbvio: Lucas ficar lá na estrada parado, debaixo de garoa, enquanto eu ia seguir adiante à procura do líquido precioso.
 
17 quilômetros depois, eu encontrei um posto de gasolina e lá comprei um galão extra de 5 litros para minha própria reserva de segurança.
 
Entre parar sem gasolina na estrada e continuar a viagem, já com as duas motos e seus respectivos galões abastecidos no posto, se
passaram 1h30m, de atraso.
 
Chegamos à aduana ao meio dia. Estacionamos as motos próximas da fila de imigração e lá vamos nós com os documentos em mãos. Entre aduana e imigração não se passaram mais de 15 minutos. Sensacional!
 
Quando fomos pegar as motos no estacionamento, um cara, dentro de um Renault ‘véio’ pra cacete, me chamou pra perto da janela do carro e perguntou se eu queria “cambiar” reais por pesos. Fiquei desconfiado e disse para ele que não precisaria.
 
 
Na verdade iríamos trocar uma boa quantia de reais por pesos, pois o peso argentino, desvalorizado como está, é propício para este tipo de troca para quem vem com reais. Dessa forma, pagando tudo em “efetivo” (como eles chamam pagamento em dinheiro), a viagem sairia uns 30% mais barata para nós.
 
 
Saímos da aduana, abastecemos e tomamos um lanche rápido no posto Esso que fica em frente e seguimos para dentro da cidade de Paso de Los Libres, procurando um tal “container” que servia de escritório de um cara que troca dinheiro – indicação de um caminhoneiro que conheci ainda na Bahia e que sempre faz frete para a Argentina passando por aquela fronteira de Uruguaiana.
 
Não encontrei o tal trailer no local indicado, mas tinha um monte de caras fazendo sinal para parar para fazer cambio de dinheiro. No meio deles, o cara do estacionamento, aquele do Renaut ‘véio’.  Resolvi parar e falar direito com ele. O cara trabalha nisso, troca dinheiro na fronteira.
 
Estávamos há não mais de uns 500 metros da aduana, que era cheia de policiais e gente do exército, e tinha um monte de caras fazendo isso. Depois de negociarmos um pouquinho, a cotação ficou em 1 real X 4,50 pesos. No câmbio oficial seria 1 X 3,20 aproximadamente.
 
Foi no mínimo estranho a gente contando aquele monte de dinheiro no meio de uma rua horrorosa, num lugar que parecia uma favela. Saímos de lá com um verdadeiro tijolo, feito de notas de 100 pesos argentinos, cada
um.
 
Voltamos para a aduana para usarmos o banheiro (que era
arrumado e relativamente limpo) apenas para dividir a pacoteira de dinheiro em várias partes e espalhar cada uma delas por vários lugares diferentes.
 
E, desse jeito, com dinheiro em tudo que era espaço, seguimos viagem até Zárate, arredores de Buenos Aires, chegando lá já à noite. Arrumamos um bom hotel com um preço razoável, mas pareceu ser o melhor hotel da cidade, que é pequena, mas muito agitada e arrumada.
 
Em frente ao hotel, enquanto Lucas foi na recepção negociar o pernoite, um argentino veio puxar conversa comigo, o Fábio. Disse que tinha uma Versis 650 e também adorava viajar de moto. Sonhava em ir conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul. Ele perguntou bastante sobre a nossa viagem e ficou surpreso quando disse a ele que iríamos ao Ushuaia. Detalhe: ele nunca foi ao Ushuaia.  Mas queria ir à Bonito. Realmente a grama do vizinho sempre é mais verde… rsrs
 
Ele é proprietário de um chaveiro e casa de ferragens naquela mesma quadra do hotel. Enquanto eu estava lá fora, cuidando das motos e conversando com o meu novo amigo Fábio, o Lucas voltou e disse que poderíamos ficar lá em dois quartos single (eu não dividia mais quarto com ele por causa do ronco Caterpillar dele), mas que o preço era um pouco salgado para nós. Foi aí que o Fábio disse que o dono do hotel era amigo dele e foi lá conversar com o cara. Voltou depois de meio minuto e disse que conseguiu um bom desconto pra gente.
 
Acabou ficando bem mais barato do que seria. Uns 30% menos. Valeu Fabio!!! Kkk  
 
Motos abastecidas e guardadas nas “cocheras”, um bom banho e fomos comer algo.
 
Depois de uma pizza deliciosa e uma ou duas garrafas de 1 ltr de Quilmes bem geladas, na mesa da calçada de uma lanchonete, ao lado do hotel, fomos dormir.
 
 
Na manhã do dia seguinte eu teria de achar um lugar para mexer naquela maldita corrente remendada que não parava de estalar e me preocupar.
 
Hotel Zárate Palace – Muito bom – Valor da diária: $300 pesos
Gasto Combustível: $554 pesos
 
Você pode assistir ao vídeo do segundo e do terceiro dia….
 
 

Zarate – Cañuelas

Dia 03.12

Zarate – Cañuelas
142 KMs
 
Na manhã seguinte, após o “desayuno” que até que era legalzinho, saí perguntando no hotel se alguém conhecia alguma loja de peças e oficina que pudesse ter a corrente para minha moto.
 
Algum tempo se passou entre eu explicar a eles que precisava de uma loja de peças, que tivesse uma corrente, e eles entenderem que eu procurava um “repuesto” para adquirir uma nova “cadena” para la “mota”! 
 
Mas o que importa é que acabamos nos entendendo… hehehe
 
O dono do hotel apareceu e sugeriu que eu fosse falar com o Fábio, aquele que conheci ontem, pois ele tinha moto grande também, o que era
raro lá na Argentina, e deveria conhecer algum repuesto.

Dando a volta no quarteirão  encontramos a loja do Fábio e conversei com ele. Ele pegou o celular dele e começou a ligar pra tudo quanto era loja, digo, repuesto, atrás da minha “cadena”, visto que na Argentina, e em especial naquela região, as motos são todas abaixo de 300cc. e é muito difícil encontrar peças para motos acima disto.
 
Fábio fuçava na internet e ligava pelo celular. Fez isso por uma hora, talvez. Insistiu tanto que acabou encontrando uma loja na cidade vizinha, Campaña, que tinha uma corrente que servia.  Encontrou no Google Maps o caminho que deveríamos fazer para encontrar a loja, me ajudou a programar o GPS e não poupou esforços para me ajudar.
 

Se fosse aqui no Brasil, dificilmente alguém se dedicaria tanto a ajudar alguém que acabou de conhecer. Eu já tinha tido contato com essa solidariedade argentina na minha outra viagem, em 2010, quando atravessei o norte da Argentina para chegar a San Pedro de Atacama, no Chile, e pude ver, por mim mesmo, que os brasileiros são muito injustos quando falam mal de argentinos. Eles estão anos luz à nossa frente em relação à educação, solidariedade e bons modos. Você percebe isso até na limpeza das ruas, no respeito às leis de trânsito, em praticamente tudo. Temos muito a aprender com nossos hermanos…

 
Depois das fotos tiradas em frente ao seu comércio, seguimos viagem curta, de uns 60kms, até chegarmos em Campaña, uma cidade pequena, menor até que Zárate, mas, mesmo assim, conseguimos nos perder por meia hora, aproximadamente, até encontrar a loja de repuestos. 

Chegamos lá quando eles estavam fechando para o almoço e só voltariam a trabalhar às 15h, por causa da siesta. Ficamos horas parados lá e aproveitamos para almoçar. Costume local, temos de respeitar.

 

Finalmente troquei a porcaria daquela corrente que já vinha me dando trabalho há tempos por uma nova. Aproveitei e troquei óleo e filtro do motor. Sugeri ao Lucas que ele fizesse isso também, mas ele disse que ainda iria esperar mais 1000 kms para trocar o óleo.

 
Um dia depois eu aprenderia mais uma lição nessa viagem: Já que uma moto está parada, fazendo manutenção, façam a manutenção das outras
também. Isso economiza tempo e não causa  desentendimentos…
Finalmente conseguimos por o pé na estrada, mas já eram umas 17h e o dia já estava comprometido.
 
 
Conseguimos rodar apenas uns 80 kms e paramos em Cañuelas, pois já era tarde e Lucas estava com um desarranjo intestinal daqueles.
 
Melhor não arriscar, pois poderia dar merda… literalmente! Kkk.
 
Hotel Libertá – Muito bom – $ 560 pesos

Gasto Combustível: $100 pesos

As imagens você poderá assistir na próxima postagem… aguarde!!!!

 

Cañuelas – Bahia Blanca



Dia 04.12

Cañuelas – Bahia Blanca
650 KMs
 

 

Depois de eu consertar a corrente da minha moto e o Lucas ‘seu cano de descarga’, finalmente poderíamos colocar o pé, digo as rodas, na famosa Ruta 3 e começar a ter contato com as longas retas que nos aguardavam.

Este dia transcorreu tranquilo. Tempo bom e bastante calor. Até agora tinha sido uma boa ideia usar jaqueta e calça de corduramodelo verão, da Riffel. Ventila pra caramba. Vamos ver como será quando ficarfrio, mais ao sul.

 
Apesar de rodarmos por uma única estrada o dia todo, na sua maior parte em retas sem fim, e com tempo bom, o dia não rendeu muito bem e chegamos à Bahia Blanca no início da noite.

Lucas estava preocupado com o consumo da XT, que era alto em velocidades superiores, e acabamos rodando devagar.
 
Resultado: chegamos tarde ao destino do dia e não tivemos tempo de conhecer a cidade, o que me deixou um pouco frustrado.  Além disso, ele precisava trocar o óleo do motor da moto agora.
 
Resolvi que necessitávamos lavar a roupa suja. Foi então que perguntamos no hotel onde havia uma lavanderia de roupas e nos indicaram uma perto do hotel.  Era daquelas que você compra a ficha da máquina e enfia tudo lá dentro e espera o processo terminar. Depois enfia tudo na secadora e espera de novo. Enquanto eu bancava uma prendada dona de casa, ele saiu atrás de uma oficina para trocar o óleo da XT.
 
Uma hora e meia depois, ele retornou à lavanderia sem ter conseguido realizar a troca, pois a oficina havia fechado. Teria de fazer isso na manhã seguinte, o que geraria atraso no trajeto do dia seguinte.
 
Eu juro que não teria ficado chateado com isso, não fosse o fato de ter estado por 5 longas horas numa oficina um dia antes, trocando o óleo!
 
Hotel Patagonia Sur – Excelente – Valor da diária: $320 pesos

Gasto Combustível: $525 pesos

Assista ao vídeo do quarto e quinto dias de viagem…

 

Bahia Blanca – Puerto Madryn







Dia 05.12

Bahia Blanca – Puerto Madryn
693 KMs
 
Saímos do hotel por volta das 9h e fomos direto à oficina. Às 10h30m o óleo da XT já estava trocado, mas eu queria comprar uma coroa nova para a V-Strom, que eles não tinham, mas indicaram onde eu conseguiria comprar, num repuesto na saída da cidade. Coroa comprada, eram 11h e, finalmente, estávamos novamente na Ruta 3.
 
Neste trecho, a Ruta 3 segue sentido oeste para depois virar à esquerda e seguir por mais uns 3000kms para o sul.
 
Tivemos nosso primeiro contato com os ventos. A maior parte do tempo eram ventos de frente, fazendo com que a moto ficasse pesada, o consumo foi ao espaço. Às vezes, ele pegava a gente de lado, da esquerda para a direita, fazendo com que andássemos de lado. O problema eram as rajadas.
Parecia que tinha alguém chutando as rodas da moto, como que tentando dar uma rasteira nela.
 
Depois que a estrada apontou para o sul, os ventos diminuíram, e pudemos impor um bom ritmo.
 
Agora a paisagem era de uma estepe com arbustos baixos, planícies sem fim, a se perder pelo horizonte.
 
Definitivamente, estávamos na Patagônia!
 

Na saída da Ruta 3, para acesso a Puerto Madrin, nosso destino do dia, havia uma espécie de mirante de onde podíamos ver toda a cidade e o oceano Atlântico à sua frente. Ficamos um tempo parados ali, tirando fotos e observando a proteção natural que os “cerros” davam à cidade contra os ventos patagônicos.


Encontramos um hotel muito bom a um preço justo. Havia vários restaurantes ao redor.

 
 
 
 
Depois de instalados, resolvemos dar uma volta de moto pela cidade.

 

 

Fomos seguindo pela orla, que era muito bonita e arrumada.  A avenida da orla terminava num morro e tinha um monte de carros e motos subindo para lá. ‘Vamos ver o que tem lá, então’! Encontramos um mirante fantástico de onde podíamos ver toda a orla da cidade e o oceano à nossa frente, majestoso.

Uma escultura enorme de um índio observava o oceano, como que tentando ver o que havia depois dele. Chegamos exatamente no momento do pôr do sol. Como se ainda  faltasse alguma coisa para aquela paisagem ser surreal, a lua acabava de nascer de dentro do mar e deixava nele um rastro de luz.

Nem vou tentar explicar a beleza daquele momento. 

Vejam as imagens no filme!!!!!

 
Hoje a Quilmes book desceu bonita, 2 litros dela.
 
O fato de ter chegado ao destino do dia com tempo suficiente para dar uma volta pela cidade e ver aquele espetáculo da natureza me deixou extremamente feliz.
 
Mesmo tendo sido apenas uma horinha de city-tur, consegui, ao menos, dar uma olhadinha na cidade por onde estava passando nesta grande viagem, e não apenas ficar andando de moto, o tempo todo por dias e dias. 

Apart Hotel Patagonia – Muito bom – Valor da diária: $300 pesos

Gasto Combustível: $545 pesos

Para conhecer mais:
http://madryn.travel/

Assista ao filme deste incrível dia de viagem….

 

Puerto Madryn – Comodoro Rivadavia

Dia 06.12

Puerto Madryn – Comodoro Rivadavia
 
 
Este foi um dia de fortes emoções, e o relato desse dia vai ser longo…
 
Como de costume, saímos do hotel por volta das 9:00hs depois daquele desayuno fraquinho. 

De tanque e galões cheios do líquido precioso, voltamos para a Ruta 3, sempre para o sul. O destino do dia seria Caleta Olivia. Passamos direto pela pequena Trelew sem abastecer pois tínhamos rodado apenas uns 70 kms. Eu pretendia fazer um desvio no caminho para visitar a pinguineira localizada em Punta Tombo (eu disse PUNTA!).
 

Entramos à esquerda quando vimos a placa indicando a  pinguineira e rodamos 75 kms por uma estradinha deliciosa onde não tinha absolutamente nada. Achei que haveria ali um vilarejo ou pelo menos uma estacion de serviços (é assim que os argentinos chamam os postos de gasolina). Demos de cara com uma porteira de fazenda com placas indicando que dali até a tal pinguineira seria mais 20kms de rípio. 

Lucas logo precisaria abastecer, como sempre. Ficamos um tempo parados ali pensando: vamos ou não vamos? Seriam 40 kms de ripo entre ida e volta, mais 75kms para voltar para a ruta 3 e mais sabe-se lá quanto até o próximo posto de abastecimento. Nisso vem da estrada de rípio um caminhão num pau só e levantando um poeirão danado. Fizemos sinal e ele parou ao lado do Lucas. Era um casal de alemães de meia idade que estavam fazendo turismo por toda a América do Sul num caminhão 4X4 super alto com uns pneus enormes e a carroceria era um motor-home (os encontraríamos de novo, acreditem!). Deve ser muito legal viajar por aqueles lugares num troço desses.
 
Lucas pediu informações ao alemão, em inglês – é claro – e o cara foi muito solícito e atencioso. Disse que o rípio realmente era muito ruim, e procurou o posto mais próximo no GPS dele. Foi aí que eu descobri como se fazia isso. Que burro que eu sou! Chegamos à conclusão de que mesmo colocando o galão de 10 litros na XT ele não conseguiria ir até a pinguineira. Na verdade, mesmo seguindo direto ao posto ele teria de fazer a gasolina render para conseguir chegar. Eu mesmo teria de usar meus 5 litros na Strom e ainda rezar. Resolvemos ali que ele voltaria até a ruta 3 e eu tentaria visitar os pinguins. Nos encontraríamos novamente no próximo posto.
 

Entrei rípio adentro bem devagar, e depois de uns 2 kms me convenci de que isso não daria certo. O rípio estava realmente muito solto, com pedras grandes misturadas, e se eu caísse ali, o que não estava nem um pouco difícil, talvez não conseguiria levantar a moto sozinho. O Lucas tinha de estar junto, mas a autonomia da XT não permitiu. Dei meia volta e lá se foi meu passeio. Fiquei puto.
 
Voltei devagar pela estradinha, pensando em como esta viagem tão desejada estava se desenvolvendo, e não fiquei muito contente. Acho que não planejei tão bem quanto deveria, foi o que me veio na cabeça naquela hora. Mal sabia eu que ainda neste dia eu teria a constatação de que minha preparação feita às pressas para esta viagem me cobraria um preço alto.
 
Quando cheguei de volta à Ruta 3, que fica numa planície mais alta, o vento estava me esperando.
 

Um vento forte que soprava da direita para a esquerda e cheio de rajadas traiçoeiras que tentavam passar uma rasteira nas rodas da moto. Quem me visse balançando a moto daquele jeito acharia que eu estava completamente bêbado. A moto ia de um lado ao outro da pista e o esforço em mantê-la na pista correta, sem invadir a contra mão, era enorme. Mas aos poucos eu fui acostumando e balançava menos. Assim foi até chegar à estacion de serviços. Lucas também tinha acabado de chegar. Cheguei no cheiro. Dos 22 litros de capacidade do tanque, entraram 21,5! Mas ainda tinha o galão de reserva. 

 

Depois de abastecermos encostamos as motos em frente à lojinha para comprar um Gatorade.

 
Na saída tinha um argentino chegando numa Falcon, o Pablo. Era um cara muito simpático, puxou conversa com a gente, mas eu ainda estava puto com o lance da pinguineira e não quis muita conversa. Quanta grosseria a minha. Depois fiquei até com vergonha.
 
O Lucas conversou com ele e disse que iríamos até Caleta Olivia. Então ele nos disse: no, ustedes tienen de ir a Comodoro Rivadávia!!! Está tiendo um encuentro de motos de los Choikes!!!

Fiquei meio sem entender nada, pois não tinha prestado muita atenção à conversa, mas o Lucas veio me explicar: naquele fim de semana haveria um Moto Encontro do Choikes MC na cidade de Comodoro Rivadávia e o Pablo estava nos convidando para participar. Como eu não estava num momento muito bom para fazer amigos, disse que seguiríamos com o planejado e o destino do dia seria Caleta Olívia.
 
Lucas percebeu que eu não estava legal e concordou comigo.
 
Nos despedimos do Pablo e voltamos para a estrada.
 
O vento!!!
 
Agora o vento tinha despirocado de vez! Quanto mais a gente descia para o sul, piorava. Já tinha lido em vários relatos de quem foi a Ushuaia pela Ruta 3 que o vento castigava, mas não estava preparado para aquilo. Era um vento constante, que não dava trégua, e a cada 2 ou 3 segundos batia uma rajada que parecia ter o dobro da força e fazia com que a moto, que já estava andando inclinada a uns 20 graus, deitasse até quase raspar a pedaleira no chão! Era como se estivesse fazendo uma curva muito fechada em alta velocidade, só que tentando manter em linha reta. Muito doido. O esforço no pescoço (por causa do vento empurrando o capacete contra o rosto) e nos ombros e braços para tentar segurar no braço a moto na pista certa, era punk! 

Passamos por uma região que tinha várias turbinas eólicas ao lado da estrada e pensei comigo: se este treco é movido a vento, está no lugar certo. Vá ventar assim lá na @#$%&… 

Mas ainda iria piorar!
 
Em dado momento parei no acostamento para descansar um pouco os braços (faço isso a cada 1 hora para descansar a bunda, também faz parte do meu ritmo de viagem) e o Lucas veio falar comigo sobre o vento. 

Estávamos assustados com a força daquele vento e também com o perigo daquela situação. Era muito tenso quando tentávamos ultrapassar
algum caminhão ou veículo grande, porque o vento era bloqueado de repente, e se não levantássemos a moto muito rapidamente, iríamos parar em baixo das rodas traseiras. Às vezes o vento dava a volta por cima do veículo e vinha pelo outro lado, fazendo-nos inclinar para o lado contrário, e ao passar pelo veículo o vento vinha da direita com mais força ainda devido ao deslocamento de ar natural do veículo. Insano!!! 

Numa dessas ultrapassagens o vento que peguei depois da ultrapassagem foi tão forte que me mandou quase para o limite do acostamento da pista contrária (que era de rípio fofo e ainda tinha um desnível para a pista) e eu não conseguia voltar, mesmo vendo que vinha um caminhão no sentido contrário. Quando iniciei a manobra de ultrapassagem vi que havia uma distancia enorme para executá-la, mas como não conseguia voltar para a minha pista o caminhão foi se aproximando, aproximando, e quando consegui arrastar no braço a moto de volta para a pista certa, já estava em cima. Não pude nem me dar ao luxo de ficar com tremedeira, tamanha a dificuldade em segurar a moto na pista. 

Parados no acostamento, tínhamos de ficar em pé ao lado da moto para que ela não caísse, de tanto que balançava. 

Numa dessas paradas vi que havia algo escorrendo pelas bengalas da Strom. Olhei mais de perto e era exatamente o que eu estava torcendo para não ser: óleo das bengalas, vazando absurdamente, dos dois retentores!
 
Não era um vazamentinho. Estava tudo babado de óleo. A impressão que deu era que todo o óleo tinha sido jogado pra fora. Não faço ideia de quando tinha começado aquele vazamento, mas certamente um retentor estourou e o esforço que eu estava fazendo com a moto andando inclinada numa espécie de contra-esterço para mantê-la em linha reta deve ter forçado as bengalas, e logo o outro retentor estourou também. Isso talvez até explicava um pouco por que eu estava tendo tanta dificuldade em segurar a danada no braço.
Pensei comigo: agora fudeu!
O jeito era tentar chegar do jeito que desse à primeira cidade para ver o que faria da vida. E não é que a próxima cidade era Comodoro Rivadávia? Lá estaria havendo o encontro de motos!!!
 
Mas ainda faltavam uns 100 kms, que sinceramente, não sei como consegui chegar, naquelas condições. Não sei o que estava mais difícil de superar. Se era o vento, que só piorava à medida que íamos para o sul, se era aquela frente pulando feito cabrito pela falta do óleo que faz o serviço de amortecedor, a combinação dos dois deixando a pilotagem quase impossível, ou minha cabeça dando voltas pensando que talvez eu não encontrasse os retentores para trocar, e desta vez – ao contrário da viagem ao Atacama – eu não estava levando nenhuma peça de reposição, inclusive os malditos retentores! Que merda! Que vento! Que moto pesada! Que dor nos braços!
 

Seguimos a uns 80 km/h até chegar em Comodoro Rivadávia. Deus sabe como consegui chegar lá, pois ele ficou o tempo todo grudado em mim naquela garupa, me tranquilizando e protegendo. Só assim mesmo.
 
Chegamos e já fomos procurar hotel. Ou estava lotado, ou era muito caro, ou era péssimo. Resolvemos ir até o tal encontro dos Choikes MC, pois lá eu deveria encontrar motociclistas que conhecessem as lojas de repuestos para motos grandes, mecânicos, e talvez até ajuda para encontrar algum hotel, bom e barato.
 


O encontro dos Choikes
Rodamos um pouco até encontrar o lugar, que era meio afastado do centro da cidade, e quando entramos no lugar, que parecia ser um parque municipal, todos ficaram nos olhando e quando viam que as motos tinham placas do Brasil, ficavam impressionados e chamavam a atenção dos outros para a nossa chegada.
 

Pensei comigo: acho que vamos apanhar aqui! (brincadeira, pois já tive a oportunidade de vivenciar o respeito e a amizade que os argentinos tem pelos brasileiros, especialmente os motociclistas). 

Assim que paramos as motos, lado a lado, bem no meio do agito do encontro, o Pablo, aquele cara da Falcon que veio falar com a gente no posto da ruta 3, veio nos receber e fez a maior festa.
 
Já começou a avisar pra todo mundo que éramos do Brasil,estávamos a caminho do Ushuaia, e que ele tinha nos convidado ao encontro.Virou uma festa, e em 5 minutos já estávamos até falando no microfone para todos os presentes, ao melhor estilo Porgunholês! Agora o encontro do Choikes MC era um evento internacional!!! Fomos cumprimentados e até abraçados pelospresentes. Quando dissemos então que tínhamos saído da Bahia para vir fazermoto-turismo no país deles, em especial o Ushuaia, quase fomos ovacionados.
 
Passado o frenesi inicial da nossa chegada, pedi ao Pablo me apresentar a algum mecânico que estivesse ali presente para eu expor minha situação. Ele estava bebendo uma mistura de Fernet (que é uma espécie de vermuth com teor alcoólico bem alto misturado com coca-cola) e insistiu para eu experimentar. Até que era gostoso. Ele disse que iria procurar um cara lá no bar, que estava instalado dentro de um salão (a única construção dentro daquele parque) e quando voltou me trouxe um copo de uns 700 ml daquele troço que ele estava tomando. Trouxe também o Daniel para me apresentar. Ele era mecânico nas horas vagas e foi altamente recomendado por todos com quem conversei a respeito do meu problema mecânico.
 
Depois de dar uma olhada nas “canelas” da V-Strom, o Daniel tinha uma notícia boa e uma ruim para me dar.
 
A boa é que eu não teria grande dificuldade para encontrar os tais retentores, desde que as lojas de repuestos estivessem abertas, o que me leva à notícia ruim.
 
A ruim é que aquele dia era um sábado, e já era tarde.
Umas 21:00 talvez, e as lojas e mecânicas estavam todas fechadas. Domingo elas não abririam. Segunda elas também não abririam, visto que seria feriado (Dia da Virgem, Padroeira da Argentina, o mesmo de Nossa Sra. Aparecida no Brasil) e eu só conseguiria consertar a moto na terça feira.
 
Assim sendo, cheguei à brilhante conclusão de que só poderia seguir viagem na quarta-feira.
 
Fiquei em estado catatônico durante alguns minutos. Este atraso de 3 dias na programação, além do dia que eu já estava atrasado por causa da troca da corrente em Campaña, fariam com que toda a programação da viagem fosse para o espaço, pra não falar outra coisa.
 
Ainda ficamos lá no encontro durante mais uma hora e meia talvez. Foi o tempo que levei para conseguir tomar todo aquele Fernet com coca-cola, que não acabava nunca.
 
Estávamos extremamente cansados da viagem e da batalha árdua contra o vento. Ao menos o Fernet me fez não sentir mais dores no pescoço. Nem nos braços. Na verdade, não sentia mais nada, estava tudo anestesiado.
 

Seguimos algumas dicas que nos deram sobre hotéis eencontramos o Hotel Encina. O preço e o quarto eram medianos, mas a recepção e o restaurante eram legais. Resolvemos ficar lá mesmo. Estávamos cansados demais para tentar procurar outra coisa, e já era muito tarde.

Cada um pegou um quarto, mas tivemos uma rápida conversa antes de ir dormir.
 
Mudança de planos
 
A espera de 3 dias para consertar a moto (talvez mais) faria com que eu tivesse de abortar a ida até Ushuaia, pelo motivo de que havia uma data certa para eu chegar à El Calafate encontrar com Andréa, que estava vindo de avião. Definitivamente, eu tinha de traçar um plano B.
 
Conversei com Lucas e de comum acordo resolvemos que ele tentaria seguir viagem solo, rumo à Ushuaia. Não fazia sentido ele ficar lá parado sem fazer nada, só me esperando. Na verdade, antes de começar a viagem, eu já tinha combinado com ele que se algum de nós resolvesse mudar os planos durante a viagem, desde que não fosse devido a alguma emergência por motivo de doença ou acidente grave (que necessitasse da ajuda e apoio do parceiro) o outro seguiria conforme o planejamento da viagem.
 
E como o que é combinado não sai caro, decidimos nos separar a partir dali.

 
Hotel Encima – Médio – Valor da diária: $430 pesos

Gasto Combustível: $433 pesos

O vídeo você poderá assistir na próxima postagem……. aguardem!!!!

Encontro do CHOIKES – Comodoro Rivadavia

Dia 07.12
ENCONTRO CHOIKES
 
Comodoro Rivadavia
 
 

No dia seguinte, um domingo, dormimos até tarde. Levantei lá pelas 9:30, tomei café da manhã e dei uma volta pelos arredores do hotel a pé. Lucas continuou no quarto dormindo. Ele tiraria o dia para descansar e reorganizar seus planos.

Perambulei por 2 horas a pé, apesar de ainda estar mancando devido à torção do tornozelo esquerdo ocorrida poucos dias antes do início da viagem (conforme explicado no início deste relato).

Pensei bastante na vida. Estava bem chateado, não pela moto ter quebrado, mas por eu não ter tido o cuidado de providenciar algumas peças de reposição como tinha feito das outras vezes, de ter sido relapso com a revisão da corrente ainda na Bahia, sentia falta da minha esposa e parceira e co-pilota para me dar apoio nessa hora de tristeza pela constatação de que o principal objetivo da viagem, Ushuaia, não seria alcançado. Momento de avaliação de tudo que tinha rolado nesta viagem até ali.

O cansaço do dia anterior foi tão grande que ainda estava dolorido e me sentindo cansado. Voltei para o hotel e fui dormir novamente.

Levantei lá pelas 14:00hs e resolvi ir até o encontro dos Choikes ver o que estava rolando. Chamei o Lucas, que também estava dormindo, mas ele não quis ir. Preferiu continuar descansando, pois no dia seguinte ele continuaria viagem com seu próprio plano B.

 

Chegando no local do encontro fui novamente muito bem recebido pelo pessoal dos Choikes MC, que estavam preparando 3 cordeiros patagônicos (churrasco de carneiro assado inteiro) ao lado do salão que servia de bar e refeitório para o encontro, e tomando vinho. Fiquei por lá até as 22:00hs conversando com todo mundo, fazendo amigos, trocando experiências.

Foi muito legal passar aquele dia com eles. O dia foi tão divertido que eu já nem estava chateado de ter abortado a ida até Ushuaia. Me senti um velho amigo daquele pessoal divertido. Fiquei tão amigo do pessoal que eles até improvisaram uma cerimônia de aceitação minha no Moto Clube e me declararam “Presidente da sucurssal Bahia dos Choikes no Brasil”!!!

Um outro companheiro motociclista que tinha vindo de Santiago, no Chile, especialmente para este encontro, também foi declarado presidente da sucurssal Chile dos Choikes. Foi muito legal e divertido.

Sinto-me honrado de agora fazer parte daquela verdadeira família de motociclistas argentinos.

Não poderia encerrar o relato deste dia sem agradecer a todos os integrantes e amigos do Choikes Motoclub Comodoro Rivadavia. Galera nota 1000 !!!

 
 

Muito obrigado ao presidente Jose Luis, ex-presidente Marcelino Mansilla (grande cara, literalmente), Alejandro Juárez (fala português e foi meu intérprete nos momentos em que o portunhol fracassou-hehehe), Daniel (mecânico), Pablo (de Trelew), a Gladys e o Fijo (casal de Gal.Roca – super legais), o Claudio Alejandro, Carlos Alberto, e mais um monte de amigos que não vou conseguir lembrar dos nomes, mas que com certeza ficarão guardados em minha lembrança como meus queridos amigos argentinos e que espero reencontrar um dia. Seja na Argentina, seja no Brasil!

Assista em vídeo mais este dia de aventura.
 

Moto Quebrada = Dormir muito

Dia 08.12
MOTO QUEBRADA = DORMIR MUITO
 

Na segunda, feriado nacional (dia da Virgem ) estava tudo fechado e o encontro dos Choikes já havia terminado. Aqueles que tinham permanecido lá durante o domingo estavam agora retornando para suas casas, pois muitos deles tinham vindo de outras províncias.

Este dia é dedicado à Nossa Senhora de Lujan. Em 1630, Antonio Farias Saa, fazendeiro criado em Santiago Del Estero, levava duas imagens, que representavam a imaculada Conceição, de São Paulo, Brasil,  para sua cidade, onde queria construir uma capela para virgem. Porém, a caravana se deteve ao longo do rio Lujan, a 67 km de Buenos Aires. No outro dia, iriam continuar a viagem, mas a Carroça, transportando as imagens, não se movia. Os carroceiros retiraram uma imagem e a carroça não se moveu, retiraram a outra imagem e a carroça passou a andar normalmente. Nesse instante, os homens perceberam que algo de milagroso estava acontecendo. 
Basílica de Nossa Sra de Lujan (Buenos Aires)
Vendo que a Virgem não queria deixar o local foram para a casa mais próxima, na qual foram recebidos por uma família que emocionou-se ao ver a imagem e a colocaram em sua casa. A notícia correu toda a região e chegou em Buenos Aires. Dom Rosendo construiu uma pequena capela, entre as gramíneas dos pampas, neste local a virgem permaneceu intacta de 1630 a 1674. O local se tornou povoada com os devotos da Virgem, e o espaço tornou-se uma vila que foi denominada Povo de Nossa Sra. de Lujan (Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_de_Lujan e http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=maria&id=67). 

 
Dia de não fazer absolutamente nada! Aproveitei para colocar a cabeça em ordem e traçar o plano B.

 

Estaria atrasado 4 dias na programação original. De Rio Gallegos há uma estrada asfaltada que vai se encontrar com a Ruta 40 e segue para El Calafate. Era nesta cidade que me encontraria com Andréa, que chegaria lá dia 11 de dezembro.

Abortando Ushuaia dos planos, eu economizaria 1 dia de viagem indo e outro voltando entre Rio Gallegos e Ushuaia, além da estadia prevista de 2 dias por lá.

Resolvido: de Rio Gallegos seguiria direto para El Calafate para encontrar Andréa e assim estaria novamente na programação das datas, conforme planejado.  Fechou!

 

Conserto da Moto

Dia 09.12
CONSERTO DA MOTO

 

O presidente do Choikes, José Luis,  combinou comigo que passaria no hotel em que eu estava hospedado na terça logo cedo para me guiar até a oficina que iria fazer o conserto nas bengalas da V Strom. Deu 9:00hs e nada dele aparecer. Do telefone do hotel eu liguei pra ele e acordei o cara. Em 20 minutos ele estava na porta do Hotel Encina com seu carro e foi me guiando até a oficina do Lombris (Calle Mendonça 67  fone 297-6250400 em C. Rivadavia – Recomendo!). Na verdade era bem perto do hotel, umas 8 quadras apenas. A moto ficou lá até as 15:00hs e o serviço ficou muito bom. Eles mesmos providenciaram de encontrar os reparos (reténs) das bengalas (cañuelas) nas motopeças (repuestos) da região.

O serviço ficou em 2000 pesos (444 reais pelo cambio que eu tinha feito). Troca dos dois retentores (+as peças) com um polimento nas bengalas + o óleo da suspenção e ainda troca de óleo e filtro do motor. Achei o preço bem justo. Até barato. Se fosse no Brasil, um mecânico vendo um argentino em apuros no meio de uma grande viagem, provavelmente se aproveitaria para enfiar a faca no infeliz do argentino. Mais uma vez eu comprovei a retidão dessa turma. Já havia passado por isso na minha viagem para o Atacama em 2010 quando precisei de um serviço de emergência no botão de partida da moto em Santiago Del Estero, Argentina, e fui atendido com rapidez e profissionalismo pelo dono da mecânica (Pablo, se não me engano). Realmente, temos muito a aprender com nossos hermanos…

Como a distância para Rio Gallegos, próxima parada, era de aproximadamente 800 kms, não adiantaria eu sair de Comodoro Rivadávia na parte da tarde. Era melhor eu reiniciar a viagem na quarta bem cedo.

Comodoro Rivadávia é a cidade mais populosa da província de Chubut, no sul da Argentina, às margens do Atlântico. É uma cidade seca, localizada na Baía de São Jorge. Fundada em 1901, prosperou a partir de 1907, com a descoberta do petróleo ao procurar por água, sendo considerada a “Capital Nacional do Petróleo”. Também conhecida como “la puerta de acceso al Corredor Turístico de la Patagonia Central y de la Patagonia Austral. 

Para conhecer mais: http://www.comodoroturismo.gob.ar/