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A nova “Grande Viagem”

Já que as condições para fazer a viagem para Machu Picchu não eram as mais propícias este ano, Jorge resolveu partir para o plano B.  B de Atacama!!!  (heim?!?)
Uma das viagens que ele também sonhava realizar de moto era para o Deserto do Atacama,  começou, então, a pesquisar sobre este novo destino, dando início ao planejamento desta nova grande viagem.
Depoimento de Jorge: “Já lí inúmeros relatos de viagens para este lugar fantástico, e outros tantos em que passar pelo deserto era apenas um caminho para se chegar a outros destinos, como Machu Picchu ou o Salar de Uyuni, na Bolivia.
Assim que o trabalho de pesquisa começou já percebi que esta era uma decisão acertada. Já que a viagem seria feita solo, ou seja, sem a companhia de outros motociclistas e com a esposa na garupa, o melhor a fazer era “pegar leve”. Não que esta viagem seja muito mais fácil do que a outra, mas me pareceu que viajar pela Argentina e Chile seria mais “tranquilo” do que encarar a Bolivia logo na primeira viagem internacional.
Alem disso, poderíamos planejar a viagem de forma que estaríamos de volta a São Paulo às vésperas do Natal, podendo passar esta data tão especial junto de nossas familias e matando as saudades antes de regressarmos para casa.”
Depoimento Andréa: “Não vou mentir que foi um alívio… estava preocupada em viajar pela Bolívia, todos os relatos levavam a aventuras demais para uma primeira viagem, confesso que não estava animada. Com a mudança do destino comecei a me envolver de fato nesta aventura… fiquei com a parte de Comunicação rsrsrsrsrsrsrsr e estou super empolgada, embora as pessoas digam que sou “louca” hehehehehe”, só ainda não sei onde vou carregar minhas roupas e as lembrancinhas da viagem hehehehehehehehe E também tinha as festas com a família, minha irmã chegando de viagem, a outra querendo a festa em sua casa nova, tudo estava se encaixando e estaríamos em Sampa para o Natal, afinal o universo conspira a nosso favor quando estamos no caminho de nossos sonhos”.
Então estava decidido: o projeto “Salvador-Atacama 2010” tinha início!
A partir daí foi um tal de preparar listas que não acabavam mais:-lista das estradas e cidades por onde iriam passar (ou seja, definir ROTEIRO),-lista de documentos a levar,

-lista de documentos a providenciar,

-lista de revisão da moto,

-lista de acessórios a serem colocados na moto,

-lista de peças a serem substituídas na moto,

-lista de peças a serem levavas sobressalentes, no caso de quebra,

-lista de ferramentas para a moto,

-lista de “tranqueiras” necessárias, como reparo de pneu, corda, silver tape, arame, etc,

-lista de remédios para montar um kit “de sobrevivência nas alturas”,

-lista de vestuário e acessórios pessoais, como jaquetas e calças de cordura, luvas, 2ª pele, etc,

-lista do planejamento diário da viagem, com kms e previsão de despesas com combustível, alimentação e hospedagem,

-lista dos contatos que deveriam ser feitos (seguradora, assist.médica, financeira, operadora de celular…),

-lista de assuntos “aleatórios”, relacionados à divulgação, como montar blog, criar um logo, fazer adesivos do logo, etc,

-lista de listas, pra não esquecer de nenhuma delas!!!

Agora só faltava colocar “mãos a obra” e começar os preparativos, já que toda viagem deste porte requer uma boa dose de organização e praparação, inclusive a física e psicológica.
Da psicológica, a Andréa ficou de cuidar rsrsrsr, e para a física, ambos decidiram retomar algo que a anos não faziam: Academia!
Outro tipo de preparação é a realização de viagens rápidas, do tipo bate-volta, que permitam treinar diante da quantidade de kms que serão rodados nos dias de aventura e também testar os equipamentos instalados na moto, assim como o vestuário.

Desvendando Foz do Iguaçu

 Viajar é muito mais que simplesmente ir em algum lugar, é mais que conhecer, mais que estar lá, é aventurar-se por caminhos desconhecidos e, muitas vezes, misteriosos.
Vale a pena conhecer um pouco sobre a História do lugar a ser visitado, suas origens, suas atrações, suas lendas e mitos, seu povo.

Entretanto acredito que a cultura só nos é possível ter acesso de verdade quando nos misturamos a ela, quantos a vivenciamos. Nos próximas postagens, buscarei contar, de forma breve, um pouco sobre os lugares por onde Jorge e Andréa foram se aventurar, usando as imagens feitas pelo casal nesta grande aventura.
4º. Dia – 04.12.2010
Desvendando Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu é um município brasileiro localizado no extremo oeste do estado do Paraná e faz fronteira com a Argentina e o Paraguai. Foi criado em 1914 e sua população estimada em 2009 é de 325.137 habitantes, que ocupam uma área urbana com mais de 700 mil habitantes. A cidade é conhecida pelas Cataratas do Iguaçu (uma das finalistas do concurso que escolheu as 7 Maravilhas da Natureza) e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo, que em 1996 foi considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis.
Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no espaço brasileiro do reservatório de Itaipu, antes de sua formação, situaram em 6.000 a.C. os vestígios da mais remota presença humana na região.
Em 1881, Foz do Iguaçu recebeu seus dois primeiros habitantes, o brasileiro Pedro Martins da Silva e o espanhol Manuel González. Pouco depois chegaram os irmãos Goycochéa, que começaram a explorar a erva-mate. Oito anos após, foi fundada a colônia Militar na fronteira – marco do início da ocupação efetiva do lugar por brasileiros e do que viria a ser o município de Foz do Iguaçu.As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo e a geração de energia elétrica. Foz do Iguaçu é a 3º economia do estado com PIB de 5.467.714.000. É conhecida internacionalmente por suas atrações, que trazem visitantes do Brasil e do mundo.
Conforme combinado, passaram o dia em Foz do Iguaçu, já acordaram animados com os passeios programados para o dia.
Primeiro foram comprar umas “muambinhas” no Paraguai – Cidade Del Leste  em homenagem a consumidora de plantão…… Paty!!!!!!
A Andréa mostrou toda sua mudança de filosofia de vida: NÃO COMPROU NADA!!!!!!
Quer dizer, apenas umas coisinhas bem pequenas, mas para uso coletivo da família Padovani, tudo muito útil, nada de supérfluo.
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Um passeio cheio de aventura,  além da multidão de gente passando a pé e de carro, e de moto, e de van, e de buzu, na Ponta da Amizade, uma loucura organizada; na volta teve direito ao Jorge sem chinelo (o dele quebrou a tira, e olha que era Havaiana que não deforma nem solta as tiras, mas não soltou, quebrou de gasta mesmo).
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Enquanto isto, uma chuva torrencial se formou em um céu que estava mais do que cinza, era quase preto. Enfim, na volta, atravessaram a ponte, sobre o rio Paraná (que divide as fronteiras entre Brasil, Paraguai e Argentina) em meio a um vento que quase levou ponte abaixo, e a Paty e a Andréa (em virtude do tamanho) e que foi motivo de risos e certo medo!

Depois souberam que o vento tinha sido tão forte que derrubou uma torre na Represa de Itaipu… E aposto que vocês pensaram que fosse exagero, não é mesmo?!?

Após o almoço (feijoada à vontade) em um Restaurante em frente ao hotel, chamado Bier Barten, aberto desde 1981, com excelente atendimento e ótima comida, foram realizar o passeio ao Parque Nacional do Iguaçu e visitar as Cataratas.
Para darem início ao passeio turístico não poderiam ir de outra forma: Ônibus coletivo; afinal a guia turística, vale lembrar, era a Andréa e os amigos sabem o quanto ela gosta de andar de ônibus. Mas pelos sorrisos podem perceber que TODOS se divertiram a beça.

O Sandro, com este “modelito” não está lembrando um Office-Boy???

A galera tomou conta do “buzu”…. sem a menor cerimônia, fizeram uma farra!

As capas de chuva são para se proteger… da chuva, é claro, afinal o dia amanheceu nublado e ameaçava chover sem parar.
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E a Andréa, claro estava super feliz com a “brincadeira”… e até o Jorge se divertiu.
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A mais famosa atração turística em Foz do Iguaçu é o conjunto de quedas denominadas Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu (Patrimônio Mundial Natural da Humanidade tombado pela UNESCO), a Hidrelétrica Binacional de Itaipu (maior hidrelétrica do mundo em produção anual de energia), o Marco das Três Fronteiras, a foz do Rio Iguaçu no Rio Paraná (área onde as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai se encontram), a Ponte Internacional da Amizade (divisa entre Brasil e Paraguai) e Ponte da Fraternidade (divisa entre Brasil e Argentina).

Também tem o Parque das Aves (com aproximadamente 900 aves de 150 espécies), mas este fará parte de um outro capítulo desta história, pois iremos falar dele na viagem de volta.
O Parque Nacional de Iguaçu foi criado pelo decreto federal no. 1035 de 10 de janeiro de 1939, sua superfície total abrange do lado brasileiro uma área de 185.262,5 hectares, com um perímetro de aproximadamente 420km, dos quais 300 km são limites naturais representados por cursos d’água, sendo que lados brasileiro e argentino têm, juntos, aproximadamente 225 mil hectares.
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Em 17 de novembro de 1986, durante a conferência geral da UNESCO realizada em Paris, o Parque Nacional do Iguaçu foi tombado como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade, constituindo-se numa das maiores reservas florestais da América do Sul.
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O Parque Nacional do Iguaçu tem este nome por incluir em sua área importante parte do rio Iguaçu, aproximadamente 50km do curso do rio, e as mundialmente conhecidas Cataratas do Iguaçu. Ele é o maior e mais importante parque da Bacia do Prata e foi o primeiro parque no Brasil a receber um Plano de Manejo, por abrigar um importante patrimônio genético de espécies animais e vegetais, algumas ameaçadas de extinção, como este aí da foto: quati.
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Para entrar na Reserva se utiliza um ônibus, movido a combustível natural.
Sandro e Jorge quiseram a foto do primeiro passo rumo ao desconhecido mundo das Cataratas.
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A palavra Iguaçu significa “água grande”, na etimologia tupi-guarani. Os grandes saltos são 19, três deles do lado brasileiro (Floriano, Deodoro e Benjamin Constant) e os demais no lado argentino. A disposição dos saltos – a maior parte deles no lado argentino e voltados para o Brasil – proporciona a melhor vista para quem observa o cenário a partir lado brasileiro.
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As Cataratas são formadas pelas quedas do rio Iguaçu. O rio Iguaçu mede 1200 m de largura acima das cataratas. Abaixo, estreita-se num canal de até 65m. A largura total das Cataratas no território brasileiro é de aproximadamente 800m e no lado argentino de 1900m. Dependendo da vazão do rio, o número de saltos varia de 150 a 300 e a altura das quedas varia de 40 a 82 metros resultando numa largura de 2.700 metros, com formato semicircular.
A vazão de água média do rio em torno de 1.500 m3 por segundo, variando de 500 m3/s nas ocasiões de seca e de 6.500 m3/s nas cheias. Dezoito quilômetros antes de juntar-se ao rio Paraná, o Iguaçu vence um desnível do terreno e se precipita em quedas de 65 m de altura em média, numa largura de 2780 m. Sua formação geológica data de aproximadamente 150 milhões de anos.
Todo este aguaceiro faz com que seus visitantes saiam totalmente encharcados, principalmente quando atingem o final desta plataforma ao lado… estão vendo que ela chega bem pertinho das quedas… a sensação é de como somos pequenos diante da Mãe Natureza.
Nesta hora, as roupas de chuva foram muito úteis. E Jorge e Andréa não tiveram dúvida: vestiram suas capas de chuvas apropriadas para viagens de moto e encararam as águas do Iguaçu. Eles não se descuidaram e se preparam para enfrentar a MONTANHA DE ÁGUAS.

 

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Acredito que será difícil para os casais descreverem tamanha emoção, tamanha comoção diante da maravilha que são as Cataratas do Iguaçu. Somente vendo (e ouvindo) pessoalmente é que se pode ter a dimensão da grandeza deste espetáculo.

 

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Depois da visita, o retorno é por um elevador panorâmico… mas nada é mais emocionante do que se sentir “no meio” das quedas.
Bem, sem dúvida foi a maior emoção e as imagens mais marcantes até aqui.
Fonte para saber e conhecer mais:
Desvendando em movimento….
Total de Km Rodados: 0
Abastecimento:
Hospedagem: Hotel Três Fronteiras (www.hotel3fronteiras.com.br) – Valor da diária: R$ 130,00
3 Estrelas: Simples mas limpo, bom café da manhã e um pessoal simpático, internet paga, excelente localização, com restaurantes próximos e condução fácil.
Gasto total (com alimentação): R$ 266,00 *
Nesta valor não estão inclusos os passeios:
Taxi a Ciudad Del Leste: R$ 25,00 por pessoa
(não aceite o taxi do Hotel, cobram caro, vale ir de ônibus ou taxi comum – Leia relato da parada na volta)
Parque Nacional do Iguaçu: R$ 22,00 por pessoa

Seguindo em direção às grandes montanhas…

7º. Dia – 07.12.2010
Santiago Del Estero – Salta – AR
Saída de Santiago Del Estero às 08:15h em direção a Salta, tinham dois caminhos, um mais rápido e simples, sem emoção; e outro, indicado pelos amigos Laurindo-BA e China-MG, passando por Tafi Del Valle, trilhariam uma serra, com emoção. E foi incrivelmente lindo, mas realmente com muita emoção, pois andaram o tempo todo ao lado de um abismo e a estrada, embora bem sinalizada e asfaltada, mal cabia dois carros ao mesmo tempo, além de ser totalmente em curva. Mas valeu a pena, valeu muito a pena!!!
Por uma estrada belíssima e super bem cuidada, o casal seguiu em direção a Tafi Del Valle, passando por Bella Vista, um “pueblo” de onde se pode ter a primeira vista das grandes montanhas. Por volta das 10:30h da manhã, entre os povoados de Bella Vista e Famalla eis que surge ao longe a presença das gigantes montanhas.
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Depoimento Andréa: “Estávamos em uma reta, de repente ao olhar pra frente avistei algo que se confundia com nuvens baixas, falei pra Jorge: amor, aquilo são montanhas??
Ele respondeu: acho que não, parecem nuvens!! Não, acho que são montanhas… Quando nos demos conta, estávamos tendo a primeira visão de grandes, imensas montanhas. Foi uma emoção, impressiona demais, chorei rsrsrsrsr. Uma sensação incrível e super diferente, e ainda nem eram as Cordilheiras…”
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Para chegar em Tafí Del Valle, se passa por uma serra belíssima, as Serras Del Aconquija, com vales na lateral da estrada, que forma ribanceiras e por rios de geleiras, secos no verão e que se encherão de água com os desgelo das cordilheiras ao redor. São rios imensos, que, nesta época, são formados de pedras.

9-Santiago-del-Estero-Salta-%2811%29Depoimento Jorge: “A pista estreita, curvas fechadíssimas (muitas feitas em 1ª marcha) repleta de animais na pista, tinha de tudo: Lhama, vaca, galinha, porco, burro, cavalo… Uma subida impressionante, sempre com uma parede de pedra de um lado e um desfiladeiro do outro. E sabem do pior? Quando chegamos lá em cima a vontade era de descer tudo e subir novamente…  heheh…”

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Antes de chegar a Tafí Del Valle, o casal passou pelo Monumento ao Índio.
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O Chasqui (a palavra chasqui vem do idioma quéchua e significa “mensageiro, agente do correio, transportador), mais popularmente conhecido como Monumento ao Índio, é uma escultura de 6 metros de altura, sobre uma base de 10 metros e localizada a 1000 mts de altitude dentro do Parque Provincial Los Sosa, foi realizada por Enrique Prat Gay e instalada em Janeiro de 1943. Se baseia na obra “Himno al Sol”, quando ao amanhacer um sacerdote indígena se inclina diante do astro e um poeta lhe oferece uma música e canto. Também simboliza o amor maternal, com uma mãe e seu filho. Em seu sentido religioso, representa um casal de devotos, e um guerreiro que deixa sua lança e se apega a cerimônia. Por fim, é a mandinga que cai no abismo, representando a luz do sol dissipando a escuridão.
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Chegaram em Tafi Del Vale, após atravessar uma serra de cerca de 30 km, por enormes vales, muito verde e rios de geleiras, chegando a 2021 mts de altitude. Tafi Del Valle é uma cidadezinha no meio das montanhas, LINDA e muito aconchegante, tiveram vontade de ficar por lá. Toda arrumada, limpíssima e de um povo muito educado.

O nome Tafí del Valle deriva do vocábulo diaguita Taktillakta, que significa “povoado de entrada esplêndida”, na língua aimará quer dizer “lugar onde faz frio”  por causa das características do clima temperado das Sierras del Aconquija. Localiza-se sobre el Vale del Tafí  o que deu origem ao seu nome.
Este povoado se originou a mais de 7 9-Santiago-del-Estero-Salta-%2813%29mil anos e a cerca de 2300 anos se estabeleceram povos agricultores decendentes da cultura Tafí, em meados do século XVI, surge a presença dos realistas, porém com a usurpação espanhola, o vale não puderam se consolidar sobre o vale, devido a forte resistência oferecida pelos diaguitas e calchaquies, povos que viviam sobre o vale.
A cidade se encontra a 107 km de San Miguel de Tucumán, a 2000 mts de altura, entre as Serras Del Aconquija ao sul e Cumbres Calchaquíes ao norte, conjugando paisagens charmosas e um clima ideal para descanso, possui um clima temperado, com um inverno seco, podendo nenvar e uma temperatura que oscila entre -10º. e 20º., podendo chegar a 28º. de dia e 13º. a noite, no verão. Possui uma população de 7000 habitantes.
Depoimento Andréa: “A cidade é uma graça, incrustada em um vale, em meio a montanhas, toda arrumadinha e muito linda… fiquei imaginando uma noite de luar e um belo vinho em uma das cabanas que ficam no alto dos vales que cercam Tafí… valeu a pena andar um pouco mais e conhecer esta beleza!”.
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De beleza espetacular, perfeita para um cartão postal, a cidade é um convite para cavalgadas, caminhadas, excursões até as montanhas e praticar atividades de aventura como parapente, mountain bike ou enduro.
Também se pode simplesmente desfrutar da paz nas alturas, e compartir um lugar sem igual no mundo inteiro. Há variedades arqueológicas, museus vivos, casas de artesanato, e também se pode saborear a deliciosa gastronomia do noroeste argentino.
Neste lugar, se faz artesanato com a pedra nacional que os indígenas usavam e que hoje em dia é chamada rodocrosita ou Rosa do Inca. Pedra que também é usada na construção de casas, igrejas (como desta foto) e monumentos.
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Depois de abastecer e almoçar em Tafí Del Valle, comer novamente um Lomito, seguiram viagem, a paisagem começa a ficar mais árida, o verde mais rasteiro dá lugar ao cinza, o frio começa a ficar mais intenso e o ar rarefeito, chegaram a 2990 mts de altitude.
Depoimento Jorge: “Depois que saímos de S.D.Estero e começamos a nos aproximar de uma cadeia de montanhas muito alta, achamos que estávamos nos aproximando das cordilheiras e ficamos muito empolgados. Depois que passamos por Tafi Del Vale e subimos mais um bocado, chegamos ao topo daquelas montanhas e tivemos uma visão maravilhosa e perturbadora ao mesmo tempo: agora sim estávamos vendo a Cordilheira dos Andes, a algumas centenas de quilômetros à frente!!! As montanhas que acabávamos de subir era a pré-cordilheira…
A primeira visão da Cordilheira que se impõe majestosa à nossa frente mais parecia a de uma muralha intransponível. Chegava a dar um frio na barriga de saber que dali a 2 dias estaríamos subindo aquelas montanhas que se confundiam com o céu no horizonte. Devo confessar que nesse momento bateu um certo medo. Será que a moto iria agüentar aquela subida com todo aquele peso sem chiar? E eu, gordinho, fumante, um tanto sedentário, aguentaria a falta de ar, o soroche (como alguns chamam o mal das alturas)???
Uma surpresa nos aguardavam nas alturas…”

9-Santiago-del-Estero-Salta-%2818%29Vão agora em direção ao Parque Nacional Los Cardones, um parque nacional da Argentina, criado em 1996 com uma área de 65.000 hectares, localizado na Província de Salta.Situa-se numa zona de serrassecas, entre os 2700 e os 5000 metros de altura, sendo o seu nome originário da vegetação característica desta zona. Existem vestígios paleontológicos de importância, como pegadas de dinossauro com 70 milhões de anos, que são objecto de estudos científicos, além de pinturas rupestres. Esta área era importante para as culturas pré-hispânicas, uma vez que aqui os pastores encontravam água e pastagens que providenciavam alimento para os seus rebanhos.

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Neste trecho tiveram o primeiro contato com os cactus gigantes, uma espécie em extinção, natural da região, o tamanho dos cactus impressiona, chegam a mais de 7 metros de altura, demoram 20 anos para florescer e crescem entre um e dois centímetros por ano.

Contam as lendas de povos longícuos, que os indígenas vigiavam os vales e montanhas da presença de estranhos, e que estes se transformaram nos Cardones (Trichocereus pasacana), preciosos vigias do deserto, que dão o nome ao parque.
As montanhas têm tanta pedra que tudo é feito delas, as casas, o comércio; vejam o posto de gasolina e loja de artesanato, no final do caminho de serra, antes de Cafayate. Neste posto, conheceram um casal de americanos, que vivem no Chile e também está indo para o Deserto do Atacama.
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Ao final da serra chegam a Cafayate, passam por inúmeros vinhedos, é a Ruta del Vino de Salta, e por fábricas de Alfajor, pena estarem de moto e sob um calor absurdo, o que não possibilitou nada além de comer um alfajor cada um… deixando a vontade de carregar alguns para comer depois!!!
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Tinha alfajor de todos os recheios das mais diversas frutas, além de tipos diferentes de chocolate e doces caseiros. O que foi possível carregar foi um doce de figo.
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Cafayate ocupa a parte sul do Valle Calchaquí: terra do sol e do bom vinho. Conta com uma superfície de 1820 km quadrados, sendo 1,2% do total da província de Salta.  Tem uma população de cerca de 9400 habitantes e, segundo Samuel Lafone Quevedo, um dos maiores estudiosos de arqueologia do vale, o significado de seu nome deriva da língua cacana dos diaguitas, antigos moradores da região, a tradução literal seria Cahuayti ou cawayati, sendo o verbo caway – observar, e ati – astro lunar. Outros autores falam em outras divisões. O mais provável, segundo Atilio Castillo, é que o nome Cafayate se deve que entre as tribos diaguitas se encontravam os capayanes, que habitavam o sul da Catamarca, podendo derivar de capayan e asta (povo), sendo povo de capayanes.

Saindo de Cafayate, surgem novas montanhas, a Serra Cumbres Calchaquíes e a paisagem muda novamente, e de verde se torna terracota, o frio aumenta e a secura começa a fazer parte da viagem. Tudo em volta se torna imensas montanhas vermelhas, que faz o ser humano sentir sua pequenez diante da natureza.

Chegam a Quebrada de las Conchas, também conhecida como Quebrada de Cafayate, é um obstruído vale ou quebrada muito conhecido pelas suas belas paisagens. É um estreito vale satélite do sistema dos Valles Calchaquíes. Por esta quebrada, segue o Rio de las Conchas, unindo as cidades de Cafayate e Salta. Conta com paisagens de cores variadas, e trata-se de um acidente geologicamente moderno, produzida por movimentos tectônicos que tiveram lugar nos últimos milhões de anos, modificados por erosão.

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Entre estas erosões, se destacam a Garganta Del Diablo, rochas sedimentares avermelhadas, desgastadas pelo fluxo de água concentrada em passados geológicos.

 

Entre outras formas, está o Anfiteatro, recinto circular, a céu aberto, talhado em uma rocha por uma cascata hoje desaparecida. Neste anfiteatro natural, ocorrem espetáculos de música, que são privilegiados pela surpreendente acústica do lugar. Recentes investigações arqueológicas determinaram que a poucos metros da atual rota 68 (por onde passaram o casal), discorre um caminho inca, agregando uma relevância arqueológica ao lugar.
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Neste anfiteatro fica um músico, que recebe os visitantes tocando instrumentos próprios da cultura saltenha e andina, chama-se Catriel e é o responsável pelo fundo musical ouvido em muitos vídeos criados pelo casal de viajantes.Ao ver a moto de Jorge, Catriel quis subir para experimentar. Não podiam perder a chance desta foto.
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Depoimento Andréa: “Ao chegar, ao entrar neste espaço, minha primeira sensação foi de ajoelhar, é algo IMPRESSIONANTE, não tem outra palavra que possa descrever”.
Você consegue ver a Andréa nesta foto? E o Jorge? Imaginem o tamanho desta montanha…

Esta, com certeza, foi uma das partes mais emocionantes da viagem. Paisagens fantásticas, belíssimas e inesquecíveis.

“Obrigada aos ‘viajeiros’ que nos ajudaram no roteiro, sem dúvida, teríamos perdido muito em fazer outro caminho.”

A Incrível Purmamarca!

8º  Dia –08.12.2010
Salta – Purmamarca – AR
Decidiram sair de Salta por volta das 15:30h rumo a Purmamarca, assim ganhariam um dia de viagem, que poderiam usar em outra ocasião.
Por indicação de Hector fizeram um caminho através de uma serra, linda, porém estreita e bastante movimentada de animais na pista, mostrada no vídeo…

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Chegaram a Purmamarca, por volta das 19h, trata-se de uma cidade pequena cercada por gigantescas montanhas.
Pequena mesmo, a vilazinha é formada por praticamente 12 quarteirões.
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O povoado de Purmamarca é uma pequena aldeia, circundada pelo Rio Purmamarca e por dois cerros, se encontra a 3 km da Rota Nacional no.9, a 65 km de San Salvador de Jujuy e seu nome significa “Pueblo de La Tierra Virgen” na língua aymará. Sua origem é pré-hispânica, do início do século XVII, está localizada a cerca de 2300 mts de altitude. O clima da região é temperado, com máximas de 25ºC e mínimas de 2ºC.
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Seu traçado urbano de construções de adobe e tetos de cordão, palha e barro, foi realizado em torno da igreja datada de 1648, consagrada a Santa Rosa de Lima, em estilo clássico Quebradeño (da região das Quebradas), de nave única e angosta, com muros externos de adobe e uma típica carpintaria de cardón em seu interior, onde se encontram imagens e pinturas do século XVIII. Foi declarada Monumento Histórico Nacional em 1941.
Persiste entre este12-Purmamarca-%286%29 povo, costumes pré-hispânicos importantes como as celebrações comunitárias com a participação do povo. Também é importante o culto a Pachamama e outros ritos anteriores a colonização, podendo se observar como vivem os cultos indígenas com as igrejas coloniais.

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A música também é protagonista principal nesta área, onde é executada com instrumentos próprios como: sikuris, quena, cajá, erque, erquencho e charango.

12-Purmamarca-%2826%29A pequena localidade adquire relevância na região por sua admirável paisagem montanhosa e por contar com excelente infra-estrutura de alojamento, gastronomia e passeios.

O pequeno povoado é uma atração especial porque se encontra localizada na base dos majestosos cerros multicolores. A imponente Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio da Humanidade, é o eixo desta área por onde corre o Rio Grande. Ao transitar nas ruas do pequeno povoado, se pode observar os vistosos cerros, entre eles se destaca o “Cerro de los Siete Colores”, de origem sedimentária e formado por material do período cretáceo, cerca de 65 milhões de anos atrás.

O “Cerro de Siete Colores” é um marco natural de Purmamarca, é o única na região e no resto do país. A combinação se suas cores se manifestam com deleite aos olhos de quem o observa. Conhecido também como Formação Yacoraite, que se localizam na Quebrada de las Conchas e Quebrada Del Toro.

As capas sedimentares de diferentes tonalidades como o colorado, o ocre, o violeta, complementam a beleza da Quebrada de Purmamarca, juntamente com a Quebrada de Humahuaca. De vários pontos se pode apreciar a policromia que irradia do cerro.

Neste “pueblo” viveu o famoso cacique Viltipoco, do povo de Los Omaguacas, que eram compostos por grupos como los Purmamarca, los Tilcara, los Ocloyas, entre outros, população originária da Quebrada de Humahuaca, habitaram os púcaras, tipo de construção que ainda hoje está em pé, testemunhando a força de um povo que luto para defender seus territórios dos conquistadores coloniais. Sua estratégia é produto de um notável intercâmbio e comunicação entre o Império Inca e as particularidades indígenas de La Puna. Dentro de sua organização social se destaca a presença do cacique, que além de ser um chefe político-militar, também tem caráter religioso. Viltipoco se descatou por guiar a luta de seu povo para impedir a fundação espanhola na região, seu povoado foi Purmamarca, de onde dirigiu as operações para defender seu território. A história conta que em 1954 ele foi capturado pelos homens de Argañaráz que o mataram em Santiago Del Estero.

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A principal atração o vilarejo é uma feira de artesanato ao redor da praça central, onde se encontra objetos de artesanato, lembranças, muito tecido colorido, malhas produzidas com lã de lhama e ponchos (uma delícia ao toque e super quentinhas), ervas medicinais, enfim, artigos típicos da região andina e que dão um toque especial a este vilarejo.
Com excelentes preços, este é o melhor local para quem quer comprar artigos típicos.
A feira funciona até as 20h (percebam que ainda é dia claro). Mas Jorge e Andréa chegaram em cima da hora do término da feira e tiveram que ser rápidos para olhar tudo em meio ao desmonte de algumas barracas, foram com as roupas de andar de moto e tudo, não dava tempo de se arrumar…
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Acabaram comprando o que desejavam em uma loja, de um argentino muito simpático e com bons preços, chamada Regionales Purmamarca.
Depoimento Andréa: “Ainda bem que chegamos tarde, a Feira de Artesanias estava fechando, quero dizer sorte para o Jorge e para a moto!!! Pois não consegui comprar quase nada… Que saudade do meu carrinho com porta malas”.
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Após se alojar na Hosteria Bebo Vilte, tomar um bom banho e vestir roupas confortáveis e quentes, já que a temperatura estava bem mais baixa, afinal já estavam beirando as Cordilheiras, decidiram ir jantar e andar pela cidade.
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Os quartos da hosteria são feitos, como todas as casas de Purmamarca, de adobe, o que lhe garante estar fresca durante o dia e bem quentinha à noite, fato que chama a atenção, e prova a inteligência dos Incas, que perceberam neste tipo de material (pedra e barro) uma forma natural de manter o ambiente agradável.
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À noite não se vê viva alma nas ruas, a não ser os turistas que vêm do mundo todo e que perambulam por lá. Exceto a praça da igreja, as demais ruas da cidade não têm iluminação, sendo que o que se destaca são apenas as luzinhas na entrada dos inúmeros restaurantes e hosterias, que chamam a atenção por sua decoração típica e por muita música.

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Decidiram jantar no Restaurante Rincón de Claudia Vilte (mesmo sobrenome do dono da Hosteria), uma música desde a infância, que representa seu povo, através de suas canções e que atualmente é professora da Universidade de Salta.

O local tem estilo de taberna, com boa música e uma decoração incrivelmente diferente, exótica e muito cultural. Nas paredes existem altares, cultuando os ancestrais (Abuelos de Claudia), fato comum na cultura Inca, já que graças à existência deles é que nós existimos na atualidade. Tão óbvio e tão distante da cultura ocidental. Nestes altares são colocadas fotos, flores, objetos pessoais e presentes.
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“Quando interpreto canções, trato de colocar nelas alguma mensagem, pois com esta atitude transcendental se conscientizam as mentes, pois considero que não canto para um grupo de gente, mas para o ser humano”. Claudia Vilte
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O casal decidiu experimentar a carne de lhama, pediram empanadas de charque de lhama, um tipo de pastel de forno, delicioso, recheado com carne seca de lhama, com um bom vinho da região de Salta.
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Este molhinho vermelho na foto se chama “pebre”, é feito de tomate bem maduro, temperado com sal e bem apimentado. Todos os restaurantes da Argentina e do Chile servem este molho com pão de entrada.
Depoimento Andréa: “Quando acho que já vi tudo de lindo e diferente, eis que surge Purmamarca… gente, é uma cidadezinha no meio do nada, entre montanhas gigantescas por todos os lados e é LINDA!!!! Muito diferente de tudo que conhecemos, andando pelas suas ruas escuras, não temos idéia do que vamos encontrar,  embora pequena tem infra-estrutura excelente, com boa comida, bom atendimento, bons vinhos, bons hotéis, inclusive até um SPA… tudo aqui é lindo demais, só estando neste lugar para compreender a sensação de estar entre este povo, espero poder voltar aqui mais vezes!!!”.
Depoimento Jorge:
“Sair de Salta no meio da tarde foi uma estratégia acertada. A estrada que leva de Salta a Purmamarca é uma delí12-Purmamarca-%2818%29cia, uma serrinha cheia de curvas e paisagens lindas. A estrada é um tapete, porém é tão estreita que em algumas curvas só passa um carro de cada vez.
Devido ao pequeno trecho percorrido neste dia, pudemos ir devagar, passeando e curtindo a estradinha. Neste trecho também tem muuuitos animais soltos à beira da pista, e alguns bem no meio dela. Assistam ao vídeo e vão entender o que digo…
Esta parada em Purmamarca também era um tanto quanto estratégica. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes e a 2.300 a.s.n.m. (altitude sobre o nível do mar) é um bom lugar para passar a noite que antecede a travessia da cordilheira e dar uma “aclimatada”. Além disso, é um vilarejo muito pequeno e pitoresco, onde você encontra três coisas: Pousadas/hotéis, bares/restaurantes e feira de artesanato. Nada mais! Pra terem uma idéia, não tem nem posto de gasolina em Purmamarca.
Pra minha sorte chegamos na hora em que a feira de “artesanias” estava acabando, porque senão eu teria de jogar fora as ferramentas e peças sobressalentes que carregava nas malas para enchê-las de tapetes, colchas e artesanatos em geral…”

Aproveitem Purmamarca…

 

Para conhecer mais:

Total de Km Rodados: 158
Abastecimento: 16 litros
Hospedagem: Hosteria Bebo Vilte
Valor da diária: $ 120,00 pesos
3 Estrelas: Arrumado, limpo, simples, bom para banho e para dormir, café da manhã bem simples.
Gasto total (com alimentação): R$ 125,00

Imagens Mágicas…

11.12.2010
Imagens Mágicas

O casal realizou nesta data o passeio que inclui a visita ao Valle de Jere, o Salar de Atacama, onde se encontra a Laguna Chaxa e a Reserva Nacional “Los Flamencos”, visita às lagunas Altiplânicas Miscanti e Miñiques, almoço no povoado de Socaire e passagem pelo povoado de Toconao. A saída é por volta das 08h e a guia que acompanhou o passeio foi Angela, uma garota muito simpática, agradável, gentil e animada, que deu graça ao turismo.

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Saíram de San Pedro e a Van foi em direção ao Valle ou Quebrada de Jeré, oásis em meio a seca do deserto, localizada ao redor de Toconao, aos pés de uma pedreira, é uma grande “caixa” de pedra vulcânica (liparita) rodeada por vegetação, que possui um “micro” clima especial, já que consegue florescer em meio as pedras.

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Possui água doce, do Rio Toconao, que corre livremente, proveniente dos Andes, do degelo das montanhas andinas, que permite o cultivo de frutas (como a “pera de pascua”), hortaliças, através de um sistema de irrigação herdado dos incas, que permite direcionar a água, de forma a atender a todo o plantio uniformemente e de acordo com suas necessidades, através de placas que podem ser retiradas e alteradas, mudando a direção das águas.

20 Valle Jere (15)
Um sistema super interessante e que tem como objetivo que todos os agricultores possam ter uma boa colheita, aliás, na cultura Inca (herdada pelos atacamenhos) tudo deve ser dividido visando que todos prosperem conjuntamente e que a comunidade possa crescer.

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Neste vale, outro fato interessante, herdado dos ancestrais atacamenhos, são as “cavernas” (como esta da foto) que eram utilizadas para armazenamento da colheita, protegendo-a do clima e possibilitando sua maior durabilidade.

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A pedra liparita (também chamada de palomita) é utilizada na maioria das construções de San Pedro e região, é uma pedra vulcânica, branca e mole (e bem leve rsrsrsrsrsrsrs), que tem a propriedade de manter o ambiente aquecido à noite retendo o calor do sol recebido durante o dia.

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A cobertura é feita com madeira de cactos ou cana, coberta com tamarugo, uma árvore que pode chegar a 25 mts, exclusiva do Chile, que cresce em condições desérticas, em solos salgados e sem a necessidade de chuva, utilizando-se do orvalho para se umidificar, seus ramos e frutos são usados como forração e sua madeira como lenha e carbono, além de poder ser utilizada como combustível natural.

Nesta Quebrada também puderam conhecer a Arte Rupestre.

20 Valle Jere (18)A arte, pintura ou gravura rupestre são termos usados para as mais antigas representações pictóricas conhecidas, sendo uma das manifestações mais importantes da arte pré-hispânica de Atacama. Utilizada, principalmente, como forma para indicar rotas e caminhos, áreas de caça, setores de água, delimitação de territórios ou simplesmente para desejar uma boa viagem. Os desenhos eram principalmente naturalistas como, por exemplo, camelideos, ou figuras abstratas. As técnicas mais utilizadas eram o Petróglifo, a gravação direta na pedra ou rocha, batendo ou raspando com outra pedra ou elemento mais duro. Pictografia: pintura nas pedras com misturas de pigmentos de terra com óleos animais, aplicada com os dedos das mãos. Pintura-gravação, mistura das duas técnicas, ou seja, incisões na pedra delineadas com pintura. Geoglifos, que são figuras de grandes dimensões feitas com o acúmulo de pequenas pedras sobre declives de colinas e riachos.

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Em todo norte do Chile se encontram gigantescas e estilizadas manifestações de arte pré-histórica que adornam as altas ladeiras das  montanhas. Geralmente se encontram ao longo das antigas rotas do deserto e podem representar camelideos, serpentes, figuras humanas e desenhos geométricos.

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Saíram do Valle de Jeré para o Salar de Atacama, que se localiza a 62 km ao sul de San Pedro, em uma altitude de 2.300 m.s.n.m., onde fica a Laguna Chaxa e a Reserva Nacional “Los Flamencos”.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (9)
O Salar do Atacama é o mais extenso em área, com cerca de 100 km de comprimento e 80 km de largura, abrangendo uma área de 3.000 km2, o maior depósito de sal do Chile, onde se localiza 40% das reservas mundiais de Lítio. Este salar é um grande lago de águas salinas, formado por águas da chuva do altiplano e das altas montanhas que não conseguem ultrapassar a barreira colocada pela Cordilheira de Domeiko e ficam estancadas nas bacias hidrográficas, que forma uma cortina branca e rugosa, de sal e outros sedimentos, e que são transportadas pela água e pelo vento. Algumas áreas da salina fazem parte da Reserva ecológica “Los Flamencos”, que concentra espécies de flamingos e outras aves, como nhandús, gansos, patos. O Salar faz parte do Sector Soncor, que é um sistema de lagoas e vales férteis.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (3)
Na superfície do Salar é possível observar crostas de sal, que são geradas pela constante acumulação de cristais produzidos pela evaporação das águas subterrâneas de intensa carga salina. Esses processos de evaporação resultam em diversos contrastes: Costas de cloreto constituem grande rugosidade com florações de até 70 centímetros de altura; crostas de transição de cloretos formam estruturas poligonais e crostas de sulfato originam superfícies lisas e secas.

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A Reserva Nacional “Los Flamencos” foi criado em 1990 pelo CONAF (Corporação Nacional Florestal), esta reserva está dividida em sete setores localizados a diferentes alturas, com condições climáticas particulares, o que possibilita diferentes populações vegetais e animais. Alguns lugares da reserva possuem importância arqueológica já que neles se encontram vestígios de povos pré-colombianos, como a Aldea de Tulor, e o povoado de Toconao.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (7)
No meio da reserva se encontra a Laguna Chaxa, onde os Flamingos aproveitam para se alimentar, já que nela existe água proveniente dos Andes, que originam sistemas hídricos formados por um conjunto de corpos lacustres de baixa profundidade unidos por canais naturais.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (15)
No Soncor os sistemas lacustres podem se unir em épocas invernais, estes sistemas possuem escassa profundidade e a camada de fungos possibilita a vida de abundantes formas microscópicas de algas unicelulares e micro invertebrados. São eles que constituem a dieta dos flamingos do Sector.

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A cor avermelhada de alguns locais da reserva, é graças ao betacaroteno, que confere as penas vermelhas aos flamingos.

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A população de Flamencos Chilenos ultrapassa os 100.000 que se dividem em pequenas colônias pelo Salar de Atacama e Salar de Pujsa, além do Salar de Poopo, seu sítio reprodutivo de maior importância, no Salar de Atacama, a máxima abundância foi registrada no inverno, alcançando o número de 1060.

21 Reserva Nacional Los Flamencos (8)
Depoimento Andréa: “As imagens são maravilhosas, estar tão próximo de uma natureza praticamente intocada e que conta a história da evolução da terra, é algo fantástico. O Valle de Jere é a personificação do que é um oásis, que em meio ao deserto consegue sobreviver e ter áreas verdes, é realmente magnífico. O Salar é extraordinário, são paisagens incríveis que não é possível descrever com palavras!”.

CONTINUA…………….

Imagens Mágicas…e MAGNÍFICAS!!!!

22 Lagunas AltiplanicasDeixaram o Salar em direção às Lagunas Altiplânicas, estas Lagoas estão a cerca de 90 km de San Pedro, e a mais de 4.000 m.s.n.m., são as Lagunas Miscanti e Miñiques, que são alimentadas pelas fontes de água que vêem da superfície da terra e atraem uma grande variedade de animais. Estas lagoas têm esta denominação por se encontrarem nos altiplanos, um planalto localizado entre duas cadeias de montanhas, ou no cume destas.

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Para causar mais impacto, a van para a alguns metros da Laguna, de um ponto onde ainda não se pode avistá-la, os turistas vão caminhando e eis que ela surge, a água de um azul que chega a doer as vistas, rodeada de um branco (sulfra), o mesmo que está no cume dos vulcões e que lhe confere um charme e uma beleza inexplicáveis.

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A paisagem ao redor das lagunas é caracterizada por vulcões e relevos montanhosos, se destacando os Vulcões Miscanti (5.622 m.s.n.m.) e Miñiques (5.910 m.s.n.m.), que dão nome às lagoas, fazem parte da Reserva Nacional e estão situadas na comunidade atacamenha de Socaire, a 110 km ao sul de San Pedro de Atacama.

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O passeio, como já mencionado, é realizado em fila indiana, por demarcações que não podem ser ultrapassadas. Eles preservam muito suas belezas naturais, cuidando para que não se acabem. Em nenhum destes espaços é permitido fumar, mesmo que você cuide da “bituca”, pois acreditam que até mesmo as cinzas que voam do cigarro podem prejudicar a vida das espécies que habitam estas bandas, e como a “casa” é delas, todos respeitam.

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Nesta lagoa várias espécies são encontradas, cerca de 94 espécies de vertebrados, 18 de mamíferos, seis de répteis e uma de anfíbio, além de 69 de aves, como a parina chica, caitó, playero de baird, chorlo de La puna, pato juarjual e a guallata, mas a que chama a atenção é a Tagua Cornuda, ou Wári, na língua kunza, espécie em extinção, cujos ninhos são feitos pelas aves na água.

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A flora é composta principalmente pela llareta, que é uma pequena planta de florescimento entre 3200 e 4500 metros de altitude, que tem folha todo o ano e prefere os solos arenosos, estando bem adaptada às altas taxas de insolação, não podendo crescer na sombra. É uma planta compacta, a fim de reduzir o calor, as perdas e para estar mais próximo ao solo, onde a temperatura é cerca de dois graus superior. Seu crescimento foi estimado em cerca de 1,5 cm por ano e muitas tem mais de 3.000 anos de idade. Outra planta é a palha brava, que tem característica muito parecidas com a llareta.

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A Laguna Miñiques, cuja superfície tem 1,5 km quadrados e se encontra a uma altitude de mais de 4.100 mts, recebe água subterrânea de sua vizinha Miscanti.

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Antigamente a paisagem era diferente, pois as águas provenientes do degelo dos vulcões  escorriam livremente até o Salar de Atacama, no entanto, devido a uma erupção do vulcão Meñiques (alguns escrevem com “e” outros com “i”) ocorrida a 1 milhão de anos, se originou o estancamento das águas, criando as lagoas. Um fluxo de lava da erupção separou as Lagunas Miscanti e Miñiques.

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Em certos lugares, ao redor das lagos, é possível encontrar vertentes de água doce que é utilizada para consumo humano e também é aproveitada para ‘bebedouro’ dos animais existentes na região. Nas áreas altas da bacia se encontram algumas espécies de plantas medicinais como: senecio (chachacoma), mulinum (susurco) , phacelia, artemísia (copa) e acantholippia (pingo-pingo). Também se pode observar mamíferos como guanacos, vicunhas, alpacas e lhamas.

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No fundo das lagoas se encontram algas aquáticas, que são parte fundamental do alimento de alguns animais invertebrados que são, por sua vez, alimentos das aves que utilizam as lagoas. A área toda forma parte dos campos de pastoreio de Socaire.

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Nesta região se encontram sítios arqueológicos dados por fragmentos de cerâmica, pontas de flecha e 40 construções circulares de pedra, o que demonstra a ocupação deste lugar a cerca de 4.000 – 3.000 anos A.C..

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Depoimento Andréa: “A cada passo, surgem imagens mais deslumbrantes… as lagoas, naquela altitude, rodeada de vulcões que um dia estiveram ativos e contribuíram para criar aquela paisagem… pensar em tudo isso é ao mesmo tempo amedrontador e fantástico. A sensação de frio e calor causada pelo deserto e pela altitude é nova para brasileiros acostumados a temperaturas estáveis e baixa altitude”.

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Depoimento Jorge: “Não se deixem enganar pelo sol e pelo céu limpo: estava frio pra caramba! É muito legal estar em lugares maravilhosos como estes e perceber que ainda existe locais onde a natureza esta absolutamente intocada.”

23 Socaire (11)

Depois de conhecer as Lagunas, a turma foi almoçar em Socaire (que significa quebrada do vento), uma vilazinha com vista para o Salar do Atacama, localizada a cerca de 100 km de San Pedro, a 3.500 m.s.n.m. A cidade foi construída em pedra, terra e coberta de palha, madeira de cactos, é fantástica, onde vivem seus cerca de 380 habitantes.

23 Socaire (9)

A cerca de 3.000 a 4.000 anos atrás, viviam nesta área cerca de 5 mil pessoas, os atacamenhos, que praticavam a agricultura como forma de sobrevivência.

23 Socaire

A economia local é dominada pela agricultura e mineração não-metálico, principalmente de sal, também por seu artesanato, como os de tecidos tradicionais de lã de ovinos e camelídeos.

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Socaire é o último povoado que se despede do turista que sai de San Pedro pelo paso Sico (sem asfalto). Antigamente foi importante por suas minas de ouro que ficavam próximas à fronteira da Argentina.

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Nesta vila retirada dos livros, se pode conhecer os terraços agrícolas incas, milenares, que fazem parte da paisagem. Seu clima desértico contrasta com o verde das plantações de quinua. Sua temperatura é marcada pela oscilação entre o dia e a noite, com temperatura ao meio do dia que variam de uma máxima de 25º.C e mínimas de 17º.C, chegando abaixo de Oo.C na noite.

23 Socaire (6)

Hoje Socaire é conhecida por sua cozinha típica atacamenha, por isso a escolha de se almoçar neste “pueblo” tão diferente.

Almoçaram na Cocinera Santa Bárbara, comeram uma sopa deliciosa de entrada, que mais parecia prato principal, mas o principal foi Lhama ensopada com salada  e quinua.

23 Socaire (12)

Aproveitaram para conhecer a Igreja do povoado,  mas que estava fechada. A igreja foi construída na época da chegada dos espanhóis, pois acreditavam que desta forma estariam abençoando a agricultura realizada na região.

A igreja é o principal patrimônio histórico do povoado, oferece uma mostra artística da temática religiosa, que conta com obras do período colonial. É rodeada por um perímêtro de cerca de 16 metros profundidade e 8 mts de largura, construído de pedra com barro argiloso que contém palha de trigo.

23 Socaire (3)

Seu pórtico mede 2 mts de altura e 1 mt de largura, sendo que os muros tem a largura de 1 metro. A largura da nave é de 4 metros e a igreja conta com suportes anti-sismicos, que evitam que seus muros desabem tanto para dentro da igreja como para seus lados. Cada suporte tem altura de 2 mt e largura de 1 metro e meio, com profundidade superior a 30 cm. Seus teto é coberto de palha com barro, e as vigas são de algarrobo e chañaar, duas árvores locais. Seu piso é de pedra. O campanário, separado da igreja por dois pisos, foi construído com pedra vulcãnica e conta com dois sinos de bronze.

23 Socaire (14)

E fotografar, conversar, perguntar sobre os costumes, tradições e a história local.

Como o costume de usar flores artificiais para enfeitar os cemitérios, as igrejas (veja a cruz no alto), os túmulos (como este da foto), templos, devido a escassez de flores naturais, o que confere um colorido fantástico, já que as “flores de plástico não morrem”, vão se juntando, e ficando tudo cada vez mais colorido.

23 Socaire (4)

De Socaire, com o Salar do Atacama os acompanhando, se despedem deste pueblo tão único em meio ao deserto, e seguem para Toconao.

24 Toconao (7)

Toconao é um oásis de água doce localizado a cerca de 38 km de San Pedro, encontra-se a uma altitude de 2.485 m.s.n.m., perto da margem nordeste do Salar de Atacama. Os atacamenhos habitaram esta região há aproximadamente 11.000 anos atrás. Sua população atual constitui 550 habitantes, que conservam as tradições antigas, assim como atividades próprias que se realizam pelo sentimento de união ao ambiente que os rodeia: animais, vegetação, água, terra, sol e montanhas.

24 Toconao (3)

A proximidade com a Quebrada de Jere e suas abundantes águas doces dos Andes, permite ao povoado viver do cultivo de peras, damascos, ameixas entre outras frutas cultivadas, além das esculturas em pedra vulcânica. Durante uma época este povo foi um respeitado produtor de frutas, mas atualmente sua principal fonte de renda é a extração e comercialização de lítio.

24 Toconao (12)

É chamado do povo da Pedra Branca, em virtude das pedras liparitas utilizadas, não apenas no artesanato, mas, principalmente, nas suas construções em quase sua totalidade, estas sempre quadradas, em blocos artesanais realizados manualmente, com as pedras dispostas de uma maneira que resulta em uma assimetria completa.

24 Toconao (4)

Os tetos são de cana, colocadas muito juntas sobre troncos de árvores (cactus, algarrobo, tamarugo) rusticamente polidos.

Entre a flora existente no local, predominam as “Colas de Zorro” e as “Cactáceas”. A fauna é constituída em sua maioria por lhamas, guanacos, alpacas e vicunhas. Na entrada de Toconao é encontrada uma região chamada “La Banda”.

24 Toconao (11)

Toconao faz parte da cultura Lickan-Antay, com origem que data de 9.000 A.C., tendo perdurado pelo tempo, respeitando e perpetuando o ancestral vínculo com a Mãe Natureza e conservando vivos, os Costumes e Tradições.

24 Toconao (14)

Toconao também se destaca pelo seu símbolo turístico, a Torre Campanário que data de 1750, separada da estrutura de sua Igreja San Lucas, datada de 1744, a torre foi construída em três corpos de barro e pedra com sua cúpula e porta de madeira de cactos, que entrega à praça do povo um grande valor estético e arquitetônico.

24 Toconao (19)

Neste povoado também foi possível visitar um nativo, comer a pêra da região, ver o artesanato, e dar comida às lhamas que são criadas no quintal.

24 Toconao (17)

Curiosidades: O uso da madeira de Cactos é muito comum na região, devido a sua abundância, com ela se fazem, além da cobertura das casas, as portas, cujas amarrações são de couro de lhama, utensílios domésticos e até a escada da igreja foi feita com este tipo de madeira.

24 Toconao (6)

Vocês estão vendo este Jesus aí, cabeludo, esta é uma tradição local, onde nesta época as pessoas colocam mechas de cabelo em Jesus Cristo, como pedido de saúde e vida longa. Em todas as igrejas da região se pode encontrar Jesus Cristo com uma vasta cabeleira, de vários tons.

CONTINUA…………….

Serras Catarinenses: emoção e belas paisagens





2º. Dia – 19.12.2011
São José a Criciúma – Serras Catarinenses
 
 

Saíram de São José as 07 h., o dia não seria de muitos quilômetros, mas de alguns desafios, muita aventura e certamente muita emoção, pois teria as Serras Catarinenses como desafio. 
Tomaram café da manhã e seguiram viagem.
Por volta das 09h30m, a moto apresentou um problema “técnico”: soltou o pedal do cambio. Pela primeira vez tinham um incidente em viagem. Jorge parou em um restaurante e prendeu o pedal com as ferramentas que tinha. Poucos quilômetros adiante, as 09h40min., soltou novamente. Procuraram um posto de combustível e 10 minutos depois, com a ajuda de um borracheiro, tudo ficou em ordem e seguiram viagem.Depoimento Jorge: “Qual não foi minha surpresa quando fui tentar reduzir a marcha e não encontrei a alavanca de cambio onde deveria estar… Fiquei procurando ela com o pé e nada… pensei: f…u! Fui levando ela em 6ª. marcha até um lugar onde poderia parar em segurança e quando desci da moto vi, com certo alívio, que a alavanca estava literalmente pendurada, pelo cabo, mas completamente solta do eixo onde deveria estar. Eu já havia lido em alguns relatos que a VStrom “costumava” dar algum problema no pedal de cambio, mas nunca descobri qual problema era esse. Felizmente o problema é bem fácil de resolver: A alavanca de cambio tem um eixo fixo nela que tem uma porca logo atrás da haste da alavanca, e na continuação do eixo vem a rosca que pega no quadro da moto. Acho que com a vibração ela vai soltando e não dá pra perceber. No kit original da moto tem uma chave 17 que aperta esta porca, mas o problema é que a chave é mais larga que a porca, então tive que desgastar a chave (da 2ª vez que soltou) num esmeril de um borracheiro da estrada e aí consegui apertar legal este eixo no quadro. Pra quem tem VStrom, dêem uma boa olhada na alavanca de cambio e vão entender o que estou dizendo. Naquela revisão geral da motoca que precede uma grande viagem é bom dar um aperto naquele eixo. Fica a dica!”

Chegaram a Gravatal por volta das 10h, seguiram em direção a Serra do Corvo Branco. Esta serra não estava nos planos iniciais da viagem, mas após Jorge falar com alguns motociclistas moradores de SC e RS, decidiram incluir mais este passeio, afinal todos, sem exceção, falaram da beleza e da emoção que é passar por este lugar. Mesmo tendo seus 30 km de terra batida, realmente vale a pena passar por ela. A forma mais emocionante de percorrê-la é indo de Grão Pará a Urubici.


Aproveitamos para agradecer ao “amigo motociclista” Clemir pelas dicas e por nos fazer conhecer este lugar maravilhoso.

Mas cuidado: nem todas as motos conseguem superar suas curvas fechadas em meio a pedriscos e muita areia. Para aqueles que querem arriscar vale os momentos de sufoco, pois são superados pela beleza extrema.


A serra do Corvo Branco está localizada na SC439, entre as cidades de Grão Pará e Urubici e a uma altitude de 1470 m. ao nível do mar. 

Trata-se de uma linda estrada, formada por um emaranhado de montanhas, que possui em seu cume o maior corte vertical feito em rocha do Brasil, com dois paredões de 90 metros, onde se inicia 30 km de descidas íngremes e curvas assustadoras, tendo apenas 600 metros de pavimentação em seu início. Trata-se de uma obra muito importante, incrustada na rocha pela mão do homem e pelas máquinas. Possui vários mirantes que permitem o acesso a um visual deslumbrante e inesquecível.




Uma de suas lendas fala de um caboclo que, andando por aqueles lados, achou um ninho de pássaros brancos. Levou-os para casa. Os pássaros foram crescendo e tornaram-se pretos. Eram Corvos! Por isso leva este nome.


Levaram cerca de duas horas para percorrer a serra e ao seu final chegaram à estrada que os levariam ao acesso para a Cachoeira Véu da Noiva e o Morro da Igreja, onde fica a Pedra Furada.


A cascata Véu da Noiva, como é chamada pelos moradores, fica a cerca de 7 km da estrada em uma propriedade particular que cobra R$ 2,00 por pessoa, vale pela beleza e pelo barulho característicos das quedas d´água, mas nada que impressione.

 

Uma velha lenda indígena conta que um índio chamado BICI, que veio desposar uma índia do lado de Santa Tereza, foi morto no caminho e ela, de paixão, debruçou-se no monte e chorou tendo originado a cascata.

O Morro da Igreja fica no mesmo acesso, a 17 km da estrada principal por um caminho estreito mas pavimentado, de paisagens belíssimas. Trata-se de um dos pontos mais altos do sul do país, com 1822 m. de altitude. Possui temperatura média anual de 11º., percebidos pelo frio que os visitantes sentiram enquanto fotografavam cenários deslumbrantes. É o ponto habitado da região sul onde foi registrada a temperatura mais baixa do Brasil, 17,8º. negativos, em junho de 1996. No inverno ocorre queda de neve, perigo avisado em placas ao longo da estrada. Existem relatos de que a sensação térmica no local já chegou aos 46º.C negativos. Em seu cume estão uma base militar da Força Aérea Brasileira e as antenas de controle de tráfego aéreo do sul do Brasil (CINDACTA).

 

No alto de sua imponência, é possível vislumbrar uma paisagem magnífica, de onde se pode ver outro cartão postal da região: a Pedra Furada.
Uma obra prima da natureza que faz parte do Parque Nacional de São Joaquim. Trata-se de uma formação rochosa, uma escultura natural em forma de janela, com abertura que mede aproximadamente 30 metros de circunferência. A pedra fica localizada na divisa dos municípios de Orleans, Bom Jardim da Serra e Urubici.

Conta a lenda que os Jesuítas esconderam quarenta cargueiros de ouro e prata em frente à janela furada antes de serem expulsos pelos índios, e de tempos em tempos se ouve histórias de alguém que encontra um cofre, caixa ou arca com ouro. Muitos são os aventureiros que chegam a Pedra Furada pelas trilhas.

Depoimento Andréa: “Sem dúvida valeu a pena fazer esta serra e visitar estes lugares deslumbrantes, com certeza serão imagens que guardaremos em nossa memória e emoções que nossos corações não esquecerão”.

Imagens em movimento!

2o. Dia – 19.12 – Serras Catarinenses

Depois de conhecer estes lugares fantásticos na Serra Geral, os “viajeiros” pegaram a estrada novamente, agora em direção a outro grande desafio: a Serra do Rio do Rastro. Esta serra estava nos planos desde o início, depois que um grande amigo motociclista, Sandro Hofer, passou por lá e contou sobre a maravilhosa sensação provocada por suas curvas.

 
 
 
Antes de chegar á serra, pararam na Chocolateria Schoko Haus, em Bom Jardim da Serra, para tomar um chocolate quente e comer umas guloseimas. Parada que não poderia faltar quando se visita o Sul do Brasil. As proprietárias tinham vivido em Santos, pois a família foi sócia de uma doceria no Gonzaga (os pais de Andréa moram em Santos). Contaram que foram visitar a serra, se encantaram e decidiram viver por lá, isso foi a mais de 12 anos.
 
Os viajantes chegaram ao Mirante da Serra do Rio do Rastro por volta das 18h, lugar de um visual fantástico que impressiona não apenas pela beleza, mas, sobretudo pelas curvas que cortam as grandes montanhas.
 
Esta serra é um dos desafios no Brasil que está na lista de muitos motociclistas e isto não era diferente para Jorge.
 
 
A Serra do Rio do Rastro faz parte das serras catarinenses e é cortada pela rodovia SC-438, onde é possível ter uma vista privilegiada de toda a serra que surge como serpente em meio aos inúmeros tons de verde da vegetação.
Localiza-se no município de Lauro Muller, e está a mais de 1421 m. de altitude, onde fica o mirante. O ponto mais elevado da serra é o Morro da Ronda com 1507 m. de altitude.

O percurso da Serra do Rio do Rastro é caracterizado por subidas íngremes e curvas fechadas, bem como por ótimos locais para desfrutar a paz proporcionada pela natureza. Coberta pela mata Atlântica, com uma fauna bem diversa, com vários tipos de felinos de pequeno, médio e grande porte, uma fauna de macacos (bugios, macacos-prego, sagüis), quatis, pacas, mãos-peladas, tatus, tamanduás e iraras, que são animais comuns numa mata atlântica preservada. Também uma avifauna composta de águias chilenas, tiês-sangue, tucanos, araras, papagaios etc.

 
Além da grande beleza da paisagem, a Serra do Rio do Rastro faz parte de uma coluna estratigráfica clássica do antigo supercontinente Gondwana no Brasil, Coluna White, tendo sido classificada como um dos sítios geológicos brasileiros, pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.
 

Esta coluna foi descrita pela primeira vez pelo geólogo americano Israel. C. White, em 1908, quando da publicação do Relatório Final dos levantamentos desenvolvidos durante 1904 a 1906, para a Comissão de Estudos das Minas de Carvão de Pedra do Brasil. Colaboraram John H.Macgregor e David White, apoiados por uma equipe composta por técnicos e funcionários brasileiros. Os estudos realizados resultaram num vastíssimo acervo de dados sobre os carvões sul-brasileiros, estratigrafia e paleontologia da Bacia Sedimentar do Paraná. A partir desta data, esta coluna estratigráfica ficou consagrada como Coluna White, em homenagem àquele pioneiro.  


 
A relação da região com o setor mineral brasileiro data de 1841, quando a presença de “carvão de pedra” foi constatada por técnicos e cientistas brasileiros e estrangeiros em missão do Governo Imperial Brasileiro. Em 1903, o então Governador Vidal Ramos inaugura uma estrada que partindo da atual localidade de Lauro Müller, permite o acesso até São Joaquim e Lages (a “Estrada Nova”).



A Formação Rio do Rastro é uma formação geológica da Bacia do Paraná, que ocorre na Região Sul do Brasil, principalmente nos estados de Santa CatarinaParaná e Rio Grande do Sul (geoparque da paleorrota). É constituída por rochas de origem sedimentar, principalmente siltitosargilitos e arenitos finos. O principal recurso mineral explorado são as argilas, empregadas nas cerâmicas. No início dos anos 80, a rodovia  SC-438, que percorre a Serra, foi pavimentada e, posteriormente, no trecho do aclive mais espetacular, iluminada.


Por volta das 18h45min chegaram ao pé da Serra, mas Jorge decidiu subir e descer novamente.
 
Depoimento Andréa: “Foi engraçado, Jorge perguntou: Vamos fazer de novo! Perguntei a ele: Você não está cansado? Ele respondeu: “Muito, mas não sabemos quando estaremos por aqui de novo, então vamos!” Estávamos na verdade exaustos, mas foi ótimo, realmente valeu a pena!”

O pessoal do carro não acompanhou e ficou esperando nosso retorno. Se reencontraram por volta das 19h30min e seguimos viagem para Criciúma.
Depoimento Paula: “Saímos rumo as Serras, primeiro passamos pela Serra do Corvo Branco, lugar MARAVILHOSO, estrada de terra e às subidas bem íngremes, pensamos algumas vezes que o carro não subiria, dava um frio na barriga…rsrsrs Mas vale cada centrimetro de terra e frio na barriga, espetáculo!!! A cachoeira Véu da Noiva, legal, mas acho que faltou água…rsrsrs Adorei a Pedra Furada, que vista linda, muitas montanhas, verde, DEMAIS!!!! A parada no Schoko Haus para um chocolate quente eh obrigatória, (principalmente se for chocólatra como eu..rsrsrs) muuuuito gostoso e com friozinho então… Hummmmmm As donas super simpáticas! A Serra do Rio do Rastro também muuuuuito legal, cheio de curvas beirando as montanhas, cheio de hortênsias deixando-a ainda mais bonita! Adoramos!”

Chegaram a Criciúma as 08h30minh. A noite já chegava, após um longo e belo dia.

Depoimento de um Lascado (Douglas): “Pra mim as serras catarinenses foram uma boa surpresa, as mais belas que eu já andei no Brasil. Eu sei que de carro não é a mesma sensação, mas quem parar lá em cima da serra do Rio do Rastro vai apreciar uma vista realmente linda, a serra absurdamente sinuosa e cheia de hortênsias da um toque especial ao visual, acho tb porque vc sabe que logo vai estar passando por ali em todas aquelas belas curvas, e o melhor, vc sabe também que não esta indo para o trabalho”.
 
Hospedaram-se no Hotel Ibis, onde comemoram uma pizza e beberam vinho para comemorar a aventura.

Depoimento Jorge: “Aí está um passeio que eu diria obrigatório para quem é motociclista da região sul e sudeste do Brasil. Isso também vale para algum maluco que venha do nordeste, como eu…rsrsrs. Pelo fato de ser estrada de terra com muito pedrisco, achei melhor subir a Serra do Corvo Branco e depois descer a Serra do Rio do Rastro (e também subi-la e descê-la novamente…). É muito bonito e com certeza vale a pena. Com certeza as motos Trial levam larga vantagem, mas acho que com o devido cuidado dá pra fazer tudo isso com qualquer moto“.

Serra do Rio do Rastro em Imagens!

2o. Dia – 19.12 – Serra do Rio do Rastro

Para saber mais:
 
 
 
Total de Km Rodados: 387
Abastecimento: 40 litros
Hospedagem: íbis Hotel: Valor da diária: R$ 109,00
Rede de hotéis que evitam surpresas. Excelente para dormir e tomar um bom banho.
Contras: Não tem café da manhã incluso, estacionamento pago a parte.
 
Gasto total (com alimentação): R$ 310,15
 

Passeios inesquecíveis!





4º. Dia – 21.12.2011
 
Punta del Diablo e Cabo Polonio
 

 

Seguiram até Punta del Diablo que fica a cerca de 45 km de Chuy, uma praia belíssima, com casas que variam de mansões a simples casas de madeira. Decidiram aproveitar a bela vista para almoçar no Restaurante Restobar, a beira-mar, comemorando a chegada ao país vizinho, excelente atendimento e boa comida! Foi onde conheceram uma “cerveza” uruguaia deliciosa: PATRICIA!

 
 
 
 
 
Punta del Diablo é um povoado de pescadores uruguaios situado ao lado do Parque Nacional de Santa Teresa, no Departamento de Rocha. Localiza-se a 298 km da capital do país, Montevidéu.
 
Sua população fixa é de cerca de 650 habitantes, em sua maioria, pescadores e artesãos. No verão, transforma-se em um dos principais balneários do país, recebendo grande número de turistas argentinos, brasileiros e europeus.



 
Originalmente era uma pequena vila de pescadores. Suas praias, emolduradas por três cabeceiras que formam o “tridente”, ocupam cerca de 10 quilômetros de litoral. O balneário conta com: agências de trânsito, bares, camping, farmácias, cafés, escolas de surf, peixarias, hotéis, albergues, polícia e artesãos. As atrações turísticas próximas são: a área protegida da marinha e costeira de Cerro Verde, um ponto alto rochoso coberto por vegetação e localizada dentro da jurisdição de Santa Teresa, o spa La Coronilla, a cidade de Chuy , o Forte de San Miguel e o Spa La Esmeralda. Nas águas de Punta del Diablo vivem tartarugas verdes e antigos animais marinhos que estão em perigo de extinção.

“El dedo pétreo de la PUNTA DEL DIABLO, se hunde fino y elegante entre las aguas verde-azuladas de la mar y desde el Cerro Rivero la vista es esplendorosa.
La bahía, mansa, descuelga el vaivén de las olas, festoneadas de espuma blanca, que llegan tímidamente a morir en la arena de la costa…
En las zonas rocosas trepan, pulen se deshacen y vuelven, mueren y renacen… una y mil veces, en un juego repetido y ancestral…
El multicolor despliegue de casas, ranchos y cabañas cuelga del Cerro, en un caótico muestrario de inventiva y posibilidades…
Techos de paja, grises de tiempo, se mezclan con tejas, fibrocemento, cinc o cartón…
Los tonos verdes, celestes, marrones, naranjas y rojos se trepan a los techos y contrastan con las paredes encaladas o pintadas de colores pastel…”

Durante milênios, esta zona da costa oceânica que hoje faz parte do Uruguai, esteve sob domínio dos elementos naturais, únicos ao seu entorno. O vento é o arquiteto responsável pela paisagem atual, pois foi modelando a enorme extensão de dunas, que desde a beira do mar até a borda da Laguna Negra ou dos Defuntos, se estende como uma enorme e desolada tapeçaria formando uma franja, larga e dourada que contorna a costa do mar. Junto com a chuva se transformou em um agente erosivo que foi dando forma às enormes dunas de fina areia voadora.  Entre as encostas de algumas dunas se formam pequenas lagunas , provenientes dos mananciais de zonas mais altas ou de depósitos de chuva, que propiciam o crescimento de plantas e arbustos, além de variada fauna.

Em fevereiro de 1935, a família de Laureano Rocha, que tinha um pequeno campo em Vuelta del Palmar e uma numerosa descendência, composta por 10 filhos, ante a enfermidade de um deles, que sofria de asma, aconselhado por seu médico de que a solução para ele era levado à costa, resolveu construir um pequeno rancho na zona dos Cerros, em campo de propriedade da família Martinez, que colaborou com a edificação da rudimentária vivenda.
Nos verões, a família se mudava para a costa do mar, onde a saúde do jovem começou a estabilizar-se, fazendo com que o chefe da família se mudasse também nos meses de inverno, por ser um grande aficionado pela pesca, muito abundante nesta época, e que realizava com o uso do aparelho e servia para aliviar o sustento da numerosa família de recursos humildes.


O ingresso na zona do Cerro se realizava com carros tirados por cavalos, por caminhos de barro e água, até chegar às dunas onde o, por vezes, o veículo virava por causa da dificuldade das areias moles, devido ao vento que mudava o trajeto das dunas, era preciso marcar uma trilha para poder encontrar o caminho de volta.

No ano de 1942, se fixaram alguns pescadores que vieram de Valizas e começaram a pescar tubarão para vender ao mercado asiático. Os pescadores saíam para o mar em chalanas a remo, sem nenhum instrumento de guia ou orientação. O valor dos homens e a abnegação das mulheres foram dando forma a uma estirpe de pescadores temperados ao mar e ao vento, que deram uma identidade muito especial ao precário assentamento que se formava ao longo do Cerro.
Saíram de Punta del Diablo por volta as 15h15m, em direção a outra aventura: CABO POLONIO.
 

Chegam à região pela Ruta 9, saindo pela Ruta 16 em direção a Ruta 10, estrada a beira-mar, logo se avistam as casas que guardam as bilheterias que vendem as passagens ($150) para o passeio que leva os turistas até o vilarejo. Nestas casinhas também é possível usar os banheiros que são preparados para a troca de roupa, necessária principalmente aos motociclistas que chegam de longe.

3 Cabo Polonio (17)Pegaram a traineira por volta das 16h, após andar por cerca de 15min se tem a primeira vista do mar e ao fundo surgem as primeiras “habitaciones” de Cabo Polonio. Em sua maioria são brancas e se destacam em meio à areia e ao céu de um azul celeste.
 
 
 
 
 
São muitos os passeios que podem ser feitos na região, como a volta pelas dunas, conhecer escavações ou naufrágios, mas a escolha é feita somente ao se chegar na vila de Cabo Polonio, na agência de turismo que atende por lá, não podendo ser contratado antecipadamente.
 
A vila conta com restaurantes, bares, “tiendas” de artesanato local, hostel e muita, muita areia.
Chegando mais perto do vilarejo se pode notar algum colorido, aquele típico da América do Sul. A traineira leva turistas e uruguaios que aproveitam a época das férias para acampar ou se hospedar na vila que mais parece tirada de um filme.
 
Em Cabo Polônio, conta-se o tempo pelo número de barcos naufragados ou encalhados. Chegar a esse vilarejo “escondido” a 300 km de Montevidéu, capital do Uruguai, é roteiro para poucos, mas é capaz de surpreender até o viajante mais experiente.

Localizado no Estado de Rocha, a nordeste do país, Polônio abriga aproximadamente 60 moradores fixos e chega a receber centenas de turistas uruguaios e argentinos durante os meses do verão. A região está ligada ao continente por uma faixa de areia rodeada de dunas e já foi habitada pelos índios da tribo Charruas entre os séculos 16 e 19.

O nome da cidade é uma homenagem a Joseph Polloni, o capitão de um barco que, como muitos outros, naufragou na região. A força das águas dali encanta e assusta ao mesmo tempo até o mais destemido navegador. A região é responsável por naufrágios que, de acordo com o nível da maré, podem ser vistos enterrados nas areias sob a água fria e azulada da praia Sul. Os relatos da época contam que, ao passarem por aquela área, os navegadores entravam em pânico ao verem as bússolas sem direção girando descontroladamente. A fama de “Inferno dos Navegantes” é justa.


Sem luz elétrica, Cabo Polônio tem como única iluminação artificial: a luz do farol localizado entre as praias Norte e Sul. Ao anoitecer, a península fica em total escuridão por 12 segundos, tempo que a luz do farol demora a dar uma volta completa.

As cores que pintam Polônio são tão poéticas que até inspiram artistas, como o urguaio Jorge Drexler, que dedicou seu último trabalho à região, o CD “12 Segundos de Escuridão” (disponível em http://letras.terra.com.br/jorge-drexler/797711/). O artista chega a passar semanas no local para encontrar inspiração para as suas próximas composições.

 
5-Cabo-Polonio-79Uma das atrações da região é a morada natural de “lobos marinhos”, formada por três pequenas ilhas: La Rosa, La Encantada e El Islote, que abrigam mais de 3000. Existem várias espécies que se utilizam das rochas para realizar a troca dos pelos ou aguardar o nascimento de seus filhotes. O barulho de seus gritos ressoa na pacata vila e trás uma beleza ainda mais exuberante ao já tão belo visual de Cabo Polonio.
 
 

3 Cabo Polonio (67)Uma das espécies encontrada é o lobo marinho de dois pelos, também chamado de lobo fino sudamericano, pertence à sub-ordem dos Pinípedes (palavra derivada do termos em latim pinna e pedis – que significa “pé em forma de pena”), caracterizado como otarídeo, por sua orelha externa e membros posteriores tencionados para fora do corpo. Corpo delgado, com coloração variando de negro a marrom, com tons cinza prateados. Ventre ligeiramente mais claro. Focinho fino e pontudo, orelhas visíveis. Pelagem dupla, com pelos escuros e grossos e abaixo desses, pelos superficiais mais curtos. Machos adultos sempre maiores que as fêmeas. Dentes pós-caninos com formato tricúspide. Os machos adultos pesam cerca de 200 kg, enquanto as fêmeas 60 kg sendo que, os machos adultos atingem 1,8m, enquanto as fêmeas, em geral, não ultrapassam 1,5m.


Ocorre ao longo de toda a costa da América do Sul, desde o Peru até o sul do Brasil. No Brasil, a espécie ocorre principalmente nos meses de inverno e primavera, sendo os animais, em sua grande maioria, machos sub-adultos ou adultos, provavelmente oriundos do Uruguai.


A reprodução ocorre em ilhas no Uruguai, Argentina, Peru e Chile. O acasalamento e os nascimentos ocorrem durante a primavera e o verão, com início em outubro. Durante a estação reprodutiva, os machos podem formar e defender haréns com inúmeras fêmeas ou ainda defender áreas específicas dentro da colônias, chamadas de territórios. A fêmea dá a luz somente a um filho depois de 12 meses de gestação. O período de amamentação fura em média de 8 a 10 meses. Os lobos-marinhos podem viver de 15 a 20 anos.

3 Cabo Polonio (70)Outra espécie existente em Cabo Polonio é leão marinho, também chamado de lobo marinho de um pelo, lobo marino chusco, león marino del sur, león marino sudamericano, também é uma espécie de mamífero pinnípedo da família dos otáridos, mas sua cor parda escura quando adultos e negra quando jovens, os diferencia dos lobos de dois pelos. Os machos pesam cerca de 300kg, o dobro das fêmeas e possuem uma capa de pelo castanho avermelhado sobre o pescoço, por isso são chamados de leões marinhos.

Vivem em colônias de cerca de 18 fêmeas, formando um harén, e uns poucos jovens. Durante o verão, entre dezembro e fevereiro, se mudam para sítios protegidos, como Cabo Polonio, para parir, chegando a alguns mil exemplares. A gestação é de 11 meses e meio e durante a reprodução, os machos entram em combate pelo controle do território e por suas fêmeas, o fazendo através de rugidos e lutas corporais que vão depender do número de fêmeas a serem vencidas. Vivem entre 25 e 50 anos.

No entanto, nem sempre os machos sub-adultos são capazes de acasalar e, às vezes, sequestram os filhotes, como forma de controlar as fêmeas. Quando isso acontece, os filhotes estão seriamente feridos ou mesmo mortos. Ambas as espécies alimentam-se principalmente de peixes e lulas.

 
3 Cabo Polonio (72)Os viajantes puderam presenciar, enquanto visitavam a reserva, a luta entre machos por seu territórios, com rugidos e brigas corporais. Também tiveram acesso a um filhote, provavelmente vítima de um “sequestro”. Ambas as situações foram filmadas e estão presentes no vídeo abaixo.


Depoimento Andréa: “Para visitar Cabo Polonio é preciso pegar uma “traineira”, um caminhão de tração 4×4, que irá ultrapassar a barreira imposta pelas belas dunas que separam a estrada e o mar. Pura aventura, já que em vários momentos ele parece que não vai conseguir rsrsrsrs.  Cabo Polonio é uma vila cravada na areia, suas casinhas brancas parecem, ao longe, uma miragem em meio ao azul do mar. O tempo parece ter parado neste lugar maravilhoso. Este lugar vai entrar para o meu rol de visuais fantásticos!”.

Depoimento de um Lascado (Douglas): “Punta del Diablo e Cabo Polônio são bem legais, vou deixar para os companheiros de viagem descrevê-los, guardo ótimas lembranças de lá e se um dia esquecê-las, fotos, vídeos e este blog vão me ajudar a revivê-las”.

Emoções em Vídeo!
 

Conhecendo Montevidéu – Parte 3

Passeando pela Rambla 25 de Agosto de 1825!
 

 A turma também aproveitou para conhecer a avenida da orla, chamada de Rambla. Além de belíssima, também é muito organizada e limpa. Ela circula toda a cidade de Montevidéu, banhada pelo Rio de la Plata, que mais parece um mar, pois tudo por ali lembra as praias banhadas pelo Oceano Atlântico.

O nome dado a esta avenida beira-mar é uma homenagem à data mais importante do Uruguai ou República Oriental, como também é chamada, pois foi a data em que foi proclamada sua independência. Conhecida como Banda Oriental do Uruguai, ou Província Cisplatina, rebela-se, sob o comando de seu maior líder, Artigas, culminando em 25 de agosto de 1825 com o raiar do sol da independência, sol este que faz parte da bandeira uruguaia, contudo este momento é oficializado somente com o Tratado de Montevidéu em 1828.

 

 

De vários pontos da Ciudad Vieja se pode avistar as águas do Mar del Plata, como também é chamado por aqui.

 

 

 

 

 

Suas águas azuis acolhem o Terminal de Cargas e de Turismo de Montevidéu, onde também se pode conhecer a Sede do Mercosul que fica instalada na zona portuária, o Porto Naval e toda sua estrutura como a Aduana Uruguaia.

 

Situado no coração da Ciudad Vieja, em frente ao Terminal Turístico e Portuário encontra-se o Mercado del Puerto, repleto de restaurantes, bares e lojas de artesanatos e “lembrancinhas”, passeio imperdível.

 O mercado surgiu como iniciativa do comerciante espanhol Pedro Saenz de Zumarán (que dá nome a diversas ruas de Montevidéu), ele é quem concebe e organiza uma empresa privada com o objetivo de construir o maior mercado da América do Sul. Denominado Mercado del Puerto, foi inaugurado em 10 de outubro de 1868. O projeto e a construção ficaram a cargo do engenheiro R.V.Mesures, que também foi responsável por controlar a fabricação das peças em fundição metálica que foram desenhadas e executadas em Liverpool, Inglaterra e montadas em Montevidéu.



Em seu centro existiu até 1897 uma fonte de ferro de forma circular, mas em 25 de agosto do mesmo ano se inaugurou em seu lugar um posto coroado por um relógio, nos anos 80, o relógio ficou sem funcionar, porém em 1996, a administração do mercado encomendou seu reparado ao relojoeiro artesanal Dardo Sánchez, que o ressuscitou em uma semana de trabalho intenso. Embora conserve as características originais da cobertura e fachadas exteriores, foi se transformando ao longo do tempo. Mas por sua arquitetura característica de uma época e por estar vinculada à evolução histórica do país, esta obra foi tombada como Monumento Histórico Nacional em 07 de agosto de 1975.

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Os viajantes andaram por todo o mercado, tiraram fotos, aproveitaram para degustar o pastel típico do mercado e comprar algumas lembrancinhas. 

Após este passeio decidiram retornar às ruas da Ciudad Vieja, para continuar a conhecê-la. Porém depois de mais alguns quilômetros de andanças, optaram por retornar ao Mercado para almoçar por lá, aproveitando para experimentar, de fato, a culinária local, já que todos os restaurantes do Mercado possuem as típicas churrasqueiras uruguaias. Mas qual não foi a surpresa ao perceberam que as ruas calmas de horas antes estavam repletas de gente por todos os lados e que o mercado, tão tranqüilo, tinha se transformado em uma praça de festa.

Na véspera de Natal conhecer o Mercado del Puerto teve um sabor todo especial, já que as pessoas lotam todo o espaço do mercado e das ruas ao seu redor para comemorar a data. Além de muita música, dança e muita alegria, a festa é regada (literalmente) a Sidra. Garrafas e garrafas são abertas e seu líquido doce serve de chuva para banhar os participantes da festa.

Após comerem um típico churrasco uruguaio, tomar mais “cervezas” e um bom vinho, decidiram continuar o passeio. Andando pela Rambla 25 de Agosto de 1825 chegaram a Plazoneta de las Bóvedas onde se encontra a Casa de los Ximénez.

 
Montevideo (46)

A Casa de los Ximénez é destinada atualmente a uma seção do Museu Histórico Nacional. Ela foi construída no início do período de ocupação portuguesa, entre 1817 e 1824. A casa evoca a tradição de Montevidéu com uma praça forte e o porto do mar. Sua fachada dialoga com as sólidas muralhas colonias da praça Las Bóvedas, que cerravam o casco urbano do primeiro assentamento de frente defensiva dos domínios espanhóis do Rio de La Plata, em uma zona de premante luta com os portugueses.

 

As antigas construções de Las Bóvedas é uma obra monumental de arquitetura militar realizada entre 1794 e 1806, que eram paredes paralelas que foram baseadas em bunkers, primeiro utilizadas como lojas e alojamentos das trocas e depois como depósitos.


Na praça se encontra o monumento histórico chamado de “Hernandarias”, inaugurado em 18 de maio de 1953, pelo uruguaio Antonio Pena. A estátua feita em bronze é uma homenagem a Hernando Arias de Saavedra, também conhecido como Hernandarias. Foi um crioulo descendente de colonizadores espanhóis, nascido em Assunção, Paraguai, mas que foi designado Governador da área colônia do Rio de La Plata em três períodos. Se dedicou de forma intensa a explorar territórios, principalmente nas planícies situadas ao sul do Paraguai, entre os rios Paraná e Uruguai. Depois de um ano cruzando o rio Uruguai, Hernandarias voltou a viajar para a “Banda Oriental” com uma importante tropa de gado dando origem a uma rica agricultura, cuja exploração foi uma das razões determinantes do importante processo histórico que culminou na efetiva colonização do território uruguaio, que havia sido despovoado pelos espanhóis. Ele também determinou que os portugueses fundassem posteriormente Colonia del Sacramento (lugar que iremos conhecer em outro capítulo).
 
Montevidéu em Imagens!

 
Para saber mais:
 
 
 
Total de Km Rodados: 0
Abastecimento: 0 litros
Hospedagem: Hotel The Place: Valor da diária: R$ 120,00
Hotel simples, mas organizado e limpo. Excelente localização. Internet grátis.
Sem estacionamento e com café da manhã.
 
Gasto total (dias 23 e 24 – com alimentação e passeios): R$ 572,00
 

Descobrindo Colonia del Sacramento

8º. Dia – 25.12.2011
Montevidéu a Colonia del Sacramento – UR

 
Saíram de Montevidéu por volta das 08h30m., pela Av. del Libertador,  que tem o imponente edifício do Palácio do Governo ao fundo, uma última bela imagem da capital Montevidéu.
 

Chegaram a Colonia del Sacramento as 11h. A cidade parecia dormir, em virtude do feriado de Natal, tudo estava fechado e as ruas vazias. Tiveram que procurar um hotel, pois os que tinham nas anotações estavam cheios, caros ou não tinham condições de receber ninguém. 

 

 

 

 

Depois de alguma procura encontraram o Hostel El Viajero, mas os quartos e banheiros eram coletivos e, mesmo assim, não tinha nenhum que atendesse aos seis viajantes. Foi indicada a Pousada El Viajero, que tem quartos individuais, um bom preço e uma excelente localização, próxima ao centro e com uma vista fantástica para o Rio de la Plata.

 

Colonia del Sacramento é a capital do departamento de Colônia, tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento, nome de sua igreja matriz. Sua colonização teve início em 22 de Janeiro de 1679, por Manual Lobo, a mando do Império Português no século XVII, com o objetivo de estender as fronteiras pelo Rio da Prata. Nesta data, as forças portuguesas iniciaram o estabelecimento da Colônia do Santíssimo Sacramento, em fronteira oposta a Buenos Aires, tendo sido fundada em 1680. O núcleo deste estabelecimento foi uma fortificação simples, iniciada com planta no formato de um polígono quadrangular. Após lutas entre os espanhóis e os portugueses pelas terras de Colônia, em 23 de janeiro de 1683, a esquadra portuguesa tomou posse da Fortaleza de São Gabriel, onde se mantiveram até 1705. A fortificação na Nova Colônia do Santíssimo Sacramento foi reconstruída a partir de 1704 com uma planta abaluartada, quando foi novamente dominada pelos espanhóis, até 1715, quando foi devolvida aos portugueses pelo segundo Tratado de Utrecht, de 06 de Fevereiro deste ano. Além da finalidade bélica, Colônia atendia aos interesses do setor mercantil. Colonia del Sacramento foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Os viajantes começaram a passear pelo lugarejo encantador entrando pela Puerta de la Ciudadela, que fica em frente a atual Plaza de 1811, onde tem início seu entorno histórico. A Porta foi inaugurada em 1745, período do governador português Vasconcellos, grande responsável pela construção da cidade e de suas atividades. Conheceram a praça onde se encontram as ruínas da antiga cidade, devastada pelas inúmeras batalhas entre portugueses e espanhóis pela sua posse.


A primeira visita foi a Igreja Matriz, ela é a mais antiga do Uruguai, tendo sofrido sucessivas destruições parciais devido aos ataques da guerra e outros acidentes. O edifício original nasceu em 1680 e suas paredes se misturam a história da cidade.


Os viajantes escolheram o restaurante El Drugstore para almoçar, um lugar de criativa decoração, ambiente acolhedor, além de ótima comida. Aproveitaram para comemorar o Natal e o aniversário de Lauricia, em grande estilo.


 

Depois do almoço saíram para andar pela cidade, aproveitaram para molhar os pés no Rio da Prata e visitar os principais pontos turísticos da cidade, entre eles, o Puerto de Yates, onde durante todo o ano ficam embarcações que superam sua capacidade. Do píer é possível apreciar a baía de Colônia, suas praias de águas mansas e a Ilha de San Gabriel.

 

 

 

 

 

A Calle de los Suspiros é outro ponto imperdível em Colônia, cartão postal da cidade retratado em diversos quadros espalhados pelos hotéis, restaurantes; remete aos tempos da colonização e leva a uma viagem a outros momentos, trazendo aos viajantes a sensação de estar participando de um filme.

A cidade conta ainda com diversos museus, mas que nossos viajeiros não puderam conhecer por estarem fechados devido ao feriado. Mas fica a dica: Museu Português, Museu Municipal, Museu Indígena, Museu do Azulejo e Museu Espanhol e o Aquário.

Os aventureiros aproveitaram o pouco tempo que teriam para conhecer a cidade alugando um carrinho, aqueles iguais aos de golfe, e fizeram um tour pela cidade, passeando por sua orla, por suas ruas arborizadas e pelas belíssimas imagens que pareciam tiradas de uma pintura.

Depoimento Jorge: “A cidade tem varias empresas de aluguel desses carrinhos, e é muito engraçado ver aquele monte de turistas pra cima e pra baixo com eles. Tem carrinho pra tudo quanto é lado. Até racha de carrinho de golfe eu vi…  rs”.

A cidade também é repleta de carros antigos, que se espalham por suas ruas, aumentando ainda mais seu encanto e a transformando em algo surreal.

 

 

 

 

Em Colônia também é possível pegar um Buquebus para Buenos Aires, balsa que atravessa o Rio da Prata. No entorno do terminal ficam antigas construções que um dia fizeram parte da rede ferroviária da região e hoje fazem parte de um museu.

La Puesta del Sol é outro atrativo imperdível em Colonia del Sacramento, este espetáculo da natureza pode ser apreciado em diversos pontos da cidade e é uma atração a parte, que emociona até os menos aficionados pelo show do astro rei. Um destes lugares é o Farol.

O farol de Colônia está localizado nas seculares ruínas do Convento San Francisco, que corresponde a um dos edifícios mais antigos da cidade. Muitos historiadores indicam sua construção entre os anos de 1683 a 1704. Seu muros altos e largos são de pedra e se mantém em pé até hoje. Em sua frente, avançando pela praça, se encontra a Capela de la Concepción, cujas fundações se encontram descobertas e a vista dos visitantes. Em 1857 foi agregada a torre do atual farol.

 

 

 

 

Depois de assistir ao pôr-do-sol e andar pelas ruas iluminadas do vilarejo, o que lhe confere um ar ainda mais belo, jantaram na Pulperia de Los Faroles, ao som de música ao vivo, degustando um bom vinho e boa comida.

A noite de Colonia del Sacramento é outro momento mágico, é possível andar por ruas repletas de lamparinas, que lhe dão um ar de cidade de fantasia, avistar as luzes de Buenos Aires e para completar, um céu iluminado de estrelas. Tudo neste lugar realmente parece ir além de qualquer imaginação.

 

Depoimento Andréa: “Colonia del Sacramento parece aquelas cidadezinhas retiradas dos filmes, para qualquer lugar que olhamos é como se estivéssemos vendo uma foto, um quadro. Um lugar incrivelmente lindo e, sem dúvida, um dos que mais gostei de toda a viagem. Um lugar mágico que adoraria rever e que talvez as palavras e, nem mesmo as imagens, consigam descrever. Pena termos ficado apenas um dia”.
 
Depoimento Lauricia: “Várias imagens realmente ficarão em nossa memória de tão bonitas, mas uma cidadezinha que me deixou encantada foi Colonia Del Sacramento, no Uruguay! Ao percorrer as ruas arborizadas e floridas, parecia que caminhávamos pela história da cidade cujas ruínas víamos por toda parte! E tudo preservado, contando a história de cada local! E o pôr-do-sol? Que lindo!!! Esta cidade, à beira do Mar Del Plata, é um encanto! E lá existe o “buquebus” navio que atravessa carros e pessoas para Buenos Aires na Argentina.  E, à noite um céu estrelado que me deixou mais encantada ainda!!!”.
 
 
Conhecendo Colonia del Sacramento!

 

 
Para saber mais:
 
Total de Km Rodados: 194
Abastecimento: 19 litros
Hospedagem: Posada El Viajero: Valor da diária: R$ 120,00
http://www.elviajerobb.com/ (tem hostel e pousada).
Melhor hotel da viagem: lindo, organizado e limpo. Excelente localização. Internet grátis.
Sem estacionamento (que não é um problema nesta cidade) e com café da manhã.
 
Gasto total (com alimentação): R$ 297,00
 
 

Passeando por Gramado

 Conhecendo Gramado (28 e 29.12.2011)

Curtindo a cidade do Natal Luz
 
O acesso a Gramado é feito por uma serra, coberta de hortênsias por todos os lados, dando ainda mais graciosidade à viagem. Ao chegar à cidade, os viajantes se depararam com o Pórtico, um portão de entrada, na Via Taquara, que recebe os visitantes com sua beleza, indicando que os viajantes chegaram a Gramado, dando uma ideia das maravilhas que ainda estavam por vir. O Pórtico foi inaugurado em 08 de Junho de 1991, e sua construção tem características germânicas, com estilo normando, homenageando a colonização alemã. E não é possível passar por ele sem parar para uma foto.
 
 A região de Gramado foi desbravada inicialmente por descendentes de açorianos, os chamados tropeiros, que utilizavam a região para descanso do gado. Este lugar de repouso parece ter dado o nome da cidade. Na região chegaram seus primeiros moradores por volta de 1875, contudo, permaneceu despovoado até 1913, quando chegaram os colonos descendentes de alemães e italianos, que somaram suas características culturais ao povoado em formação, o que se reflete até hoje em sua culinária e arquitetura. A partir de então, a população iniciou o movimento emancipatório que culminou com a criação do município de Gramado em 15 de Dezembro de 1954.
 
Os viajantes passearam dois dias por Gramado e Canela, no primeiro dia tomaram o café da manhã na Padaria e Confeitaria São Pedro (nome da Igreja Matriz da cidade), em uma das ruas enfeitadas de Gramado, uma rua repleta de renas enfeitadas das formas mais criativas possíveis, dando um colorido e uma alegria ao já belo Natal de Gramado. No segundo dia, o pessoal decidiu tomar café no Hotel Serra Azul, um maravilhoso café da manhã, repleto das delícias locais e onde é possível comer à vontade. Vale a pena conhecer!
 
Depois de se abastecer com o café da manhã, os visitantes foram caminhar pelo centro da cidade, para conhecer seus pontos turísticos. A principal parada foi na Igreja Matriz, uma belíssima igreja em pedra, que chama a atenção por sua imponência.
 
A Igreja de São Pedro, matriz da cidade, foi inaugurada em 1942, após um período de oito anos de construção, que teve início em setembro de 1913. A capela São Pedro, que se tornaria a Igreja Matriz, foi erguida em madeira, no ano de 1917, e vinte seis anos mais tarde foi construída com cerca de 72 mil pedras basálticas, tendo sua pedra fundamental abençoada em Junho de 1942. Em seus vitrais exibe as passagens da vida do apóstolo Pedro ao lado de Jesus. Sua torre tem 46 metros de altura e seu sino, em bronze, aço e estanho, fabricado pela empresa Bellini – Canoas/RS, pesa mil quilos.

A igreja fica na Praça Major Nicoletti, núcleo da sede do município desde 1913. Recebeu este nome do 1º.Sub-intendente local, responsável pela atual localização de Gramado. Foi totalmente remodelada e reinaugurada em 2003 e atualmente recebe as imagens, em tamanho natural, dos 12 apóstolos de Cristo.
 
 

Em frente à praça é possível iniciar um passeio de trenzinho (um ônibus em formato de trem) que circula pelas belas ruas da cidade. O casal Lau e Fred logo se animou e não perdeu a oportunidade de realizar este passeio. Enquanto isso, os demais viajantes aproveitaram para caminhar pelas ruas da cidade e conhecer um pouco mais de suas belezas.

 
Em frente à praça, também se encontra a Rua Coberta, nome dado devido a sua cobertura transparente, coberta de trepadeiras, cujo nome original é Rua Madre Verônica, é um cenário de eventos e apresentações, que liga a Av. Borges de Medeiros à Rua Garibaldi. É um dos pontos mais charmosos da cidade e uma ótima alternativa de compras e gastronomia.

Gramado tem o clima perfeito para deliciosos cafés da tarde, para os quais não faltam opções. Os viajantes optaram por conhecer a Croasonho (http://www.croasonho.com.br/) onde puderam saborear agradáveis cafés e outras guloseimas.

O grupo, em certo momento, decidiu separar-se, para que cada um pudesse conhecer um pouco mais do que gostava. Paula e Lauricia foram andar pelas lojinhas e foram visitar a Aldeia do Papai Noel e aproveitaram para assistir à Parada de Natal que circula pelas ruas da cidade. Jorge e Andréa, Douglas, Fred e Sandro decidiram conhecer os Museus do Automóvel e da Harley, mas este será outro capítulo desta história.

 

Um ponto turístico que chama a atenção, principalmente na época do Natal, é o Parque Knorr, onde fica a Aldeia do Papai Noel, localizado bem no centro da cidade, num local de repleto encanto e magia, onde é possível conhecer a Árvore dos Desejos, o Chalé dos Ursos, a Fábrica de Brinquedos e a primeira casa da região, em estilo bávaro, datada de 1940, que nesta época é toda decorada com motivos natalinos, tornando-se a Casa do Papai Noel.

Entre tantas as opções de passeios decidiram, todos juntos agora, conhecer o famoso Lago Negro, onde, em anos anteriores, foram montadas as comemorações e espetáculos natalinos. Um lugar mágico, belíssimo, que transmite tranquilidade e paz de espírito aos que percorrem seus caminhos floridos. Em sua entrada também é possível conhecer a Casa de Cultura, que comercializa artesanato local, doces e onde é possível tomar um café quentinho.

 O Lago Negro é uma das atrações imperdíveis. Inicialmente chamava-se Vale do Bom Retiro. Após um incêndio em 1942, que arrasou a imensa mata existente na região, Leopoldo Rosenfeldt iniciou seu reflorestamento e construiu o lago artificial em 1953, decorando suas margens com árvores importadas da Floresta Negra da Alemanha, daí seu nome, Lago Negro. Suas águas são profundas e de um verde escuro carregado, refletindo o alto dos pinheiros que se alternam com o colorido das azaleias no inverno e o azul das hortênsias no verão. Por toda sua margem existe um passeio florido, podendo-se andar a pé ou de bicicleta. Porém a maior atração fica por conta dos pedalinhos, em forma de cisne, que dão ao lago um alegre e movimentado colorido.
 
 
Os “viajeiros” quiseram conhecer o ilustre Natal Luz, com seus espetáculos de som e luz, que trazem magia às milhares de pessoas que andam pelas ruas de Gramado nesta época do ano. Depois de um maravilhoso jantar na Galeteria Nonno Mio (http://www.nonnomio.com.br/), com direito ao rodízio de galeto regado a um bom vinho, saíram para passear pelas enfeitadas ruas da cidade, em busca de ver o show do qual já tinham muito ouvido falar. Assistiram à queima de fogos e aos show de luzes e neve na principal avenida de Gramado, que tinha um mar de gente que apreciava, encantada e emocionada, o maravilhoso espetáculo. Jorge e Sandro optaram por fazer algo diferente, foram conhecer o pub que funciona dentro do Museu da Harley-Davidson e tem shows de rock, mas este passeio será mostrado em outro momento. Agora vamos falar da história do principal evento da cidade: o Natal Luz.
 
 
Em 1986 surge na cidade a necessidade de revitalizar a Festa das Hortênsias, festa tradicional que deu origem à Fearte e ao Festival de Cinema, criando um atrativo que fosse além das flores. Dezembro era uma época de pouca visitação, já que os turistas preferiam conhecer a cidade no inverno.
 
Pensaram, então, em utilizar o Natal como atração turística e o então prefeito, Pedro Bertolucci, e o Secretário de Turismo, Luciano Peccin, tiveram a ideia de enfeitar a cidade toda para o Natal, como forma de atrair os viajantes. Pensaram que apenas as luzes não dariam a conotação que desejavam ao evento, pensaram em sonorizar a avenida e criar um espetáculo. Começa a ser criada a festa de Natal de Gramado.
 
 

 

 

O maestro Eleazar de Carvalho, titular da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, decide montar um grande concerto, com coral e poesia, que circulava pelas avenidas da cidade, culminando na Igreja Matriz. Surge, então, o Natal Luz, uma das festas mais famosas do Brasil, nesta época do ano.

Depoimento Andréa: “Gostei muito de conhecer Gramado, mas confesso que não fiquei tão encantada quanto esperava. A cidade é linda, super arrumada, tudo muito organizado, os jardins belíssimos, os enfeites natalinos bem feitos e a cidade faz jus a sua fama, porém achei Canela muito mais gracinha e a decoração muito mais bonita e charmosa. Além do mais, Gramado é uma cidade muito voltada ao consumo, com muitas lojinhas e um comércio exaustivo, muito distante do que gosto de apreciar. Quando chego a um lugar quero ter a sensação de encantamento, mesmo depois de visto fotos, como se a foto não conseguisse transmitir tudo que o olhar conseguiria, e com Gramado não foi assim, o que vi nas fotos é o que vi ao vivo, não me trouxe aquela sensação de ficar maravilhada. Gostei muito mais de outros lugares que visitei nesta aventura”.

 
Assistam ao Natal Luz de Gramado:
 
 
Para
saber mais:
 
 
Total de Km Rodados: 0
Abastecimento: 0 litros
Hospedagem: Casa da Família Zinni
Gasto total (com alimentação e passeios): R$ 280,00
 

Aventura em quatro rodas

4º. Dia – 18.12.2012
Arraial d´Ajuda
Aventura em quatro rodas
 
 
Era o último dia das férias, antes de começar o caminho de volta pra casa. Escolheram fazer algo diferente e buscaram por aventuras nas agências locais.
 
A aventura possível parecia emocionante e enquanto aguardavam o horário dela começar, decidiram curtir novamente a praia de Mucugê, a mais próxima e nem por isso menos bela.
 
Os viajantes decidiram parar na Barraca de Praia “Cantinho Mineiro”, um lugar aconchegante, com uma comida maravilhosa, roskas de primeira qualidade e um atendimento fantástico, além de um preço justo.
 
Lugar em que puderam conhecer duas figuras inesquecíveis que os atenderam na barraca.
Passaram toda manhã na praia, aproveitaram para um banho de mar e para caminhar pelas piscinas naturais, mas também para aproveitar a paisagem curtindo uma rede.
 

Depoimento Andréa: “Apreciar a mudança de maré é algo deslumbrante, nos mostra o movimento da vida. Olhar o mar calmo e suas cores vivas é realmente energizante. Só posso agradecer por poder vivenciar tudo isso”.

Após aproveitar bem o último dia de praia, os aventureiros ficaram aguardando o carro que iria pegá-los para levá-los em direção ao último passeio por Arraial, mas agora sobre quatro rodas. Isso mesmo, os “malucos” decidiram alugar quadriciclos e aventurar-se por uma trilha rumo à praia de Taípe.
 
Arraial conta com inúmeras empresas que realizam passeios e trilhas, os viajantes escolheram a empresa Bahia Radical (http://www.arraialdajuda.tur.br/bahia-radical/#) para realizar a aventura e a experiência foi fantástica. Não deixe de conhecer!!!!
 
A trilha que leva à Praia de Taípe tem cerca de 25km e é isolada por falésias de 20 metros de altura em meio a Mata Atlântica. O passeio corta fazendas de mata nativa, mistura de belas paisagens, alguns riscos e muita adrenalina, com travessia de pequenos rios, subidas e descidas por penhascos que dão mais animação à aventura.
 
O passeio teve direito até a uma quase-queda, que deu o que falar e o que rir…mais uma vez Andréa encontrou a areia e pôde relembrar outras aventuras.
 

No centro da praia de Taípe está a Lagoa Azul, que pode ser vista apenas em maré baixa e se destaca com a luz solar. Suas areis são ricas em silicato de alumínio, utilizado na indústria cosmética, dizem que é ótimo para a pele.

Taípe é uma praia tranquila, é foz do rio do mesmo nome, suas águas são mais escuras, devido à vegetação do mangue, mas completamente limpa e ótima para a pesca.

Nesta praia os viajantes puderam tomar um delicioso banho de mar e Jorge se divertiu pegando “jacarés”. Andréa aproveitou para caminhar e fotografar este lugar exuberante e fantástico.
 
Ficaram na praia por cerca de uma hora e na volta puderam parar em um mirante, em cima das
falésias, e vislumbrar as belezas de Taípe do alto de suas falésias. A trilha
passou por matas mais fechadas e o passeio ficou ainda mais divertido.
 
 
Realmente uma aventura inesquecível e muito divertida!!!!!!
 
 
 
 

Voltaram exaustos e cheios de terra para a pousada. Precisavam mais que um banho, mas um esfregão total! Cansados mas felizes, muito felizes.

 

Depois de um merecido banho, saíram para curtir a última noite em Arraial. Decidiram conhecer o Miloca Crepes e Hamburgueres, um lugar divertido, cheio de fotos de atores, atrizes e músicos, com deliciosos e gigantescos hambúrgueres.



 

 

 

 

 

Aproveitaram para se despedir de Arraial com mais um sorvete do Coelhinho. Combinaram de sair cedo no dia seguinte em direção a Itacaré, onde passariam a noite, seguindo viagem no dia seguinte para Lauro de Freitas, aproveitando para  conhecer a nova estrada Itacaré-Camamu.

Desmaiaram na cama depois de um dia cansativo, mas divertidíssimo e inesquecível.
 
 
 
Acompanhe esta aventura sobre quatro rodas em imagens:
 
 
Para conhecer mais:

Glaciar Perito Moreno

 
 
Dia 12.12
Glaciar Perito Moreno
 
 
 
 
 

Neste dia, acordamos cedo, tínhamos um passeio incrível pela frente, aliás, acreditávamos que esse seria o principal da viagem. Depois que o Ushuaia tinha ficado para a próxima aventura, o Glaciar Perito Moreno seria o grande momento da viagem, seria como nosso destino final! E que destino………

Saímos do hotel por volta das 9h, em direção ao Parque Nacional dos Glaciares, reserva que abriga os grandes glaciares da Patagônia Argentina e do Chile, entre eles, o Glaciar Perito Moreno. A entrada da reserva fica a cerca de 80 km de El Calafate, por uma estrada perfeita, em estrutura e em belas paisagens.

No início do passeio, ainda próximo à cidade, a estrada vai margeando o Lago Argentino, um dos inúmeros lagos patagônicos, o maior e o mais austral da Argentina.  O lago cobre uma superfície de 1466 km2 e tem uma profundidade média de 150 metros, podendo alcançar 500 metros em alguns pontos. O lago foi descoberto em 1875, e explorado, por Francisco Pascaio Moreno (1853-1919), um cientista, naturalista e explorador argentino, que dá nome ao glaciar, a uma cidade e a inúmeras ruas e avenidas espalhadas por toda a Patagônia Argentina. Por todo lugar que passamos tinha algo homenageando Perito Moreno.

 
A bela estrada, após cerca de 40 km, começa a se afastar do Lago Argentino em direção à divisa com o Chile, onde estão localizadas as geleiras, até chegar à Parque Nacional dos Glaciares, uma reserva natural, margeada por um braço do Lago Argentino na Seccional do Río Mitre.

Quando nos deparamos com a Seccional Río Mitre, é sinal de que estamos entrando no Parque Nacional dos Glaciares. Fundado em 1937, o parque é considerado um lugar único no mundo, por isso, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1981.

 
 

O parque possui uma extensão de 725 mil hectares, que abriga 356 geleiras, entre as quais, alguns dos maiores glaciares do mundo. Glaciares são formados basicamente por neve compactada, neve que se origina do alto da cordilheira dos Andes. Estas formações podem chegar a 170 km, como é o caso do Glaciar Perito Moreno, o maior e mais famoso da região, chamado, por alguns, de “oitava maravilha do mundo”. E ao conhecê-lo, entendemos perfeitamente o motivo. Também é considerado como uma das reservas de água doce mais importante do mundo.

Para chegar ao glaciar, andamos por uma estrada belíssima, repleta de vegetação, com muitas flores e com belas vistas. Antes de chegar ao glaciar, pudemos fazer algumas paradas, entre elas, no Mirante de los Suspiros, e a vista explica o nome. Toda a estrada entre a entrada do parque até o Glaciar é incrivelmente bela e cheia de imagens surpreendentes.

O impacto de sua visão é algo extraordinário, impossível explicar em palavras, mas poderíamos usar palavras como inacreditável, fantástico, imobilizador, maravilhoso e, sem dúvida, emocionante e inesquecível. Já no caminho é possível ver o Glaciar ao longe, em sua imensidão, mas a emoção que vai tomando conta, enquanto nos aproximamos, é algo impactante, e o frio, que vai aumentando, é o que nos faz saber que estamos na direção correta.

Tentar descrever um glaciar é quase como contar uma ficção científica, podemos falar de seus inúmeros tons de branco e de azul, também de suas fendas com riscos em vários tons de cinza. Podemos destacar sua imponência, devido aos seus mais de 74 metros de altura, ou seus 5 km de largura, ou por sua profundidade que chega a 170 metros abaixo do que nossos olhos podem ver. Junte-se a isso, sua extensão, que chega a 250 km2, e temos um dos mais belos fenômenos da natureza.

Mas não é só isso, também tem seu movimento, que pode chegar a um metro por dia e que, ao encontrar-se com a parte terrestre, provoca um enorme atrito, que o obriga a se moldar e, para isso, lança, no lago, sedimentos, que vão de pequenos e finos, como grandes icebergs, que ficam suspensos na água, formando o leite dos glaciares. Ao entrarmos no Parque, em direção ao glaciar, vamos margeando o Río Mitre, que compõe o Lago Argentino, no lago é possível ver os sedimentos que se desprenderam do glaciar e que “navegam” pelas águas calmas do lago.

Desabamentos pequenos podem ser vistos a todo instante, e faz com que este espetáculo se torne ainda mais incrível. Desabamentos maiores ocorrem com menos frequência, o último foi em julho de 2008, também ocorreu um grande desabamento em 2006 e em 2004, porém, antes disso, o desabamento foi em 1988.

Com certeza, além do que os olhos podem ver, a parte mais interessante deste espetáculo é o que os ouvidos podem captar, é o barulho tão imponente quanto sua vista. Enquanto andamos pelas bem incríveis passarelas, que nos permitem chegar muito perto do glaciar, podemos ouvir seu som, estrondos gigantescos que nos avisa sobre nossa pequenez e nos mostra o quanto este glaciar está vivo e pulsante.


“Vou contar algo engraçado: enquanto íamos em direção ao glaciar, percebi inúmeros blocos gigantes de gelo no lago e meu primeiro pensamento foi: “nossa, que legal, eles fazem uns icebergs bem grandes, de mentira, para imitar os que se soltam dos glaciares”. Santa ignorância!!! Não era de mentira, era um iceberg mesmo, da mais pura verdade, do mais puro gelo que se desprende do glaciar!!!!” (Andréa).

 

Com certeza, além do que os olhos podem ver, a parte mais interessante deste espetáculo é o que os ouvidos podem captar, é o barulho tão imponente quanto sua vista. Enquanto andamos pelas bem incríveis passarelas, que nos permitem chegar muito perto do glaciar, podemos ouvir seu som, estrondos gigantescos que nos avisa sobre nossa pequenez e nos mostra o quanto este glaciar está vivo e pulsante.

A estrutura montada para os visitantes é extraordinária, além das passarelas que margeiam o Glaciar e que permitem olhar a geleira sob diversos pontos, e se aproximar deste gigante, o parque ainda conta com uma lanchonete na qual podemos tomar um chocolate bem quentinho ou uma bebida com o gelo do glaciar (pelo menos é o que nos contam rsrsrsrsr), além de ter lanches, pães e uma boa variedade de guloseimas.

As passarelas contam com diversos bancos, espalhados em pontos especiais, que permitem aos visitantes parar para descansar e, principalmente, para desfrutar da paisagem e meditar, ao som do glaciar.

Aproveitamos este espaço para fazer um pic-nic. Ahhh, curiosidade: não existem lixeiras ao longo de todo parque, todo o lixo deve ser guardado pelos visitantes e levados à El Calafate, cidade mais próxima, responsável pela coleta.

 

 

Existe apenas um coletor de “colillas”, as “bitucas” de cigarro.
                                                               

 

Depois de andarmos por todas as passarelas possíveis, fotografar e se deslumbrar com paisagens maravilhosas e com a emoção de ver algo tão diferente, decidimos ir fazer um passeio de barco, de cerca de uma hora, que nos leva até bem perto do glaciar, mas agora pelo Brazo Rico do Lago Argentino. Chegamos ao ponto de embarque e todas as passagens já tinham sido vendidas, conversamos muito com a atendente e ela pediu que aguardássemos, se sobrasse lugares, poderíamos fazer o passeio. Como “meu santo é forte” rsrsrsr conseguimos os dois últimos lugares.

Se é incrível ver o glaciar do alto, tão incrível é vê-lo por baixo, ou melhor, de frente. É uma parede gigante que parece que vai nos engolir, mas sua beleza e a visão de seu tamanho é algo que levaremos pra sempre na memória.

O barco chega a aproximadamente 200 mts da parede de mais de 70 mts de altura, chegar mais próximo se torna perigoso, pois quando os pedaços se soltam (nunca se sabe quando isto irá ocorrer) podem fazer ondas enormes e colocar o barco em risco.


Pudemos ver, e bem de perto, alguns destes “pedaços”, que se soltaram por aqueles dias e que passeiam pelo lago. Enquanto passeávamos pelo glaciar, tanto pelas passarelas como de barco, pudemos ver alguns sedimentos se soltarem, não eram grandes, mas o barulho e o movimento que faziam, ao cair na água, deu uma ideia de como seria ver um iceberg maior se desprender.

“Emoção, muita emoção, só assim é possível descrever o que senti ao me deparar com aquele mundo de gelo. Aquele gigantesco mundo de gelo. Aquela sensação de ser pequena diante de tamanha grandeza da natureza. Aquele sentimento que nos inunda ao nos encontrarmos com o inexplicável, com grandeza da beleza do mundo. Chorei, chorei como em outros tantos momentos que não podem ser expressos em palavras, apenas em emoção” (Andréa).

“Eu já devo ter lido uma centena de relatos de motociclistas que foram para essas bandas de Ushuaia e El Calafate, principalmente durante minhas pesquisas para montar esta viagem que estamos contando agora, e em todos os relatos lidos que falavam deste passeio ao Glaciar Perito Moreno os narradores falavam da grandiosidade e beleza deste “monumento gigante de gelo”, mas agora eu entendo por que em todos esses relatos o pessoal diz sempre a mesma coisa: que as fotos, filmagens ou tudo o que se diz a respeito deste Glaciar não faz jus à sua grandiosidade. Realmente eles estão todos certos. Tem de ir lá e ver com os próprios olhos. Sentir seu frio. Escutar os estalos de suas trincas e ter a certeza de que ele está vivo, se mexendo o tempo todo. É fantástico!” (Jorge).

Em nosso passeio pelo Glaciar, encontramos Charlie Tseng e Cecília, eles estavam viajando desde a Ásia, pela América do Sul (http://www.mototuristas.com.br/mototurismo/moto-bmw-1200-gs/ e http://conamoto.com.br/de-singapura-para-o-mundo/).

Para finalizar bem o dia, nada como um bom vinho e um bom jantar. Jorge aproveitou para comer novamente um cordeiro patagônico e eu, uma milanesa, outro prato bem típico na Argentina.

 

Assista ao vídeo, pois talvez as imagens possam dar uma pequena noção do que as palavras não conseguiram expressar.

 

 
 
Para saber mais:
 

Passeios por BARILOCHE

Dia 16.12
Passeios por BARILOCHE
 

Enfim, estávamos em San Carlos de Bariloche, carinhosamente, Bariloche.


Após tomar um delicioso café da manhã, com vista para o Lago Nahuel Huapi, fomos dar uma volta pelo centro da cidade, buscando um espaço de turismo para se informar sobre os possíveis passeios. Para nossa surpresa e alegria, o Centro Cívico, espaço em que se encontra também o centro de informações turísticas, ficava a menos de 200 metros do Hotel, aliás, a localização deste hotel é fantástica.

Neste centro pudemos pegar vários mapas turísticos e fomos super bem atendidos. A atendente, muito solícita e simpática, explicou que poderíamos fazer o “Circuito Chico” com nossa moto, pois é perto da cidade e que poderíamos aproveitar para conhecer o Cerro Catedral e o Cerro Campanário. Indicou que buscássemos uma agência de turismo para fazer o passeio pela Villa Traful e Villa La Angostura, mais distante e com trechos de terra, e que o valor cobrado pelas agências é tabelado, portanto era só uma questão de escolher a agência.

Aproveitamos nossa ida à lavanderia (para deixar as roupas sujas, pois já já não teríamos mais o que vestir), para procurar uma agência, encontramos a Adventure Center (http://www.adventurecenter.com.ar/) e fomos atendidos por uma argentina, Andréa, que morou na Bahia durante alguns anos. Enfim, em pouco tempo, parecíamos amigos de longa data. Fechamos o pacote para visitar as Villas para o dia seguinte. Decidimos desbravar Bariloche por conta própria no dia de hoje.

Voltamos ao Hotel, pegamos a moto e saímos em direção ao Circuito Chico. Chico significa pequeno, mas não se engane, pois talvez o trajeto seja realmente pequeno perto de outros passeios, mas a grandiosidade da sua beleza é algo que emociona.

 

O percurso vai beirando o Lago Nahuel Huapi e logo no inicio a paisagem já fica deslumbrante.

A mistura de cores das flores, das montanhas com seus picos nevados e o azul do céu, é algo realmente inesquecível. Durante o trajeto, feito em meio a árvores, flores e lagos, é possível parar para fotografar e curtir as paisagens que são de tirar o fôlego. No meio do circuito tem o Hotel Resort Llao Llao, famoso por sua culinária (mostrada no Diário do Olivier na América do Sul – http://gnt.globo.com/programas/diario-do-olivier/episodios/5033.htm), localização e preço. Optamos por não parar no Hotel e seguir em frente.

Logo nos deparamos com o Lago Perito Moreno e uma pequena serra, que contorna as montanhas e nos leva ao ponto mais alto, onde fica o Mirador e Bar Punto Panorámico, lugar de atendimento impecável, preço justo e uma vista fantástica dos lagos Perito Moreno e Nahuel Huapi e das inúmeras montanhas que os cercam. Realmente visuais de encantar.

  Aproveitamos para tomar um chocolate quente, nada mais convidativo para se aquecer do frio e aproveitar a vista.

 

Enquanto estivemos por lá, pudemos apreciar até um falcão, típico da região, que pousou, literalmente, para nossa filmagem, além de tirar inúmeras fotos da paisagem, imagens que guardaremos na memória, para sempre.

No vídeo, vocês assistirão nossos passeios de forma invertida, depois do Circuito Chico, vem o Cerro Catedral e o nosso passeio pela estrada que chega à Bariloche e, no final do vídeo, o nosso passeio de teleférico, mas, na realidade, primeiro fomos direto ao Cerro Campanário (http://www.cerrocampanario.com.ar/), que faz parte do Circuito Chico, pois fica na estrada de retorno à Bariloche. Para visitar o Campanário, somos levados por um teleférico ao cume de 1050 metros de altitude e, se achávamos já ter visto paisagens deslumbrantes, não tínhamos ideia do que ainda estava por vir.

 

Chegar ao cume do Cerro Campanário é algo extraordinário, é como estar “no topo do mundo”, um daqueles momentos de emoção pura, diante de tanta beleza, de tanta harmonia ofertada pela natureza. É algo realmente incrível, um visual inesquecível e fantástico. Todas as palavras e imagens não conseguirão descrever as belezas e os sentimentos experimentados diante daquele lugar de sonhos. Para todo canto que olhamos, e são 360º de vista, nos deparamos com visuais belíssimos.

 

 

Novamente pudemos vivenciar aquela sensação indescritível, diante de algo indescritível, em que as lágrimas surgem porque o coração não aguenta a emoção. Com certeza, ao final da descida do teleférico, na volta, éramos outras pessoas.

 

 

“Desde la cumbre podemos observar uma de las ocho vistas panorâmicas mas impactantes del mundo” (National Geographic).

O Cerro Catedral (http://www.catedralaltapatagonia.com/invierno/index.php) fica em umas das estradinhas vicinais, no final do Circuito Chico, e a serra que nos leva até lá é outra coisa encantadora.

O Cerro Catedral é uma estação de esqui, com seus inúmeros teleféricos, a mais famosa estação da região Patagônica, visitada por turistas do mundo todo que amam o esporte. Estávamos no verão e o que vimos de neve foi um branquinho bem pequeno, no alto dos morros, mas já deu pra imaginar todas aquelas montanhas cobertas de gelo e, só de pensar, já ficamos com frio rsrsrsrsrsrsrsr

 

Aproveitamos a parada, já próxima ao almoço, para lanchar na única lanchonete aberta nestes tempos de verão. Ficamos imaginando como será a “vida agitada” em tempos de neve, porque o lugar é gigantesco. Nosso único contato com a realidade da neve foi ver uma turma de escola que estava praticando aulas de esqui, dadas também nesta época do ano, em uma pista artificial, um iglu e um boneco de neve, também artificiais. Ficamos com vontade de voltar no inverno….

Depois de passearmos pelo Chico e por alguns Cerros, pois tem outros tantos na região de Bariloche, decidimos refazer o caminho de chegada à cidade.

Como no dia anterior chegamos já ao anoitecer, achamos que valeria a pena refazer o caminho de entrada na cidade, para apreciar melhor suas cores, suas flores, montanhas e rios.

Foi uma ideia brilhante, pois pudemos ter certeza de que o que nossos olhos tinham visto no dia anterior era real, existia, e não era a pintura de um quadro, embora parecesse.

Ainda tivemos a oportunidade de conhecer o Rio Foyel que rodeia as estradas.

Nosso dia foi magnífico, entraria para os momentos inesquecíveis e os sonhos realizados, mas mal sabíamos o que ainda estava por vir por estas terras, considerada, por muitos, a Europa da América do Sul.

Chegamos ao Hotel, exaustos, mas queríamos andar um pouco pelo Centro Cívico e pelas lojinhas ao seu redor. Decidimos procurar um lugar para jantar antes do passeio, afinal, já era mais de 20h, embora o sol ainda estivesse alto.

Escolhemos o El Chiringuito para comer. Um restaurante simples, pequeno, mas com uma excelente comida, um preço ótimo e bons vinhos. Bom ressaltar que, por estas bandas, todo e qualquer boteco tem bons vinhos!!!!

Depois de comer, fomos caminhar pelo centro e pudemos conhecer um pouco da arquitetura e de uma cidade bem cuidada e aconchegante. Demos umas voltinhas pelo comércio local, repleto de lojas de “lembrancinhas” e de equipamentos para caminhada, esqui e de belas e robustas roupas de inverno.

Ao deitarmos tínhamos a certeza de que este dia seria lembrado para sempre, como tantos outros, e só nos restava agradecer por isso!

Não deixem de assistir ao vídeo deste dia incrível… Com certeza, um dos mais belos da viagem!!
 

Para saber mais: